ILC contra o Acordo Ortográfico

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Os professores António Avelãs e Luís Lobo, ambos membros do Secretariado Nacional da FENPROF, tiveram ontem (21.10.14) a amabilidade de dispor de algum tempo para reunir com representantes da ILC-AO. Se, por um lado, os professores naturalmente se preocupam em não prejudicar os seus alunos quando estes são obrigados a utilizar o AO nos exames, também é certo que o papel do professor na sociedade não se esgota na sala de aula. Foi nesse sentido que apelámos a estes professores para que a FENPROF, com o seu historial de luta pelos interesses dos professores, reflicta sobre esta questão.

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À semelhança de reuniões anteriores com outras entidades, procurámos relatar um pouco do que tem sido a história  e a génese do AO90 e da sua entrada em vigor em Portugal – uma história de carácter, no mínimo, duvidoso e recheada de meandros pouco recomendáveis, como sabemos – e transmitir o objectivo último desta ILC: revogar essa mesma entrada em vigor no nosso país. Seria excelente se pudéssemos contar com o apoio expresso dos professores e temos a certeza de que tal apenas dignificaria essa nobre profissão.

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Pela nossa parte, é claro, continuaremos a divulgar esta Causa o mais possível junto de entidades e organizações ligadas à Cultura em geral e à Língua em particular.

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 [Representantes da ILC-AO na reunião: Hermínia Castro, Octávio dos Santos e João Pedro Graça]

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Neste artigo, o Maestro António Victorino de Almeida critica o “acordo ortográfico” e o Coordenador do jornal explicita a (o)posição do “Diário de Notícias – Madeira” ao AO90.

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«Victorino D’Almeida homenageado na Madeira elogia Orquestra Clássica, Conservatório e Funchal | DNOTICIAS.PT»
[extracto da notícia]
«Ainda houve tempo para falar do aspecto de ligação da música e a palavra, considerando que “a música ajuda a aprender as línguas”, criticando o acordo ortográfico que faz com que o “espetáculo” tenha um “aspeto”, acentuando ao nível fonético a palavra “espeto”.»[/extracto]

[comentários à notícia]
josé madeira
Por falar em acordo ortográfico… Porque é que o DN escreve de acordo com esse malfadado acordo?… Como é possível, senhor Director (do DN-Madeira)?!!!… Tenha a coragem de dar aqui uma explicação. É uma mancha nos pergaminhos do Diário, que só o empobrece. É uma tontice, como diz o AJJ.
———————————————————————————————————
João
Bom dia sr. josé madeira
Os jornalistas do DIÁRIO escrevem de acordo com o anterior acordo ortográfico.
Penso que deve estar a fazer confusão com o facto de haver, no espaço dedicado à Opinião, opinadores que escrevem, voluntariamente, de acordo com o novo acordo ortográfico.
Grato pela compreensão.
João Filipe Pestana
Coordenador

[Extracto de notícia e reprodução de comentários à mesma em publicação do "Diário de Notícias - Madeira" (versão "online") em 17.10.14.]

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Sigla para Brasil-Portugal Misturados, um trio que faz das rimas lusofonia. Mundo Segundo, Vinicius Terra e Sr. Alfaiate actuam hoje no Musicbox

Uma pós-graduação é das coisas mais úteis que conhecemos. Sobretudo se tiver decorrido há oito anos no Porto, quando um professor brasileiro quis aprofundar o seu conhecimento em português de Portugal. “Era uma curiosidade que tinha, fui professor de língua portuguesa no Brasil durante nove anos, é a minha profissão apesar de hoje já não leccionar mais”, conta-nos Vinicius Terra – esquecemo-nos de referir que o senhor professor se dedicava às rimas depois de assinado o sumário -, elemento chave do trio.

Foi o brasileiro da companhia que tendo passado dois anos no nosso país – onde deu uma série de concertos com Sr. Alfaiate como DJ de serviço – ficou pasmado com a qualidade do rap português. “Voltei para o Brasil com vontade de criar algo que promovesse o intercâmbio entre os dois países. Criei um festival chamado Terra do Rap com essa intenção, para criar um bloco de rap lusófono”. A primeira edição do festival, em 2013 deu ao público brasileiro a possibilidade de assistir a concertos de Mundo Segundo, de Allen Halloween, Sr. Alfaiate, Dama Bete, entre outros. Os BPM – nome que serve o trocadilho de batidas por minuto – apresentaram-se ao público no início de Agosto passado, precisamente na segunda edição do festival. Recue-se uns tempos para perceber a criação de uma formação que nem estava prevista. “Basicamente isto são três sujeitos que gostam do que fazem, estavam ali [Estúdio 2º Piso, de Mundo Segundo, no Porto] num momento de lazer e que começaram a criar. Quando vimos tínhamos uns quatro ou cinco temas, quando voltei para o Brasil decidimos lançar uma música na internet. Surgiu o Projecto BPM, com c, sem acordo ortográfico”, esclarece o rapper, pela lusofonia, mas crítico em relação ao acordo.

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dicionarioamorosoLP«SINOPSE»
«O livro promove uma celebração ao “desacordo” da língua portuguesa. No ano em que mais se discutiu o acordo ortográfico, o brasileiro Marcelo Moutinho e o português Jorge Reis Sá desafiaram 35 autores de língua portuguesa, em quatro diferentes continentes, a escrever sobre suas 35 palavras favoritas. O resultado, aqui publicado, revela uma amorosa diferença no uso do mesmo idioma.»

COQUELUX

«São autores do Brasil, de Portugal, de Angola, de Moçambique e do Timor Leste, e, em cada um deles, a mesma palavra pode assumir formas e significados diferentes.»

«“Justamente para sublinhar essa distinção que depreende da unidade, tornando‐a mais rica, optamos por não obedecer às regras do novo acordo ortográfico”, afirmam os organizadores.»

«O Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa é “um dicionário de palavras íntimas”, que fala de amor e amores, entre eles aquele que é dirigido ao peculiar e notável idioma que nos foi legado, o português — sempre mutante e encantador.»
www.marcelomoutinho.com.br (“.pdf”)

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Revista_2_12102014

O assunto tem andado morto — mal morto, reconheça-se — mas agora reanimou-se. A nova directora do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, vulgo IILP, achou por bem vir garantir que o acordo ortográfico (AO) “será aplicado em todos os estados” da CPLP, admitindo, rezam as notícias, que “cada um tem um ritmo próprio”. Sobre a utilidade da coisa não falou, como era de esperar. Nem poderia. Até agora, tirando a profusão caótica de grafias que por aí vai (com acordo, sem, meio por meio, supressão de letras a eito e até colocação de consoantes onde nunca existiram), ninguém foi capaz de se chegar à ribalta linguista e afirmar, com euforia: esta era a boa solução e provou-se!

Pelo contrário. Na mesma semana em que o IILP debitava a burocracia do costume, a assembleia de delegados do Pen Clube Internacional (com 58 centros ali representados) aprovou, por unanimidade, uma nova resolução (já o havia feito antes) apelando para que as autoridades reconheçam que há “problemas significativos” na aplicação do AO, refutando o argumento de que tal acordo “conduzirá a uma simplificação da língua com benefícios no plano da educação”; e defendendo a “liberdade dos escritores e tradutores” a “escolherem a opção ortográfica mais apropriada ao seu trabalho”. O problema é que o IILP é a “autoridade”, ou uma delas, movida a pretensões políticas, enquanto o Pen se “limita” a unir um grupo de profissionais que lidam todos os dias com a língua e a escrita, enfrentando os muitos problemas que estas lhes colocam. Não poderá, nunca, ser a mesma coisa.

E unificar é preciso. É? Vejamos dois exemplos curiosos de palavras iguais grafadas de modo diferente em Portugal e no Brasil, até porque “trocam” de letra na primeira sílaba: catorze em Portugal e quatorze no Brasil (onde se lê o “u”, tal como em quatro); quotidiano em Portugal e cotidiano no Brasil. O AO unificou-os? Não. Mas vários dicionários, antes até da entorse acordista, fizeram o que deviam: incluíram as quatro formulações, indicando as que vigoram cá e lá. Se isso tivesse sido feito com as muitas palavras mudadas à força sem ter em conta os códigos vocálicos de cada país, estaríamos bem melhor. Mas preferiram criar uma escrita só “nossa”. Desnecessária e inutilmente absurda.

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Vasco Graça Moura

Prémio de poesia Vasco Graça Moura em 2015

O Prémio Vasco Graça Moura destina-se a autores consagrados ou que estejam a dar os primeiros passos na escrita. Será atribuído no próximo ano, pela editora Modo de Ler, que em 2015 assinala 40 anos sobre o primeiro livro que publicou do escritor, poeta e ensaísta.

José da Cruz Santos, editor da Modo de Ler, considera que este prémio é uma boa oportunidade para descobrir bons originais e ajudar alguém a publicar uma obra.

Podem concorrer escritores de qualquer nacionalidade, a única condição é que a obra tem que ser escrita em português, mas não de acordo com o novo acordo ortográfico. Vasco Graça Moura, que morreu no passado dia 27 de Abril, vítima de cancro, era presidente do Centro Cultural de Belém, desde Janeiro de 2012.

Romancista, poeta, ensaísta, tradutor, ex-deputado europeu e ex-secretário de Estado, Vasco Graça Moura foi alvo de várias homenagens este ano, nomeadamente pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Recebeu os prémios Pessoa e Vergílio Ferreira e ainda o de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela.

Autor de romances como “Quatro últimas canções” (1987), “A morte de ninguém” (1998), “Meu amor, era de noite” (2001), “O enigma de Zulmira” (2002), “Por detrás da magnólia” (2004), foi uma das vozes mais críticas do Acordo Ortográfico.

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[Transcrição integral de notícia da rádio TSF, 08.10.14. "Links" (e destaque) adicionados por nós.]

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logoPEN_internationalA Assembleia de Delegados do PEN Internacional, reunida no seu 80º Congresso Mundial em Bishkek, Quirguistão, de 29 de Setembro a 2 de Outubro de 2014:

Referindo-se à Resolução do PEN Internacional de 2012, que expressava um desapontamento pelo facto de as autoridades portuguesas “intentarem uma limitação do português pela imposição de regras artificiais” (pela estandardização da língua portuguesa); Reiterando a resolução do PEN Internacional de 2013, que apelava às autoridades portuguesas para “tomarem medidas imediatas para permitir uma restauração do português europeu na administração pública e nas escolas” e para “ter em conta… as opiniões de especialistas em Linguística… e garantir que os editores cessem de impor condições abusivas e restritivas para a criação literária”;

Preocupado com o facto de, apesar destas objecções, o Parlamento português ter aprovado, em 28 de Fevereiro de 2014, uma resolução apresentada pelos partidos do governo no sentido de formar um grupo de trabalho para monitorizar a implementação do Acordo Ortográfico, O PEN Internacional nota o seguinte: A experiência dos últimos três anos demonstrou a resistência dos países lusófonos ao Acordo Ortográfico. Enquanto o governo brasileiro adiou a implementação desse Acordo até 2016, outros países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste ou não o ratificaram ou não se vêem em condições para implementá-lo. Apesar disso, as autoridades portuguesas mantiveram a imposição inconstitucional do Acordo. Segundo a Constituição da República Portuguesa (Artigo. 43.º – 2) “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Para além disso, o Acordo foi implementado apesar do facto de o seu próprio texto prever um período de transição até 2016.

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(…)

Acto de escrita, acto musical andam juntos na biografia de Sérgio Godinho, mas já experimentou separá-los e resultou em teatro, em poesia, em contos. Volta ao teste não para provar nada, diz, mas por esse tal impulso ficcional que esteve sempre por lá. Está a escrever contos e a experimentar o estado inicial da busca de uma voz. A voz do contista está em estado mais embrionário, mas já tem certezas. Escrever em desacordo com o Acordo Ortográfico. Parece-lhe óbvia a desobediência. “Li muitos livros com ortografia antiga, Eça, Camilo, etc. Portanto, sempre achei que a evolução de uma língua era normal. O acordo não me chocava, mas quando comecei a ver as confusões à volta não me fez sentido. E há problemas geopolíticos e geoculturais.”

Adaptar uma língua ao som parece primário, quando todos dizem de outras formas e são tantos no mundo. Escutem-se as letras de Chico Buarque e Caetano Veloso no português de outra geografia. O mais recente projecto de Sérgio Godinho, As Caríssimas 40 Canções, livro que começou por crónicas escritas no Expresso e passou a espectáculo, tem essas coisas. Canções dos outros, por ele. Como cantar “Sampa”, de Caetano Veloso sem sotaque do Brasil e não soar estranho? Ou “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, ou “Conversa de Botequim” do Noel Rosa, que se passa num botequim. A resposta é cantar os outros usando o bom senso do cantar, da palavra dita, como na escrita. O ritmo, a harmonia. Há acordo ortográfico para isso?

(…)

[Transcrição parcial de entrevista concedida pelo cantor e compositor Sérgio Godinho à revista "Up Magazine", da TAP Portugal (número de Julho de 2014).]

Nota: este artigo foi corrigido automaticamente, de acordês para Português, com a extensão “Desacordo ortográfico” do Chrome.

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Do quanto abomino o acordo ortográfico

Não estou isento de erros, mas escrevo desde há muitos anos. Escrevo desde que me lembro de ter sentimentos para expressar, primeiro em papel e à mão, e depois nos computadores. Escrevo muito para além daquilo que é público. Na verdade, a minha escrita conhecida é pouca, e pouco entusiasmante. A melhor, guardo-a para públicos muito seleccionados. A necessidade de escrever conteúdos técnicos, fruto do meu percurso académico, roubou-me à prosa. Mas ainda a pratico quando posso.

Respeito todas as línguas, porque cada cultura encontra nelas, na sua forma escrita ou oral, a maneira de transmitir sentimentos, emoções. O amor é transmitido pelos gestos, sim, mas também em muito pela linguagem. Em cada cultura, em cada língua, transmitimos aos nossos filhos, aos nossos amigos, às nossas metades, o quanto os amamos através das palavras que lhes dirigimos e das pequenas anotações escritas que lhes deixamos. Os bilhetinhos – porventura com um tímido “gosto de ti” – fazem parte das nossas memórias. Crescemos com eles.

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Vasco Graça Moura 1942-2014

Vasco Graça Moura
1942-2014

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO, UMA PEDRADA NA LÍNGUA PORTUGUESA

FAZ HOJE, dia 27 de Setembro, seis meses que faleceu Vasco Graça Moura, um dos mais destacados intelectuais deste tão mal aproveitado rectângulo, palco da gula de uns tantos poderosos que, em termos de cultura e como diz o povo, não lhe chegavam aos calcanhares.

Referenciado como uma das vozes mais críticas do Novo Acordo Ortográfico, dizia, e com razão, que este apenas “serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo”.

Ao justificar a minha determinação, tal como este ilustre cultor da nossa bela língua, de continuar a escrever segundo a ortografia agora oficialmente rejeitada, estou do lado dos muitos portugueses que contestam o dito acordo e que, como eles, me recuso a segui-lo. Ao evocar Graça Moura e a sua luta contra esta pedrada atirada à língua que tão bem escrevia, ocorreu-me trazer a estas minhas páginas elementos de um pequeno texto que circulou na net e, provavelmente, ainda circula. Meia dúzia de linhas, cuja autoria desconheço, evidenciam algumas das situações anedóticas e até ridículas do tão falado acordo que, em minha modesta opinião, revela a menoridade de quem aqui o aceitou adaptar a exigências externas e a opaca subserviência de quem o colocou em letra de lei.

Se, como alguém* escreveu, a origem de muitas das palavras agora beliscadas na sua ortografia, «está, e bem, na Velha Europa, porque é que temos de nos submeter ao modo de escrever dos nossos irmãos do outro lado do Oceano?»… «Esta submissão – continua o mesmo texto* – é um atentado à cultura portuguesa, incompreensivelmente perpetrado por intelectuais portugueses e, infelizmente, homologado por quem teve poder para tal».…«Quanto a mim, – diz, ainda, o autor* do mesmo texto – à semelhança de muitos dos meus concidadãos, estou-me nas tintas para o acordo e vou continuar a escrever no português de Portugal».

E esta mesma contestação não pára de se manifestar por respeitados utilizadores da língua portuguesa escrita, sendo frequentes as declarações de rejeição do dito acordo.

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