ILC contra o Acordo Ortográfico

Ler, assinar, divulgar

Nos últimos dias temos sido “metralhados” com uma saraivada de notícias sobre os avanços – mas nunca, até agora, sobre os recuos – da “reforma da reforma“, isto é, a respeito da formação no Congresso brasileiro de uma “comissão técnica” visando a “simplificação” do AO90. E não sabíamos até agora dos recuos, mas ficamos desde já a saber: o senador Cyro Miranda vem “esclarecer” oficialmente que as ditas notícias “não procedem”, “desmentindo” assim todas elas, a começar pelas difundidas pelo próprio Senado a que pertence, o mesmíssimo Senado onde publica o seu “esclarecimento”. Aliás, neste “esclarecimento” o senador consegue a extraordinária proeza de se desmentir a si próprio, vindo agora “esclarecer” rigorosamente o contrário de anteriores declarações suas à imprensa.

Afinal, diz agora o senador, o tal “grupo de trabalho” da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto, em Português europeu) terá por finalidade não “propor a simplificação” da ortografia mas sim… “propor a unificação ortográfica da Língua Portuguesa, conforme Acordo já firmado em 1990.”

Espantoso. Novidades destas não apanhamos nós todos os dias. Mas ainda há mais “novidades estrondosas” neste estrondoso “esclarecimento” do senador Cyro Miranda.

Uma é que “a unificação em questão terá que ser feita em comum entendimento com os demais países”, o que significa que o AO90 afinal não unificou coisa nenhuma (outra espantosa novidade, obrigado, senhor senador) e que, portanto, agora é “necessário” um “grupo de trabalho” brasileiro propor a mesma coisa que o AO90 já propunha mas que no fim de contas não deu em nada.

Um bocadinho confuso, não, senhor senador?

governo_federal_do_brasil1Esclarecimento sobre Acordo Ortográfico
18/08/2014

Em resposta à demanda de professores de português, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, no dia 1º de outubro de 2013, a criação de um Grupo de Trabalho destinado a propor a unificação ortográfica da Língua Portuguesa, conforme Acordo já firmado em 1990.

Esse Acordo entraria em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2013, mas o início da vigência foi adiado para janeiro de 2016, por decreto da presidente Dilma Rousseff.

A unificação em questão terá que ser feita em comum entendimento com os demais países. Portanto, não há nada que senadores, a Comissão de Educação e até mesmo o Brasil possa fazer unilateralmente.

Recentes notícias de que estaríamos a ponto de reformular a ortografia da Língua Portuguesa não procedem.

Senador Cyro Miranda (PSDB-GO)

Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte

[Comunicado em "senado.gov.br" ("link" acrescentado)]

Share

logo_imparcial

Escritor avalia mudanças na ortografia

por Mariane Gaspareto-ESPECIAL

Conferencista J.B. Oliveira considera a reforma na língua portuguesa um “desserviço” e combate excesso do estrangeirismo

A nova reforma ortográfica é um “desserviço” para a língua portuguesa, pois suprime acentos que geram dúvidas aos leitores, de acordo com o conferencista, escritor, consultor de empresas e jornalista João Batista de Oliveira, o J.B. Oliveira.

Conforme o prudentino, que mora há mais de 50 anos na capital paulista e retornou a Presidente Prudente para realizar, ontem, palestra promovida pelo CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), um exemplo prático é a confusão causada na retirada da acentuação da palavra “para”. “Não sei se é o verbo de ação, referente a parar, ou a preposição”, explica.

Segundo Oliveira, a nova reforma é tão importante, que dedicou um capítulo inteiro de seu livro “Mostrando a língua” ao tema. Segundo o escritor, a intenção do acordo é eliminar diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, visando a unificação ortográfica das localidades. “No entanto, é uma maneira simples de complicar”, define.

continue a ler…

Share

«Acordo ortográfico será discutido em audiências públicas»
Título de “press release” do Senado Federal do Brasil, 19.08.14

«Os encontros do GTT são internos e fechados ao público. Portanto, a CE não pode divulgar suas datas ou quem participa de cada um deles.»
Citação de notícia de “Congresso em foco”, 20.08.14

senado

Senado decide reabrir debate sobre novo acordo ortográfico

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado vem aprofundando o debate nacional a respeito do acordo ortográfico da língua portuguesa. Professores e linguistas consultados e atendidos pela comissão têm usado o espaço para trocar opiniões a respeito da data oficial de implantação definitiva do acordo e de possíveis alterações em seu conteúdo.

Os debates são realizados no âmbito de um grupo de trabalho técnico (GTT) montado pela comissão, que reúne o Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa (Cellp), a Academia de Letras de Brasília (ALB) e o movimento Simplificando a Ortografia. Além dessas entidades, a Associação Brasileira de Linguística (Abralin) procurou a comissão para apresentar sua posição.

Os encontros do GTT são internos e fechados ao público. Portanto, a CE não pode divulgar suas datas ou quem participa de cada um deles. No entanto, a comissão planeja trazer à tona os temas debatidos ao longo dos últimos meses em uma audiência pública, prevista para outubro. Atualmente não há nenhuma proposição formalizada na comissão a respeito do assunto.

O presidente da CE, Cyro Miranda (PSDB-GO), disse acreditar que um debate abrangente a respeito do acordo ortográfico é urgente. “Tínhamos um acordo que não era acordo. A reforma foi feita sem ouvir ninguém. A comissão resolveu botar ordem na casa e tomamos a medida de convocar o debate, disse.

continue a ler…

Share

CauseILCbig«Quando eu penso que os políticos já esgotaram todos os disparates possíveis, eis que surge esta idiotice pegada! Em nome de quê? Do facilitismo que já grassa há anos e que tem dado péssimos resultados na educação da juventude? Não é “facilitando” a aprendizagem da língua materna que a população vai ficar mais letrada e culta. Para que isso acontecesse, devia existir uma vontade política que, já se viu, está completamente posta de parte. A estes politiqueiros de meia tigela o que interessa mesmo é que as próximas gerações sejam cada vez mais ignorantes e sem vontade de aprender. Assim, mais facilmente serão manipuladas.

Daqui a uns anos vão propor o quê? Que se retirem as vogais para a escrita ficar mais próxima das mensagens nos telemóveis? Isso facilitaria imenso a vida a milhares de jovens que já escrevem dessa forma nos seus trabalhos e testes escolares! Afinal, a ideia não é facilitar, tornar acessível e padronizar? Portanto, padronizemos a escrita de disparates como “Sts pltcs s dds!” (“Estes políticos são doidos!”), para grande gáudio de todos aqueles que não gostam de perder muitas horas com a aprendizagem da sua língua.

O que me aflige mais é saber que, no nosso país, existem cabeças tão desmioladas como as destes senhores e que facilmente vão achar a ideia o máximo.»

[Comentário de MJTeles a "post" com o título "Decreta a ABP, Academia Brasileira de Pitacos" em 19.08.14.]

Share

Logo_Tribuna_da_Madeira

É “supra citado” ou “supracitado”? Porquê?

Publicado a: 16:00, 6 Agosto, 2014
por Helena Rebelo

É estranha a passividade com que os portugueses, a nível individual, profissional e institucional, vão aceitando as incoerências do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO), procurando segui-las, sem se questionarem sobre elas. Estou a ler um artigo da área da Linguística escrito por um (uma) colega brasileiro(a) para emitir um parecer. Ao longo do texto, vou registando, por exemplo, “aspectos”, “expectativas”, “conectados”, “caracteriza” e “caracteres”. Seguindo o AO, esta pessoa, motivada pela maneira de dizer, mantém uma grafia que, em Portugal, pela mesma influência, querem alterar. Há algum tempo, tive de preparar um “póster” para um encontro científico, numa universidade portuguesa, e fui compelida a retirar o “c” em, por exemplo, “aspecto” e “características” para aplicar o AO. Era uma orientação da organização do evento. Por mais que dissesse que o AO concebia a “dupla grafia”, ninguém quis ouvir. Ando a ficar impressionada pelo desconhecimento generalizado, incluindo entre universitários da área da Linguística, do texto original do AO. Estou cada vez mais convencida que as consequências para a Língua Portuguesa deste AO são deveras nefastas. Com pena, vejo cavar-se um fosso, tendencialmente maior, entre a ortografia brasileira e a portuguesa, além de, esta, se vir a diferenciar da africana, nomeadamente da angolana. Está visto que os países africanos com o Português como língua oficial seguirão um caminho próprio. Com perplexidade, verifico que o AO, apenas do plano ortográfico, está a interferir com a Fonética, isto é, a pronúncia do Português Europeu. Um pouco por todo o lado, vejo escrito “contacto”, sem “c”, quando, todos os portugueses, que eu saiba, articulam essa letra, o mesmo sucede a “facto”. Poderá acontecer deixarmos de dizer como era hábito? Contudo, o problema maior é motivado pelas opções gráficas dos revisores textuais automáticos que seguem orientações que nem vêm no AO, mas são apresentadas por editoras. Sem grande reflexão, os portugueses vão escrevendo como ditam esses revisores, mas o melhor é inverter esta situação. Temos de ganhar alguma consciência linguística para termos a capacidade de pensar no que dizemos e escrevemos. Creio que o devemos, por exemplo, fazer com “supra citado”. Tem aparecido com a aglutinação dos dois elementos, como se fosse apenas um vocábulo. Pode haver, aqui, apenas uma palavra? Reflectir sobre tudo, incluindo usos linguísticos como este, é um exercício que aprecio bastante porque coloca problemas que continuarei, aqui, a propor. Isto não significa que saiba tudo ou que o assunto fique, na íntegra, resolvido.

continue a ler…

Share

«Os outros países assinaram o acordo em uma semana em que estiveram em Portugal bebendo vinho, sem entender direito.»
Ernâni Pimentel, 18 de Agosto de 2014

Ah, pronto, assim compreende-se…

ZH_logo

“Caza com ‘z’ continua sendo um substantivo”, diz professor que propõe alterações no Português

Ernani Pimentel coordena a Comissão de Educação do Senado, cujo projeto pretende facilitar a escrita da língua
por Bruna Scirea
18/08/2014 | 13h05

Um projeto para alterar (mais uma vez) as normas ortográficas da língua portuguesa está em elaboração pela Comissão de Educação do Senado. Se o novo acordo for aprovado, a partir de 2016 não vai mais existir “Homem” com “H” maiúsculo. Nem com minúsculo.

Entre as regras que devem ser apresentadas para avaliação no próximo mês, está o desaparecimento do “h” no início de palavras, e a abolição total do “ç”, do “ch” e do “ss”.

Confira abaixo a entrevista com o professor de português Ernani Pimentel, um dos coordenadores do grupo técnico da Comissão de Educação do Senado.

——————————————————

Zero Hora — Que mudanças devem ser propostas?

Ernani Pimentel — O hífen pode ser abolido. Ele não existia no latim. Antes do acordo, ninguém sabia as regras antigas. Agora, ninguém sabe as regras atuais também. Ponto. Significa que não funciona. Outro problema é o do “j” e do “g”. Esses dias vi duas placas em Genipabu, uma tinha a inicial “G” e a outra “J”. É uma confusão. Como se resolve isso? Transformando a letra “G” em “gue”. Todo som que tenha o “u” no meio, vai ser com “g”. O resto, como Genipabu, vai ser escrito com “J”.

ZH — E o “ch” e o “x”?

Pimentel — A regra do “x” e do “ch” é muito simples (ironia): as palavras indígenas, árabes e de origem africana são escritas com “x”. Agora, quem é que sabe das origens das palavras?

continue a ler…

Share

«Então pedimos o adiamento do prazo de obrigatoriedade e montamos uma comissão para propor novas regras, simplificar a ortografia e, principalmente, padronizar a gramática com outros países.»

«Conforme o senador Miranda, o objetivo é ter a versão final do projeto pronta até maio de 2015 para que seja colocada em votação e possa entrar em vigor no início de 2016.»

Ou seja, o adiamento da entrada em vigor do AO90 no Brasil não foi “no intuito de se alinhar com Portugal“. Afinal, o “objetivo” era outro. Afinal, o pretexto para o adiamento não passou de (mais) uma redonda mentira.

(*)

Pitaco

Por Paulo Camelo em 2007-11-20

Palpite.

Vendo-me consertar o carro, João ficou dando pitaco, como se fosse mecânico.

ZH_logo

Comissão do Senado estuda abolir “ç”, “ch” e “ss” da língua portuguesa

Grupo técnico pretende alterar a nova reforma ortográfica, tornando a escrita mais próxima da fala
por Bruna Scirea
18/08/2014 | 13h05

Mal deu tempo para entender o que o último acordo ortográfico fez com o acento de voo, com o hífen de antissocial e com o trema de cinquenta, e uma nova proposta, ainda mais radical, já está em elaboração pela Comissão de Educação do Senado.

A partir de 2016, se entrar em vigor o projeto que pretende fasilitar o ensino e a aprendizajem da língua portugeza, vosê poderá ser obrigado a escrever asim (leia outros exemplos abaixo).

As (mais recentes) novas regras para o português devem ser apresentadas pelo grupo técnico da Comissão de Educação até 12 de setembro. Elas podem alterar as mudanças que tinham obrigatoriedade prevista para o fim de 2012, foram prorrogadas por quatro anos, e que, até agora, quase ninguém aprendeu direito. Além de reduzir o número de regras e exceções na língua, o objetivo da comissão é expandir o debate com a comunidade, especialistas e países que falam o português.

O projeto estava entrando em vigor sem ter sido discutido no Brasil. A Academia Brasileira de Letras (ABL) estava fazendo uma reforma sozinha, de um jeito muito conservador. Então pedimos o adiamento do prazo de obrigatoriedade e montamos uma comissão para propor novas regras, simplificar a ortografia e, principalmente, padronizar a gramática com outros países — afirma o presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO).

continue a ler…

Share

museulinguaportuguesa

A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.

A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa “Comunicação e Expressão”, pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, “criatividade”. As aulas de sintaxe – sim, leitor, a tal “análise sintática”, lembra-se? – cederam espaço à “interpretação de texto”, exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases – reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado “uso criativo” da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.

Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras “do povo” não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção – ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas – pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.

continue a ler…

Share

publicoA notícia foi desanimadora e a explicação não ajudou. Na famigerada PAAC (dita prova de avaliação e conhecimento e capacidade), 62,8% dos professores deram erros ortográficos. Teria sido incumprimento do Acordo? Dizem que não. Por esse motivo, só 10%, diz o Iave (Instituto de Avaliação Educativa). Ora no textinho de 250 a 350 palavras que cada professor teve de escrever de sua livre criação (o que dá uns 1600 a 2300 caracteres já com espaços, coisa pouca), 90% dos erros nada tiveram a ver com o Acordo mas sim com, cite-se o Iave, “uso incorrecto da acentuação (cerca de metade do valor total), troca de vogais, troca de consoantes ou uso incorrecto de consoantes, aplicação incorrecta do plural e registo incorrecto de formas e de conjugações verbais”. Ora a mensagem que recebi via telemóvel, a sintetizar isto, dizia: “Metade dos erros dos professores sao de acentuacao” (sic).

Será, então, culpa dos telemóveis? Das mensagens rápidas? Da informática? Será que de tanto suprimirmos acentos para poupar tempo deixámos de saber usá-los? A hipótese não é descabida, mas é melhor culpar o desleixo. Os telemóveis e computadores têm acentos para quem os queira ou saiba usar, a pressa não justifica nada, mas é de notar que em muitos textos que por aí circulam, públicos ou nem tanto, lemos “pais” por “país”, “politica” (do verbo politicar) por “política”, etc. E tais descuidos não pensem que só os encontram em jovens apressados ou principiantes da escrita. Praticam-no, regularmente, políticos, magistrados e até catedráticos. Aliás, era curioso ver a tal PAAC entregue a cada um dos membros do Governo (deste ou dos anteriores) e pesar depois o resultado. Descontando o Acordo, teríamos belíssimos exemplos.

continue a ler…

Share

brasil_005

Governo cria grupo para simplificar língua portuguesa

Depois de ver as novas regras para ortografia da língua portuguesa, adotadas, via decreto, somente pelo Brasil, e de ter sido sinalizado pela sociedade civil sobre a necessidade de maior simplificação em vários pontos, o governo federal não só prorrogou a implementação para 2016 como também, através da Comissão de Educação do Senado criou o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para simplificar e aperfeiçoar a ortografia. O objetivo é de reduzir a quantidade de regras e exceções, tornando-as mais objetivas e de fácil entendimento.

De acordo com o professor Ernani Pimentel, que, ao lado do professor Pasquale Cipro, foi escolhido para coordenar o GTT, professores e estudantes de todos os países que têm como língua oficial o português têm até 20 de julho para sugerir mudanças. Todas as propostas serão avaliadas e apresentadas no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, que será realizado em Brasília, em setembro.

O professor Ernani Pimentel participou do CBN Santos por telefone, onde falou sobre a simplificação da ortografia e possibilidade de não adoção do novo acordo ortográfico.

Reportagem: Guilherme Pradella.

[citações]

- Existe um site chamado “simplificando a ortografia ponto com” [http://simplificandoaortografia.com/]. Não tem “ponto BR” [simplificandoaortografia.BR] porque é para todos os países de língua portuguesa.

- Nós não precisamos do “cê agá” [CH]. O “xis” [X] sozinho já resolve p’ra fazer esse som. P’ra escrever esse som. Então, se elimina o “cê agá”, ninguém vai ter dúvida entre o “xis” e o “cê agá”.

- Como é que você resolve o problema do “gê” [G] e do “jota” [J]? As outras línguas já resolveram isso. Por exemplo, o alemão, as línguas nórdicas, o inglês, a letra “gê” não é “gê”, é “guê” [G]! É “ânguêlá” [Angela], “volquiseváguen” [Volkswagen], não é verdade? “Ai guéte” [I get].

continue a ler…

Share