ILC contra o Acordo Ortográfico

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pe_de_meiaJogos Santa Casa – Raspadinha – Jogo 231- Pé-de-Meia.

pé·-de·-mei·a
substantivo masculino

1. Pecúlio.
2. Economias.
Plural: pés-de-meia.
• Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: pé de meia.

“pé-de-meia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/p%C3%A9-de-meia [consultado em 04-03-2015].

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caminhao

«Em particular, isso significa lidar com carro e caminhão bombas e dispositivos de beira de estrada, bem como habilidades básicas de infantaria.»

Observador


antibateriano«analgésico, anódino, antibateriano, antiparasítico, antiespasmódico, (…)»

Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural (R.A. Madeira)


 compatacao«mão de obra para assentamento de cubos de granito 11×11 e respetiva compatação em arruamentos interiores do Cemitério MUnicipal de Cuba»
Publics. pt

Ver índice cAOs

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Alto e pára o baile!

Este é um caso excepcional. Não integrará o índice cAOs, pela simples (e nada surpreendente) razão de que não existe uma única ocorrência de “para para” na Internet; ou, melhor dizendo, as ocorrências de “para para” que se podem encontrar são todas de “explicações”, qual delas a mais esfarrapada, para tentar enfiar aos portugueses, goela abaixo, essa inacreditável treta de que expressões como “para para pensar” ou “alto e para o baile”, por exemplo, fazem alguma espécie de sentido.

Na primeira imagem temos, com “explicações” a tiracolo e tudo, a tese acordista das 2.ªs, 4.ªs e 6.ªs Feiras: ah, e tal, o contexto “distingue”.

Na imagem seguinte, igualmente com penduricalhos “explicativos”, podemos ler (com alguma dificuldade, porque é preciso não desatar a rir) a tese acordista das 3.ªs, 5.ªs e Sábados: ah, e tal, o contexto “evita a confusão” mas afinal não era preciso evitar a confusão porque não sei quê, há ali uns acentos que não são necessários, ou assim, se não é disso por outra coisa será, depois se vê, seja o que Deus quiser, ámen, adiante.

Na terceira imagem temos uma espectacular demonstração de como são mesmo esfarrapadas as “explicações” acordistas e de como as suas duas teses (das quais descansam ao Domingo, que é Dia Santo) não passam de tergiversações inconsequentes, verborreia tola travestida de paleio técnico a ver se com tais patranhas enganam alguma alminha mais distraída.

O facto é que no Brasil, tanto na “norma culta” como na “inculta”, pronuncia-se a preposição “para” e a forma verbal “pára” exactamente da mesma maneira, com os mesmos exactos sons. Porém, a preposição já caiu em desuso (ou seja, esta já não é uma “consagração pelo uso”, é uma “consagração pelo desuso”) e por isto mesmo os brasileiros eliminam a “confusão” escrevendo como falam. Não há “para para” coisa nenhuma, o que há é “para pra”.

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parapara
«Assim, a forma verbal “para” deixa de ter acento gráfico, embora conserve a vogal inicial aberta e passa a ser o contexto a distingui-la da preposição simples “para”.

Ora, regra geral, as palavras portuguesas são graves e, por isso, não necessitam de acento gráfico. Antes do novo acordo, acentuavam-se quase todas as que tinham uma correspondente homógrafa, de modo a serem distinguidas. Agora é apenas o contexto que as distingue (…)»
Jornal de Notícias

paraparaciberduvidas
«O sentido da regra é a simplificação. Pára tem tido acento para não se confundir com a preposição para, mas a verdade é que o contexto normalmente evita a confusão.

Tem de aceitar que as frases que apresenta são todas agramaticais, se considerarmos a grafia para sempre uma preposição.»
Ciberdúvidas

parapra
“Blog” O Divã Dellas

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ficionista«Professor, jornalista, editor, produtor e argumentista de televisão, escritor (ficionista, poeta, dramaturgo, autor de manuais escolares), (…)»

Agrupamento de Escolas de Nelas – Centro de Recursos


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espetacular
«Satisfeito pelo “percurso espetacular do Benfica na Liga”, Jorge Jesus sublinhou a importância deste registo.»

jornal “O Jogo


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Logo_Enredo2015_mediaNo tempo do beija-ditador

Teodoro e Teodorin estavam satisfeitíssimos. Ainda mal se atreviam a balbuciar “ôba” e já os imortalizavam em glória na Sapucaí. Não sabem? Pois conta-se depressa. Estavam os Teodoros, pai e filho, a jogar monopólio na mansão presidencial, quando Teodorin, distraído a folhear uma revista brasileira, gritou para o pai: “Regardez, padre, el bueno Mardi Gras brasileño!” Teodoro, resoluto, respondeu-lhe num castelhano babélico: “Compra!” Mas Teodorin explicou-lhe, com paciência, que não podia ser assim. Não era só comprar, era preciso conversa, diplomacia, essas coisas democráticas. Teodoro disse-lhe que de democracia não percebia nada mas, ainda assim, que comprasse. Foi o que bastou para que Teodorin, sagaz, se empenhasse na coisa. Era preciso um passo, mas qual? Foi ver a lista das escolas de samba e tropeçou numa com nome de pássaro: Beija-Flor. Servia perfeitamente. Fez contactos. E tratou do cheque, naturalmente. Se o Brasil andava a cortar nos apoios às escolas sambistas, por que razão não poderia a mais recente sócia da grande irmandade lusófona (que é uma coleccionadora compulsiva de línguas oficiais e não oficiais — a brincar, entre umas e outras, já juntou ao espanhol da colonização e ao fang tribal o inglês “pidgin”, o francês e o português) dar uma ajuda?

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arimetica1«Arimética Elementar»
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FLUP FLOP

4 comentários

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto exige o AO90 nas teses e dissertações…

FLUP_AOovrigastoriu«Obrigatório o acordo ortográfico.»
Documento de Serviços de Gestão Académica

 

FLUP_AO_Sociologia«A dissertação e o relatório de estágio terão ser redigidos de acordo com o novo acordo ortográfico.»
Documento: “Princípios Orientadores da Dissertação, Estágio e Relatório de Estágio (aplicável no ano letivo de 2014/2015)” do Mestrado em Sociologia na FLUP

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Então… e os direitos de autor não contam para nada? Mas isso é só na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, só na Universidade do Porto ou só no Porto? Ou afinal uma tese de mestrado, segundo os serviços administrativos da UP, já não é um trabalho de autor?

Então… e os pareceres jurídicos da própria FLUP não contam para nada? Estão já “ultrapassados”, será? Afinal, em 2008 o autor de uma tese tinha todos os direitos (de autor) sobre o seu trabalho mas agora, à conta do AO90, já não tem direito algum?

Então… afinal uma Universidade avalia o quê numa tese de mestrado ou de doutoramento? O mérito académico do trabalho ou o facto (ou o “fato”?) de ele estar redigido segundo ditames ortográficos arbitrários e pontuais, consoante a Universidade em que determinada tese for apresentada?

Mas então… já se a tese for apresentada na Universidade de Lisboa, por exemplo, não existirá qualquer dúvida sobre a quem pertencem os direitos de autor da tese!

UL_copyright_teses«Retenho todos os direitos de autor relativos à tese ou dissertação, e o direito de a usar em trabalhos futuros.»
Documento: Universidade de Lisboa, “Projecto de Minutas de Declaração para as Teses e Dissertações Digitais

Ora então… no fim de contas, um mestrando (ou doutorando) não passa, na Universidade do Porto, de um funcionário do Estado, algo entre um simples escriturário e um digno, porém obediente, passivo, venerador, atento e obrigado amanuense?

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perfecionismo

«“O obsessivo perfecionismo e a profunda imaginação/fantasia de António Lagarto fazem de cada trajo uma narrativa temporal e espacial”, sublinha o museu, sobre o trabalho do figurinista.»

Diário Digital/Lusa


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Já sabíamos que a PT (Portugal Telecom) tinha “adotado” uma lista de 200 “variantes” da “maravilhosa língua unificada”, ficamos agora a saber que também a UE (União Europeia) “adota” a sua própria lista de “duplas grafias” geradas pela mesma “unificação” que o AO90 diz “garantir”.

Isto significa, literalmente, que temos agora não uma norma (o “acordês”), não duas normas (a brasileira e a portuguesa), não três “normas ortográficas” da Língua Portuguesa (acordês, Pt-Pt e Pt-Br), mas tantas as “normas” quantas as diferentes entidades, instituições, serviços ou empresas que decidam “escolher” a sua própria lista, o seu glossário particular com as suas próprias e exclusivas “regras”.

Ou seja, estamos já perante um processo de fragmentação da língua portuguesa numa quantidade de “normas” virtualmente infinita, como infinitas são as combinações possíveis de todas as possibilidades segundo o mui “científico” método da escolha “à vontade do freguês”.

logo_UE

Ortografia adotada pelas instituições da UE nos casos de duplas grafias

Acordo Ortográfico — novas duplas ortografias

De forma a uniformizar os textos produzidos pelo Departamento de Língua Portuguesa da DGT no que se refere às novas duplas grafias introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, foi decidido adotar as variantes indicadas na lista que se segue.

UEadotavariantes

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