ILC contra o Acordo Ortográfico

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Do quanto abomino o acordo ortográfico

Não estou isento de erros, mas escrevo desde há muitos anos. Escrevo desde que me lembro de ter sentimentos para expressar, primeiro em papel e à mão, e depois nos computadores. Escrevo muito para além daquilo que é público. Na verdade, a minha escrita conhecida é pouca, e pouco entusiasmante. A melhor, guardo-a para públicos muito seleccionados. A necessidade de escrever conteúdos técnicos, fruto do meu percurso académico, roubou-me à prosa. Mas ainda a pratico quando posso.

Respeito todas as línguas, porque cada cultura encontra nelas, na sua forma escrita ou oral, a maneira de transmitir sentimentos, emoções. O amor é transmitido pelos gestos, sim, mas também em muito pela linguagem. Em cada cultura, em cada língua, transmitimos aos nossos filhos, aos nossos amigos, às nossas metades, o quanto os amamos através das palavras que lhes dirigimos e das pequenas anotações escritas que lhes deixamos. Os bilhetinhos – porventura com um tímido “gosto de ti” – fazem parte das nossas memórias. Crescemos com eles.

A língua é conteúdo das nossas memórias. Não somos quem somos sem memória, e as memórias não são desprovidas de palavras. Mesmo que sejamos fotográficos na forma de empacotar coisas nos neurónios, dessas imagens saltitam palavras. Das minhas memórias pulam vogais e consoantes. Todas elas. Com igual importância. As mudas e as barulhentas. Amo-as a todas. É com elas que construo as minhas ideias.

Observo a forma como muitos aceitam, passivamente, aquilo que reputo como um forte ataque às minhas consoantes. Com uma agravante. A de não serem apenas as minhas consoantes, mas as de todos aqueles que as usam. Assusta-me essa passividade. De um momento para o outro, destruiram-se as ideias. Não amarão, as pessoas, a sua língua? Não terão consideração pelas suas memórias? Por aquilo que são? Não me detenho sequer nas muitas razões técnicas para considerar abjecto o acordo ortográfico, porquanto a linguística não é competência minha, mas entristece-me que sem o contestar se aceite reduzir a beleza das nossas palavras. Uma palavra não é apenas uma junção de letras. É um pouco de nós, porque dizemos algo com elas.

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Vasco Graça Moura 1942-2014

Vasco Graça Moura
1942-2014

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO, UMA PEDRADA NA LÍNGUA PORTUGUESA

FAZ HOJE, dia 27 de Setembro, seis meses que faleceu Vasco Graça Moura, um dos mais destacados intelectuais deste tão mal aproveitado rectângulo, palco da gula de uns tantos poderosos que, em termos de cultura e como diz o povo, não lhe chegavam aos calcanhares.

Referenciado como uma das vozes mais críticas do Novo Acordo Ortográfico, dizia, e com razão, que este apenas "serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo".

Ao justificar a minha determinação, tal como este ilustre cultor da nossa bela língua, de continuar a escrever segundo a ortografia agora oficialmente rejeitada, estou do lado dos muitos portugueses que contestam o dito acordo e que, como eles, me recuso a segui-lo. Ao evocar Graça Moura e a sua luta contra esta pedrada atirada à língua que tão bem escrevia, ocorreu-me trazer a estas minhas páginas elementos de um pequeno texto que circulou na net e, provavelmente, ainda circula. Meia dúzia de linhas, cuja autoria desconheço, evidenciam algumas das situações anedóticas e até ridículas do tão falado acordo que, em minha modesta opinião, revela a menoridade de quem aqui o aceitou adaptar a exigências externas e a opaca subserviência de quem o colocou em letra de lei.

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unipiagetangolaIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE LÍNGUA PORTUGUESA
UNIVERSIDADE JEAN PIAGET DE LUANDA, 18, 19 E 20 DE SETEMBRO DE 2014
— UM BREVE TESTEMUNHO —

1. Este Magno Congresso Lusíada Universalista, destinado a todos os Povos e Países que integram a CPLP e a Diáspora, deixou-me super-motivado para continuar, com mais força ainda, o combate por essa Causa e Condição Maior da nossa identidade multicultural e intercultural que é a Língua Portuguesa.

2. Tratou-se, na verdade, de um Evento e de um Contributo notável, pelo alto nível e exemplaridade com que foi concebido, planeado, organizado, promovido e concretizado pela prestigiada e belíssima Universidade Jean Piaget de Angola. Parabéns, portanto, e antes de mais, ao seu Magnífico Reitor — Prof. Doutor Pedro Domingos Peterson —, pela sua humaníssima Sabedoria e Afectividade.

Parabéns, igualmente, a todos os seus Competentíssimos Colaboradores, representados na Pessoa da dedicadíssima e dinâmica Coordenadora do Congresso — Prof. Doutora Helena Maria José —, com todas as suas prestimosas e irrepreensíveis Comissões e Equipas de Apoio, aos diversos níveis.

A todos quero saudar, com profunda gratidão, admiração, emoção, afecto e memória… para sempre!…

3. Regressei a casa com a fundada e esperançosa convicção de que, em Angola e em vários outros Países de Língua Portuguesa, o inqualificável “regulamento da expressão grafémica da comunicação escrita em Português” (mais vulgarmente conhecido pela aberrante designação de “AO” / 1990) vai ser definitivamente rejeitado.

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Reunidos na Vila do Gerês, no XIV Encontro nacional de Poetas, dia 20 do corrente, foi apresentada uma proposta aos mais de cem participantes, para que se pronunciassem acerca da aceitação ou da rejeição do Acordo Ortográfico. No universo de 107 autores presentes verificaram-se 5 votos a favor, 8 abstenções e 94 contra a oficialização do Acordo. Diversos foram os poetas presentes que leram poemas da sua autoria, subordinados ao tema que se revelou preocupante, tendo em conta as liberdades poéticas de que esta classe de criadores usufrui.

Na circunstância foi recordada a luta persistente do recém falecido Graça Moura que tantos e tão acesos debates travou no sentido de não ser consumada a adesão de Portugal. Foi também invocada uma opinião do Juiz Rui Teixeira que em Maio passado tornou pública e na qual esclarecia: «alega este magistrado que as actas não são uma forma do verbo atar», que «os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a língua portuguesa permanece inalterada até  ordem em contrário». Segundo essa informação que pode ler-se no site «Portugal Glorioso» este juiz enviou uma nota à Direcção Geral de Reinserção Social, em Abril último, onde se pode ler que «esta fica advertida que deverá apresentar as peças em Língua Portuguesa não é resultante de um tal acordo ortográfico que o governo quis impor aos seus serviços e sem erros ortográficos decorrentes da aplicação da Resolução do Conselho de Ministros 8/2011, a qual apenas vincula o Governo e não os tribunais». A DGRS pediu um esclarecimento a esse juiz que respondeu: «a Língua Portuguesa não é resultante de um tal «acordo ortográfico» que o governo quis impor aos seus serviços. Pelo menos neste (tribunal)  os factos não são fatos, as actas não são formas do verbo atar e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário».

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«O que é que a ortografia nos pode dizer sobre as relações entre as palavras? Ainda que a ortografia nos possa parecer ser aleatória ou inesperada, esta lição mostra-nos como descascar as várias camadas da ortografia nos ajuda a compreender a história complexa e a estrutura das palavras, tão cheia de sentido.»

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Mais um vídeo legendado em Pt-Pt pela ILC AO. A partir de agora poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

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José Gil “chocado” com tratamento de português como “activo”

Sábado, 20/09/2014

O filósofo José Gil diz-se “chocado” com o facto de a língua portuguesa ser considerada um “activo”, tal como defendeu, em Macau, o presidente português Cavaco Silva, na visita realizada em Maio.

Convidado do Rádio Macau Entrevista, José Gil afirma que a língua portuguesa não pode ser tratada como um bem: “Choca-me um bocado essa formulação. A língua portuguesa é a nossa carne, não temos de transformá-la num activo. O que nós podemos fazer é o que estava nos objectivos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que é o desenvolvimento do português, um incentivo para que se desenvolvesse e estudasse a língua. Ora, o que é que verificamos? Desaparecem representações do Instituto Camões, ou deixam de ter meios”.

José Gil critica ainda duramente a entrada da Guiné Equatorial na CPLP e também que não tenha havido oposição por parte de Portugal a um episódio que o filósofo considera “grotesco”: “A última peripécia da CPLP, a admissão do estado ditatorial da Guiné Equatorial, é grotesca. Acho que o presidente devia dizer mais: devia dizer que ‘isto está mal feito’. Mas é claro que isto não pode ser dito assim, porque temos que ir com luvas, não se pode ser brutal. Isto trata-se com veludo diplomático. Um presidente não pode ser assim. Mas por quê? Por que é que um presidente não pode denunciar: ‘nós não admitimos isto’?”

Nesta entrevista, José Gil mostra-se, ainda, contra o acordo ortográfico, que diz ser um atentado à inteligência: “As razões que estão por trás não se compreendem. São razões económicas. Uma língua é um organismo vivo. Vamos deixá-lo viver. Esta coisa do acordo ortográfico é verdadeiramente um atentado à inteligência, uma estupidez com razões escondidas que eu não posso aceitar”.

José Gil, filósofo, ensaísta e professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi considerado, em França, um dos 25 grandes pensadores do mundo. Em Macau, José Gil profere, no domingo, pelas 15 horas, uma palestra no Centro de Ciência dedicada ao tema “Desejo e Medo de Existir”.

[Transcrição de texto publicado pela rádio Macau TDM, sinopse da entrevista ao filósofo José Gil emitida em 20.09.14. "Links" nossos.]
[Ouvir a entrevista na íntegra ("click" aqui). A parte da entrevista sobre o AO90 começa aos 38'40'' e termina aos 44'28''.]

aliveradio

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marktwain

A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields

For example, in Year 1 that useless letter “c” would be dropped to be replased either by “k” or “s”, and likewise “x” would no longer be part of the alphabet. The only kase in which “c” would be retained would be the “ch” formation, which will be dealt with later. Year 2 might reform “w” spelling, so that “which” and “one” would take the same konsonant, wile Year 3 might well abolish “y” replasing it with “i” and Iear 4 might fiks the “g/j” anomali wonse and for all. Jenerally, then, the improvement would kontinue iear bai iear with Iear 5 doing awai with useless double konsonants, and Iears 6-12 or so modifaiing vowlz and the rimeining voist and unvoist konsonants. Bai Iear 15 or sou, it wud fainali bi posibl tu meik ius ov thi ridandant letez “c”, “y” and “x” — bai now jast a memori in the maindz ov ould doderez — tu riplais “ch”, “sh”, and “th” rispektivli. Fainali, xen, aafte sam 20 iers ov orxogrefkl riform, wi wud hev a lojikl, kohirnt speling in ius xrewawt xe Ingliy-spiking werld.

Mark Twain(1), 1835-1910

[Transcrição (e imagem de ecrã) de "The I18n Guy web site", página A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields.]

(1) – Não existem provas irrefutáveis de que este texto seja mesmo da autoria de Mark Twain. Outras citações do mesmo referem M.J. Yilz como autor, em carta ao jornal “The Economist” (1971).

[Uma adaptação possível]
Plano para Melhorar o Sistema Ortográfico do Português
Por exemplo, no 1.º ano, essa letra inútil que é o “C” akabava e seria substituída ou pelo “K” ou pelo “S”, da mesma forma que o “X” deixaria de fazer parte do alfabeto. O úniko kaso em que “C” se manteria seria na forma “CH”, a qual se eliminaria também mais tarde. No 2.º ano poder-se-ia reformar a letra “U”, por forma a que “quem” e “um” fikassem kom a mesma konsoante, enquanto no 3.º ano também se poderia abolir o “U”, trokando-o por “O”, e no 4.º ano já se poderia akabar kom a konfozão entre “G” e “J” de oma vez por todas. De forma jeral, por konseginte, teríamos então melhorias kontínoas, ano após ano, e xegaríamos ao 5.º ano já sem a xatise das konsoantes doplas, até qe nos anos 6 a 12, o asim, já poderíamos finalmente akabar kom o oso das restantes vogais e konsoantes sonoras e modas. Aí pelo désimo qinto ano seria finalmente posível pasar a otilizar as letras redondantes “C”, “L” e “N” — nesa altora já oma simples recordasã dos velos do Restel — em sobstitoiçã de “CH”, “LH” e “NH”, respektivamente. Por fim, segados ao term de 20 ans de reform ortográfik, teríams om sistem ortográfik lójik i koerent em oso korent, xpalad mondialment pla losofni.

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Angola dará resposta no “devido momento” ao novo acordo ortográfico

O ministro da Educação angolano, Pinda Simão, garantiu hoje que o país “está a trabalhar” sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que Angola ainda não subscreveu, e que no “devido momento” será tomada uma decisão.

O governante falava em Luanda, à margem da sessão de abertura do terceiro Congresso Internacional de Língua Portuguesa, promovido pela Universidade Jean Piaget, de Angola, sob o lema “Unidade na Diversidade”.

“O país está a trabalhar. Depende de Angola, de quando Angola decidir [sobre a adesão ou não ao acordo]“, afirmou Pinda Simão, que coordena este processo no país, questionado pela Lusa.

[Transcrição de despacho da agência Lusa publicado pelo "Diário Angolano" em 18.09.14.]

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UNIVERSIDADE DO MINHO (“Press Clipping“)

“O Acordo Ortográfico é uma obra irresponsável”
Diabo
terça-feira, 16.09.2014
BRUNO OLIVEIRA SANTOS

A língua portuguesa, como organismo vivo que é, jamais poderá fugir à sua transformação progressiva. Os povos que se expressam em português encarregar-se-ão de lhe comunicar vida e, portanto, alteração. Alterar, porém, não é destruir. Ora o Acordo Ortográfico (AO90) destrói mesmo, desfigura o idioma à força de encastelar asneiras sobre asneiras. Foi este o mote para uma conversa longa e agradável com o filólogo Fernando Paulo Baptista (FPB).

“O AO90 é uma obra de medíocres, não acha?” — disparei de chofre, para empolgar a entrevista. “Não quero classificá-la assim”, respondeu-me, “mas é claramente uma obra marcada pela irresponsabilidade, ao não medir as consequências negativas, sobretudo para os nossos jovens, na aprendizagem e uso da língua portuguesa.”
FPB fala como escreve, as frases saem redondas e polidas, prontas para a impressão. Natural de Viseu, foi novo com os pais para Barrelas, terra do Malhadinhas, aquele homem sobre o meanho e reles de figura, que Aquilino imortalizou. A escola distava, escondida atrás de montes e penedias. FPB levantava-se cedo, ainda o Sol não retouçava nas vidraças, e tomava a casa já tarde. O sacrifício garantiu-lhe a matrícula em Coimbra. Por esse então, naquele mundo rural e pobre, poucos o conseguiram. A maior parte teve que pegar numa enxada e cuspir às mãos.
Conhece pessoalmente os artífices do AO90, mas distingue os planos: “Tenho uma relação cordial com Malaca Casteleiro; não entendo, todavia, como é que alguém que sabe que se trata da regulamentação grafémica dos textos escritos vem utilizar o critério da pronúncia, para mais o da chamada pronúncia culta”. E prossegue o raciocínio: “O que é isso da pronúncia culta, tomada agora como referência ou padrão? Em que lugares a podemos encontrar? É a pronúncia culta à moda de Coimbra ou à moda de Lisboa? A do Porto ou a do Funchal? A de Luanda ou a do Rio de Janeiro?”
Certo que em todos esses lugares há pessoas cultas e informadas, sejam quais forem as suas prolações entoativas. Os autores do AO90 não apresentaram ainda uma definição rigorosa, um “critério epistemológico-linguisticamente fundamentado”, como diz FPB, além da mirífica alusão a uma pronúncia dita culta.

Um acordo feito à pressa
O AO90 é uma cancaborrada de lesa-língua. Em matéria assim crucial, poupo-me a imparcialidades. Uso substantivação e adjectivação certeiras, dentro da correcção e da propriedade da linguagem. Sigo o exemplo dos nossos antigos pregadores e moralistas: quando se tratava de rebater más inclinações e maus costumes, não usavam de cerimónias nem eufemismos, não traziam papas na língua. Aos acordistas, cegou-os a vaidade de associar o nome a uma reforma. Essa vaidade incutiu-lhes uma filologia para uso próprio, que trataram de impor a 250 milhões de falantes. É o tiquezinho totalitário de legislar em matéria ortográfica, votinhos a favor e contra, como se a língua pudesse ser despachada por decreto.
“O pior”, avança FPB, “é que o AO90 foi redigido à pressa entre 6 e 12 de Outubro de 1990 na Academia das Ciências de Lisboa!” Bonito serviço! Uma língua velha de séculos, assim alterada atabalhoadamente, no espaço de uma semana, por 21 representantes de sete delegações.

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MLPSPauloinv#9 (Oliveira Simões),

Passando por cima da matéria de opinião e focando-me apenas na matéria de facto, a afirmação “Os acordo intergovernamentais estão acima de qualquer associação” é enganadora.

Ponto 1. – Este acordo é ilegal (veja nos vários pareceres jurídicos produzidos, que o demonstram). Ninguém é obrigado a respeitar ilegalidades. Mas…
Ponto 2. – Mesmo que cumprisse as normas legais, não podem os representantes do povo, que se sentam nos órgãos políticos, trair o “contrato social” com os eleitores. Nesse sentido, a uma das partes cabe o direito de veto, que é exactamente o que nós, os que rejeitamos o Acordo, pretendemos.

Escreve Roger Scruton: “o estado fundado num contrato social deve respeitar integralmente a autonomia, liberdade, e dignidade do indivíduo”. Como eu entendo que o estado não defendeu, nem respeitou, a minha autonomia, a minha liberdade e a minha dignidade, devo considerar o contrato nulo e rejeitar tudo o que se pretendeu (falsamente) acordar em matéria de Língua.

Entre muitas outras evidências, o tratamento dado à minha Língua, pelos políticos que temos, inscreve-se no que se chama “cultura de repúdio” e que pode ser entendido como a destruição das culturas dos povos, ou substituição por outras, que lhes são estranhas, mas que lhes são impostas de acordo com uma matriz ideológica, a que eu não preciso de me referir, porque, seja ela a que for, trai descaradamente o que devia defender.

Parece-me a mim que esta forma de actuar dos nossos políticos é de grande violência e tem uma natureza que eu classifico de anti-democrática e totalitária, que eu, pela forma como defende o Direito Internacional, penso que o O. Simões não é partidário.

Se a opinião do O. Simões é diferente, porque acha o AO “porreiro” e que consegue uniformizar a Língua, temos pena, porque também nos sentimos do direito de achar, à vez, que nunca a uniformizará, antes de mais porque o brasileiro está em constante deriva de si próprio. No futuro falarão, provavelmente, um dialecto a que será muito difícil chamar português, tal como o reconhecemos hoje.

O argumento da força de uma língua se mede pelo número de falantes e escreventes é uma falácia. O que dá força a uma língua é o trabalho intelectual que se faz com ela, a erudição que ela atinge e a sua estabilidade. Se por causa de uma salada linguística for mais difícil filosofar em português, porque a língua perdeu exactidão (e perde quando se recorre ao contexto para saber o significado de uma palavra), então esta língua está condenada, porque passa a ser uma língua do dia-a-dia, que servirá apenas para ir à mercearia. É isto que os acordistas querem. Eu acho que sim.

[Transcrição de comentário de Luís Ferreira AQUI em resposta a ISTO.]

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