ILC contra o Acordo Ortográfico

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armasRPNesta gravação, Henrique Neto diz aquilo que pensa sobre o AO90. Se bem que refira também a tese da “revisão” do acordo como sendo algo de plausível, estamos sem qualquer dúvida perante um depoimento de inegável relevância política, visto tratar-se de um candidato à mais alta magistratura da Nação, a Presidência da República Portuguesa.

Esperemos que outros candidatos às próximas eleições presidenciais lhe sigam o exemplo e digam igualmente de sua justiça sobre um assunto que deverá, com toda a certeza, ser “de relevante interesse nacional” também para eles.


«O Acordo Ortográfico é um tema controverso e Henrique Neto tem também as suas dúvidas sobre a eficácia do mesmo!»
 

[transcrição]
A minha opinião relativamente ao acordo ortográfico nunca foi muito favorável. Porque a Língua, que deve unir as pessoas e os povos, no caso do acordo ortográfico contribuiu para alguma desunião que tem prevalecido e que tem sobrevivido na sociedade portuguesa e presumo também que noutros países de língua oficial portuguesa. Pela importância do tema, eu resolvi aproveitar este Dia Mundial do Livro para ler uma declaração que é a forma mais rigorosa de expressar a minha opinião sobre o acordo ortográfico. E portanto passaria a ler.

‘Neste Dia Mundial do Livro, quero chamar a atenção do país para a importância política, social, cultural e geo-estratégica da Língua Portuguesa. Trata-se de um património insubstituível, que não pode correr riscos experimentalistas ou facultativos como os que estão previstos no chamado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990″. Acordo que continua a merecer críticas generalizadas da comunidade científica e dos mais qualificados utentes do nosso idioma, incluindo poetas, escritores, professores, jornalistas e tradutores. E não apenas em Portugal; as reservas ao acordo multiplicam-se também nos diversos países e territórios onde o Português funciona como língua oficial e veicular.

Na realidade, o Português só pode impor-se no mundo através de elevados critérios de exigência que o promovam como elemento essencial nos mais diversificados sectores de realização da cidadania. As fundamentadas críticas que têm sido dirigidas ao acordo ortográfico não podem, por isso, ser ignoradas pelo Presidente da República, garante supremo da Constituição, na qual se estabelece o Português como língua oficial. Tais críticas reclamam, pelo contrário, uma ponderação séria, que, sem prejuízo dos trabalhos até agora efectuados, da legislação aprovada e dos caminhos percorridos pelas indústrias culturais mais directamente ligadas ao livro, designadamente o escolar, incluam a possibilidade de uma efectiva revisão do acordo.

Há poucas semanas, tive a ocasião de me insurgir contras as leis escritas em mau Português. Desde então, diversos acontecimentos evidenciaram, mais uma vez, as grandes disfunções que o chamado “acordo ortográfico de 1990″ continuam a causar, desde logo no meio educativo. Outros acontecimentos alertaram-me para a indiferença com que o poder político nacional tem aceite a perda de influência da Língua Portuguesa no plano internacional, que a recente votação da Assembleia da República, legitimando o directório da Alemanha, França e Inglaterra, na União Europeia, com a retirada do Português no caso do Tribunal Unificado de Patentes é o exemplo menos edificante.

Ao fim de 20 anos, não se podem ignorar as críticas generalizadas e persistentes da comunidade académica, científica e artística, e dos cultores mais qualificados do nosso idioma.

Longe de ser um factor de união, o chamado “acordo ortográfico” tem semeado a discórdia. Longe de utilizar a escrita, promoveu variantes e usos facultativos absurdos, de que todos os dias se oferecem exemplos abundantes.

Defendo, assim, a continuação do debate nacional numa matéria tão nuclear, com base em três propostas muito precisas: em primeiro lugar, a oportuna nomeação de uma “comissão de peritos”, com carácter interdisciplinar e multinacional, mandatada para uma revisão profunda do acordo, devendo as respectivas conclusões ser de carácter vinculativo; em segundo lugar, a aprovação de uma moratória de cinco anos, correspondentes à duração do próximo mandato presidencial, até à entrada em vigor do acordo, devidamente revisto e melhorado, na ortografia oficial da República Portuguesa; em terceiro lugar, fazer depender a entrada em vigor da nova ortografia da prévia ratificação do acordo por todos os Estados integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, algo que nunca chegou a ocorrer, e da sua simultânea entrada em vigor.

Estou certo da relevância deste tema para o interesse nacional e por isso o convoco expressamente neste Dia Mundial do Livro. Nos termos actuais, o acordo ortográfico não garante, como pretendia, a unidade essencial da Língua; revê-lo com bom senso contribuirá para a desejável expansão e afirmação do Português no mundo.’
[/transcrição]

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Há resistências de algumas pessoas, e não são muitas, que têm uma relação emocional, clássica, física e sensorial com a Língua. Mas ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas. O Acordo é uma simplificação da Língua.
José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, in semanário “Expresso“, 19.08.08.

 

publicoAcordo Ortográfico dá “probabilidade” de perda de um valor nos exames

Nova nota do Iave reitera que houve um período de transição, mas também não nega que regras admitem uma penalização que pode chegar aos quatro valores em 20.

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O Instituto de Avaliação Educativa (Iave) reitera que o acordo ortográfico é mesmo para ser respeitado nas provas e exames nacionais deste ano lectivo. No entanto, o organismo que sucedeu ao Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) assegura que quem não respeite as novas regras apenas incorre numa “probabilidade de desvalorização por erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia” de um valor em 20 – mas não nega que está prevista uma desvalorização que pode chegar aos quatro valores.

Numa nota intitulada “Acordo Ortográfico e Avaliação Externa”, o Iave sublinha que o acordo ortográfico “se constitui como norma para o Governo e para todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo” e lembra que uma resolução do Conselho de Ministros de 21 de Janeiro de 2011 “determinou a sua aplicação ao sistema educativo no ano lectivo de 2011/2012”.

Além disso, o Iave considera que o calendário de implementação do acordo “proporcionou aos alunos igual período de adaptação, tendo divulgado atempadamente a toda a comunidade educativa que, em 2014/2015, apenas seria admitida, nas provas, a grafia do acordo ortográfico em vigor”.

Concretamente sobre os exames de Português do ensino secundário, no mesmo comunicado, o Iave reconhece que “estão previstos descontos por aplicação de factores de desvalorização no domínio da correcção linguística até um máximo de 40 pontos” num total de 200 pontos e que “os descontos a aplicar podem corresponder a uma desvalorização de 1 ou de 2 pontos por erro”.

No entanto, o organismo reitera que a ortografia é apenas um dos factores de desvalorização e faz contas para demonstrar o reduzido impacto do acordo: “tomando como valor de referência 200 mil entradas do Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), a percentagem de palavras alteradas pelo acordo ortográfico em Portugal é de 1,56%”.

O Iave destaca ainda que poucas são as muito usadas (como “ato”, “atual”, “direto”, “exato” ou “objeto”) e que, por isso, para os alunos que “optem por não respeitar o acordo ortográfico, situação para cujas consequências foram devidamente alertados, em termos médios, a probabilidade de desvalorização por erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia é de 0,6 pontos, ou seja, 1 ponto em 200, ou seja, ainda, 0,5% da cotação total da prova”. Acrescenta-se, também, que nas restantes provas “o impacto do erro de ortografia é menor”.

A posição do Iave, agora reforçada, já tinha sido transmitida tanto em Março como em Abril, altura em que o PÚBLICO avançou que vários professores que estão contra estas regras iriam fazer chegar cartas e mensagens ao Ministério da Educação para tentar travar as penalizações e permitir que ainda possa ser usada a grafia antiga. O instituto chegou mesmo a considerar que estas posições “evidenciam um profundo, mas muito grave, desconhecimento dos critérios de classificação da prova, os quais irão replicar, no essencial, os vigentes em anos anteriores” e lamentou o “alarme social e instabilidade que poderão provocar nos alunos e nas suas famílias”.

[Transcrição integral de artigo, da autoria de Romana Borja-Santos, publicado em 23.04.15 pelo jornal “Público”. Alguns “links foram acrescentados por nós. Destaques e sublinhados nossos.]

Ver todos os “posts” anteriores sobre o AO90 nos exames nacionais.

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epiletico
«Voo da TAP desviado por causa de ataque epilético de passageiro»
TVI24


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europeia_200x200Mesa redonda “Portugal no mundo: a língua portuguesa e os seus embaixadores

Com a participação de Maria do Carmo Vieira

Universidade Europeia
Quarta-feira, 13 de Maio de 2015 das 19:00 às 21:00 h

Estrada da Correia, nº 53
1500-210 Lisboa

 

No seguimento das duas edições anteriores, nas quais muito nos honrou a presença da escritora Lídia Jorge, dos Professores Doutores José Jorge Barreiros, Susana Araújo, Onésimo Teotónio Almeida, Petar Petrov, do Mestre Rui Pereira e da eurodeputada Dra. Ana Gomes, pretende-se promover uma reflexão interdisciplinar sobre o legado de Portugal na Europa e no mundo e os novos desafios que o país enfrenta face à complexa conjuntura actual.

Para a edição deste ano, propõe-se que o debate se norteie em torno das questões: “Portugal: qual a importância da língua portuguesa no mundo?” e “Portugal: que papel desempenha uma língua na projecção de um país?”.

Presenças confirmadas:
Professor Doutor Fernando Luís Machado, Vice-Reitor – ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Professora Doutora Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I. P.
Professora Doutora Isabel Casanova, Universidade Católica Portuguesa
Mestre Maria do Carmo Vieira, Fundação Francisco Manuel dos Santos

Moderador: Professor Doutor Marcelo G. Oliveira

Evento organizado pelos docentes: Ana Raquel Fernandes, Joana Serafim, Marcelo G. Oliveira, Paula Fonseca Carvalho, Sara Rodrigues de Sousa e Susana de Salazar Casanova

Questões sobre o evento podem ser endereçadas por email para:

Eventbrite

[Extractos da página Bilhetes Mesa redonda “Portugal no mundo: a língua portuguesa e os seus embaixadores” , Lisboa | Eventbrite. A transcrição foi automaticamente convertida para Português.]

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Mais uma amostra de como prossegue sem “constrangimentos” nem “estrangulamentos” a “implementação” do “acordo ortográfico”. Na Wikimedia existem duas versões completamente diferentes da “maravilhosa língua unificada”: uma em acordês, ali designada como “português“, e outra em “português do Brasil“. Descubra as semelhanças.
wikimediaptpt wikimediaptBR

 

“Descubra as semelhanças” anteriores: 1 | 2 | 3 | 4

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Liceu de Ponta DelgadaDever cívico

A aula decorria com normalidade. Havia quem ensaiasse e lesse em voz alta, quem resolvesse exercícios em silêncio, quem analisasse um “texto icónico”, neste caso, uma pintura. Tudo deslizava e, tal como nos países modelares a nível de ensino, havia várias tarefas a decorrer simultaneamente, com produtividade e afinco. Apesar do burburinho dos lugares onde algo se produz, o melhor dos mundos, no que à aprendizagem diz respeito.

Por não ser possível ter em pleno funcionamento o computador da mesa do professor e a projecção para a turma, optou-se por apresentar apenas o que, na tela, poderia ser visto por todos, sendo que um aluno lia os parâmetros de avaliação da leitura.

Devido a essa mancha de gordura xaroposa e suscitando asco que é o chamado “Acordo Ortográfico de 1990” no vestido de noiva que era a Língua Materna, o aluno leu algo que não estava lá. Apodreci. Pedi-lhe que repetisse, incrédula: em vez de “diCção” – e por mimese do que tem visto em todo o lado -, o rapaz leu “dição”. Leu, pois, algo que, literalmente, não estava escrito. Actuou por imitação, qual psitacídeo. A mim, doeu-me, porque vi mais um a incorrer na acefalia dos que, representando-o, o deveriam proteger mas em vez disso, o traíram.

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senzala

Apesar de se disfarçar com retórica sedutora e um falso universalismo, Agualusa usa este texto para mais uma vez desancar nos e insultar os portugueses em geral e os detractores do acordo ortográfico em particular. Novamente temos a acusação de que os portugueses rejeitam o AO por nacionalismo/xenofobia (como se não houvesse detractores no Brasil e em Angola e Moçambique, o que ele finge ignorar), em linha com as crítica de que os “portugueses são casmurros” que ouvi a semana passada num evento na FLUL para discutir o AO.

Temos também a recusa dele em discutir o AO como um assunto político que continua a suscitar muitas dúvidas, e o branqueamento de incontáveis pareceres técnicos (inclusive um do Ministério da Educação) que contestaram o acordo; continua a escamotear o facto de o governo apoiar o AO com base num parecer técnico criado por um dos inventores do AO, Malaca Casteleiro (o que põe em causa a sua parcialidade).

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publicoEditorial

Os pressupostos falhados do acordo ortográfico

O acordo ortográfico não unificou a escrita nem abriu um mercado único de edições. Serviu para quê?

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Reacendeu-se na passada semana, por via de um encontro na Faculdade de Letras e de uma moção aí aprovada, a querela ortográfica nacional. Querela que, a bem da verdade, nunca realmente se extinguiu.

O PÚBLICO, nascido no mesmo ano que é atribuído ao chamado Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vulgo AO90, partilhou-a ao longo destes 25 anos assumindo uma posição clara, rejeitando a sua aplicação. Fê-lo logo em 1991, quando o seu primeiro director (e fundador) Vicente Jorge Silva assinou um texto conjunto com directores de outras publicações (como Miguel Esteves Cardoso e Miguel Sousa Tavares, numa iniciativa incentivada por Vasco Graça Moura) onde se referia que nas publicações que dirigiam o AO90 não seria aplicado. Passado um quarto de século, é legítimo perguntar se tal posição faz, ainda hoje, sentido.

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ILCAOflagA decisão de fazer evoluir a luta contra o Acordo Ortográfico transformando-a em Partido contra o Acordo Ortográfico não tem apenas como qualidade, e vantagem, demonstrar a cobardia e a hipocrisia dos actuais «partidos» do sistema político nacional – não só os de governo, mas todos os que estão representados no parlamento – cujos militantes e dirigentes tão mal se comportaram (com algumas e honrosas excepções, é certo) no infame – e ilegal – processo de implementação do AO90 em Portugal, ao não saberem, ou ao não quererem, representar e reflectir a opinião da maioria dos seus eleitores. Tem também, esta transformação, a particularidade de demonstrar a cobardia e a hipocrisia do próprio sistema político nacional, que, precisamente, exige mais assinaturas para a apresentação de uma proposta de lei por cidadãos do que para a legalização de um novo partido ou para a formalização da candidatura de um cidadão (com mais de 35 anos) à presidência da república…

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