ILC contra o Acordo Ortográfico

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Movimento online quer juntar 35 mil contra acordo

Maria do Carmo Vieira é professora de Português e uma das mentoras de um movimento que nasceu nas redes sociais para travar a aplicação do novo acordo ortográfico. Quer juntar 35 mil portugueses em torno da causa – uma meta ambiciosa, admite, mas nunca ‘uma luta perdida’.

O novo acordo entrou em vigor oficialmente a 1 de Janeiro. Mas Maria do Carmo Vieira acredita que ainda não é tarde para voltar atrás: ‘esta iniciativa surge de alguém que não se resignou’.

Há dois anos atrás, um outro grupo de cidadãos e personalidades públicas (encabeçadas pelo antigo eurodeputado Vasco Graça Moura) levou ao Parlamento uma petição com 32 mil assinaturas. Apesar do esforço, os deputados acabaram por dar luz verde ao novo acordo.

‘No fundo, foi tudo em vão’, recorda hoje Maria do Carmo Vieira. E, por isso, a professora de português, em conjunto com o tradutor João Pedro Graça e outros apoiantes da causa, decidiram ir mais longe desta vez, lançando uma iniciativa legislativa de cidadãos.

Na prática, explica a docente, ‘é uma iniciativa que tem a força de projecto-lei’ – o que significa que, uma vez no Parlamento (e com o apoio de uma maioria dos deputados), o projecto poderia até revogar o acordo ortográfico, regressando o país à velha ortografia.

Para isso, são necessárias 35 mil assinaturas – uma meta ambiciosa, que os organizadores do movimento querem atingir até ao Verão. Afinal de contas, a menos que a iniciativa seja avaliada antes das férias, nada impedirá a aplicação do acordo nas escolas já no próximo ano lectivo.

Mobilizar contra o acordo

E é nas redes sociais que a causa tem encontrado maior capacidade de mobilização. No Facebook, o movimento ‘Não queremos o acordo ortográfico’ ultrapassa já os 65 mil apoiantes que, com frequência, acabam por levar a causa para as ruas.

‘Temos recebido algumas centenas [de assinaturas], mas há também centenas de pessoas a recolhê-las’, assegura Maria do Carmo Vieira.

As dificuldades, por agora, são sobretudo burocráticas: ‘a recolha de assinaturas é feita em papel e há uma série de itens que se têm de preencher, é preciso o cartão de eleitor e, normalmente, as pessoas nunca o têm’.

Para lá dos obstáculos burocráticos, Maria do Carmo Vieira queixa-se da ‘falta de abertura da comunicação social’ em relação à iniciativa, bem como ‘abandono’ a que foram votados, por alguns dos primeiros subscritores da petição levada ao Parlamento em 2008.

Nada que não possa ser ultrapassado, diz a professora de Português: ‘as pessoas têm de ter consciência da aberração que é este acordo’.

Dar voz aos falantes

‘A evolução da língua faz-se com a passagem do tempo, faz-se com a intervenção dos falantes e não é por acordo, porque quando alguém me diz que a língua tem de evoluir’, defende Maria do Carmo Vieira. Por isso, critica a forma como a transição para o novo acordo foi conduzida pelo Governo português – um referendo teria sido, aos olhos da professora, uma alternativa mais democrática.

Aconteça o que acontecer, Maria do Carmo Vieira não está disposta a baixar os braços – até mesmo dentro das salas de aula onde lecciona: ‘Eu não vou deixar de escrever como escrevo e, se os meus alunos porventura me escreverem à maneira do acordo, eu obviamente que não ponho erro, mas vamos ter duas grafias’.

@Marco Leitão Silva e

[cópia integral, incluindo código, de artigo com reportagem vídeo da autoria dos jornalistas Marco Leitão Silva e Inês Gens Mendes, publicado no Portal Sapo ("Dossier Acordo Ortográfico") em 27.04.10.]

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Se queres mel, suporta as abelhas, escreveu, no século XVI, Erasmo de Roterdão (séc. XVI), máxima que se aplica a todos os tempos e que põe em evidência quanto perdemos em dignidade, desistindo da nossa intervenção crítica.

Entre muitas outras situações, em que revemos, directa ou indirectamente, aquelas palavras, sobressai a forma como nos foi imposto o Acordo Ortográfico de 1990, apresentado como uma espécie de «mel» que facilitaria a escrita, simplificando consequentemente a língua portuguesa, justificação, aliás, em sintonia com a pouca exigência que reina também no Ensino. Com efeito, nada menos científico e, aparentemente, mais melífluo, pela apregoada facilidade, do que «escrever como se pronuncia». Mas estranhamente, e na lógica do absurdo, multiplica-se a publicidade de acções de formação, pagas pelos inscritos, com o intuito de os ensinar a escrever à moda do Acordo Ortográfico que, afinal, surgira para simplificar a escrita.

Foi assim que um grupo de linguistas, portugueses e brasileiros, mascarados de investigadores competentes, entrou em cena, representando o deplorável espectáculo do Acordo Ortográfico. E, por incrível que pareça, este trabalho, jogo de cedências desiguais na dependência do mais forte, foi também justificado pela necessidade de a língua evoluir. Viemos a saber, posteriormente, por diversas intervenções de actores e apoiantes, que o argumento de peso tinha afinal sido a dimensão populacional do Brasil, face aos restantes países da CPLP, e que em nome desse novo valor «democrático» se justificava a decisão tomada, ao arrepio da opinião crítica de inúmeros linguistas e dos próprios falantes. Adequada também a uma estranha postura democrática foi a alteração, de cariz colonialista, que ditada pela pressa de assinar o referido Acordo, abdicou da exigência de unanimidade entre os oito países constituintes da CPLP, tendo bastado a aprovação de Portugal, Brasil e Cabo-Verde.

Porque tudo depende de nós, impõe-se que não desistamos desta Causa, aproveitando a possibilidade de intervir com mais consistência através de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), com força de projecto de lei, com a finalidade de revogar a Resolução da Assembleia da República nº 35/2008 que determinou a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. O processo é exigente, pois requer a recolha de 35.000 assinaturas em papel, encontrando-se toda a documentação no endereço http://ilcao.cedilha.net.

Apelamos a todos os que não concordam com este Acordo Ortográfico que divulguem esta ILC e recolham o maior número possível de assinaturas.

Maria do Carmo Vieira (22 de Abril de 2010)

[Texto recebido por email.]

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Impresso

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Assinar ILC contra o AO

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15 de Abril de 2010 — entrevista de fundo no “Jornal das 9″ com Mário Crespo.

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Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!






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Cartoon de José Bandeira
cartoon de José Bandeira, publicado no DN

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Causes

Bulletin from the cause: Não queremos o Acordo Ortográfico!

Go to Cause
Posted By: João Pedro Graça
To: Members in Não queremos o Acordo Ortográfico!

ILC contra o Acordo Ortográfico em marcha!

Tudo começou no dia 25 de Setembro de 2008 [ http://apdeites2.cedilha.net/?p=1177 ], num “post” em que se referia a possibilidade de avançar com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a entrada em vigor do Acordo Ortográfico.

A ideia foi lançada através do Twitter, em 29 de Novembro do ano passado, e imediatamente colheu aceitação junto das diversas comunidades virtuais. A 5 de Dezembro, a nossa Causa “Não queremos o Acordo Ortográfico!”, aqui no Facebook, passou a ser a peça central do movimento e foi registando um número imparável de adesões.

Redigida e publicada a ILC [ http://ilcao.cedilha.net/?page_id=92 ], começaram a ser recolhidas assinaturas no passado dia 8 [ http://ilcao.cedilha.net/?p=160 ].

Nos termos da lei que regula as ILC, não são permitidas assinaturas electrónicas (isto não é uma simples petição) e é necessário, além da assinatura em papel, indicar nome completo, o número de identificação (B.I. ou Cartão de Cidadão) e também o número de Eleitor e a Freguesia e o Concelho onde se recenseou.

Para subscrever a ILC, é muito simples.

1. Leia o texto em http://ilcao.cedilha.net/?page_id=92
2. Faça “download” do impresso de subscrição em http://ilcao.cedilha.net/docs/ilcassinaturaindivword.doc
3. Preencha e assine o impresso conforme as instruções nele contidas.
4. Envie o impresso preenchido, por correio normal, para o endereço nele indicado.

Se não tiver o seu cartão de Eleitor à mão ou se não souber quais os seus dados de recenseamento, aceda ao formulário do M.A.I. em http://www.recenseamento.mai.gov.pt e indique o seu nome ou Número de Identificação e data de nascimento. Pode também obter esses dados enviando um SMS para o número 3838 com o texto

REespaçoN.º Id. CivilespaçoData de Nascimento(AAAAMMDD)
{ por exemplo, RE 1234567 19751014 }

Se quiser colaborar ainda mais activamente com esta Causa, pode:

a) Fazer “download” do impresso para preenchimento manual, fotocopiá-lo e distribuí-lo.
b) Organizar eventos para recolha de assinaturas. Envie-nos um email para indicando data, hora, local, lotação do local, etc., e nós enviaremos de volta o impresso para recolha de assinaturas “em série” e normas de preenchimento e de procedimentos.
c) Promoção de outras acções de divulgação. Envie-nos um email para explicando a sua ideia. Tentaremos dar resposta imediata aos voluntários.

Com a ajuda de todos, conseguiremos reunir as 35.000 assinaturas necessárias.

Estamos em marcha!

Saudações lusófonas.

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Call to Action

Support the cause. Be counted:

(mensagem enviada a 61.007 subscritores da Causa “Não queremos o Acordo Ortográfico!“)

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Segundo informação dos “Serviços de Apoio Técnico e Secretariado” da Assembleia da República, uma ILC apenas pode ser subscrita de forma tradicional, isto é, em papel.

Assim sendo, as assinaturas da nossa ILC serão recolhidas de maneira extremamente simples.

Faça “download” para o seu computador do impresso de subscrição, preencha-o conforme as instruções nele indicadas e envie-o por correio normal para o endereço

Apartado 53
2776-901 Carcavelos


Se quiser colaborar ainda mais activamente com esta Causa, pode também fazer “download” do impresso para preenchimento manual, fotocopiá-lo e distribuí-lo.

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cartoon de José Bandeira, publicado no DN
cartoon de José Bandeira, publicado no DN

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Nova sala para demonstrar o apoio à ILC contra o AO, em pessoa, do conforto de um local perto de si.

Mangualde: Estalagem Cruz da Mata, Lugar de Cruz da Mata
Capacidade: 60. Lugares disponíveis: 60, em 7 de Abril, às 23:00
J. L. Teixeira Bastos: 96-422-9000

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