ILC contra o Acordo Ortográfico

Ler, assinar, divulgar

Posts publicados em Mar, PM

Luís Ferreira
Posted 29 Março, 2012 at 08:05 | Permalink

Nem é tanto isso, Fado Alexandrino, é bem pior. É acabar com conceitos e com pensamento, pura e simplesmente. Há umas semanas atrás estive à conversa com alguém que se dedica ao estudo da Filosofia e esse meu conhecido disse-me, e eu acreditei à primeira, que a Crítica da Razão Pura do Kant se torna ilegível se for vertido para o Acordo. Se acrescentarmos a isso uma colecção de palavras malditas, muita da Literatura, dos escritos de Filosofia, de Religião e de Política, por exemplo, ficam simplesmente ilegíveis. O que está a fazer é a caminhar para uma lavagem ao cérebro à escala planetária. Esta tentativa não me surpreende, o que me surpreende é a forma passiva como pessoas que eu pensava cultas e inteligentes, mesmo não concordando com elas, estão dispostas a aceitar o facto como bom. O que me surpreende é ver cultos políticos opostos a esforçarem-se no mesmo sentido, porque, provavelmente, o resultado é relevante para uns e para os outros: a estupidificação dos povos.

Devagar, devagarinho, isto está a acontecer. E onde estão os homens e mulheres de cultura? Os nossos jornalistas? Alguns levantam-se e falam uma vez ou outra no assunto mas logo se calam envergonhados, porque a moda, o que é politicamente correcto, é estar de acordo com as alterações de fundo que estão a acontecer e depois de falar uma vez ou outra ficam com as consciências descansadas e lavam as mãos como Pilatos. O ocidente está na miséria económica e vai ficar na miséria intelectual. Há maior miséria do que essa? Qual é, afinal, a condição singular do Homem? Não é o pensamento? Sem palavras, sem vocabulário, sem estruturas gramaticais sofisticadas, como se pensa? Como se transporta esse pensamento para a escrita? Temos, alguns de nós, de voltar ao latim?

É por estas e por outras que eu sou radicalmente contra tudo o que possa limitar a capacidade de pensar e, no caso português, o que nos afecta muito e para já, o dito Acordo Ortográfico. É por estas e por outras que eu, para além, de ter assinado a ILC – http://ilcao.cedilha.net/ – me tornei uma espécie de voluntário a recolher assinaturas, seguro de estar a contribuir para a sobrevivência de uma língua, em que já foram escritas poesia e prosa da mais elevada qualidade.

[Transcrição integral de comentário da autoria de Luís Ferreira, em "post" com o título "Sharia" no blog "Blasfémias".]

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[transcrição]
Ai já começou a gravar. Desculpem. Olá, sou o Nenuco, já devem saber. Neste vídeo vou falar-vos sobre o acordo ortográfico. E porquê o acordo ortográfico? Porque eu estou com dificuldades em escrever… em Português; porque no Francês e no Inglês não há acordo. Ou há? Se calhar há… Se calhar há… Vou perguntar isso aos meus professores. Ok, eu depois pergunto.

Como toda a gente sabe, quando nós andávamos na Primária estavam-nos sempre a insistir para pormos em “correcção” o “C” e o “Ç de cedilha”, em “recepção” o “p” antes do “Ç de cedilha” e assim; e agora querem-nos fazer tirar! Então para que é que nos ensinaram? Não percebo. Não cabe na cabeça de ninguém, isso; só mesmo na cabeça de quem está lá na política, e assim. Só sabem mentir e roubar, mentir e roubar. E aldrabar também.

Mas, por exemplo, porque é que nos ensinaram a escrever com dois “cês”, um “pê” e um “cê” e agora nos querem obrigar a tirá-lo? É estúpido. Mais valia não nos terem ensinado. Só nos estão a fazer perder tempo. E eu não gosto de que me façam perder tempo. Porque perder tempo é uma seca. E depois fazem-me perder tempo e não tenho tempo de vir cá gravar os vídeos para vos fazer rir. Por isso, digam aos professores de Português (e de outras disciplinas, porque há professores de outras disciplinas que também escrevem com o acordo) para não me fazerem perder tempo; porque se eles me fizerem perder tempo vocês não vêem os meus vídeos; e se vocês não virem os meus vídeos até ficam felizes… mas eu não! Eu quero que as pessoas vejam os meus vídeos.

Eu ultimamente ando com dificuldades em escrever por causa do acordo. Oh, pá, dizem que nos querem aproximar dos brasileiros! Eles que se aproximem de nós! Nós é que os descobrimos. Dos angolanos… nós é que os descobrimos, eles que se aproximem. Dos moçambicanos… nós é que os descobrimos, eles que se aproximem. Das outras terras de África que são portuguesas (eu não me lembro de todas, eu sou bom aluno, por isso não me lembro) eles que se aproximem porque fazem-me perder tempo, como já disse. Oh, pá, e depois toda a gente anda com dificuldades em escrever e esses é que têm de se aproximar de nós porque nós é que os descobrimos.

Se estás comigo, mete “gosto”. Se não estás comigo, mete “não gosto”. É só isto que tenho para dizer, passa a mensagem e diz NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!
[/transcrição]

Nenuco“, estudante, vídeo alojado em YouTube no dia 20 de Fevereiro de 2012.

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«By destroying the words themselves, the state would be able to destroy the concepts they represented.»
George Orwell, “1984″

«Discussão:facto
Boa. Cheguei aqui à procura dum significado digno da palavra facto, mas em vez disso fui remetido para fato. Aí, encontrei quase um rascunho do sentido que procurava, o sentido 5. Mas, quando segui o link para o sinónimo, a ver se havia um significado um pouco mais desenvolvido, descobri que vinha dar a esta página outra vez. É obra. Quem procura facto sai deste dicionário com a ideia que significa fato. Quando é fato que pode ser também fa(c)to.

Fato e facto
São palavras da Língua Portuguesa, com o mesmo significado para todos os falantes.–antoniolac 00:38, 19 Janeiro 2007 (UTC)
Wikcionário “lusófono”

Verifique-se a data desta “reclamação” e depois a da última alteração da entrada respectiva: «Esta página foi modificada pela última vez às 05h17min de 24 de março de 2012.»

Por aqui se vê que pelo menos esta “reclamação” (de João Ricardo Rosa, activista da ILC) produziu efeitos, ou seja, os editores acordistas do Wikcionário re-introduziram à pressa a entrada sobre o termo “Facto”; isto porque, é claro, o AO90 prevê a dupla grafia “facto/fato” e eles, atarefadíssimos na sua obsessiva caça à “consoante muda”, tinham abatido ali um C a mais, de faCto, como terão de repente constatado.

Mas isto é apenas uma excepção para confirmar a regra, evidentemente, apenas e só porque o “acordo” que regula a “língua unificada” prevê mesmo não apenas aquela como outras 69 000 duplas grafias, das quais 4 000 integralmente novas, geradas, criadas, inventadas pelo mesmíssimo “acordo” que as iria abolir.

E é uma excepção também porque, como já vimos antes, não é permitido (pela Wikipedia e serviços quejandos) reverter a ortografia acordizada para a da norma Pt-Pt. E já vimos igualmente que não apenas é proibido reverter como toda a ortografia da norma em vigor em Portugal, em Angola e em Moçambique está a ser convertida, à força e com efeitos retroactivos, para a versão acordista.

De facto, designámos anteriormente este processo como genocídio linguístico mas o PAEC (processo de aniquilamento em curso) é ainda mais abrangente (e terrível) do que isso, visto que além de estropiar a ortografia de cada entrada lexical ou enciclopédica, por arrastamento “uniformiza” também os conteúdos. Ou seja, expliquemo-nos detalhadamente quanto a isto, mais uma vez, porque se trata de algo dificílimo de compreender e mais ainda de aceitar: os conteúdos explicativos, as ilustrações e os exemplos de cada uma das entradas lexicais estão a ser sistematicamente substituídos por… explicações brasileiras, ilustrações brasileiras e exemplos brasileiros.

Vejamos, assim um pouco “à sorte”, o caso da entrada wiki sobre “Metonímia”.

«Por exemplo, “Palácio do Planalto” é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser localizado lá o gabinete presidencial.»

Perdão? Como? “Palácio do Planalto”? Para mim, que não sou brasileiro, já agora, se me é permitido, pergunto: o que diabo vem a ser isso de “Palácio do Planalto”? Ah, é a morada oficial do Presidente do Brasil, obrigado, compreendo; sim, mas porquê a do Presidente do Brasil? Porque não a do Presidente de Angola? Ou a do Presidente de Moçambique? Ou ainda, e sempre apenas por exemplo, que mal fez à Wikipedia “lusófona” o portuguesíssimo, se bem que certamente modesto, “Palácio de Belém”?

Será que antes, quando havia naquele serviço duas versões, “Português” e “Português do Brasil”, naquela que não era “do Brasil” já se referia o “Palácio do Planalto”? Não estaria lá, nessa versão diferenciada, o nosso velhinho palácio presidencial?

Pois, isso pelos vistos nunca mais viremos a saber: como já aqui demonstrámos, toda a História está a ser sistematicamente apagada ou, pior, muito, muito pior, toda a História está ser substituída pela versão “atual” do Português, como se nunca tivesse havido outra coisa além desse aleijão.

Pois é claro que os exemplos ilustrativos deste fenómeno de extermínio cultural em massa encontram-se por todo o lado e com muita facilidade. Basta procurar seja o que for para verificar a sistematização implacável do processo.

Apenas mais uma amostra, tão ao acaso como a anterior: vejamos o que diz a Wikipedia “lusófona” sobre “Metáfora“. Sem palavras, porque uma imagem vale ainda seguramente, hoje como ontem, por mil daquelas “coisas”.

Antes ficámos a saber que as entradas lexicais em Português-padrão estão a ser exterminadas selectivamente, com efeitos retroactivos, agora ficamos também cientes de que os conteúdos o estão a ser na mesma medida: a ortografia portuguesa “nunca existiu”, pretendem os acordistas, como jamais houve fosse o que fosse em Português… fora do Brasil.


Esta imagem é uma das últimas provas que restam de que havia duas grafias do Português na Wikipedia. Ainda lá está hoje, esquecida, numa recôndita página de acesso. Mas até esta será rapidamente apagada, é certo e seguro, porque aos acordistas não interessa deixar qualquer vestígio de que alguma vez existiu algo mais do que uma única “língua unificada” e uma só “cultura lusófona”; num único país pelos vistos, porque os “restantes” não contam para nada.

Já aqui foi citado a propósito, porém nunca será de mais relembrar as sábias, premonitórias, certeiras palavras de George Orwell.

«O objectivo da Novilíngua não é apenas oferecer um meio de expressão para a cosmovisão e para os hábitos mentais dos devotos do IngSoc, mas também impossibilitar outras formas de pensamento. Tão logo for adoptada definitivamente e a Anticlíngua esquecida, qualquer pensamento herético será literalmente impossível, até ao limite em que o pensamento depende das palavras. Quando esta for substituída de uma vez por todas, o último vínculo com o passado será eliminado

“1984″ é agora.

Nota: as imagens neste “post” são “screenshots” (uma espécie de fotografias do que se vê no ecrã do computador em determinado momento) obtidas na data de publicação deste mesmo “post”; é possível que haja nos respectivos endereços (URL) alterações posteriores efectuadas pela própria Wikipedia.

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«Favorecimento?
O artigo favorece a ortografia do Acordo Ortográfico sobre a de Angola. Não deveria antes ser “Objeto e objecto”, em vez de pôr a outra ortografia entre parêntesis como se fosse mais usada? 2.80.11.40 (discussão) 08h33min de 21 de julho de 2011 (UTC)

Explique-se melhor. Como assim o artigo favorece “o Acordo Ortográfico sobre a de Angola”? -Ramissés DC 15h04 min de 21 de julho de 2011 (UTC)» [Wikipedia "lusófona"]

Continuando na senda da denúncia (no sentido de exposição pública) do “PAEC”, ou seja, do processo de aniquilamento em curso, vejamos alguns exemplos que demonstram a forma verdadeiramente assassina como o Português-padrão está a ser apagado da História. Ou, dito de outra forma, ilustremos a gigantesca operação de destruição maciça – com efeitos retroactivos – da Língua Portuguesa não “acordizada”.

Como se vê na imagem de topo e como se lê ali, na reclamação de um angolano, a palavra “objecto” pura e simplesmente desapareceu. A bem dizer, nunca existiu! Se forçarmos a entrada directa no endereço (URL) correspondente àquela entrada com a grafia do Português “europeu” (e africano), podemos ver que somos automaticamente remetidos para o termo equivalente… em “acordês”: “objeto”. Basta experimentar, é só seguir o link http://pt.wikipedia.org/wiki/Objecto.

Porque presumimos ser muito difícil acreditar em que semelhante barbaridade esteja mesmo a acontecer, vamos repetir isto ponto por ponto a ver se a coisa resulta clara para toda a gente:

1. Na Wikipedia “PT” já foi apagado todo o passado. “Nunca” houve PT-PT e PT-BR. Por exemplo, a palavra OBJECTO não apenas foi abolida pelo AO90 como… NUNCA EXISTIU.
2. Para quem tem conta de edição na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Objeto&action=history (a entrada mais antiga é de 01.06.10).
3. O redireccionamento (de OBJECTO para “objeto”) foi forçado COM EFEITOS RETROACTIVOS a 2005: http://web.archive.org/web/20050422021854/http://pt.wikipedia.org/wiki/Objecto
4. A busca interna por OBJECTO na Web Archive dá ERRO: http://liveweb.archive.org/http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Objecto&redirect=no

Claro que este processo de extermínio linguístico é sistemático, avassalador, por assim dizer industrializado: todas as palavras com a grafia do Acordo Ortográfico de 1945, que vigora ainda legalmente pelo menos em Portugal, Angola e Moçambique, estão a desaparecer na Wikipedia… mas não somente; é claro que os mesmos métodos de extinção em massa estão já a ser utilizados em várias plataformas, sistemas e serviços (virtuais ou não).

Qualquer pessoa pode verificar por si mesma com os exemplos que lhe forem ocorrendo: a palavra “Acto” não existe (nem existiu nunca ou será que existiu alguma vez mas foi exterminada?), “Actuação” desapareceu (agora é “obrigatoriamente” «atuação») e até algo como uma simples “acta” de reunião já não se faz (nem nunca se fez, pois claro), diz que tem de ser “ata” à viva força, ou seja, «um registro ou resenha de fatos ou ocorrências».

Este “apagão” geral (com efeitos retroactivos, repita-se e realce-se de novo) não acontece por mero acaso, evidentemente, e muito menos por necessidade. Faz parte de uma estratégia política, como já sabemos, que consiste num tão velho quanto terrível paradigma: “quem domina o passado domina o futuro; quem domina o presente domina o passado” [George Orwell, "1984"]

No próximo artigo desta série veremos de que forma o “apagão” selectivo não é apenas terminológico (ou ortográfico), é também referencial e de conteúdo.

Nota: as imagens neste “post” são “screenshots” (uma espécie de fotografias do que se vê no ecrã do computador em determinado momento) obtidas na data de publicação deste mesmo “post”; é possível que haja nos respectivos endereços (URL) alterações posteriores efectuadas pela própria Wikipedia.

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Há coisas que, de tão vergonhosas, até o diabo foge delas. Pópilas! Vejam só o atrevimento!

De há alguns dias a esta parte, o Word 2007 do meu computador, ferramenta que utilizo para escrever os meus textos, passou, automaticamente, a assinalar erros ortográficos em palavras, que eu tinha a plena convicção de estarem correctamente escritas. Pensei até que a selecção para a configuração ortográfica do português de Portugal tivesse “emigrado” para o Brasil. Mas não. Emprestando um pouco mais da minha atenção e paciência a este assunto, questionando, também, outras pessoas, conclui que, através de algumas das actualizações automáticas, sem me pedirem qualquer opinião sobre o assunto, passaram-me a impor um novo dicionário da língua portuguesa de Portugal, quando o antigo corrector ortográfico se encontra ainda em uso. Se não foi por feitiço que isto aconteceu, então andou, de certeza, aqui, uma mãozinha marota.

O meu país, Angola, tem, por opção e não por imposição, o orgulho de ter a Língua Portuguesa como língua oficial e de escolaridade. Uma língua que, a par de outras línguas africanas, é património de todos os angolanos que a falam, independentemente do facto de a terem adquirido como primeira ou segunda língua.

Angola assinou o novo acordo ortográfico, mas, por razões de ordem, essencialmente, científica e cultural, ainda não o ratificou e tem todo o direito de querer voltar a discuti-lo, pelo facto de, em alguns aspectos, não se rever nele. De nenhum modo terá de ser obrigado a consumi-lo, tal como, no seu todo, o mesmo se apresenta.

Moçambique também não ratificou o novo acordo ortográfico e há outros países africanos de expressão portuguesa que, apesar de o terem feito, juridicamente, ainda vão a tempo de reponderar sobre determinados aspectos. Em Portugal, por exemplo, o novo acordo ortográfico terá, oficialmente, de conviver com o antigo, pelo menos, até 2015. Assim sendo, o acordo ortográfico de 1945 mantem-se ainda em vigor.

O que terá levado a Microsoft a impor o novo acordo ortográfico de língua portuguesa à margem da lei e sem alternativa de escolha por parte dos seus utentes? Um novo acordo bastante contestado, sobretudo, ao nível dos académicos, agora imposto, por via electrónica, mais por conveniência de interesses obscuros do que por estratégia de divulgação da própria língua, como dita o discurso político?

Nos dias de hoje, não me parece que seja através da força, com o uso de golpes baixos, que teremos de ser forçados a aceitar o novo acordo ortográfico de língua portuguesa. Aproveitar o facto de os PALOP não terem ainda um parque editorial à altura, para, automaticamente, nos forçarem a aceitar um acordo onde, para além dos erros e das situações duvidosas, são mais as excepções que as regras, é uma má opção estratégica, com consequências a curto, médio e longo prazo e com sérios prejuízos para a própria Língua Portuguesa. O novo acordo, para ser validado e dignificado, terá de ser rectificado para não conviver com resistências de todo o tipo. Terá de entrar, em cada país, pela porta grande da frente e nunca, sorrateiramente, pela porta pequena dos fundos. Para tal, se torna necessário que todos os países participem dele, para que todos os países se revejam no mesmo, já que a língua portuguesa é de todos os países membros, que compõem a CPLP.

Angola e os outros países africanos de expressão portuguesa, bem como ainda Timor Leste, não têm de ser usados como caixa de ressonância de problemas que não lhes dizem respeito, nem, tão pouco, terão de ser sujeitos a imposições sub-reptícias de tipo neocolonial, sob o protesto da necessidade de uma unificação linguística, que, como todos sabemos, não passa, desde o início, de um falso pressuposto.

Face aos embaraços constatados no novo acordo, não só em Angola, mas também em Portugal, no Brasil e em outros países da Comunidade, só os asnáticos fogem para a frente e procuram impor pela força o que não conseguem convencer pelo uso da argumentação. O jeitinho do “tomem lá o Acordo e não piem”, é uma forma muito pouco urbana, democrática e sensata de tentar resolver o problema. Assim, dificilmente, em português, seremos capazes de nos entender.

Cândido Lince

[Transcrição integral de artigo publicado hoje, 25.03.12, no "Jornal de Angola" (online), da autoria de Cândido Lince. Destaques e sublinhados nossos.]
[Conhecimento do artigo via Francisco Miguel Valada.]
[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.]

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«Proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma tentativa de unificar a língua portuguesa, sobretudo na internet, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2013.»
“Jornal da Manhã” (online), Uberaba (Minas Gerais), Brasil, 19 de Março de 2012

Uma das consequências do AO90 que mais têm sido escamoteadas e que os nossos políticos, por regra, fingem ignorar é a seguinte: à conta de uma pretensa (e impossível) “uniformização” da Língua Portuguesa, a norma-padrão do Português está a ser inexorável e sistematicamente apagada em todos os registos e em qualquer suporte. Na Internet (e não só), dezenas, centenas, milhares de pessoas – na sua maioria do Brasil mas também contando com a solícita colaboração de alguns portugueses – estão a simplesmente fazer desaparecer a norma ortográfica do chamado Português europeu, como se tal coisa nunca tivesse sequer existido.

As provas que evidenciam esta gigantesca operação de genocídio linguístico (e cultural, por inerência) estão por todo o lado, apesar de também sobre elas, as provas, além dos conteúdos propriamente ditos, incidir a sanha, a raiva e o labor frenético destes revisores da História que agora se afadigam em sumamente liquidar o passado (que nunca o será para nós outros) da Língua Portuguesa.

Abreviando razões, aquilo que se está a passar é que a mentira da “língua portuguesa unificada” tenta instaurar a sua política do facto consumado através da eliminação pura e simples de qualquer referência ou conteúdo que não “obedeça” ao “acordo ortográfico” de 1990. Ou seja, em suma, segundo eles nunca antes houve norma-padrão, apague-se tudo aquilo que existir, sempre houve a “nova norma”, substitua-se a “antiga” por esta.

Nesta série de artigos, de que hoje se publica o primeiro, tentaremos ilustrar com exemplos vários – todos eles fundamentados documentalmente – este fenómeno que tem passado (deliberada e orquestradamente) despercebido da opinião pública e que poderíamos talvez designar pela abreviatura “PAEC”, processo de aniquilamento em curso.

A ilustração que se segue mostra, sem necessidade de quaisquer comentários adicionais, a forma ditatorial, canina, verdadeiramente nazi como esta “nova ordem ortográfica” é imposta, no caso, aos utilizadores da Wikipedia que se diz “lusófona”. Relevem-se, caridosa e pacientemente, as óbvias dificuldades de redacção do “Vinicius” em causa:

«Aproveito para lembrar que, apesar da Wikipedia lusófona privilegiar o uso das normas do Acordo Ortográfico de 1990 nas suas páginas oficiais (políticas, recomendações, etc.), qualquer usuário é livre de utilizar nas suas edições as regras ainda vigentes no Brasil (Formulário Ortográfico de 1943) ou as dos restantes países lusófonos (Acordo Ortográfico de 1945), não sendo toleradas alterações de uma norma para outra

No próximo artigo desta série veremos de que forma NUNCA EXISTIRAM na Wikipedia “lusófona” algumas entradas (palavras) com a grafia do Português-padrão.

[Imagem de topo de Tate online.]

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Esta é uma ideia de João Ricardo Rosa, consistindo basicamente em utilizar uma ferramenta do Firefox já existente para ler em Português correcto as páginas web que “adotaram” o AO90.

Por exemplo, na imagem seguinte pode ver-se que o termo adulterado “seleção” foi automaticamente corrigido para “Selecção”.

Nas duas imagens seguintes, executadas pelo autor do “blog” Bic Laranja, outros tantos exemplos de páginas web em que o Português aparece corrigido (as correcções automáticas foram sublinhadas nas imagens).

A instalação desta “extensão” do programa de navegação Firefox é extremamente simples:

1. Aceda ao endereço https://addons.mozilla.org/pt-pt/firefox/addon/foxreplace/ e “click” no botão “Transferir agora/Download Now”) e “Instalar Agora/Install Now”.
2. Re-inicie o Firefox.
3. No menu do Firefox, “click” na opção “Ferramentas/Tools”), seleccione “FoxReplace” e abra o sub-menu “Opções do FoxReplace/Options”).

4. Irá abrir uma nova “caixa” com as opções do FoxReplace.

5. Copie o endereço http://dl.dropbox.com/u/4967399/FoxReplace.xml e cole-o na linha em branco onde diz URL (como vê na imagem). Assinale as caixas de verificação “Update from Url/Actualizar de Url” e também “Auto-replace on page load/Substituir ao carregar página”. Por fim, “click” no botão “Ok”.

E pronto! Já pode navegar pela Internet à vontade sem qualquer receio de tropeçar em agressões ortográficas.

Aguardamos a qualquer momento (que alguém converta) versões deste “extra” para outros programas de navegação, ou, pelo menos, para o Google Chrome.

[O ficheiro de conversão em http://dl.dropbox.com/u/4967399/FoxReplace.xml é também da autoria de João Ricardo Rosa, que o criou de raiz e o actualiza.]

[A imagem das opções do Firefox/FoxReplace é também, como outras duas neste "post", do blog Bic Laranja.]


Actualização em 18.04.12

Já foi lançado pelo autor da ideia o “site” onde pode encontrar todas as informações e indicações sobre esta (excelente) ferramenta de “navegação” na Internet: http://firefoxcontraao90.wordpress.com/

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Alguns selos e franquias de correio de subscrições da ILC recebidas, dos Portugueses espalhados pelo mundo, neste caso com exemplares de Portugal, Inglaterra, Brasil, Suíça, Austrália e Canadá.

Ver “colecção” de selos postais da ILC.

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André Fernandes Jorge nasceu no Bombarral em 1945. Com 12 anos foi estudar para Coimbra, onde permaneceu até aos 17. Muda-se então para Lisboa. Ingressa na Faculdade de Letras, frequentando primeiro Filosofia e mais tarde Românicas, não concluindo nenhum dos cursos. Com 21 anos é incorporado no exército e mais tarde parte para Angola. Cumpre cinco anos de vida militar. De África conhece também a Guiné-Bissau, onde viveu durante mais de dois anos, como cooperante.

Em 1987 funda a Livros Cotovia, juntamente com o irmão, mas dirige a editora sozinho desde 1991.

Ao longo de mais de vinte anos a Cotovia soube transformar-se numa editora de referência no panorama do livro em Portugal, em especial pelas suas colecções no âmbito da poesia, do ensaio, da ficção, do teatro, da literatura brasileira e da literatura clássica. Enquanto editora, a Livros Cotovia nunca deixou de se nortear pelo critério simples de quem escolhe um livro para mostrar, para oferecer, ou simplesmente porque gostaria que os amigos o lessem.

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da nossa ILC.

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritor, que reviu, expressamente para o efeito, a respectiva nota biográfica.

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Com autorização expressa da proprietária do estabelecimento, que nos enviou por email o cartão da casa e as fotografias.

A partir de agora também ali poderá subscrever a ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

Mais um estabelecimento no mapa dos locais de recolha de assinaturas!

Se possui um estabelecimento e pretende apoiar a iniciativa, basta fazer download do cartaz e do impresso de subscrição para que os seus clientes possam subscrever a ILC. Depois remeta-nos um cartão-de-visita da casa para que ela apareça também no mapa.

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