Dado o seu evidente interesse público, transcrevemos seguidamente um “texto para reflexão”, como o designou o próprio autor, que o Prof. Dr. Fernando Paulo Baptista fez o favor de nos deixar em comentário ao artigo (publicado no JN e aqui transcrito) de Manuel António Pina.

Para o autor deste brilhante e elucidativo trabalho, o senhor Professor Doutor Fernando Paulo Baptista, ilustre filólogo, aqui ficam as nossas mais sinceras homenagens, justificando-se que tão importante documento tome o relevo que plenamente merece no site da ILC.

Senhor Professor, é para nós subida honra (re-)publicar assim este seu extraordinário estudo. Bem haja!


Essa sinistra “guilhotina” liquidatária das matrizes profundas da Língua Portuguesa, esfingicamente instalada e escondida na Base IV do actual acordo ortográfico (1990), deveria ser a nossa preocupação nuclear pela defesa da «madre língua»!…

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A desassossegada e fulcral preocupação que o actual acordo ortográfico/1990 não pode deixar de suscitar reside no facto de impor uma «grafia» (repare-se bem: uma «grafia»!…) fono-cêntrica ou orali-cêntrica, assente na volátil e efémera “substância” dos «sons», dos «fonemas» («verba volant»), e não, na “substancialidade” estruturante, consistenciante, estabilizadora e permansiva das «letras», dos «grafemas» («scripta manent») de que, pelo menos desde os gramáticos, retóricos, dialécticos e filólogos clássicos (e.g.: Dionísio de Trácia, Apolónio Díscolo, Marco Terêncio Varrão, Marco Fábio Quintiliano, Valério Probo, Élio Donato, Prisciano Cesariense…), as regulae, as gramáticas, os dicionários e as antologias têm sido a expressão concreta, garantística e profiláctica[1].

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Na verdade, contrariando o princípio enunciado pelo clarividente linguista brasileiro Luiz Carlos Cagliari[2], segundo o qual, «a grafia tem como objetivo maior permitir a leitura, e não, representar uma pronúncia», “escrever como se pronuncia” (como se fala…) passou a ser o leitmotiv teleológico e condutor deste novo acordo!…

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Mas, afinal, o que é que, através de um tão mal engendrado e tão contraditório normativo acordatário destinado a regulamentar, a unificar e a normalizar a forma grafémica das práticas escritas da língua como é este novo acordo ortográfico (que, importa dizê-lo frontalmente, configura objectivamente um “monumento” à incongruência epistemológica e à incompetência linguística, filológica e pedagógico-didáctica!…), sim, o que é que, com um tal “pacto regulatório”, se pretende normalizar, uniformizar e estabilizar?… É a «pronúncia», ou seja, «o modo oral» de realização da língua, que se concretiza através dos actos de falar e de ouvir, ou é «o modo escrito» de realização dessa mesma língua, que se concretiza através dos actos de escrever e de ler?…

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Se é «a pronúncia», há que elaborar, então, um acordo que, com toda a propriedade, deverá passar a designar-se de «acordo ortoépico» ou «acordo ortofónico», e não, «acordo ortográfico»; esse acordo, tomaria como referencial um «padrão fonético-fonológico» o mais alargado possível, com a intervenção dos melhores foneticistas e fonologistas da CPLP (e recuperando a parte melhor do trabalho, a esse nível, realizado pela comissão liderada por Gonçalves Viana para o acordo de 1911…), por forma a poder vir a funcionar como uma espécie de «unicode ortofónico» ou de «alfabeto fonético-fonológico universal» para toda a CPLP.

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Se, pelo contrário, o que se pretende realmente normalizar, uniformizar e estabilizar são «as práticas escritas», com especial destaque para o «vocabulário» (sobretudo, em sua expressão mais rigorosa e elaborada…), então, há que pensar num acordo verdadeiramente «ortográfico», isto é, num normativo que seja preservador e respeitador da essência grafémica da língua escrita e que não guilhotine nem liquide os constituintes “genómicos” ou “adeânicos” das raízes lexicais que integram as bases genealógico-genéticas eruditas, provenientes do latim e do grego, porque são o suporte ou sustentáculo do património lexical mais rigoroso e mais denso das principais línguas românicas, património que também é transversal ao inglês e ao próprio alemão.

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Cabe sublinhar que essas bases ou matrizes clássicas eram escrupulosamente respeitadas e preservadas pelo anterior acordo ortográfico de 1945 até aos limites da consensualidade possível que, àquela data, foi exemplarmente construída pelos filólogos e linguistas das duas delegações negociais: a portuguesa e a brasileira…

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Deve salientar-se, ainda e a propósito, que este acordo de 1945 (apesar de se afastar [à semelhança, por exemplo, da língua espanhola…] do modelo ortográfico mais rigorosamente etimologista e tradicional dos «ph», dos «th» e dos «y», que esteve em vigor até 1911 e que foi seguido pacificamente, até então, por Portugal e pelo Brasil…), era, efectivamente (dentro dos limites da perfeição possível…), um normativo bem elaborado, obra de prestigiados filólogos e académicos portugueses e brasileiros, de que se destacam dois grandes nomes de referência: Rebelo Gonçalves, do lado de Portugal, e Sá Nunes, do lado do Brasil.

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E a questão que, à partida, se coloca é a seguinte: o acordo ortográfico de 1945 (revelador de uma sintonia fundamental com o espanhol e demais línguas românicas…) alguma vez dificultou o processo de alfabetização escolar e de aprendizagem da escrita e da leitura, alguma vez impediu o pluralismo e a polifonia das pronúncias mais diversas em Portugal, no Brasil, em toda a CPLP e na diáspora, alguma vez travou o normal curso da “evolução” da língua portuguesa ou obstaculizou a sua projecção e dignificação no mundo ou o alargamento dos mercados e o respectivo dinamismo negocial, argumentos estes de que se servem os devotos defensores do “pronúncio-cêntrico” actual acordo, de modo acrítico, sofístico e demagógico?[3]…

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Importa, igualmente, interrogarmo-nos quanto às razões que terão impedido a não realização do prometido «debate aprofundado», a não publicação do previsto «Vocabulário ortográfico da língua portuguesa», questionarmo-nos, em suma, sobre o porquê da marginalização, silenciamento ou ostracismo de pareceres e estudos tão importantes, tão consistentes e tão bem fundamentados como são, entre outros, os dos Profs. Óscar Lopes, Maria Helena Mira Mateus, Ivo de Castro, Inês Duarte, António Emiliano, Maria Filomena Gonçalves, etc…, etc…[4]

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Do mesmo modo, se afigura pertinente desmascarar a ostentatória postura de quantos citam, como ornamento de uma pretensa cultura poético-literária, o famoso exergo pessoano — «Minha pátria é a língua portuguesa» —, exergo esse, usurado de modo amnésico, se não mesmo ignaro, quando esquecem ou desconhecem que, logo a seguir a essa tão vulgarizada como trivializada fórmula, o seu heterónimo autor textual, Bernardo Soares, inscreveu, nesse mesmo andamento sintáctico, afirmações relacionadas com a expressão escrita da língua portuguesa e com a questão da «ortografia», carregadas de tão fino simbolismo como são as seguintes:

«As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas (…). Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal (…). Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto (…) a página mal escrita (…), a ortografia sem ípsilon (…). Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha»[5].

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Mas estas palavras, não só põem em inquestionável e mais do que justificado relevo o “modo escrito” da língua, mas também estão em clara e flagrante sintonia com a lapidar argumentação que Fernando Pessoa[6] desenvolveu no contexto do seu lúcido e frontal combate contra o acordo ortográfico de 1911, acordo, também ele «pronúncio-cêntrico», que, como sabemos, «liquidou», sem apelo nem agravo, a tradicional grafia etimológica do «ph» de «pharmacia», do «th» de «theatro» e do «y» de «lagryma»[7], afastando, assim, a grafia do português da grafia do inglês, que era a outra sua predilecta língua de criação poético-literária, com a qual estava estreitamente familiarizado desde a infância:

«… O problema da ortografia é o da palavra escrita, nada tendo essencialmente que ver com a palavra falada (…). A tradição cultural, quanto à palavra escrita, é a tradição etimológica (…). A nossa ortografia, quando, lentamente, se foi fixando, fixou-se numa ortografia etimológica, baseada, é claro, no latim. (…) Como a pronúncia da palavra é só da palavra falada, e se produz por sílabas, a palavra escrita nada tem com a pronúncia dela. (…) A letra e não a sílaba é a «unidade» na palavra escrita».

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Mas, ainda no que diz respeito ao acordo ortográfico de 1945, o Brasil, como se sabe, também o subscreveu e ratificou, tendo então sido expressamente reconhecida a sua qualidade técnico-científica e filológica[8].

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Há, porém, um irrasurável dado de facto que não tem sido tido na devida conta e que é o seguinte: o modelo de referência da prática ortográfica em todo o mundo, mesmo com o seu tradicional conservadorismo etimológico, continua a ser, queiramos ou não, a língua escrita inglesa, não só porque é a língua de maior implantação mas também, e sobretudo, porque é a «língua franca» da grande comunicação e divulgação científica e sapiencial à escala planetária: basta pensar no que se passa com a respectiva produção bibliográfica especializada em todo o mundo e com a Internet!…

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E face ao argumento de que «as línguas são realidades vivas que evoluem» (argumento invocado, de modo tão trivial quanto acrítico, pelos devotos defensores do actual acordo para o justificarem a qualquer preço…), será que a pervivência dessa “grafia etimológico-tradicional” no inglês, no francês e no alemão tem impedido o normal curso da evolução destas línguas?… Não deveria haver maior rigor intelectual quando se recorre a este tipo de argumentação?…

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Depois (e focalizando-nos agora no plano mais estritamente histórico-linguístico…), é ou não é verdade que a língua inglesa, não sendo considerada propriamente uma língua românica ou neo-latina, preserva intactamente as bases genealógico-genéticas greco-latinas, clássico-eruditas, que representam a fonte de mais de 80% das terminologias especializadas?…

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O que significa que é o “paradigma” genealógico-genético, filológico-etimológico (que, enquanto filólogo, tento defender com fundamentos e com argumentos de natureza epistemológica, filológica, linguística e pedagógica e não, de ordem subjectivista, sentimental ou meramente opinativa…), o que significa, repito, que é esse “paradigma” aquele que melhor pode garantir não só as duas vias de formação lexical — a via popular e a via erudita —, mas também a proximidade inter-lexical e sémio-discursivo-textual do português com o inglês e com as principais línguas românicas (comparar a Base VI do anterior acordo ortográfico /1945 com a Base IV do actual acordo ortográfico /1990).

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Não é por acaso, portanto, que o inglês é, hoje, reconhecidamente, o grande «sucessor» ou «herdeiro» do latim e do grego em todo o mundo, línguas que, apesar de catalogadas de «mortas», continuam a ser a fonte do maior número das raízes lexicais das terminologias científicas e especializadas e a alimentar os processos de «neologia», de «léxico-génese» e, mais especificamente, de «término-poiese», raízes, em suma, que são reconhecidas e consagradas pelas organizações internacionais de legitimação e normalização terminográfica.

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Assim sendo, também não é por qualquer capricho de tipo «clubístico» ou de conservadorismo «tradicionalista» ou «anti-evolução», que luto, sobretudo, contra a Base IV do actual AO/1990. E quando digo que os Políticos e Académicos de Portugal e do nosso estimado Brasil deviam repensar tudo isto, não por é menos consideração por eles que o digo. Devo confessar, a propósito, que, além de familiares meus, tenho, em vários dos seus estados, inúmeros amigos que são professores universitários e investigadores, inclusivamente, na área da «Tele-medicina» e da «Tele-saúde», de cujo movimento internacional tenho o privilégio de ser membro honorário…

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A minha preocupação nuclear decorre, portanto, do facto de entender que a Língua Portuguesa, pela sua universalidade e implantação intercontinental, justifica situar-se, cada vez mais, «na linha da frente», entre as principais línguas de comunicação e divulgação científica, tecnológica e sapiencial especializada. Mas, com esta «orto-orali-grafia» ou «orto-pronúncio-grafia», receio bem que alguma vez consiga chegar a conquistar também, como aliás bem merecia, o “estatuto” internacional de «língua franca» da Ciência e do Saber!…

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Por isso é que, nessa perspectiva, a questão das terminologias se afigura crucialmente decisiva e não creio que os países de língua inglesa (Inglaterra, EUA, Canadá, Austrália, África do Sul, etc.), onde estão implantadas as melhores universidades do mundo, vão alterar a sua ortografia de raiz e tradição clássica filológico-etimológica para uma ortografia orali-fónica e anti-genealógica.

– 21 –
Os académicos e universitários e os dirigentes políticos destes países, porque são lúcidos e prudentes, sabem bem que constitui uma «regra de ouro» inalterável e irrevogável (como é próprio da «escrita» científica e sapiencial mais elaborada, mais estruturada, mais consistente e mais responsável) garantir e promover a precisão, o rigor, a segurança, a estabilidade, a mono-referencialidade, a univocidade e a intercomunicabilidade conceptual, lexical e terminológica entre as comunidades científicas de todo o mundo[9],…

– 22 –
Este entendimento traduz uma convergente sintonia com a perspectiva que subjaz aos processos de término-poiese e de término-grafia, tal como ressalta das seguintes e autorizadas palavras de uma das mais prestigiadas especialistas na matéria, María Teresa Cabré[10]:

«Para la terminología, considerada (…) en su proyección como sistema de comunicación entre especialistas, la grafía de las unidades léxicas tiene una importancia capital, ya que los procesos de normalización no actúan sobre la pronunciación de los términos, sino precisamente sobre su forma escrita»[11].

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Entre as principais estratégias[12] de aprendizagem do vocabulário em geral, mas, sobretudo, do vocabulário de maior relevância cognitiva e densidade semântica, situa-se a “análise morfémica”[13] como imprescindível técnica de “decomposição recomposição” e interiorização inteligente e racionalmente ancorada, através da tomada de consciência do significado e do valor dos três fundamentais constituintes da estrutura significante de um lexema: a raiz, os prefixos e os sufixos…

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Ora a raiz das palavras tem em tudo isto uma importância determinante: um só exemplo (em representação dos milhares que, em análoga consonância, poderiam, igualmente, ser aqui convocados…) bastará, a meu ver, para o demonstrar e justificar. Vejamos, então, o que se passa com a palavra ‘espectroscopia’:

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Nos textos científicos e técnicos, não é indiferente escrever ‘espectroscopia’ ou ‘espetroscopia’ (a primeira com «c» antes do «t», a segunda sem esse «c»): é que, em inglês (como, aliás, em espanhol, em francês e em alemão), «escreve-se», conservando o «c» da raiz, ou seja, ‘spectroscopy’ (em inglês), ‘espectroscopía’ (em espanhol), ‘spectroscopie’ (em francês), ‘Spektroskopie’ (em alemão). E o mesmo se passa com a escrita dos demais termos da mesma família de ‘espectroscopia’. Se não, vejamos:

Em inglês: specter spectral spectre spectrogram spectrograph spectrographic spectrography spectrometer spectroscope spectroscopic spectroscopical spectroscopy spectrum…

Em espanhol: espectral espectro espectrógrafo espectrograma espectroscópico espectrografico espectrografía espectroscopía espectroscopio…

Em francês: spectre spectroscopie spectrographe spectrographie spectromètre spectrométrie spectroscope spectroscopie…

Em alemão: spektrale Spektrograf Spektrometer Spektroskop Spektroskopie Spektrum…

Em português (pelo anterior acordo de 1945): espectral espectro espectrógrafo espectrograma espectroscópico espectrográfico espectrografia espectroscopia espectroscópio…

Em português (pelo actual acordo de 1990): espetral espetro espetrógrafo espetrograma espetroscópico espetrográfico espetrografia espetroscopia espetroscópio…

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O problema que, agora, se nos coloca, ao nível da intercomunicabilidade lexicológica e da normalização terminográfica, é o seguinte: por que motivo é que se escreve dessa maneira naquelas tão importantes e influenciadoras línguas, conservando a letra «c» antes do «t» (que é, importa sublinhá-lo, um «c» genómico ou adeânico da raiz da palavra), quando o que seria mais lógico, mais natural e mais “simplificador” era suprimir esse grafema que até nem se pronuncia?!… Ter-se-á ortografado assim, por um mero e caprichoso pretexto de «conservadorismo» anti-evolução e/ou de intransigente obstinação «complicativa» e «dificultativa», ou não terá sido, antes, como já atrás ficou sublinhado, em razão de uma sensata, prudencial e estratégica preocupação epistemológica com a precisão, o rigor, a segurança, a estabilidade, a mono-referencialidade, a univocidade e a intercomunicabilidade conceptual, lexical e terminológica entre as comunidades científicas de todo o mundo?…

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A resposta afigura-se óbvia e clara: mantém-se o grafema «c» da raiz, porque, dessa forma, fica bem patente, sem qualquer margem para dúvida ou ambiguidade, o facto de todos estes termos técnico-científicos serem formados por um comum e isogénico constituinte de base (oriundo do indo-europeu) — «spek- [> spik- ] / spok (> por metátese: skep- / skop-») —, mediatizado pelo latim e pelo grego, ou seja, a raiz latina «spec- / spic- » e a sua cognata grega «scep-/ scop-»[14].

a) A primeira destas duas variantes radiciais — spec-— está presente no verbo latino «specio, -is, -ere, spexi, spectum», que é um vocábulo morfo-semanticamente relacionado com largas dezenas de outros vocábulos portugueses (uns de uso corrente e vulgar; outros, de uso especializado e erudito) pertencentes à mesma família lexical (arúspice aruspicina aruspício aspecto aspectual áuspice auspiciar auspício auspicioso circunspecção circunspecto conspecto conspícuo despeita despeitar despeito despiciência despiciendo despiciente especial especialidade especiaria espécie especificar específico espécime especiosidade especioso espectacular espectáculo espectador espectante espectar espectral espectro espectoscópio especulação especulador especular especulativo espéculo espelho espia espião espiar expectante expectar expectativa expectatório frontispício inspeccionar inspecção inspector insuspeição insuspeito introspecção introspectivo intuspecção perspectiva perspectivar perspectivismo perspicácia perspicaz perspicuidade perspícuo prospecção prospectar prospectivo prospecto prospector respectivo respeitar respeito respeitoso réspice retrospecção retrospectivo retrospector suspeição suspeito suspicácia suspicaz…), sendo que todos estes vocábulos (que ultrapassam a centena…) são portadores do significado “adeânico” fundacional e transversal a todos eles, de «olhar atentamente para, observar bem…».

b) A segunda variante (a raiz grega scep- / scop-, formada por metátese interconsonântica [sp > sc] a partir da supra-referida raiz indo-europeia) está presente em lexemas gregos como episcopéo, epíscopos, sceptikós, scéptomai, skopéo, scopê, scopiá, scopós e é igualmente portadora do significado fundamental de «olhar atentamente para, observar bem…».

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Foi a partir do seu isogénico enraizamento genético-genealógico nessa ancestral matriz morfo-semântica que o termo ‘espectroscopia’ (em inglês: ‘spectroscopy’) foi criado para designar, caracterizar, tipificar e definir, com o indispensável rigor conceptual, «o estudo científico, técnico e tecnológico baseado na observação atenta, pormenorizada e rigorosa das interacções entre a radiação electromagnética e a matéria constituinte de uma dada amostra submetida a análise espectral; estudo que se desenvolve através de um processo operatório, potenciado por específicos e sofisticados recursos técnico-tecnológicos que permitem detectar e observar, com cuidadosa e minudente exigência, os fenómenos de oscilação dos campos magnéticos e eléctricos, de absorção ou emissão de energia radiante, a variação de densidade espectral, etc., foto-cromaticamente gravados ou registados nos espectogramas»[15]; é este tipo de estudo que está na origem de métodos e técnicas de diagnóstico como a «ressonância magnética».

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Repare-se que, em inglês (como aliás também nas outras línguas europeias mencionadas…), são três os “termos-conceito” que ressaltam imediatamente e de forma óbvia e clara, por estarem intimamente relacionados entre si e apresentarem a mesma grafia genético-etimológica clássica (greco-latina) e a mesma estruturante raiz genómica «spec-»: «spectrum», «spectroscope», «spectroscopy» (em português, pelo acordo de 1945: espectro, espectroscópio, espectroscopia)…

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Se quisermos consolidar essa base morfo-semântica comum a estes três termos, podemos recorrer à listagem das dezenas de vocábulos acima inventariados e organizá-los, de modo radicado, reticulado e constelado ou, também, em pódio e em pirâmide. Desse modo, a didáctica do vocabulário (léxico-didáctica) promove, reforçadamente, uma aprendizagem das formas significantes e dos respectivos conteúdos eidético-conceptuais e noemático-semiósicos fundamentais que estão em causa nas terminologias especializadas e no léxico em geral, mas promove-a, de modo inteligente e racional, e não apenas através da simples memorização desprovida de qualquer esteio de racionalidade iluminante…

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Se este tipo de exercício for feito, gradualisticamente (step by step), ao longo de toda a escolaridade (desde o ensino básico até ao ensino universitário inclusive…), acabaremos por compreender e reconhecer melhor o seguinte:

i) «foi a linguagem científica que construiu para nós o vasto edifício teorético do conhecimento moderno» («scientific language has construed for us the vast theoretical edifice of modern knowledge» [Halliday: 2004, 182]);

ii) «a linguagem da ciência é, por sua natureza, uma linguagem na qual as teorias são construídas; as suas características especiais são exactamente aquelas que tornam possível o discurso teorético» («the language of science is, by its nature, a language in which theories are constructed; its special features are exactly those which make theoretical discourse possible» [Halliday: 2004, 207]);

iii) «o discurso científico é uma forma da mais alta energia semiótica» («scientific discourse is a very high-energy form» [Halliday: 2004, 182]) proporcionada pelo sistema linguístico;

iv) «a energia semiótica do sistema linguístico irrompe da léxico-gramática» («the semiotic energy of the system comes from the lexicogrammar» [Halliday: 2004, 54]) e, portanto, «todo o discurso é, por assim dizer, potenciado pela energia léxico-gramatical» («all discourse is powered by grammatical energy, so to speak» [Halliday: 2004, 182]);

v) é na léxico-gramática (e mais focadamente no léxico…) que reside «o coração da linguagem» («the heart of language» [Halliday: 2003, 194]) e «a fonte da sua energia semiótica» («the source of its semiotic energy» [Halliday: 2003, 276]), constituindo, assim, «a casa do poder semiogénico de uma língua» («the semogenic powerhouse of a language» [Halliday: 2003, 248]), poder que transforma o léxico no “centro nevrálgico” da construção de todas as significações e de todos os sentidos, numa palavra, de todo o conhecimento, uma vez que é ele o insubstituível codificador, ordenador, sistematizador e informante noético-noemático e semiósico e, assim, o imprescindível sustentáculo operatório da acção verbo-comunicativa interpretante e expressante[16]…

vi) «criar um termo técnico é, em si mesmo, um processo gramatical» («creating a technical term is itself a gramatical process» [Halliday: 2004, 207]);

vii) para existir enquanto termo, uma forma linguística (uma unidade lexical) tem que designar um conceito integradamente incluído num específico e bem demarcado “domínio de pertença” noético-gnosiológico e sistémico-conceptual (científico, sapiencial, cultural… e.g.: matemática, física, astronomia, geologia, botânica, biologia, zoologia, medicina, direito, filosofia, economia, linguística, engenharias, metalurgia…) e determinado por uma definição [cf. Bessé: 2000, 182-184][17];

viii) «os termos técnicos são uma parte essencial da linguagem científica; sem eles, seria impossível criar um discurso do conhecimento organizado» («tecnical terms are an essential part of scientific language; it would be impossible to create a discourse of organized knowledge without them» [Halliday: 2004, 201]);

ix) «os problemas com a terminologia técnica surgem, por via de regra, não propriamente dos termos técnicos em si, mas das complexas relações que eles mantêm uns com os outros» («the problems with technical terminology usually arise not from the technical terms themselves, but from the complex relationships they have with one another» [Halliday: 2004, 162]);

x) «os termos técnicos não podem ser definidos isoladamente» («technical terms cannot be defined in isolation»), uma vez que «cada um deles é para ser entendido como parte integrante de um quadro de referência mais vasto, sendo, assim, definido em referência a todos os outros» («each one is to be understood as part of a larger framework, and each one is defined by reference to all the others» [Halliday: 2004, 162]) [18];

xi) «ser alfabetizado em ciência — objectivo estratégico dos processos educacionais para a literacia científica… — significa ser capaz de compreender a linguagem técnica que está a ser usada» («to be literate in science means to be able to understand the technical language that is used» [Halliday and Martin: 1993, 168]);

xii) «uma compreensão das raízes das palavras (…) ajuda-nos a todos a dominar quer os termos científicos quer os não-científicos e a tornarmo-nos mais proficientes no uso da linguagem» («an understanding of the roots (…) helps us all master both scientific and nonscientific terms and become more proficient in the use of language»… [Herr: 2008, 3-4]);

xiii) finalmente, «aprender ciência é, no fundo, aprender a linguagem científica» [«learning science is the same thing as learning the langage of science», [Halliday, 2004, 138])[19], pelo que tem pleno cabimento evocar aqui o sugestivo título que a famosa especialista em «Linguagem Científica» — Bertha María Gutiérrez Rodilla —, Professora Catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Salamanca, escolheu para nomear a sua substanciosa e alumiante obra «La ciencia empieza en la palabra»[20].

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Mas a aprendizagem da linguagem científica conhecerá outra consistência, outra coerência, outra segurança e outra fecundidade, se tiver como orientação e como suporte estratégico-metodológico aquilo que, convergentemente, nos é proposto pelos melhores especialistas[21] em didáctica das línguas e, mais especificamente, em léxico-didáctica: o domínio seguro dos constituintes ou elementos genómicos de todo e qualquer lexema ou termo — a raiz, os prefixos e os sufixos — e a sua articulação transversal, em rede e em constelação, com os lexemas da mesma família morfo-semântica e genética (genealogia da língua…).

Em conclusão:

Depois de tudo isto, poderá ainda parecer aos defensores do “simplismo” e do “facilitismo” pronúncio-cêntrico que a supressão de um “mero grafema” integrado nas sequências «ct» e «pt» (entre outras) da esfíngica Base IV do actual acordo ortográfico (1990) é «uma questão irrelevante e sem importância» que mais parece uma caprichosa implicância (“caturrice”, “embirração”…) do filólogo do que uma muito séria preocupação, por um lado, com uma léxico-didáctica inteligente, coerente, radicada e teorética e metodologicamente sustentada e, pelo outro, com o rigor próprio da conceptualização do conhecimento científico e com a harmonização e sintonização noético-terminológica de todo o ordenamento sapiencial…

Pois bem, pensemos seriamente na situação-conjectura de uma receita médica ou de um relatório clínico (e poderia, igualmente, tratar-se de um acórdão jurídico ou de um projecto de engenharia…) em que apareçam termos técnico-científicos de especialidade médico-farmacológica ortografados segundo a orientação anti-filológica, anti-etimológica e anti-genealógica, consagrada na liquidatária Base IV do atabalhoado, incongruente, desestabilizador e caotizante novo acordo ortográfico!…

Pode acontecer que, em consequência dessa confusionista “desarmonia” de origem ortográfica, um medicamento criteriosamente pensado e seleccionado na esperançosa expectativa de curar o doente, ao ser prescrito e formalizado naquela receita médica, em cumprimento da turbulenta e babélica “dis-ortografia” agora em vigor, se venha a transformar, através da leitura e da interpretação farmacêutica, numa fatídica “cicuta de morte”…

E porque a complexidade ou a lacunaridade dos contextos, por um lado, e o ritmo urgentivo das situações emergenciárias, pelo outro, não são facilmente controláveis ou domináveis, pode muito bem acontecer que um relatório clínico, por causa das confusões ou contaminações terminológicas motivadas por semelhanças homofónicas ou parafónicas do tipo “recepção / receção” (em Teoria da Comunicação: «a recepção da mensagem foi perfeita»), “recessão” (em Economia: «a situação de recessão na Europa mantém-se»), “ressecção / resseção” (em Medicina Cirúrgica: «foi bem conseguida a ressecção do tumor»), venha a induzir terapias gravemente distorcidas, com as inerentes consequências, eventualmente fatais…

É assim que não posso deixar de partilhar memorialmente com todos a “lição” que me foi dado aprender em torno do famosíssimo “efeito borboleta”[22] dos paradigmas meteorológicos, através da sugestiva, esclarecedora e formativa “parábola/alegoria” que plasma, figurativamente, a «dependência sensível das condições iniciais» que, como se sabe, é a designação técnico-científica daquele «efeito» metaforicamente identificado e universalizado pelo cinetismo etológico-alar de tão grácil e alucinado insecto:

«Por um prego, perdeu-se a ferradura;
Por uma ferradura, perdeu-se o cavalo;
Por um cavalo, perdeu-se o cavaleiro;
Por um cavaleiro, perdeu-se a batalha;
Por uma batalha, perdeu-se o reino!»

Só que o «reino» que, nesta fábula (ao mesmo tempo tão simples e tão eloquente…), em crescente gradação se foi perdendo, pode muito bem ser o intransferível, incomparável e maravilhoso reino da nossa própria VIDA!…

Fernando Paulo Baptista

Anotações e referências bibliográficas:
[1] Cf. http://htl2.linguist.jussieu.fr:8080/CGL/.
[2] Cf. Luiz Carlos Cagliari [2002]: no seu estudo «Alfabetização e ortografia» apud: Educar em Revista, n.º 20, 2002, Universidade Federal do Paraná, Paraná, Brasil, pp. 1-16.
[3] À luz deste tipo de argumentação (se isso não fosse humorismo irónico…), até se poderia alegar que o recente negócio da compra, pelos chineses, da parte da EDP acabada de ser privatizada se ficou a dever já às “virtualidades comunicativas” potenciadas pelo novo acordo ortográfico!…
[4] Cf.: Parecer da Associação Portuguesa de Linguística, ass. Inês Duarte (2005); Parecer do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), ass. Maria Helena Mateus (2005); Parecer do Departamento de Linguística Geral e Românica da Fac. de Letras da U. Lisboa, ass. Ivo Castro (2005); Castro, Ivo, Inês Duarte e Isabel Leiria: A Demanda da Ortografia Portuguesa. Comentários do Acordo Ortográfico de 1986 e subsídios para a compreensão da Questão que se lhe seguiu, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1987; Maria Filomena Gonçalves: As ideias ortográficas em Portugal de Madureira Feijó a Gonçalves Viana, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003; António Emiliano: O Fim da Ortografia: comentário razoado dos fundamentos técnicos do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), Lisboa: Guimarães Editores, 2008; «Acordo ortográfico: pareceres ignorados, deveres do Estado e direitos dos cidadãos»; «As contas e os números do Acordo Ortográfico»; cf. também:
http://www.iltec.pt/pdf/wpapers/2006-mhmateus-ortografia_portuguesa.pdf;
http://www.filologia.org.br/pereira/textos/AOLP.pdf; http://www.revistaautor.com/index.php?option=com_content&task=view&id=238&Itemid=1;
http://ciberduvidas.pt/controversias.php?rid=1907.
[5] Cf. Bernardo Soares: Livro do Desassossego [edição de Richard Zenith)] Lisboa, Assírio & Alvim, 1998, § 259, pp. 254-255.
[6] Cf. Fernando Pessoa: A Língua Portuguesa [edição de Luísa Medeiros], Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, págs. 29, 36, 48 e 58.
[7] «Na palavra lagryma, (…) a forma do y é lacrymal; estabelece (…) a harmonia entre a sua expressão graphica ou plastica e a sua expressão psychologica; substituindo-lhe o y pelo i é offender as regras da Esthetica. Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mysterio… Escrevel-a com i latino é fechar a boca do abysmo, é transformal-o numa superficie banal.» Teixeira de Pascoaes: A Águia.
[8] Veja-se, a propósito, o «Prefácio» da autoria do grande filólogo e académico brasileiro, Ribeiro Couto, ao importantíssimo «Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa», elaborado por Francisco Rebelo Gonçalves (cf. Francisco Rebelo Gonçalves: Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, Coimbra, Atlântida, 1947, págs. IX a XXV).
[9] Cf. Bertha M. Gutiérrez Rodilla: La ciencia empieza en la palabra – Análisis e historia del lenguaje científico, Barcelona, Ediciones Península, 1998, pág. 24: «El rigor con que los conceptos están organizados en una ciencia exige un rigor paralelo en el lenguaje». E, mais explicitamente ainda, na pág. 92: «La falta de precisión dificulta seriamente las funciones que el lenguaje de la ciencia debe desempeñar como instrumento fundamental de comunicación entre todos los que integran la comunidad científica internacional (…). En un texto científico, la falta de precisión (…) resulta un echo negativo, pues la imprecisión terminológica suele ir ligada a la conceptual».
[10] Cf. Maria Teresa Cabré: La Terminología. Teoría, Metodología, Aplicaciones, Barcelona, Editorial Antártida / Empúries, 1993, pp. 170-171; Andreína Adelstein: Unidad Léxica y Valor Especializado: Estado de la Cuestión y Observaciones sobre su Representación, Institut Universitari de Lingüística Aplicada, Universitat Pompeu Fabra, 2004, pp. 30-31. Cf. também: Bertha M. Gutiérrez Rodilla: La ciencia empieza en la palabra — Análisis e historia del lenguaje científico, Ediciones Península, Barcelona, 1998, pp. 88-94. Também Norbert Schmitt (cf. Norbert Schmitt: Vocabulary in Language Teaching, Cambridge, Cambridge University Press, 2000, págs. 45, 50) sublinha, por um lado, que «orthografical (written-form) knowledge (…) is a key component to both vocabulary knowledge and language processing in general» e, pelo outro, que «results from reading research have been particularly instrumental in showing the importance of orthographical word form» e que «the importance of the written form of words is obvious if those words are to be utilized through reading».
[11] Entendimento este, partilhado igualmente por G. Rondeau (cf. G. Rondeau: Introduction à la terminologie, Québec, Gaëtan Morin, 21983, pág. 31), quando afirma: «a forma gráfica dos termos tem, em terminologia, prioridade sobre a fónica. […] A forma gráfica dos tecnicismos uniformiza-se à escala internacional. […] A pronunciação não tem, pois, do ponto de vista terminológico, praticamente nenhuma importância» (referenciado por Bertha M. Gutiérrez Rodilla: op. cit., pág. 26); cf. ainda: Richard Alan Strehlow, Sue Ellen Wright: Standardizing terminology for better communication: practice, applied theory, and results, American Society for Testing and Materials, Philadelphia, PA: ASTM, 1993.
[12] e.g.: tipificação de dicionários e respectivos modos e técnicas de utilização, análise dos contextos verbais e situacionais de comunicação, radicações genealógicas, reticulações de cognação, mapeamentos eidéticos e constelações lexicológicas, campos semântico-temáticos / áreas lexicais / famílias de palavras, relações de homonímia, sinonímia, antonímia, paronímia, hiperonímia, hiponímia, meronímia, etc…
Cf.: Norbert Schmitt and Michael McCarthy: Vocabulary: Description, Acquisition and Pedagogy, Cambridge, Cambridge University Press, 1997; I. S. Paul Nation: Learning Vocabulary in Another Language, Cambridge, Cambridge University Press, 2001; Camille Blachowicz, Peter J. Fisher: Teaching vocabulary in all classrooms, Upper Saddle River (New Jersey, USA), Prentice Hall, 2005; Elfrieda H. Hiebert, Michael L. Kamil: Teaching and learning vocabulary: bringing research to practice, Lawrence Erlbaum Associates, Inc., Mahwah (New Jersey/USA), 2005; Donna E. Alvermann, Stephen F. Phelps, Victoria R. Gillis: Content Area Reading and Literacy: Succeeding in Today’s Diverse Classrooms, 5/E, Allyn & Bacon, Boston, 2006; Jeanne McCarten: Teaching Vocabulary – Lessons from the Corpus Lessons for the Classroom; Cambridge, Cambridge University Press, 2007; Timothy Rasinski, Nancy Padak, Rick M. Newton, Evangeline Newton: Greek & Latin Roots: Keys to Building Vocabulary , Huntington Beach (CA /USA), Corinne Burton, Shell Education, 2008; Tara Marie Novak: «Effects of Implementing a Morphemic Analysis Vocabulary Strategy on Student Vocabulary Development and Comprehension in a Secondary Science Classroom», Carroll University Waukesha, Wisconsin, 2011; apud:
http://content-dm.carrollu.edu/cdm/singleitem/collection/edthesis/id/83;
John J. Pikulski and Shane Templeton: Teaching and Developing Vocabulary: Key to Long-Term Reading Success, apud:
http://www.eduplace.com/marketing/nc/pdf/author_pages.pdf
http://www.southampton.liunet.edu/academic/pau/course/webword.htm
http://www.southampton.liunet.edu/academic/pau/course/webroot.htm
http://www.readingrockets.org/article/9943/
http://www.k12reader.com/effective-strategies-for-teaching-vocabulary/
http://eps.schoolspecialty.com/downloads/povs/s-vcr.pdf
[13] http://www.litandlearn.lpb.org/strategies/strat_4morph.pdf; http://reading.uoregon.edu/big_ideas/voc/voc_skills_goals.php
[14] Cf. Robert K. Barnhart (edit.): Chambers Dictionary of Etymology, Edinburg / New York, Chambers Harrap Publishers, 2001, entrada «spy», importando considerar as várias correlações de natureza lexicológica aí estabelecidas com outras línguas: desde o sânscrito, ao islandês, ao norueguês, ao sueco, ao francês e ao alemão…
[15] Cf. Peter M B Walker (edit.): Chambers Dictionary of Science and Technology, Edinburg / New York, Chambers Harrap Publishers, 1999, entrada «spectroscopy»: «the practical side of the study of spectra, including the excitation of the spectrum, its visual or photographic observation, and the precise determination of wavelengths». O “espectro” (ver entrada “spectrum”) é aí definido nos seguintes termos: «arrangement of components of a complex colour or sound in order of frequency or energy, thereby showing distribution of energy or stimulus among the components. A mass spectrum is one showing the distribution in mass, or in mass-to-charge ratio of ionized atoms or molecules. The mass spectrum of an element will show the relative abundances of the isotopes of the element». Repare-se como o sema genómico de «observar ou olhar atentamente, tornar evidente…» está presente nestas definições dicionarizadas: visual, photographic, observation, precise determination, show…
[16] Cf. Fernando Paulo do Carmo Baptista: Nesta nossa doce língua de Camões e de Aquilino, Sernancelhe, edição da CM de Sernancelhe, 2010, p. 59.
[17] Cf. Bruno de Bessé, no seu importante estudo intitulado «Le domaine», apud: Henri Béjoit et Philippe Thoiron [dir.]: Le sens en terminologie, Lyon, Presses Universitaires, de Lyon, 2000, pp. 182-184. Além duma tipologia dos «domínios», Bruno Bessé apresenta uma sua caracterização marcada por grande rigor e clareza, sendo de sublinhar a parte especificamente dedicada aos critérios e processos terminográficos de descrição, classificação, catalogação e taxinomização (pp. 188-190).
[18] No mesmo fundamental sentido concorre o pensamento de Maria Teresa Cabré, quando remete cada um dos termos de um dado campo para o correspondente conceito, integrado na estrutura noético-gnosiológica da respectiva rede conceptual: «El conjunto de los términos de un campo, es decir su terminología, representa la estructura conceptual de esa materia, y cada uno de los términos denomina un concepto de la red estructurada de la materia en cuestión» (cf. Maria Teresa Cabré: Teoría, Metodología, Aplicaciones, Barcelona, Editorial Antártida / Empúries, 1993, p. 167).
[19] Cf. M.A.K. Halliday (2003): On Language and Linguistics, London / New York; M.A.K. Halliday (2004): The Language of Science, London / New York; M.A.K. Halliday and J.R. Martin (1993): Writing Science — Literacy and Discursive Power, London / Washington, The Falmer Press.
Norman Herr (2008): The Sourcebook for Teaching Science, San Francisco, [California /USA], Jossey-Bass.
[20] Bertha M. Gutiérrez Rodilla: La ciencia empieza en la palabra – Análisis e historia del lenguaje científico, Barcelona, Ediciones Península, 1998, obra já citada.
[21] Cf.: http://www.beyond-the-book.com/strategies/strategies_041608.html
Tenha-se na devida conta, a propósito, o esclarecedor excerto retirado do desenvolvimento explicativo do tópico «Systematically Teach the Meaning of Prefixes, Suffixes, and Root Words», constante neste importante link:
«The majority of English words have been created through the combination of morphemic elements, that is, prefixes and suffixes with base words and word roots. If learners understand how this combinatorial process works, they possess one of the most powerful understandings necessary for vocabulary growth (Anderson and Freebody 1981). This understanding of how meaningful elements combine is defined as morphological knowledge because it is based on an understanding of morphemes, the smallest units of meaning in a language. In the intermediate grades and beyond, most new words that students encounter in their reading are morphological derivatives of familiar words (Aronoff 1994). In recent years, research has suggested some promising guidelines for teaching the meanings of prefixes, suffixes, and word roots as well as for the ways in which knowledge of these meaningful word parts may be applied (Templeton 2004). Word roots such as dict, spect, and struct are meaningful parts of words that remain after all prefixes and suffixes have been removed but that usually do not stand by themselves as words: prediction, inspection, construct. In the primary grades students begin to explore the effects of prefixes such as un-, re-, and dis- on base words. In the intermediate grades students continue to explore prefixes and an increasing number of suffixes and their effects on base words: govern (verb) + ment = government (noun). Common Greek and Latin roots begin to be explored, along with the effects of prefixes and suffixes that attach to them (Templeton 1989). These include, for example, chron (“time”, as in chronology), tele (“distant, far” as in television), and fract (“break”, as in fracture). A large proportion of the vocabulary of specific content areas is built on Greek and Latin elements. As this morphological knowledge develops, teachers can model how it may be applied to determining the meanings of unfamiliar words encountered in print».
[22] Cf. James Gleick: Caos, a construção de uma nova ciência, Lisboa, Gradiva, 1989, págs. págs. 33-58, 48-49 e passim.