ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em "revisão do acordo"

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Debate: o Ensino e o AO90

A anunciada revisão do Acordo Ortográfico

Por Francisco Miguel Valada

Sou um professor pensador, não preciso do programa para me dizer o que devo fazer. Os colegas que querem que o programa seja prescritivo e autoritário são meros funcionários
Paulo Feytor Pinto, Jornal de Notícias, 27/3/2010 [link externo]

O professor tem que saber e tem que cumprir as regras que lhe são ditadas
Edviges Ferreira, Sociedade Civil, RTP, 13/1/2010

1. Aparentemente, terá passado despercebida a entrevista de Francisco José Viegas ao Correio da Manhã de 30/10/2011, em que o secretário de Estado da Cultura escancara a porta à revisão do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e impugna o conteúdo quer das actuais “acções de formação”, quer, em última análise, do próprio AO90. Sublinha Francisco José Viegas que embora o AO90 seja “irreversível não quer dizer que não seja corrigível”. O AO90 é corrigível. Houve um responsável político que o disse. É um facto. Resta saber se Francisco José Viegas, além de comunicar tal iniciativa ao Correio da Manhã, informou as escolas, o Governo e “todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo”, não esquecendo os redactores do Diário da República. Na ordem do dia, teremos, em conjectura e se tudo correr bem, além da reavaliação da base IV e da eliminação da base IX, a completa inutilidade das publicações actualmente saídas do Lince com amputação consonântica, mutilação diacrítica, hifenização arbitrária e facultatividade à vontade do freguês. Seria importante que este intuito de Francisco José Viegas passasse das páginas do Correio da Manhã para as mesas de trabalho do senhor ministro Nuno Crato e da senhora presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Ferreira.

2. Em entrevista à Única do Expresso de 3/9/2011, Nuno Crato alegava que o AO90 “é um facto. Como disse salvo erro o ministro dos Negócios Estrangeiros, neste momento não é uma questão de opinião” [link externo]. Antes pelo contrário. Enquanto o desígnio de Francisco José Viegas não se concretizar, o texto em apreço será sempre uma súmula de opiniões órfãs e descosidas e não uma colectânea de factos comprováveis. Desafio o senhor ministro a ler a alínea c) do ponto 4.2 da Nota Explicativa e a exigir: i) estudos sobre o “enorme esforço de memorização” das crianças de 6-7 anos diante dos P de recepção e C de selecção pré-AO90; ii) estudos que comprovem um menor “esforço de memorização” perante o “-eção” da receção AO90 e o “-essão” da recessão comum; iii) averiguar se esse “esforço de memorização” levou os autores do AO90 à criação, na base IV, 1.º, b), do espectro que ensombrou a recta final do século XX: a enigmática figura da letra C em aflição e em aflito…

3. Há dois meses, assustei-me com o formidável objectivo que Edviges Ferreira pretende obstinadamente atingir: “Penalizar os seus alunos que escreverem com a antiga grafia” (PÚBLICO, 8/9/2011). Aparentemente, nada demove a presidente da APP da exemplar aplicação dos respectivos e correspondentes correctivos, nem sequer a nota ministerial de 6/9/2011 a determinar que se “considerarão como válidas exclusivamente as regras definidas pelo AO a partir dos anos letivos [sic]” 2013-14 (6.º ano) e 2014-15 (4.º, 9.º, 11.º e 12.º anos). Seis dias depois, a presidente da APP voltava à carga no Correio da Manhã (12/9/2011), num registo mais suave, sem soar a palmatória: “Entendo que se deve penalizar os erros, mas isso fica ao critério dos professores” . As regras determinam 13-14 e 14-15, mas Edviges Ferreira quer fugir para a frente e começar a castigar de rompante, em 11-12, sem vocabulário ortográfico estável, sem acções de formação esclarecedoras, sem consideração ponderada, séria e objectiva dos pareceres científicos.

4. Assegurava a presidente da APP, na edição de 7/9/2011 do Jornal de Letras, que “contra as mudanças há sempre muitos “velhos do Restelo””. Sempre me surpreendeu o silêncio com que os especialistas em estudos camonianos reagem a este tropo recorrente: o Velho do Restelo vem invariavelmente à tona para silenciar a opinião contrária. Em vez de se discutir, debater e esclarecer, emerge o venerando homem e afunda-se a discussão. Na estrofe 94 do Canto IV d”Os Lusíadas, não é prestada qualquer informação sobre o mister da personagem. Durante a prelecção a que se dedica (estrofes 95-104), apesar de revelar aptidão para discorrer sobre mitologia, geografia e actualidade de finais do século XV, o Velho do Restelo não alude a qualquer aspecto cartográfico, não se pronuncia sobre a construção e a reparação das naus, remetendo-se a um prudente silêncio acerca de instrumentos náuticos, cálculos matemáticos e cosmográficos. Temos a certeza de que a opinião do “Velho do Restelo” não é uma opinião técnica avalizada. Pelo contrário, “contra as mudanças” foram elaborados pareceres, milagrosamente desencarcerados da gaveta onde se encontravam a acumular bolor, graças à acção da senhora deputada Zita Seabra. Reduzir quem se dedica ao estudo das escritas de base alfabética à condição de Velho do Restelo é inaceitável. Gregory Bateson (a propósito do “órgão da linguagem”) recomendava prudência na leitura das metáforas de Noam Chomsky. O mesmo conselho fica para quem envereda pelo atalho da menção àquele que, do cais, com voz pe?ada hum pouco aleuantando, se limitou a reflectir uma opinião não especializada sobre a gesta.

5. Teria Paulo Feytor Pinto (ex-presidente da APP) abandonado a óptica do “basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las” (PÚBLICO, 2/9/2009)? Teria sido anunciado que Paulo Feytor Pinto subscrevera a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (https://ilcao.cedilha.net/)? “Regras com ambiguidades que abrem a porta a arbitrariedades e que, por isso, são uma ameaça à transparência” (PÚBLICO, 8/9/2011 [link externo]) seria a solução do enigma defina as bases IV e IX do AO90 em termos técnicos e em dezoito palavras. O repto era, afinal, outro.

[Transcrição integral de crónica da autoria de Francisco Miguel Valada publicada no jornal Público de 24.11.11. Link disponível apenas para assinantes do jornal online. Links inseridos por nós no texto.]

armasRPNesta gravação, Henrique Neto diz aquilo que pensa sobre o AO90. Se bem que refira também a tese da “revisão” do acordo como sendo algo de plausível, estamos sem qualquer dúvida perante um depoimento de inegável relevância política, visto tratar-se de um candidato à mais alta magistratura da Nação, a Presidência da República Portuguesa.

Esperemos que outros candidatos às próximas eleições presidenciais lhe sigam o exemplo e digam igualmente de sua justiça sobre um assunto que deverá, com toda a certeza, ser “de relevante interesse nacional” também para eles.


«O Acordo Ortográfico é um tema controverso e Henrique Neto tem também as suas dúvidas sobre a eficácia do mesmo!»
 

[transcrição]
A minha opinião relativamente ao acordo ortográfico nunca foi muito favorável. Porque a Língua, que deve unir as pessoas e os povos, no caso do acordo ortográfico contribuiu para alguma desunião que tem prevalecido e que tem sobrevivido na sociedade portuguesa e presumo também que noutros países de língua oficial portuguesa. Pela importância do tema, eu resolvi aproveitar este Dia Mundial do Livro para ler uma declaração que é a forma mais rigorosa de expressar a minha opinião sobre o acordo ortográfico. E portanto passaria a ler.

‘Neste Dia Mundial do Livro, quero chamar a atenção do país para a importância política, social, cultural e geo-estratégica da Língua Portuguesa. Trata-se de um património insubstituível, que não pode correr riscos experimentalistas ou facultativos como os que estão previstos no chamado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990”. Acordo que continua a merecer críticas generalizadas da comunidade científica e dos mais qualificados utentes do nosso idioma, incluindo poetas, escritores, professores, jornalistas e tradutores. E não apenas em Portugal; as reservas ao acordo multiplicam-se também nos diversos países e territórios onde o Português funciona como língua oficial e veicular.

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TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão?

DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.

via Academia de Letras de Brasília: Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva.

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Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”

POR THAÍS NICOLETI

Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.

O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009, cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.

De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.

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Nota prévia da ILC AO
Conforme já aqui tínhamos assinalado, houve de facto – na primeira notícia sobre o assunto, em “despacho” da autoria da agência Lusa reproduzido pelo jornal “i” online – um tratamento enviesado, logo, altamente tendencioso, por parte daquela agência noticiosa estatal, quanto às declarações do deputado Mendes Bota e ao conteúdo (real) da carta que este enviou aos seus colegas de bancada parlamentar.

Por conseguinte, transcreve-se seguidamente, na íntegra, a notícia – desta vez, sem qualquer enviesamento ou tendenciosismo – do jornal “Público” sobre o mesmo assunto.

publico

PÚBLICO – MARIA LOPES 26/02/2014 – 17:33

O deputado social-democrata Mendes Bota quer que o PSD assuma uma posição activa acerca do acordo ortográfico, de preferência que apresente um projecto de resolução no Parlamento propondo a suspensão da actual versão do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) que entrou em vigor em 2011.

Mendes Bota vem pedindo desde o início de Janeiro ao líder da sua bancada parlamentar que tome uma iniciativa para “colocar um travão ou, no mínimo, uma suspensão para pensar” o processo de aplicação do acordo.

O assunto foi sendo adiado e finalmente foi marcada uma reunião da bancada para esta quinta-feira, em que deverá ser discutido. Mas poderá acabar por já ser tarde, uma vez que está já agendada para o dia seguinte, sexta-feira, a discussão em plenário de uma petição pela desvinculação de Portugal do acordo, assim como dois projectos de resolução do CDS-PP e PSD para a criação de um grupo de trabalho sobre o acordo, outro do Bloco que recomenda a sua revisão e ainda um terceiro do PCP para a criação do Instituto Português da Língua, a renegociação das bases e termos do acordo ou a desvinculação de Portugal.

Numa carta que enviou a todos os deputados do PSD e a que o PÚBLICO teve acesso, o deputado propõe que o grupo parlamentar apresente um projecto de resolução propondo a revogação do acordo ortográfico e desencadeie um novo processo de revisão do acordo ou então que proponha simplesmente a suspensão do acordo. Mendes Bota diz mesmo preferir esta última. Também propõe a suspensão da utilização do conversor Lince e do Vocabulário Ortográfico do Português, que o Governo português decidiu adoptar como as ferramentas oficiais.

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Actualização da notícia às 22:30 h (26.02.14):
«Numa carta que enviou a todos os deputados do PSD e a que o PÚBLICO teve acesso, o deputado propõe que o grupo parlamentar apresente um projecto de resolução propondo a revogação do acordo ortográfico e desencadeie um novo processo de revisão do acordo ou então que proponha simplesmente a suspensão do acordo. Mendes Bota diz mesmo preferir esta última.»
Público

Ora bem. Como dissemos na primeira versão deste “post”, “poderá ter existido nesta notícia um tratamento jornalístico tendencioso, por parte da agência Lusa, continuaremos, por conseguinte, na expectativa de que o senhor deputado Mendes Bota venha a ter o maior sucesso quanto à iniciativa (essa sim, uma solução) que apresentou aos seus colegas de bancada”.

Confirma-se, assim sendo: não “poderá ter existido” um tratamento jornalístico tendencioso da Lusa, o que aliás já vai sendo hábito no “trabalho” daquela agência de propaganda acordista; houve mesmo um tratamento tendencioso, como se vê.


logotipojornali Mendes Bota sublinha ainda que o Brasil “acaba de adiar o fim do período de transição” para 31 de Dezembro de 2015

O deputado social-democrata José Mendes Bota enviou uma carta ao grupo parlamentar do PSD, a defender que o partido debata a questão do Acordo Ortográfico, que, na sua opinião, deve ser suspenso.

Numa carta enviada em meados de Fevereiro ao grupo parlamentar, a que a Lusa teve hoje acesso, Mendes Bota considera que, no âmbito do debate e votação em plenário dos projectos de resolução sobre o Acordo Ortográfico, agendada para sexta-feira, o tema deve ser discutido pelo grupo parlamentar do PSD.

“Contrariamente àquilo que todos nós pensávamos, o Acordo não conduz a uma verdadeira unificação ortográfica entre todos os países de língua oficial portuguesa, mas sim a um distanciamento entre ortografias do português costumeiro e do português do Brasil, o que, em si, é uma grave violação dos objectivos a que se propunha o próprio tratado”, refere Mendes Bota na carta.

O deputado alerta que “Portugal corre o risco de, em 2016, vir a ser o único país a aplicar obrigatoriamente uma ortografia ‘abrasileirada’, que nem era a sua”, recordando que países como Angola e Moçambique “não ratificaram sequer o segundo protocolo modificativo” e que Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste “não estão a aplicar” o Acordo Ortográfico.

Mendes Bota sublinha ainda que o Brasil “acaba de adiar o fim do período de transição” para 31 de Dezembro de 2015, apontando que, a 01 de Outubro do ano passado, a comissão da Cultura, Educação e Esporte do Senado brasileiro “criou um grupo de trabalho técnico para rever as 21 bases” do Acordo e “propor outra reforma ortográfica“.

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tshirt1Já aqui se falou por diversas vezes na hipótese de “revisão” do “acordo ortográfico”. Agora surge mais um projecto de RAR (Resolução da Assembleia da República), e já é o terceiro (depois dos de CDS/PSD e do PCP), mas este outro com a “novidade” acessória de se referir exclusivamente a isso mesmo, ou seja, propondo apenas e só a “revisão” do aleijão ortográfico (AO).

O que se segue, por conseguinte, é a transcrição do projecto de RAR apresentado pelo BE, mas desta vez com uma pequena variante: anotei no próprio texto (a azul) o que se me oferece dizer a respeito de tão peregrina ideia.

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PROJECTO [uma palavra bem escrita!] DE RESOLUÇÃO N.º 966/XII/3.ª
RECOMENDA A REVISÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO  [revisão do absurdo, portanto]

O Acordo Ortográfico (AO) de 90 tem sido alvo de uma querela permanente [ora ainda bem] e de dificuldades várias na sua aplicação [pois, já cá se sabia, é porque não tem ponta por onde se lhe pegue]. Contudo, a querela não se tem fundado numa perspetiva [sic] de melhoria na grafia comum do português mas, de um lado, na oposição completa a qualquer tipo de acordo ortográfico [coisa que não ocorreu a países tão “atrasados” como a Inglaterra, a França, os Estados Unidos, o Canadá, a Espanha, etc.] e, do outro lado, a uma defesa entrincheirada do AO [“entrincheirada”? Em que “trincheiras”? Onde?].

A oposição a qualquer tipo de acordo tem a respeitável razão [agradecimentos] de querer preservar, não obstante a constante mutação [“mutação” é coisa diferente de estropiação], a identidade gráfica de cada variante do português [“de cada variante”; exacto!]. A defesa do acordo ortográfico radica na igualmente respeitável tese [ah, afinal é só uma “tese”? Nada de comprovado, portanto;  boa!] de que as mutações podem ser aproximativas [perdão?] na esfera global [na blogosfera?], facilitando o acesso do idioma a terceiros [abatem-se umas quantas consoantes “mudas” e pronto, fica muito mais fácil, é isso? Ena. “Genial”!]. Intervêm também neste contexto invocações emotivas [sim, isso é mau; mas compreensível, visto que se trata “só” da nossa Língua] e leituras historicistas [sim, claro, a Língua é indissociável da História] que são completamente espúrias [isto é uma tautologiazinha em forma de palpite] para a definição de uma decisão política [bom, afinal em que ficamos? É ortografia ou é política?].

O teste da viabilidade do Acordo estará na sua plena aplicação pelo Brasil [ou seja, Portugal, uma nação soberana, fica à espera de que um país estrangeiro resolva os assuntos internos de Portugal], e sobre isso apenas o tempo pode esclarecer, e esse tempo é breve. Necessariamente, se não houver uma aplicação plena da parte brasileira [“se”? Ah, pronto, então a “ideia” é mesmo Portugal ficar à espera do que o Brasil decidir], Portugal não pode ficar preso a uma grafia singular e individual [portanto, se o Brasil não quiser o AO90, Portugal também não o “adotará”, mas se o Brasil assim entender então Portugal fará o que o Brasil… entender! Mas que linda imagem de “independência nacional”, sim senhor!]. Neste contexto, Portugal ficaria desligado quer do Brasil, quer de Angola e de Moçambique que não estão a aplicar o AO [pois é, isso seria uma bronca de todo o tamanho mas, assim com’assim, é o que se já vai passando…]. Devemos, nessa medida, ter a prudência e a diligência de reagir em reciprocidade aos atos [sic] da República Federativa do Brasil [cá está de novo, “reagir em reciprocidade”, esplêndido conceito de “independência nacional”]. As autoridades brasileiras reafirmaram muito recentemente o seu empenho neste processo, e no âmbito de uma convenção internacional considerada regular [Como? O que é isto?].

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burroecenoura1. É agora indiscutível que o Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90 produziu finalmente alguns efeitos: foram já anunciados, para apreciação e votação em plenário, três projectos de RAR (Resolução da Assembleia da República) tendo em vista, consoante os casos, a revogação da RCM 8/2011, a suspensão do AO90 ou a revisão desse “acordo”.

2. O que a ILC AO preconiza é a revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”, conforme o previsto nos três Artigos do Projecto de Lei que propomos e que pode ser subscrito por qualquer cidadão português com capacidade eleitoral:

Art.º 1.º: A entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 fica suspensa por prazo indeterminado, para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere.

Art.º 2.º: A ortografia constante de actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, de bens culturais, bem como de manuais escolares e outros recursos didáctico-pedagógicos, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação, será a que vigorou até 31 de Dezembro de 2009 e que nunca foi revogada.

Art.º 3.º: Este diploma revoga todas as disposições da Resolução da Assembleia da República nº 35/2008, de 29 de Julho, que com ele sejam incompatíveis.

3. Aquilo que os subscritores da ILC assinam é este articulado, este Projecto de Lei, estas exactas finalidades da iniciativa, nestes exactos termos. Em lado algum do articulado e da respectiva exposição de motivos surge a mais ínfima menção ou sequer sugestão de qualquer espécie de “revisão” do AO90.

4. Não deve, não pode, não irá jamais esta iniciativa cívica desviar-se dos seus objectivos fundamentais, desvirtuando aquilo que desde o seu lançamento propõe aos portugueses. Não trairemos a confiança depositada, com a sua assinatura, pelos subscritores da ILC AO nas motivações e finalidades nela expressas.

5. Por conseguinte, e em função das notícias mais recentes, vimos de novo dar público conhecimento de que não aceitaremos qualquer “solução” que o não seja de facto, isto é, se consistir, na prática, no protelamento sistemático, no adiamento da questão para as “calendas gregas”, em manobras de diversão várias ou, em suma, em promessas vãs, vazias, desprovidas de sentido e de substância, como é o evidente caso da já muito anunciada “revisão” do AO90.

Não é possível, por definição, “rever” o absurdo para que este deixe de o ser. O AO90 é uma aberração completa, um monstro que nenhuma “revisão” (necessariamente cosmética) poderá tornar “um bocadinho” menos monstruoso.

Parlamento discute revisão do acordo ortográfico

Por Pedro Rainho
publicado em 21 Dez 2013 – 05:00

CDS propõe “revisão ou revogação”. PSD admite necessidade de fazer “ponto da situação”. PS prepara projecto sobre o acordo

O parlamento volta a discutir a aplicação do Acordo Ortográfico (AO), o que deverá acontecer já no início de 2014. Esta sexta-feira, os deputados deveriam ter debatido uma petição pela “desvinculação de Portugal” ao acordo, mas um projecto de resolução apresentado por Ribeiro e Castro, Michael Seufert (ambos do CDS) e Mota Amaral (PSD) – onde se admite a “revogação” do AO – remeteu a discussão para mais tarde.

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Vasco Graça MouraOs tempos passam e voltam a passar, os protestos ouvem-se e voltam a fazer-se ouvir, as expectativas geram-se e prolongam-se, goram-se e voltam a gerar-se, mas a verdade é que ninguém sabe dizer nada do triste Acordo Ortográfico, a não ser que uma comissão parlamentar de acompanhamento, adrede constituída, vai recolhendo informações e ainda não se terá considerado em condições de concluir seja o que for em matéria que, afinal, é tão simples…A novidade mais importante parece ser a de que, no âmbito do trabalho dessa comissão e fora dele, se verifica uma certa mobilização de professores impacientes e desesperados, que vêm dizer de sua justiça e da sua amarga experiência. E também nos jornais, em vários registos e com vários argumentos, a luta continua. Mas continua a não acontecer nada de especial e ninguém sabe dizer nada. A grande questão é a de saber se não seria já tempo de fazer avançar as coisas. Vejamos. A diplomacia portuguesa tem falhado sistematicamente as suas tentativas de acelerar a ratificação de uma coisa que ela mesma não sabe muito bem explicar aos seus interlocutores aquilo que seja ou em que consiste. continue a ler…

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«A entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 fica suspensa por prazo indeterminado, para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere.»

[Art.º 1.º do nosso Projecto de Lei.]

«A Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de Julho de 2008, tem por objectivo, como a própria designação indica, revogar o instrumento jurídico que, aprovando o II Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de 1990, forçou – de facto mas não de Direito – a entrada em vigor desse “acordo ortográfico” (entre aspas) nos organismos, entidades e estruturas do Estado português.»

«O que vimos agora aqui dizer é que observações de uma arrogância e ignorância intoleráveis como, por exemplo, a que consta na inacreditável “nota explicativa” do dito AO90, e citemos «a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam», não são aceitáveis; enfim, o que vimos aqui dizer quanto a isto é que coisas destas não merecem sequer considerações.»

[Pontos 1 e 6 da Declaração de Princípios que lemos e entregámos no Parlamento em 31.01.13.]

Porque tem sido publicamente defendida por algumas pessoas uma hipotética “revisão do acordo ortográfico”, cumpre esclarecer que esta ILC tem por objectivo único a revogação da entrada em vigor do AO90 e não a revisão do mesmo.

renascenca_logo2Vasco Graça Moura defende a suspensão do acordo ortográfico. É a reacção de uma das vozes mais críticas a esta medida, depois de o governo brasileiro ter anunciado o adiamento da aplicação obrigatória do acordo para Janeiro de 2016.

Em declarações à Renascença, o presidente do Centro Cultural de Belém defende a suspensão do acordo em Portugal e uma renegociação com os restantes países.

“O Brasil vai rever o acordo, portanto é completamente delirante nós ficarmos para trás. Agora vamos ter três grafias: a brasileira actual, a africana, porque Angola mantéma) e muito bem as regras ortográficas que estão em vigor e não as do acordo, e a portuguesa, que é uma coisa sem pés nem cabeça”, critica Vasco Graça Moura.

“Penso que vai ter de acontecer forçosamente a suspensão da resolução do conselho de ministros de 2009b) e que se volte a permitir a forma, negociando entretanto a revisão do acordoc) com os outros países”, defende.

As críticas reiteradas de Vasco Graça Moura ao acordo ortográfico no dia depois de o Governo brasileiro anunciou o adiamento da aplicação obrigatória da medida até Janeiro de 2016.

[Transcrição integral de notícia da Rádio Renascença, 29.12.12 (com áudio). “Links” adicionados por nós.]

a) Moçambique também não adoptou o AO90. Apenas foi aprovada em Junho passado, pelo Conselho de Ministros, uma proposta de ratificação.
b) Trata-se da RCM 8/2011. De 2011 e não de 2009, portanto, como certamente por lapso foi dito.
c) Nos termos da Convenção de Viena o texto de um Tratado internacional não pode ser alterado.

[Nota: este “post” foi apagado pelo “host” do domínio (WebHS), tendo sido depois recuperado/recomposto e republicado por nós. Qualquer comentário ao mesmo desapareceu também neste “apagão” inopinado, pelo qual não somos nem fomos responsáveis. De qualquer forma, mesmo sendo alheios ao sucedido, aqui ficam as nossas desculpas.]