ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em [vídeo com legendas em Pt-Pt]

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«Em 1920, o escritor checo Karel Čapek escreveu uma peça de teatro sobre máquinas parecidas com seres humanos, assim recriando o termo “robot” a partir da mesma palavra usada naquela língua da Europa central para designar o trabalho forçado. Jessica Oreck e Rachael Teel explicam de que forma o mesmo conceito em ficção científica adoptou essa designação.»

Mais um vídeo legendado em Pt-Pt pela ILC AO. A partir de agora poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

«O que é que a ortografia nos pode dizer sobre as relações entre as palavras? Ainda que a ortografia nos possa parecer ser aleatória ou inesperada, esta lição mostra-nos como descascar as várias camadas da ortografia nos ajuda a compreender a história complexa e a estrutura das palavras, tão cheia de sentido.»

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Mais um vídeo legendado em Pt-Pt pela ILC AO. A partir de agora poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

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«Apesar de o primeiro sistema de numeração poder ser datado de há 2500 anos, na Mesopotâmia, um símbolo parecido com o “zero” apenas surgiu no século VII na zona onde hoje é a Índia. Jessica Oreck e Rachael Teel traçam a evolução de “zero” a partir de um simples ponto até ao símbolo que hoje usamos, bem como as raízes árabe, italiana e francesa da palavra “zero”.»

Mais um vídeo legendado em Pt-Pt pela ILC AO. A partir de agora poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

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«Ao longo da História da Humanidade, desenvolveram-se milhares de línguas a partir das muito poucas que antes havia. Como temos nós agora assim tantas? E como podemos identificar e diferenciar todas elas? Alex Gender explica como os linguistas agrupam as línguas em famílias, demonstrando como estas se estruturam em forma de árvore, o que nos permite desvendar o passado.»

Mais um vídeo legendado em Pt-Pt pela ILC AO. A partir de agora poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

PTPTLogo_43csmallAqui divulgamos mais um vídeo sobre ortografia, de uma aula TED da autoria de Gina Cooke, agora também com legendas em Pt-Pt. Se no anterior ficámos a saber porque há um “b” em “doubt” (dúvida), neste é-nos contada a história da palavra “true” (verdadeiro) e a sua relação com “tree” (árvore).

A partir de agora, quem quiser poderá assistir também a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

TED-Ed_logoQuanto mais antiga é a palavra, mais longa (e mais fascinante) é a sua história. Com raízes no inglês arcaico, “true” partilha antepassados etimológicos com palavras como “noivo/a” ou “tréguas”… mas também com a palavra “árvore”. Na verdade, as árvores são metáforas de constância e fidelidade desde há tanto tempo quanto a palavra “true” define as mesmas qualidades. Gina Cooke descreve a relação poética entre “tree” (árvore) e “true” (verdadeiro).

PTPTLogo_43csmallQuem acompanha as questões ligadas ao Acordo Ortográfico provavelmente já conhece este vídeo de Gina Cooke. A caminho das 200.000 visualizações, esta pequena aula (inserida no projecto TED) mostra-nos como abdicar de letras “sem som” é perder parte da nossa identidade e História.

Acontece que, mesmo para quem já conhece, o vídeo tem agora uma novidade: a ILC AO entendeu que não fazia sentido um vídeo que se debruça sobre este tema não ter legendas em Português Europeu e, como tal, meteu mãos à obra. A partir de agora, quem quiser poderá assistir a esta “aula” de TED-Ed, escolhendo “Português (Portugal)” como opção de legendagem.

Estanqueiro_foto(Des)acordo ortográfico: “insegurança ortográfica” (2)

1. Já afirmámos (artigo anterior) que o acordo ortográfico (AO) veio criar enorme “insegurança ortográfica”, onde esta antes não existia; subestimaram-se vários pareceres solicitados que alertavam para isso mesmo. Aliás, no ano passado, o Parlamento recomendou ao Governo a constituição de um grupo e trabalho para acompanhar o processo de aplicação do AO, com elaboração de relatório; que se saiba, nem grupo nem relatório.

Mostrámos já que a obsessão pela unificação ortográfica criou, em vez das duas, três grafias, patente em exemplos simples (portuguesa/brasileira): aspeto/aspecto, detetar/detectar, receção/recepção, conceção/concepção, deceção/decepção, perceção/percepção, espetador/espectador, perentório/peremptório, tática/táctica, espetro/espectro, cato/cacto, perspetiva/perspectiva, interceção/intercepção, etc. Assim se pretende que se escreva agora (em Portugal) “aspeto”, “conceção”, “perspetiva”, que antes se escrevia (Portugal e Brasil) “aspecto”, “concepção”, “perspectiva”, e que continua a ser “aspecto”, “concepção”, “perspectiva” (Brasil). Não entendo tamanha estultícia! Se eu escrever, por ex., a “receção do texto” em vez de “recepção do texto”, como evitar que o leitor não pense em “recessão”, se é isso que ouve a toda a hora e sofre no seu vencimento ou pensão? Um brasileiro, ao ler “receção”, não entende…

Como sabemos, a aprendizagem da ortografia não se faz só na escola: é um processo quotidiano, multímodo, que envolve a memória visual; escrever “Egito” causa calafrios: é um triste espectáculo, que já não tem espectadores mas “espetadores” (a primeira vez que li, pensei em “espeto”). Aliás, como é sabido, as grandes diferenças que separam as variantes portuguesa e brasileira da língua não são ortográficas, mas são lexicais, semânticas e morfossintácticas.

2. Sobre as consoantes não pronunciadas, importaria evitar a homografia, por ex., “acto”/“ato” (verbo), “corrector”/“corretor” (da bolsa), “óptico” (relativo à vista )/ótico” (relativo ao ouvido), sendo que, no Brasil, continua a escrever-se “óptico”; seria também imprescindível evitar a homofonia (por ex., “intersecção” e “intercessão”), como é necessário ainda evitar o fechamento vocálico (“acção”, “aspecto”, “baptismo”, “lectivo”, etc.). Note-se que o português europeu está a tornar-se, por vezes, dificilmente inteligível na oralidade, dada a tendência para fechar as vogais. Já um linguista advertiu que “adoção” (de “adoptar”) poderia conduzir à pronúncia de “adução” (de “aduzir”); este é um problema grave: as próximas gerações tenderão a ler “setor”, “receção”, “deceção”, etc., sem abrirem as vogais.

As consequências gravosas do AO saltam à vista: ao contrário de outras alterações ortográficas do século XX, este AO atinge aspectos estruturais da Língua Portuguesa. Todo este processo tem sido, pois, arrogante e autoritário.

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