ILC contra o Acordo Ortográfico

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Facebook_iconE, então, é isto. Poucas palavras porque muitas podem cansar.

Três obras para o teatro que tinha para edição com a Imprensa Nacional [em espera há dois anos e em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores] e vai a Imprensa do Estado e impede a publicação da ficção teatral porque não escrevo segundo o novo acordo ortográfico.

Dito de outro modo: a Imprensa Nacional publicaria os textos se eu escrevesse segundo o novo acordo ortográfico, ou autorizasse a formatação das obras ao novo regime.

Poucas palavras, pois.

Abel Neves

[Transcrição de “post” (público) de Abel Neves no Facebook em 21.01.14. “Links” inseridos por nós.]

Publico_AbelNeves-15Jan2013Não tenho armas afiadas para entrar nesta batalha, e sou fraco, mas cá vou. Este texto breve não é de ciência nem de sabedoria académica. Não poderia sê-lo porque, simplesmente, não sou nem cientista nem académico. Convivo em desacordo com o Acordo Ortográfico do Inverno de 1990 e não é tanto pelos espectadores passarem a ser espetadores ou os actos se mudarem em atos ou o Egipto passar a ser Egito. No português daqui – a geografia é bela – o Egipto sem pê é como sacar o deserto aos faraós. Surripiar o pê do Egipto é quase antiestético. Deixem-me gostar e escrever o Egipto como sempre foi para mim. É que não sinto que a Língua esteja a querer mudar o seu aparato escrito só porque uns tantos trouxeram a necessidade de lhe padronizar algumas formas para que, à leitura, o lusófono de uma praia em Cabo Verde esteja apreendendo exactamente o mesmo que um outro lusófono nas vielas de São Paulo ou no escadório do Bom Jesus em Braga. A unificação talvez seja melhor para as empresas e congressos que arrastam a Língua nos seus comércios – supondo que haja preguiça para ler as mesmas palavras escritas com diferença – mas a verdade – sejamos honestos – é que, seja onde for, os lusófonos apreendem exactamente o mesmo com a mesma palavra grafada com distinção. Pelo visto, e lido, serão poucas as palavras a suprimir, por exemplo, no caso da extinção das consoantes não pronunciadas. Diz-se que pouco mais de seiscentas num universo de cento e dez mil. É o receio anunciado da desagregação ortográfica? Não será preferível defender a singularidade, a riqueza da língua, em vez do propósito da unicidade?

Não sou da época em que se escrevia ‘theatro’ ou ‘choreographia’ ou ‘auctores’ e ‘escriptores’ ‘distinctos’ com as suas ‘phrases’. A cena era ‘scena’ e o ‘scenario’ mostrava-se com os seus ‘pannos’. Há cem anos ‘applauso’ tinha dois pês e nada garante que não venha a recuperar o pê perdido daqui a outros cem se se entender que o reforço do pê na pronúncia deve estimular na escrita a sua vibração. Aqui e acolá, a escrita vai mudando, sim, a língua, falada e escrita vai-se refrescando e recompondo com os climas e os modos de ser das gentes que se dão ao gosto de trocar as voltas às palavras, aceitando-as no sabor das falas, no alinhamento das páginas, e, clarinho como a água, a Língua com os seus dizeres de voz e ortografias mudará sempre que lhe apetecer porque a Língua é um dragão vivo e anda ao ar, mas conservá-la com as suas diferenças e, sobretudo, longe dos impulsos mexeriqueiros de uma certa política, é o que parece mais sensato.

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publicoNo ano em que se assinalam quatro décadas desde a revolução de 25 de Abril de 1974, a liberdade de expressão que – supostamente – dela resultou ainda não é um conceito completamente compreendido e consolidado.

Não porque exista uma entidade “oficial”, estatal, que imponha a censura prévia a órgãos de comunicação social mas sim porque ainda existem muitas pessoas em Portugal que pensam que a emissão de determinadas informações ou opiniões, pela sua forma e/ou o seu conteúdo, deve ser passível de penalização criminal, corporativa ou administrativa… apesar de aquelas não conterem, à partida e aparentemente, elementos falsos e/ou difamatórios. Seguem-se quatro exemplos recentes.

[…] […] […]

O quarto exemplo refere-se ao “acordo ortográfico”. Têm-se sucedido os casos de cidadãos a quem são recusadas regalias – ou, pior, a quem são aplicadas sanções – pessoais e/ou profissionais por se recusarem, com toda a legitimidade, a submeter-se à ilegal perversão da língua portuguesa decidida por uma ínfima minoria. Como o escritor Abel Neves, que revelou em Janeiro último que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda não edita três das suas peças de teatro por ele não querer a(dul)terar aquelas segundo o infame (des)acordo. Será possível que na INCM não exista quem conheça e tenha lido o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos nacional, que também reflecte e replica legislação e jurisprudência internacionais, e que dá inequivocamente a todos os artistas a prerrogativa de utilizarem e de verem respeitada a linguagem que eles quiserem? E os “antifascistas”, que, sob o menor pretexto e contra qualquer opressão, real ou imaginária, se manifestam, protestam, e cantam “Grândola, Vila Morena”, vão conformar-se, 40 anos depois, com celebrar “abril” com letra pequena? Vão aceitar a delapidação da ortografia que imita e até intensifica a que foi feita em 1943 em pleno regime do Estado Novo (sim, também foi essa a designação no Brasil) de Getúlio Vargas, numa manobra de deliberado afrontamento e afastamento – cultural e não só – em relação a Portugal?

Infelizmente, não faltam neste “jardim à beira-mar plantado” as pessoas que estão disponíveis para fazer queixas e cumprir ordens, por mais absurdas que sejam. O que explica também porque é que aqui se viveu em ditadura(s) durante mais de 70 anos. Ou serão mais de 100?

Octávio dos Santos
Jornalista e escritor

[Transcrição parcial de artigo da autoria de Octávio dos Santos. In jornal “Público” de 21.04.14. “Links” inseridos por nós.]

Conforme o planeado conjuntamente, em duas reuniões entre a ILC e o Director-Adjunto do jornal “Público”, Dr. Nuno Pacheco, a primeira em 17.11.11 e a segunda em 30 de Julho de 2012, na sede daquele jornal, nesta página irão sendo adicionados os “links” para os textos publicados no âmbito desta parceria.

 

O nosso reconhecimento e o testemunho de gratidão pelo empenho desinteressado e pela extraordinária militância nesta Causa nacional por parte do jornal “Público”, em particular na pessoa do seu Director-Adjunto, mas sendo que esse reconhecimento se deve com inteira justiça estender a todos os quadros e funcionários do “Público“, um prestigiadíssimo órgão de comunicação social português que militantemente não abdica do Português.

«O Acordo Ortográfico visa dois objectivos: reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional e garantir uma maior harmonização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).»
Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

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O texto que se segue foi publicado na edição de hoje, 10 de Junho de 2015, no jornal “Público”. O mesmo texto foi publicado também hoje num “site” de petições electrónicas.

A sua reprodução aqui justifica-se, apesar de (estranhamente, pensarão alguns) nele não haver uma única referência expressa ao “acordo ortográfico”, porque está redigido em Português europeu (o que não é de estranhar, já que se refere à União Europeia), porque denuncia com estrondo o falhanço do dito AO90 quanto à “projecção internacional da Língua Portuguesa” e, finalmente, porque muitos dos seus signatários e co-autores são anti-acordistas de sempre, é gente com provas dadas na luta contra o Aleijão Ortocoiso, são pessoas com “curriculum” (também) nesta Causa que é de todos.

Mas, essencialmente, a relevância deste escrito em forma de apelo reside no seguinte: se, como o AO90 pretendia, “garantir uma maior harmonização ortográfica” é uma gigantesca falácia, o que todos os dias – aqui mesmo e alhures – se comprova, já “reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional” é, como demonstra este extraordinário documento, uma patranha de todo o tamanho.

 

publicoApelo ao PR em defesa da língua portuguesa na União Europeia

10/06/2015 – 04:15

Não podemos transigir com a diminuição e desvalorização da nossa Língua.

 

Senhor Presidente da República, Excelência,

O regime da União Europeia, como já acontecia na CEE a que aderimos em 1985, é o de que todos os cidadãos europeus têm o direito de se dirigir às instituições da União numa das línguas dos Tratados, devendo obter uma resposta na mesma língua.

Este é o regime consagrado de rigorosa paridade linguística, em que se funda a própria construção europeia, traduzindo o seu espírito democrático, base cidadã e união na diversidade.

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