ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em bagão félix

publicoLi notícias que nos dão conta do mal-estar relacionado com a proibição de crianças portuguesas nas escolas do Luxemburgo se poderem exprimir na sua língua materna, mesmo fora do estrito contexto das salas de aula. Atitude, ao que parece, apoiada pelo governo luxemburguês! A comunidade portuguesa neste país representa cerca de 20% da sua população e os nossos emigrantes têm dado provas insofismáveis de boa integração e excelente profissionalismo. Não faz qualquer sentido esta atitude discriminatória entre países da mesma União Europeia.

Por outro lado, e no mesmo dia, li que as novas funções de supervisão bancária do BCE que vai abranger, por agora, cerca de 120 bancos da União serão exercidas com a óbvia possibilidade de os bancos poderem escolher a sua língua oficial na relação e correspondência com o agora regulador europeu. Muitos bancos optaram pela língua do seu país, mas os nossos principais bancos optaram pelo … inglês.

O idioma português é o 5º mais falado no mundo e merecia ser mais respeitado. Sobretudo por quem o interdita ou desmerece, em versão censória ou em modelo elitista.

Se a isto, acrescermos a polémica que continua com o chamado Acordo Ortográfico, consequência em grande parte do poderio brasileiro e da indiferença de outros países lusófonos, como vai distante a célebre frase de Pessoa “a minha pátria é a língua portuguesa”.

[Transcrição integral de artigo da autoria de António Bagão Félix. “Site” do jornal “Público”, 04.11.14.]

ObiangCPLP

25 de Julho de 2014, 19:04

Por

Durante a Cimeira em Dili da CPLP, o presidente Obiang da Guiné Equatorial terá balbuciado três palavras em português: sim, sim e sim. O país, entretanto, anunciou a sua adesão à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, na página oficial do seu Governo na Internet em três línguas: espanhol, inglês e francês. Parece que a ausência da língua portuguesa se deveu a uma dúvida metódica do ditador: a de se deveria ou não utilizar o chamado Acordo Ortográfico. Compreensível, não acham? É que, por exemplo, Obiang queria escrever já em escrita acordista “A partir de agora, ninguém para a Guiné Equatorial!”. Mas alguém lhe terá explicado que em versão não acordista o que ele queria anunciar se escreve “A partir de agora, ninguém pára a Guiné Equatorial!”. Uma mera questão de um acento que muda. Ou será de um assento que, para Teodoro, não muda desde o longínquo ano de 1979?

publico

[Transcrição integral de texto, da autoria de António Bagão Félix, publicado em “blogues” do jornal “PÚBLICO” de 25.07.14.]
[Imagem de Luxemburger Wort.]

[audio:https://ilcao.cedilha.net/wp-content/uploads/2012/12/2247090_125777-1212121007.mp3]

[Gravação (cópia) de emissão da rádio “Antena 1”, programa “Conselho Superior”, 12.12.12.]

Bagão Félix critica Acordo Ortográfico que “empobrece a Língua Portuguesa”

Sandra Henriques 12 Dez, 2012, 10:04 / actualizado em 12 Dez, 2012, 14:02

No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Bagão Félix critica que as autoridades portuguesas estejam mais preocupadas em “pôr em vigor um acordo que empobrece a língua portuguesa do que em combater a indigência gramatical, que se ouve todos os dias e que vai tornando a norma”.

O governo brasileiro poderá anunciar ainda esta quarta-feira o adiamento da entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa para Janeiro de 2016. Perante esta situação, Bagão Félix aponta o dedo à actuação das autoridades portuguesas a este respeito.

Bagão Félix explica que está contra o novo Acordo Ortográfico porque não foi produto de uma evolução natural, mas sim uma “imposição de iluminados, que o Estado avalizou, expressando posições diferentes e ignorando a voz do povo soberano nesta matéria de património fundamental linguístico”.

Em declarações ao jornalista Luís Soares, o comentador sublinha que este acordo é “determinado pela unicidade da prevalência do critério fonético em detrimento do critério etimológico”.

O antigo ministro do Trabalho e das Finanças recorda que Portugal determinou em 2008 a aplicação do acordo ortográfico, mas falta ainda uma peça fundamental para que entre em vigor, que é o vocabulário ortográfico comum, que nunca mais vê a luz do dia.

[Transcrição integral do texto de apresentação do programa “Conselho Superior” de 12.12.12 publicado no “site” da rádio “Antena 1” (Grupo RTP). Texto corrigido por nós de “acordês” para Português.]

Política

Bagão Félix considera que “o acordo ortográfico é uma submissão ao Brasil”

No Conselho Superior da Antena 1, António Bagão Félix criticou o acordo ortográfico adiantando que se trata de uma imposição artificial, não promove nem defende a língua portuguesa, e revela claramente uma submissão ao Brasil. Num tom bem humorado, Bagão Félix dá exemplos de como a falta de consoantes e acentos distorce o português.
2012-01-11 10:11:16

[Transcrição integral do resumo publicado juntamente com a gravação no site da Antena 1.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

A língua, escrita ou falada, é a expressão viva da evolução social. Particularmente num mundo sem fronteiras, com novas formas de comunicação e de relação.

O português – a 5ª língua nativa mais falada – não foge a essa regra.

Mas uma coisa é a absorção de modificações que se vão verificando, outra é a sua imposição por decreto. O Acordo Ortográfico é o produto não de uma evolução natural e impregnada na prática, não de uma necessidade de defesa e promoção linguísticas, mas tão-só a imposição de iluminados, que o Estado avalizou, menosprezando posições diferentes e ignorando a voz do povo soberano.

O Acordo é também uma expressão de submissão às maiorias populacionais. Neste caso, do Brasil. Esquece-se que uma língua se enriquece na diversidade e se empobrece na “unicidade” por forçada via legal. Claro que há sempre prosaicas justificações mercantis (interesses?) em sua defesa e há quem vá ganhar com tudo isto.

Imagina-se o Governo britânico a uniformizar a grafia de vocábulos escritos nos Estados Unidos ou Austrália (v.g. “realise”/”realize”, “center”/”centre” ou “labour”/”labor”)? Ou o castelhano a adaptar, por lei, a escrita de certos vocábulos na Argentina?

Pequeninos geograficamente, teimamos em ser pequeninos patrioticamente. Dizia sabiamente Fernando Pessoa: “A palavra escrita é um elemento cultural, a falada apenas social”.

Adivinhem o que se quer dizer com “não me pelo pelo pelo de quem para para desistir”? Na rejeitada e antiga grafia escreve-se: “não me pélo pelo pêlo de quem pára para desistir”

Já não nos chegavam os agravos à nossa língua nas tv e textos públicos, eis que os tornam agora obrigatórios. Os “supônhamos” e “houveram” de braço dado com os “suntuosos” e os “contrassensos”.

Enfim, a lógica da batata. Ou da ” (H)ortografia”.

Bagão Félix

[Transcrição integral de artigo da autoria de Bagão Félix publicado no “Jornal de Negócios” de 10.01.2012.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

Publico-20141115Anda por aí à solta uma epidemia da obediência antecipada, um zelo narcísico em obedecer e uma pressa institucional em se fazer obedecer, a bem dos brandos costumes. Por toda a parte onde se escreva e não se questione: nas editoras, nas universidades, na escola, nos serviços públicos, nas entidades privadas “esclarecidas”. No gesto tão modernaço quanto burocraticamente hirto com que abusivamente se procura dar por “oficializado” esse disparate técnico e essa inépcia política designados “Acordo Ortográfico de 1990”, uns, mais papistas que o Papa, emitem despachos: e os subpapistas despacham-se a cumpri-los, pelo facto de serem despachos. Nessa concha fechada do institucionalismo, emitiriam e cumpririam também os despachos opostos, uns com a alegria maldosa do álibi hierárquico, os outros com o prazer perverso ligado ao acto simbólico do puro exercício formalista do poder. Ainda outros, entregues à tara provinciana de serem os primeiros; quando não é o caso de terem na mira uma oportunidade de negócio em letra impressa: “já” estarem do lado bom das vendas.

Essa admirável cultura da legalidade ignora viciosamente o vasto historial argumentativo da resistência científica e, por isso, cívica que desde 1986 torna tudo menos “evidente” (e “de vosselências mui atento e obrigado”) o cumprimento de despachados despachos.

Ah, admirável superstição de amanuenses dóceis, que nos vêm recordar, caso estivéssemos esquecidos, que a Lei é a Lei, e que a tal ponto esta tautologia é majestosa e em si mesma, que, dizem, submete por igual soberanos e súbditos, enchendo-nos a todos de candura e paz! Talvez seja vício filosófico perguntá-lo, mas, na fórmula mágica “igualdade perante a Lei”, perante que instância é que essa famosa “Lei” por sua vez responde?

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publicoMais de uma centena de personalidades de diversas áreas – incluindo académicos, escritores, músicos, actores e políticos de vários quadrantes – intentou, no Supremo Tribunal Administrativo, uma acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) ao sistema de ensino público, do ensino primário ao secundário.

Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix e Isabel Pires de Lima são alguns dos ex-governantes que subscrevem a acção, a par de José Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, dos músicos António Victorino d’Almeida, João Braga, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso ou Rão Kyao, dos escritores Joaquim Pessoa e Teolinda Gersão, da actriz Lídia Franco ou de professores e ensaístas, como Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado Fernandes ou o prestigiado camonista e teórico da literatura Vítor Aguiar e Silva.

[via Acção judicial popular contra Acordo Ortográfico – PÚBLICO.]

Nota: a ILC – AO não tem absolutamente nada a ver com esta “acção popular”; alguns dos nossos subscritores têm também o seu nome citado nesta “acção popular”, nada mais. Desejamos boa sorte a mais esta “acção”, como sempre desejamos sorte a seja que “acção” for contra o AO90 .