ILC contra o Acordo Ortográfico

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Evanildo Bechara é imortal. Desde 2000, ocupa a cadeira de número 33 da Academia Brasileira de Letras. Mas, aos 84 anos, mantém – com o vigor do menino que, aos 11, órfão de pai, saiu de Recife rumo ao Rio de Janeiro para completar seus estudos na casa de um tio-avô – dois hábitos inabaláveis: andar de ônibus e almoçar diariamente no Toledo, restaurante por quilo vizinho de frente à Casa de Machado de Assis, no centro do Rio de Janeiro, só para ouvir histórias da vida real.

Guilherme Gonçalves/ABL/Divulgação

‘A língua não se concentra na norma padrão nem na coloquial. Ela permite as variações‘, diz Bechara.~

Hoje autoridade máxima no Brasil quando o assunto é o novo acordo ortográfico, ele – que é autor da Moderna Gramática Brasileira – se prepara para celebrar o fim do trema: “Tiramos um peso dos ombros de quem escreve. Longe de ser um prejuízo, é um lucro”.

A partir de 1º de janeiro de 2013, além do trema, também se vão o acento agudo de “ideia” e o circunflexo de “voo” e “enjoo”. O alfabeto passará a ter 26 letras, ao incorporar “k”, “w” e “y”.

A data marca a entrada definitiva no Brasil da nova ortografia da Língua Portuguesa – cujas normas foram organizadas pela ABL na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

As regras não são novas. Estão em vigor desde janeiro de 2009 [Mentira: isso foi só no Brasil], quando o Brasil e os demais membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste – concordaram [Mentira: isso foi só a assinatura do AO em 1990] em uniformizar a grafia das palavras [Mentira: não há “uniformização” alguma].

Os brasileiros tiveram quatro anos para se adequar. Durante esse período, tanto a grafia anterior como a nova foram aceitas oficialmente. Mas, a partir de ano que vem, concursos e provas escolares passam a cobrar o uso correto da nova ortografia. Documentos e publicações também deverão circular adaptados às novas regras.

O Brasil, diz Bechara, está preparado para receber as novas regras em definitivo. “Para o grande público, a ortografia está ligada à memória visual. Escrevemos as palavras como as vemos escritas. Hoje, vamos ao aeroporto e já vemos a palavra voo sem aquele acento circunflexo que se usava.”

Ainda há, no entanto, muitos desencontros. Às vésperas de o acordo entrar em vigor, a senadora Ana Amélia propôs que o Brasil avance mais devagar na sua implantação. Ela é autora de um projeto que estende por mais seis anos, até o fim de 2019, o período de adaptação das novas regras. Como a proposta ainda está parada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa e não há tempo hábil para a tramitação, a senadora pediu audiência com Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, para tratar do assunto. O pedido ainda está sem resposta.

Em Portugal, que tem até dezembro de 2014 [Mentira: o prazo é 31.12.2015, cf. n.º 2 da RAR 35/2008] para concluir o processo de implantação da nova grafia, a resistência ao acordo é ainda maior. A polêmica se intensificou depois que o poeta Vasco Graça Moura, ao assumir o cargo de diretor do Centro Cultural de Belém – uma das mais importantes instituições culturais do país -, determinou que fosse suspensa a aplicação das novas regras nos serviços sob sua tutela. Circula também na internet uma petição [Mentira: não é uma “petição”, é uma ILC (e não circula apenas na Internet)] para que o parlamento português vote o fim do acordo. “É claro que sabemos que toda mudança de hábito traz certa ojeriza a quem é obrigado a mudar, mas vale a pena o sacrifício. Uma língua que tem uma só ortografia [Mentira: não existe “uma só ortografia do Português, com ou sem AO90″] circula no mundo com mais facilidade”, garante Bechara.

A seguir, os melhores momentos da conversa.

A partir de 1º de janeiro passam a vigorar, definitivamente, as novas regras do acordo ortográfico. O Brasil está pronto para ele?
Ortografia é só a vestimenta das palavras. Quando se faz um acordo ortográfico, não se mexe na língua, se mexe apenas na roupagem das palavras. Desde 1911, Brasil e Portugal tentam aproximar seus sistemas de grafar palavras [Mentira: as tentativas foram apenas do lado português]. Tivemos quatro anos para nos adaptar e eles foram suficientes. Principalmente, graças à imprensa, que abraçou o novo sistema.

O acordo se efetivou?
Sim, porque a ortografia, para o grande público, está ligada à memória visual [Mentira: não é só a isso que a ortografia “está ligada”]. Escrevemos as palavras como as vemos escritas. [Mentira: não copiamos o erro] Como a imprensa e os livros começaram a usar o sistema desde o primeiro ano, as novas grafias das palavras começaram a aparecer. Hoje, vamos ao aeroporto e já vemos a palavra “voo” sem aquele acento circunflexo que se usava. As pessoas vão vendo as palavras sem acento e, na hora de grafar, escrevem sem acento. [Mentira: isso serão apenas ALGUMAS pessoas.] Isso permitiu que o acordo fosse, aos poucos, sendo dominado pelo público em geral. [Mentira: “público em geral” não é medida de nada.].

O que muda, essencialmente, a partir do ano que vem?
Mudam poucas coisas e, nessas mudanças, o Brasil teve de ceder muito mais do que Portugal [Mentira: 1,6% é mais do triplo de 0,5%. Dos seus hábitos de escrita, os portugueses só foram obrigados a abandonar a consoante não articulada, aquela que se escreve, mas não se pronuncia. No novo sistema, o que não se pronuncia não se escreve. [Mentira: “oje, isteria, omem” etc.]

Mas muitos dizem que as palavras mudaram mais em Portugal.
Quando pegamos em números, as mudanças para os brasileiros, de fato, são quase insignificantes: a norma escrita teve 0,43% de suas palavras mudadas. Em Portugal, 1,42%. Por quê? Porque Portugal usa e abusa [Mentira (e arrogância de Bechara): Portugal é um país soberano.] das consoantes que se escrevem, mas não se pronunciam.

E nós vamos conseguir viver sem o trema?
Começamos a aprender a língua pelo ouvido, quando crianças. Depois, aprendemos pelos olhos, porque lemos as palavras. O sistema fonético é anterior ao sistema gráfica [sic]. Ao abolir o trema, tiramos um peso dos ombros de quem escreve. A falta do trema, longe de ser um prejuízo, é um lucro. Deixamos de escrever o trema, mas podemos pronunciar as palavras da maneira como estamos acostumados a ouvi-las.

Quais são os benefícios do novo acordo para o Brasil?
O benefício do novo acordo não é só para o Brasil. Quando o sistema ortográfico começou a ser estudado, a preocupação era apenas facilitar a escrita [Mentira], portanto o movimento de simplificação ortográfica [Mentira: não houve “movimento” algum] ajudava a pedagogia da língua [Mentira]. Há também um fator de maturidade [Mentira]. Uma língua não pode ter duas ortografias oficiais [Mentira: ver os casos do Inglês, do Francês e do Castelhano] – como acontece hoje, em que temos a do Brasil e a de Portugal. [Verdade, para variar: continuamos a ter duas ortografias, de facto, apesar do AO90.]

O fator comercial também foi levado em consideração?
Claro. O valor econômico e político da língua foi um dado importante para a unificação ortográfica. [Mentira: isso foi só para a feitura do AO90, não houve nem haverá “unificação” alguma.] Em qualquer área em que seja usada, tanto no Brasil, como em Portugal ou na África, a língua portuguesa será grafada de uma só maneira [Mentira: de novo a mesma patranha, ver acima]. Isso significa que um livro editado em português pode correr todos esses países, porque a ortografia é a mesma [Mentira, mentira, mentira (idem)].

Mesmo com as diferenças sendo tão pequenas?
Mesmo que pequenas [Mentira], as diferenças entre o português escrito no Brasil e o de Portugal fazem com que um livro publicado no Brasil seja reeditado nos outros países de língua portuguesa para poder ser comercializado [Mentira]. Isso aumenta o custo da produção [Mentira]. Uma ortografia unificada só serve para dar lucro.

Vale a pena.
É claro que sabemos que toda mudança de hábito traz certa ojeriza a quem é obrigado a mudar, mas vale a pena o sacrifício [Mentira]. Uma língua que tem uma só ortografia circula no mundo com mais facilidade [Mentira]. Repercute não só no comércio da língua, mas também em sua qualidade cultural [Mentira].

Mesmo assim, o acordo não é unanimidade. No Senado, por exemplo, há um movimento que propõe que o Brasil avance mais devagar na implantação das novas regras.
Esse movimento do Senado gorou [Mentira]. Na visão da Academia, esse assunto está encerrado desde que o acordo foi assinado [Mentira]. Se o movimento que quer brecar a entrada definitiva do acordo avançar, o que acredito não ser possível pela falta de tempo [Mentira], o sistema começará a ser desacreditado. Qualquer mudança só seria aconselhável depois que ele entrasse em vigor.

Portugal tem até o final de 2014 [Mentira: 31.12.2015, ver acima.] para se adaptar às novas regras, mas lá o acordo ainda enfrenta muita resistência.
Um dos grandes inimigos do acordo é o poeta Vasco Graça Moura, mas a discordância só está nos jornais. [Mentira: todas as sondagens dizem o contrário.] Há uma grande corrente da imprensa que já usa o acordo [Mentira], mas existe uma minoria que prefere não usar [Mentira]. É só isso [Mentira].

Paralelamente à simplificação da ortografia, há um movimento em defesa do uso coloquial da língua em detrimento da norma culta. Na última prova do Enem, algumas questões trouxeram, em seus enunciados, o uso oral, mas foi exigida a norma padrão na redação. O que o senhor acha disso?
A língua se apresenta muito variada para atender os compromissos do homem erudito, da pessoa escolarizada e também do analfabeto. Todos se servem da língua para a comunicação. A língua não se concentra nem na norma padrão, nem na norma coloquial. Ela permite as variações. A língua padrão não é contra a coloquial e vice-versa. Já em uma prova do Enem, na qual se busca saber a competência de um jovem que passou tantos anos na escola, a preocupação não deve ser a língua coloquial, mas, sim, a padrão.

Ver também um “post” anterior em que o mesmo Bechara demonstra de forma igualmente espectacular a sua patologia (os mentirosos compulsivos sofrem de uma patologia clínica comprovada), com o título ”O ACORDO ORTOGRÁFICO É MAIS DIFÍCIL PARA OS BRASILEIROS DO QUE PARA OS PORTUGUESES”.

[Transcrição integral (anotada) de entrevista publicada no jornal brasileiro “Estadão” em 12.11.12. “Links”, destaques, sublinhados e anotações de nossa autoria.]

[“Disclaimer”: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]

[Imagem (recorte) do “blog” Fut Notas.]

«Muita gente acha que a língua deve ser unificada. Não! A língua deve ser DIVERSIFICADA. Porque a língua está a serviço da sociedade. A língua acompanha a História dos povos e das pessoas que as falam. Por isso é que a língua é um património que deve ser burilado, um património que deve ser respeitado porque é um dos símbolos da nacionalidade.»
EVANILDO BECHARA
Vídeo de Fantástico/CanalF/Globo.com
(ouvir no vídeo, cerca dos 04:40 m)

[“click” em baixo para ouvir a gravação]
[audio: becharaglobo.mp3]

Evanildo Cavalcante Bechara (Recife, 26 de fevereiro de 1928) é um professor, gramático e filólogo brasileiro.
É membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra. Professor Titular e Emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), além de titular da cadeira nº 16 da Academia Brasileira de Filologia e da cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras.[Transcrição de entrada WikiPedia.]

«Evanildo Bechara, académico da Academia Brasileira de Letras e promotor do Acordo Ortográfico no Brasil.» (Wiki)

«O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional que tem por objectivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa.» (wiki)

europeia_200x200“Portugal no mundo: a língua portuguesa e os seus embaixadores”

O tema apresentado para debate implica forçosamente referir a Escola e o ensino da língua portuguesa, ensino que, obcecado pelo utilitário, pelo funcional e pelo «real», tem descurado, ao longo de anos, não só a Literatura, com destaque para a leitura da poesia e dos autores clássicos, mas também a História da Literatura, considerada «uma pura perda de tempo», bem como o ensino da Gramática, confundida com o «desastre» da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), mudanças profundamente agravadas com a imposição do AO de 90, «um monumento de incompetência e de ignorância», nas palavras do linguista António Emiliano. Compreender-se-á facilmente o porquê do desnorte na Escola, sob uma avalancha de mudanças que têm vindo a servir interesses e a desmotivar professores e alunos, contribuindo para a degradação do ensino da língua portuguesa, sendo de sublinhar, no entanto, e no que diz respeito ao AO, o parecer dado, em 1991, pela Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário no qual se lê: «Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação e é, frequentemente, uma simples consagração de desacordos.»

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000-a-coluna-do-Joauca-500No dia 18-04-95, o Senado aprovou a reforma ortográfica proposta por Antônio Houaiss, que entrou em vigor recentemente. Foram ao todo sete reformas: 1911, 1931, 1934, 1943, 1945, 1971 e 1995. Não seria hora de dar um basta?

Não seria hora de parar de encarar o português como língua de subdesenvolvido em que qualquer um se acha no direito de mexer nela?

DELÍRIO REFORMISTA, por José Augusto Carvalho (*) .

Mal  começou a adaptação às novas regras ortográficas e surge um movimento para outra reforma mais radical, semelhante à que propôs José Joaquim de Campos Leão, nome verdadeiro do dramaturgo gaúcho Qorpo Santo em 1868: supressão do u dos dígrafos; do  inicial; do x dífono , que seria substituído por qs, como em seqso (para “sexo”); utilização do grafema g sempre com o valor de guê (gera para “guerra”), etc.  As propostas de Qorpo Santo se encontram no livro As relações naturais e outras comédias, organizado por Guilhermino César e editado em Porto Alegre pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1969. Acrescente-se à falta de originalidade dos que defendem essas ideias o desprezo por questões essenciais que uma reforma gráfica enseja.

O italiano fez uma reforma mais radical que o alemão, o espanhol e, recentemente, o romeno, ao suprimir o h inicial e ao substituir o x por s (com o som de  alveolar sonora). Mas não existe correspondência biunívoca entre letra e som:  a letra c em italiano se lê como k (velar) antes de vogal central ou posterior (casa, cosa), e lê-se  como africada (tch) antes de vogal anterior (cibo, Césare); o h permanece em ho (“tenho”); o s soa como  alveolar surda (como o c de cebola)  ou como alveolar sonora (como o z de zebra), como em  stesso e cosa, respectivamente.

Dizer que a grafia é posterior à fala para justificar a adequação da grafia à pronúncia não é um argumento válido, porque é exatamente por ser posterior à fala que a ortografia deve ser lógica e racional e não intuitiva (como a fala) e deve merecer cuidados especiais para garantir a inteligibilidade de um texto escrito a falantes de dialetos diferentes da mesma língua. Quando os cronistas esportivos adaptaram a palavra inglesa “scratch” para o português escrevendo “escrete”, garantiram a pronúncia original apenas na área dialetal carioca,  em que a dental t soa como africada antes de vogal alta anterior ou de iode. No Sul, a pronúncia não seria “iscrétchi”, porque lá o t soa dental, como na palavra “ter”.

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Bechara cita um texto de Monteiro Lobato como se fosse um documento científico. Não é, porém, lá muito científico: é uma “histórinha” para crianças, um livro infantil.

«Alguns críticos afirmam que o motivo para Lobato escrever este livro foi “vingança”, por ter sido reprovado aos quatorze anos de idade na prova de Português.»
http://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlia_no_Pa%C3%ADs_da_Gram%C3%A1tica

 

Bechara explica, sumariamente, como, quando e porquê o AO90 avançou a toda a pressa apenas a partir de  Setembro de 2008. Refere-se a certa hesitação (de brasileiros) sobre publicar a 5.ª edição do VOLP (brasileiro): “ou vamos fazer uma edição repetindo o anterior, a 4.ª edição, com melhoramentos, ou nós iríamos implementar o acordo de 90. E a decisão foi esta, tendo em vista que o acordo de 90 já estava com um decreto assinado pelo Presidente Lula.”

 

 

[Excertos vídeo da 2.ª sessão de audiência sobre o AO90 realizada no Senado Federal do Brasil em 22.10.14. 1.ª parte desta série de vídeos AQUI.]

Apresentamos uma citação por cada vídeo apenas a título de ilustração; qualquer dos excertos está recheado de igualmente verdadeiras “pérolas”, proferidas não apenas pelo Professor Doutor Evanildo Bechara como por outros que deste não desmerecem.

Diz Bechara: “Medeiros Albuquerque não teve a coragem[???] de pegar uma palavra como ‘exame’, onde temos o mesmo fonema [Z, de “Brazil”] escrito agora com X, por exigência etimológica, Medeiros Albuquerque deixou[???] que a palavra ‘exame‘ continuasse com X”.

Diz Bechara: “em Portugal eles dizem ‘corruto’, enquanto que em português do Brasil nós dizemos ‘corruPto‘. Então, acontece que aí são duas palavras que divirgem [???] na língua. Agora, quando em Portugal escrevem ‘director’ com C e nós escrevemos ‘diretor‘ sem C, aí apenas há uma duplicidade somente de grafia.”

[Excertos vídeo da 1.ª sessão de audiência sobre o AO90 realizada no Senado Federal do Brasil em 21.10.14.]

Apresentamos uma citação por cada vídeo apenas a título de ilustração; qualquer dos excertos está recheado de igualmente verdadeiras “pérolas”, proferidas não apenas pelo Professor Doutor Evanildo Bechara como por outros que deste não desmerecem.

CongressoBrasilpinterest«Outros debates serão feitos, principalmente com os professores que, de acordo com o senador, estariam “chiando”. Isso porque os profissionais não foram chamados para a discussão. “Na verdade, ninguém foi ouvido. Esse acordo foi feito pela ABL, somente. Essa que é a grande revolta. Por isso, a comissão tem por obrigação trazer o problema e, democraticamente, discutir a questão. Não temos e nem é competência nossa dizer se haverá reforma”, avaliou. Segundo o senador, a instituição foi convidada diferentes vezes para o debate, mas nunca mandou representante.»

«Para Cyro Miranda, houve um despreparo no passado e o acordo foi feito a toque de caixa, sem o envolvimento da sociedade. Questionado sobre como promover o diálogo em um Brasil tão extenso, o tucano adiantou que pretende fazer comissões permanentes com coordenação para que as discussões abranjam todo o território nacional.»

Via www.jornalopcao.com.br

Língua Portuguesa

Senador Cyro Miranda avalia que acordo ortográfico não terá sucesso internacionalmente

23/10/2014 13h12 Por Marcello Dantas Edição 2050

Presidente de comissão do Senado responsável por analisar alterações, o goiano relata dificuldade do Brasil em compactuar mudanças com países lusófonos

O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o senador goiano Cyro Miranda (PSDB), defendeu que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa seja aprovado como está. Em entrevista ao Jornal Opção Online nesta quinta-feira (23/10), o tucano disse que a questão foi mal discutida, e que, inclusive, alguns países lusófonos que assinaram o acordo não se incorporaram às mudanças.

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TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão?

DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.

via Academia de Letras de Brasília: Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva.

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Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”

POR THAÍS NICOLETI

Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.

O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009, cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.

De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.

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Francisco José Viegas, o anjinho da procissão

O chamado acordo ortográfico (AO90) assentou em três ilusões: o “critério fonético” (traduzido na expressão “escrever como se fala”), a “simplificação” da ortografia para facilitar a aprendizagem e a uniformização ortográfica do mundo lusófono como meio de criar textos ortograficamente iguaizinhos.

Não foi necessário perder muito tempo a pensar para se chegar, rapidamente, à conclusão de que o “critério fonético” acabaria por impedir a criação de uma ortografia única, cuja inexistência, aliás, já estava patente no texto do AO90, em que se admite que ponto máximo a atingir será o da “aproximação ortográfica”, o que correspondeu a destapar de um lado e tapar do outro. Nada disto, no entanto, tem servido de impedimento para que pessoas investidas de autoridade continuem a mentir, anunciando um futuro em que deixará de haver versões diferentes do mesmo texto ou edições diversas do mesmo livro.

Defender a simplificação de qualquer conteúdo a fim de facilitar a aprendizagem é um logro que serve para desvalorizar a importância do esforço e faz parte de um programa facilitista que está na base, por sua vez, de um processo de desinvestimento na Educação. Ainda por cima, um sistema ortográfico mal concebido e, portanto, incoerente, é fonte de confusão e nunca será fácil de aprender.

Devido aos seus defeitos de concepção, e aliado a muitos outros problemas anteriores, o AO90 tem estado na origem de muitos erros. O Francisco Miguel Valada tem-se dedicado a mostrar uma ponta doiceberg, com factos e contactos a serem substituídos por fatos e contatos, sendo de destacar o surgimento de tais espécimes no Diário da República.

O movimento brasileiro Simplificando a ortografia é, no fundo, a consequência inevitável de se ter alimentado as três ilusões acima referidas. Para lá de todas as críticas que o dito movimento possa merecer, a verdade é que há ali uma coerência: se o AO90 pretendeu privilegiar o “critério fonético”, por que razão havemos de cortar o C de “acto” e manter, por exemplo, o H de homem, se as duas consoantes não são pronunciadas?

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«Provavelmente esta nova ideia luminosa agora apresentada por Pimentel y sus muchachos não foi apresentada para ser aprovada. A ideia por trás desta proposta deve ser a de apresentar uma alternativa tão disparatada e desprovida de toda a lógica que convença os até agora resistentes ao acordo a conformarem-se com ele e a aceitá-lo de uma vez pois a alternativa é tão estapafúrdia que se vêem obrigados a escolher o menor dos males.»
Olga Rodrigues (comentário no Facebook)


Afinal, este “AO2016” foi um simples “boato”, é uma ameaça real ou não passa de (mais uma) manobra de diversão?

Boato” é o que diz dele, por outras palavras, o senador Cyro Miranda, desmentindo assim o Senado de que faz parte e desmentindo-se até a si mesmo e aos seus pares.

Então, se era apenas um “boato”, já não é uma ameaça, certo?

Errado. É uma ameaça que faz parte de uma… manobra de diversão.

A táctica parece-me nisto evidente e é de resto utilizada amiúde no chamado “jogo político”: ameaçar com um “facto” horripilante iminente para tentar garantir a subsistência de um outro que, apesar de não menos horroroso, parecerá ainda assim bem menos assustador. Genericamente falando, trata-se de agitar um espantalho monstruoso, qual bicho-papão, para que as pessoas, como se fossem criancinhas, passem a ver com olhos mais condescendentes o monstro real que na verdade se pretende fazer passar.

No limite, permitirá esta táctica levar alguns a não apenas ver com condescendência o monstruoso AO90 como até a acolher-se à sua “proteção”. “Do mal, o menos”, não é o que se diz nestes casos?

É, é mesmo isso o que se diz. Mas diz-se mal.

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