ILC contra o Acordo Ortográfico

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jornaldamadeira_logoCarta aberta ao professor João Malaca Casteleiro

ARTIGO | | POR DUARTE AFONSO

No programa de televisão da TVI, conduzido pela jornalista Fátima Lopes, V. Exª aproveitou a nota explicativa para se dirigir a quem está contra o acordo de forma pouco elegante.

Disse V.Exª:
“É o primeiro acordo ortográfico em que aparece uma nota explicativa.
Não sei se aqueles que se opõem ao acordo ortográfico leram a nota explicativa que o acompanha.
A nota explicativa contém todas as explicações”.

Eu li e analisei o acordo ortográfico e a nota explicativa. Infelizmente cheguei à triste conclusão que o acordo é um monte de lixo. A nota explicativa é um hino à iliteracia.

V.Exª disse ainda que temos de ter uma ortografia comum; mas o acordo ortográfico que cozinharam nas costas do povo desmente-o, porque demonstra o contrário.

A língua inglesa nunca teve um acordo ortográfico, mas mantem-se como a principal língua de referência.

Ao longo do tempo, sempre foram feitos ajustamentos na nossa língua, mas foram feitos com rigor e inteligência por especialistas competentes, e não com acordos inúteis nem com leis abusivas.

O Estado não tinha nem tem o direito de legislar sobre matérias que dele não dependem nem lhe competem. A língua é do povo, não lhe pertence, por isso não tinha o direito de se meter onde não é chamado.

O português proveio do latim popular. Era o latim que os soldados, os funcionários, os trabalhadores, e os comerciantes falavam, quando os romanos invadiram a Península Ibérica. O nosso povo foi-se afeiçoando a ela, modificando-a de harmonia com factores geográfico-sociológicos e tornou-a numa das línguas mais ricas do mundo.

A palavra chuva veio do latim popular (pluvia). Foi o nosso povo que a transformou no que é hoje. A palavra agulha a mesma coisa, veio do latim (acucula) etc.

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Pelo contrário

2 comentários

shirt1Esta peça do jornal “i” de hoje, 28 de Maio de 2015, não é uma notícia, não é uma crónica, não é artigo de fundo, investigação jornalística, repositório técnico, recensão histórica ou mero relato seja do que for. Por exclusão de partes é, portanto, um simples artigo de opinião. A começar pelo título e pelo “lead” (ou sub-título, neste caso) e a terminar no “elenco” escolhido pela autora para ilustrar a sua opinião sobre a matéria, nada, absolutamente nada nesta peça ultrapassa o âmbito restrito, altamente discutível, da mais elementar perspectiva pessoal.

Esta pessoa acha que “estes são os homens que defendem o Acordo Ortográfico”. Pois bem, muita gente tem uma opinião (fundamentada) rigorosamente inversa: estes são (alguns dos) homens (e mulheres) que pretendem impor o acordo ortográfico. Esta pessoa considera que “o objectivo do acordo é a unificação de duas grandes línguas”? Mas então, vejamos, essa afirmação é de tal forma absurda que nem vale a pena desmontá-la!

E assim por diante, lá vai o arrazoado (digamos) a galope, de freio nos dentes, despedindo rijos coices opinativos de roda, ele é “defender o futuro da língua”, ele é a “projecção no planeta”, ele é é “tu cá tu lá” com não sei quê, ele é a suprema patranha de que “vêem finalmente o AO em vigor“, em suma, isto ele é um festival de patadas a torto e a direito: na verdade, nos factos, no mais básico senso comum.

Aqui fica, portanto, esta espectacular demonstração de como nem tudo o que sai num jornal é jornalismo, por um lado, e também de que, por outro lado, todos os portugueses têm pelo menos um direito protegido pela nossa Lei Fundamental, isto é, o direito de opinião que decorre da Liberdade de expressão e informação. Sendo que esta implica, obviamente, o direito ao chamado “contraditório”.

Que aqui fica também.

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Estes são os homens que defendem o Acordo Ortográfico

O objectivo do acordo é a unificação de duas grandes línguas
Melissa Lopes
28/05/2015 11:00:00

Acreditam que estão a defender o futuro da língua portuguesa. Estarão? Ao defender AO, acreditam que estão a proteger o futuro do idioma português e a assegurar a sua projecção no planeta. Têm uma relação “tu cá tu lá” com o estudo da língua portuguesa: são professores universitários, ensaístas e linguistas. Apesar das controvérsias, vêem finalmente o AO em vigor, desde o passado dia 13 de Maio.

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Malaca Casteleiro
João Malaca Casteleiro, nascido em Teixoso (Covilhã), a 29 de Agosto de 1936, licenciou-se em Filologia Românica, em 1961. Doutorou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1979, com uma dissertação sobre a Sintaxe da língua portuguesa, onde é professor catedrático desde 1981. É membro da Academia das Ciências de Lisboa e foi o principal responsável na elaboração do Novo Acordo Ortográfico de 1990, aprovado em Outubro e Dezembro desse ano em reuniões em Lisboa, com a participação de representantes dos sete países lusófonos de então, acordo esse que apenas entrou em vigor este ano. É ainda Investigador do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, integrando-se no grupo “Multiculturalismo e Lusofonia de Política de Língua Portuguesa”.

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logotipojornaliAna Markl
16/05/2015 08:00:00

Eu e a língua

Muitas pessoas acham que corrigir os outros é uma forma de humilhação.

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Sinto que, com esta história mal contada do novo acordo ortográfico, a Edite Estrela dentro de mim deixou de brilhar. Sempre fui uma defensora apaixonada da língua, protegi com a minha vida a gramática dos pontapés dos “haviam” e de outros inimigos. Muitas pessoas acham que corrigir os outros é uma forma de humilhação. Eu sempre achei que, desde que não houvesse cagança, era um acto de amor.

E agora vejo a ortografia virar-se contra mim desta maneira, como num twist de filme de super-heróis. E quem se revela um dos meus arqui-inimigos? Malaca Casteleiro, o meu professor de Sintaxe e Semântica do Português na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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Neste “debate”, emitido pela RDP – Antena 1 no dia 3 de Maio 2015 (com repetição no Domingo seguinte), a escritora Teolinda Gersão confronta o chamado “pai” do “acordo ortográfico”, Malaca Casteleiro. Visto que se trata de um “debate”, com inúmeras interrupções de parte a parte, transcrevemos em formato de entrevista apenas as intervenções de Teolinda Gersão. Os “links” e destaques são, obviamente, de nossa responsabilidade.

 

RDP: Teolinda Gersão, olhando a Língua nesta perspectiva história e evolutiva: crê que há necessidade, que havia necessidade, de a legislar? De a modificar através de Lei?

Teolinda Gersão: Obviamente que não e eu devo dizer que estou totalmente em desacordo com esta tentativa de uniformização porque ela é completamente impossível, nunca vai acontecer — e são os próprios brasileiros que o dizem. Eu estava a ouvir o Malaca Casteleiro e parecia-me que estava a ouvir um tratado de um académico, portanto, algo que pertence às academias mas que não está ligado à vida real. E eu vou falar em nome da vida real e do meu conhecimento, obviamente da Língua Portuguesa, mas também da variante brasileira porque a conheço muito bem, vivi dois anos em São Paulo, tenho imensos amigos brasileiros, aprendi a escrever Português lendo também autores brasileiros como Machado de Assis, por exemplo, ou Guimarães Rosa ou Drummond de Andrade ou quaisquer outros…

RDP: E leu nas versões brasileiras.

TG: Nas versões brasileiras. E em casa, desde criança que me explicavam “ah, no Brasil diz-se assim”. “Esta palavra” (por exemplo, “Ipê“) “não existe cá, é uma árvore que eles têm lá”. Explicavam-me e eu andava para a frente. E tropeçava na sintaxe, via que a gramática era diferente, a construção da frase era diferente, mas diziam-me “lá eles dizem assim, nós dizemos de outra maneira” e isso não me fazia confusão nenhuma…

RDP: Léxico e sintaxe. E a ortografia…

TG: A ortografia é um pormenor. O importante é o léxico e a sintaxe. E nunca vamos chegar a acordo nenhum. E mesmo na ortografia também não. Eu estava a ouvir tudo isto e estava a pensar: um acordo que se tenta fazer, no fundo, há cem anos, praticamente, e que não se consegue fazer, tem alguma coisa de errado na base. Porque se em ’45 os brasileiros não o aceitaram e “mandaram para o espaço” o que nós tínhamos pensado e não o puseram em prática — estavam no seu direito e fizeram eles muito bem — não queriam reintroduzir consoantes que já não pronunciavam. Nós temos o mesmo direito de agora não cortar consoantes que pronunciamos ou outras que são etimológicas. Não podemos rasurar a etimologia. Obviamente que o Brasil é um país muito jovem, a independência é em 1822, portanto é no séc. XIX, estamos quase, ainda, vizinhos dessa data e é um país onde nunca houve, nem haverá, uma única ruína romana, obviamente. Roma não lhes diz nada e o latim não lhes diz nada. E o Brasil é produto de uma fusão enorme de Línguas de emigrantes que para lá foram. A maioria foi portuguesa, obviamente, mas havia os indígenas e depois nós…

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senzala

Apesar de se disfarçar com retórica sedutora e um falso universalismo, Agualusa usa este texto para mais uma vez desancar nos e insultar os portugueses em geral e os detractores do acordo ortográfico em particular. Novamente temos a acusação de que os portugueses rejeitam o AO por nacionalismo/xenofobia (como se não houvesse detractores no Brasil e em Angola e Moçambique, o que ele finge ignorar), em linha com as crítica de que os “portugueses são casmurros” que ouvi a semana passada num evento na FLUL para discutir o AO.

Temos também a recusa dele em discutir o AO como um assunto político que continua a suscitar muitas dúvidas, e o branqueamento de incontáveis pareceres técnicos (inclusive um do Ministério da Educação) que contestaram o acordo; continua a escamotear o facto de o governo apoiar o AO com base num parecer técnico criado por um dos inventores do AO, Malaca Casteleiro (o que põe em causa a sua parcialidade).

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publicoEditorial

Os pressupostos falhados do acordo ortográfico

O acordo ortográfico não unificou a escrita nem abriu um mercado único de edições. Serviu para quê?

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Reacendeu-se na passada semana, por via de um encontro na Faculdade de Letras e de uma moção aí aprovada, a querela ortográfica nacional. Querela que, a bem da verdade, nunca realmente se extinguiu.

O PÚBLICO, nascido no mesmo ano que é atribuído ao chamado Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vulgo AO90, partilhou-a ao longo destes 25 anos assumindo uma posição clara, rejeitando a sua aplicação. Fê-lo logo em 1991, quando o seu primeiro director (e fundador) Vicente Jorge Silva assinou um texto conjunto com directores de outras publicações (como Miguel Esteves Cardoso e Miguel Sousa Tavares, numa iniciativa incentivada por Vasco Graça Moura) onde se referia que nas publicações que dirigiam o AO90 não seria aplicado. Passado um quarto de século, é legítimo perguntar se tal posição faz, ainda hoje, sentido.

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orwellcontrolA minha identidade

João Malaca Casteleiro aproveitou uma aberta na sua tournée mundial “em prol” da Língua Portuguesa e marcou presença no programa “A Tarde é Sua”, na TVI.

Logo na intervenção de abertura, mostrou ao que vinha: “o Acordo Ortográfico põe fim a uma guerra que dura há mais de cem anos”.

É certo que a reforma ortográfica de 1911 era desnecessária. No entanto, passados tantos anos, a “guerra” de que fala Malaca Casteleiro é um delírio que já só existe na cabeça de alguns iluminados. Para a esmagadora maioria dos falantes de Português no mundo, as diferenças estão mais do que incorporadas e são objecto não de quezília mas de prazenteiro diálogo entre portugueses, brasileiros, angolanos e demais países da CPLP.

Assim, para acabar com uma guerra que não existia, Malaca Casteleiro não teve qualquer problema em começar outra — esta, sim, bem real. É uma autêntica guerra civil, que se trava no nosso país. As notícias da frente de batalha chegam-nos todos os dias através do índice cAOs, alojado nestas páginas, e não deixam dúvidas: o Português Europeu está a ser massacrado.

Como sempre dissémos, unificar a ortografia ao fim de tantos anos é missão impossível. Criaram-se milhares de palavras diferentes, em que o AO não toca, e que continuarão a ser efectivamente diferentes dentro e fora do Brasil: desporto/esporte, camião/caminhão, monitorização/monitoração, etc., etc., etc. O próprio AO acrescenta palavras a esta lista, ao grafar agora de forma diferente palavras que sempre se escreveram da mesma maneira.

O AO também não toca nos casos em que as palavras até existem nos dois lados do Atlântico, mas a primeira escolha é invariavelmente diferente para os brasileiros e para os restantes países da CPLP: trem/comboio, usuário/utilizador, aplicativo/aplicação, suco/sumo, tela/écran, etc., etc. A incidência destes casos será porventura ainda maior do que os de dupla grafia referidos anteriormente.

Considere-se-se ainda a lista de palavras cujo significado difere consoante o país: camisa, bicha, terno, banheiro, bilheteira, cadastro…

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tvi_atarde

… Ou, dito de outra forma talvez mais correcta, receou-me. No passado dia 6 de Março, no programa «A Tarde é Sua», de Fátima Lopes, realizou-se um debate sobre o «acordo ortográfico de 1990» que contou com as participações de João Malaca Casteleiro (a favor), «linguista» e um dos principais «autores (i)morais» do «desacordo», e de António Chagas Baptista (contra), da (Direcção da) Associação Portuguesa de Tradutores. Porém, era eu quem deveria ter participado, enquanto opositor ao AO90, no espaço da Televisão Independente…

… Porque a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi contactada e convidada pela equipa do «A Tarde é Sua» para se fazer representar na emissão daquela data. Em mensagem enviada a 2 de Março à ILCAO, Pedro Quaresma, jornalista da «redação» daquele programa, informava que este «conta, às sextas-feiras, com uma parte mais informativa (entre as 19h00 e as 20h00), que procura discutir e debater temas fra(c)turantes da a(c)tual sociedade portuguesa. Nas últimas semanas, abordámos assuntos tão diversos como o consumo de álcool entre os jovens, a eutanásia, a maternidade de substituição ou a legalização da prostituição, entre outros. Já contámos, neste espaço, com a participação de pessoas de vários quadrantes, nomeadamente deputados, juristas, médicos ou filósofos, entre outros. Na próxima sexta-feira, dia 06 de Março, propomo-nos falar de uma temática à qual os senhores não estarão, por certo, alheios: o acordo ortográfico. Parece-nos pertinente debater este assunto em horário nobre (antes do Jornal das 8 de sexta-feira, um dos programa mais vistos de toda a grelha semanal de televisão), pelo que seria para nós muito prestigiante contar com a participação de um elemento da ILC neste excerto do programa, que terá um formato de debate. A conversa será moderada pela apresentadora, encontrando-nos a(c)tualmente a desenvolver diligências para ter em estúdio uma pessoa que defenda este acordo ortográfico. Assim, gostaríamos de formular-lhes um convite para estar presente no programa “A Tarde é Sua” na próxima sexta-feira, 06 de Março, entre as 18h30 e as 20h00. Em caso de resposta afirmativa, solicito também que nos facultem um contacto telefónico pois seria importante falar antecipadamente, de modo a combinar alguns pormenores da vinda ao programa. Por motivos de planeamento do programa em questão, solicito uma resposta tão breve quanto possível, de preferência até ao final do dia de amanhã.»

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Publico-20150315Acordo Ortográfico de 1990: o regresso das falácias convenientes

Francisco Miguel Valada

Os próprios poderes públicos que estão na génese do AO90 demonstram a falácia da “ortografia comum”.

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…é confundir a arca do dilúvio com uma pipa apocalíptica

GNR, O Paciente (Psicopátria, 1986)

Em debate na TVI moderado por Fátima Lopes – e com António Chagas Baptista a atacar de forma muito competente o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) –, João Malaca Casteleiro apresentou três “razões essenciais” para justificar a pertinência do instrumento em apreço: razão histórica, razão linguística e razão política. São razões facilmente rebatidas em meia dúzia de linhas: do ponto de vista histórico, a demanda do Preste João ou andar aos gambozinos (citando J. M. Casteleiro: “conseguir chegar a uma ortografia comum”) nunca significou que o reino do Preste ou os gambozinos existissem e, do ponto de vista político, está por provar o benefício para a língua portuguesa da criação em Portugal da palavra ‘perspetiva’ (sic), substituta da ‘perspectiva’ mantida no Brasil.

J. M. Casteleiro considera que agora existe uma “ortografia comum”. Em Outubro do ano passado, introduzi no conversor Lince do ILTEC os programas políticos dos três candidatos à presidência do Brasil e obtive, entre outros, os seguintes resultados: “aspecto convertido para aspeto”; “concepção convertido para conceção”; “confecções convertido para confeções”; “excepcionais convertido para excecionais”; “facções convertido para fações”; “infecciosas convertido para infeciosas”; “percepção convertido para perceção”; “perspectiva convertido para perspetiva”; “recepção convertido para receção”; “receptiva convertido para recetiva”; “receptividade convertido para recetividade“; “receptor convertido para recetor”; “respectivamente convertido para respetivamente”; “respectivas convertido para respetivas”; “ruptura convertido para rutura”.

Ou seja, se quiser escrever ‘aspecto’, ‘concepção’, ‘confecções’, ‘excepcionais’, ‘facções’, ‘infecciosas’, ‘percepção’, ‘perspectiva’, ‘recepção’, ‘receptiva’, ‘receptividade’, ‘receptor’, ‘respectivamente’ ou ‘ruptura’, o AO90 não me permite tais veleidades, porque sou falante e escrevente de português europeu, mas um falante e escrevente de português do Brasil pode continuar a fazê-lo. Um dos resultados tangíveis da “ortografia comum” anunciada por J. M. Casteleiro encontra-se patente em dois textos publicados recentemente e com inegável importância política. No prefácio do livro Roteiros IX, Cavaco Silva escreve “perspetiva de ligação”, “aspetos essenciais” e “respetivos líderes políticos”. Contudo, na Mensagem ao Congresso Nacional (o documento que inaugura oficialmente o ano legislativo no Brasil), podemos ler “perspectiva de redução de custos”, “diversos aspectos da previdência complementar” e “respectivos sistemas estaduais de cultura”. Efectivamente, os próprios poderes públicos que estão na génese do AO90 demonstram a falácia da “ortografia comum”.

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Conforme aqui divulgámos previamente, António Chagas Baptista, da “Associação Portuguesa de Tradutores“, esteve no programa da TVI “A Tarde É Sua” do dia 6 de Março de 2015.

Tema: “Novo Acordo Ortográfico: sim ou não?”

Pelo “sim”, é claro, esteve Malaca Casteleiro.