ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em duplas grafias

Já antes tínhamos ficado a saber que existem cerca de 69 300 duplas grafias na base-de-dados oficial do “acordo ortográfico”, a MorDebe.

Porém, destas, até agora era praticamente impossível apurar quantas são novas, ou seja, aquelas que – por mais inacreditável que isso possa parecer – foram geradas pelo mesmíssimo “acordo” que pretende “uniformizar a língua” e, portanto, abolir duplas grafias.

Mas afinal é muito fácil saber a resposta e esta pode ser obtida por qualquer pessoa com uma simples pesquisa no dicionário online da Priberam; basta usar como critério de busca a expressão que distingue as novas duplas grafias das outras: “Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990”.

É só experimentar esta pesquisa, portanto: http://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&lr=&biw=1024&bih=655&q=%22Dupla+grafia+pelo+Acordo+Ortogr%C3%A1fico+de+1990%22+site%3Ahttp%3A%2F%2Fwww.priberam.pt%2Fdlpo%2F&oq=%22Dupla+grafia+pelo+Acordo+Ortogr%C3%A1fico+de+1990%22+site%3Ahttp%3A%2F%2Fwww.priberam.pt%2Fdlpo%2F&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=e&gs_upl=806454l807959l0l809347l5l5l0l4l0l0l170l170l0.1l1l0

No momento em que este “post” foi publicado o resultado era de 2 290 (duas mil duzentas e noventa) novas duplas grafias. Reitere-se o facto, para que fique bem claro: o mesmo “acordo ortográfico” que tinha por finalidade “uniformizar a língua” e “abolir duplas grafias” não apenas conserva mais de 60 000 (em 200 mil) como cria cerca de 2 300 duplas grafias que antes não existiam.

É esta, em suma, a “maravilhosa língua unificada” que nos querem impingir e que alguns, contra todas as evidências, persistem em considerar como “Português universal”.

Para o caso de algo suceder ao site, ao critério de pesquisa ou aos resultados agora obtidos (são coisas que acontecem, digamos), fica aqui uma cópia em imagem da busca hoje efectuada: https://ilcao.cedilha.net/wp-content/uploads/2011/08/priberamN2G-300×225.jpg

imagem guardada em 05.02.11

click para ampliar

Visto que têm surgido dúvidas sobre o montante total de duplas grafias previstas no “acordo ortográfico” e porque alguns desses resultados parecem estar a “desaparecer”, diminuindo progressivamente aquele total nas buscas Google, esta é a imagem da pesquisa tal como aparecia no passado dia 5 de Fevereiro do ano corrente.

69 000 de 210 000 são 33%, ou seja, 1/3 do total de entradas (lemas) da MorDebe. São estes os números redondos da “maravilhosa língua unificada”.

E está ainda por apurar, ao certo, quantas destas duplas grafias não existiam antes da “maravilhosa unificação” e que foram, por conseguinte, integralmente inventadas pelo mesmíssimo “acordo” que serviria para as eliminar.

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O bicho

Afonso Reis Cabral
9/6/2015, 8:07

Eu sei. Repudiar o bicho já cansa. Mas é preciso fazê-lo, sob pena de o bicho nos repudiar a nós. Neste momento cabe uma ressalva para que o retrato fique mais claro. Esquecia-me de esclarecer. Claro.

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Tudo se disse sobre o bicho. Todos bateram no bicho. O bicho foi ridicularizado, denunciado, acossado. Só não lhe espetaram uma faca porque não o encontraram sozinho num beco sem saída. Tornou-se um pária. Apesar disto, por incrível que pareça, não esquecendo os muitos defeitos e erros do bicho, precisamos de lhe gabar a resiliência: não só ainda não morreu, como se alojou bem impertinente na língua, um dos nossos locais mas íntimos. E aí vive como uma afta.

Nasceu já aleijadinho, resultado da soma de ideias erradas, ao estilo do monstro de Frankenstein (partes enjeitadas de corpos diferentes). Tinha tudo para correr mal, e de facto correu, ainda corre, e há-de correr.

Se fosse bicho de estimação – é-o apenas para uns quantos –, teria a desculpa da estima, descontando a parte do bicho. Acontece que, quando nos deparamos com ele, sentimos repulsa, não o queremos em casa. Preferimos mantê-lo distante, no máximo deitado à porta, como lembrança dos erros cometidos.

Talvez conseguíssemos adoptá-lo, ainda que seja repelente como um gato sem pêlo, se cumprisse a missão a que se propôs: unir a família. Mas a família nunca esteve desunida, mesmo usando grafias diferentes. Simplesmente trata-se disso mesmo, de uma família: entidades distintas partilhando o sangue à sua maneira.

Eu sei. Repudiar o bicho já cansa. Mas é preciso fazê-lo, sob pena de o bicho nos repudiar a nós. Neste momento cabe uma ressalva para que o retrato fique mais claro. Esquecia-me de esclarecer. Claro que «bicho» é a designação correcta para o malogro que dá pelo nome de Acordo Ortográfico.

Quero apenas realçar os traços da fisionomia do bicho que considero mais aberrantes.

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SAPOnoticiasDiscussão sobre o novo Acordo Ortográfico ignorou países africanos, diz linguista

O linguista moçambicano Feliciano Chimbutane defendeu que a discussão sobre o novo Acordo Ortográfico nos países lusófonos foi bipolarizada, considerando que o debate foi dominado por Portugal e Brasil, ignorando os outros países falantes de língua portuguesa.

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“O grande problema sobre o Acordo Ortográfico reside no facto de que, inicialmente, disse respeito a Portugal e Brasil apenas e as outras nações foram simplesmente levadas na trela. Não houve atenção de integrar as preocupações das outras nações”, disse à agência de notícias Lusa o professor de linguística da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, a maior de Moçambique.

Para o investigador moçambicano, as intenções do novo Acordo Ortográfico “são boas”, na medida em que é importante que se aglutinem as várias formas existentes, procurando uma uniformização da escrita na língua portuguesa.

“A escrita é resultado de uma convenção, as pessoas sentam-se e decidem como deve ser a escrita”, afirmou Feliciano Chimbutane.

Por seu turno, a especialista em línguas Fátima Ribeiro considera que a questão do novo Acordo Ortográfico não possui nenhuma relevância para Moçambique, na medida em que o país ainda tem muitos problemas que deviam constituir prioridades.

“Nós não temos capacidade financeira para aplicar tudo aquilo que a adesão ao Acordo Ortográfico implica, por exemplo, a questão da revisão dos livros escolares, a formação dos professores e dos próprios jornalistas”, afirmou Fátima Ribeiro.

Para a especialista, o Acordo Ortográfico não atingiu o seu principal objectivo, que era o de uniformizar a escrita entre Portugal, Brasil e os outros países falantes de língua portuguesa.

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Pelo contrário

2 comentários

shirt1Esta peça do jornal “i” de hoje, 28 de Maio de 2015, não é uma notícia, não é uma crónica, não é artigo de fundo, investigação jornalística, repositório técnico, recensão histórica ou mero relato seja do que for. Por exclusão de partes é, portanto, um simples artigo de opinião. A começar pelo título e pelo “lead” (ou sub-título, neste caso) e a terminar no “elenco” escolhido pela autora para ilustrar a sua opinião sobre a matéria, nada, absolutamente nada nesta peça ultrapassa o âmbito restrito, altamente discutível, da mais elementar perspectiva pessoal.

Esta pessoa acha que “estes são os homens que defendem o Acordo Ortográfico”. Pois bem, muita gente tem uma opinião (fundamentada) rigorosamente inversa: estes são (alguns dos) homens (e mulheres) que pretendem impor o acordo ortográfico. Esta pessoa considera que “o objectivo do acordo é a unificação de duas grandes línguas”? Mas então, vejamos, essa afirmação é de tal forma absurda que nem vale a pena desmontá-la!

E assim por diante, lá vai o arrazoado (digamos) a galope, de freio nos dentes, despedindo rijos coices opinativos de roda, ele é “defender o futuro da língua”, ele é a “projecção no planeta”, ele é é “tu cá tu lá” com não sei quê, ele é a suprema patranha de que “vêem finalmente o AO em vigor“, em suma, isto ele é um festival de patadas a torto e a direito: na verdade, nos factos, no mais básico senso comum.

Aqui fica, portanto, esta espectacular demonstração de como nem tudo o que sai num jornal é jornalismo, por um lado, e também de que, por outro lado, todos os portugueses têm pelo menos um direito protegido pela nossa Lei Fundamental, isto é, o direito de opinião que decorre da Liberdade de expressão e informação. Sendo que esta implica, obviamente, o direito ao chamado “contraditório”.

Que aqui fica também.

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Estes são os homens que defendem o Acordo Ortográfico

O objectivo do acordo é a unificação de duas grandes línguas
Melissa Lopes
28/05/2015 11:00:00

Acreditam que estão a defender o futuro da língua portuguesa. Estarão? Ao defender AO, acreditam que estão a proteger o futuro do idioma português e a assegurar a sua projecção no planeta. Têm uma relação “tu cá tu lá” com o estudo da língua portuguesa: são professores universitários, ensaístas e linguistas. Apesar das controvérsias, vêem finalmente o AO em vigor, desde o passado dia 13 de Maio.

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Malaca Casteleiro
João Malaca Casteleiro, nascido em Teixoso (Covilhã), a 29 de Agosto de 1936, licenciou-se em Filologia Românica, em 1961. Doutorou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1979, com uma dissertação sobre a Sintaxe da língua portuguesa, onde é professor catedrático desde 1981. É membro da Academia das Ciências de Lisboa e foi o principal responsável na elaboração do Novo Acordo Ortográfico de 1990, aprovado em Outubro e Dezembro desse ano em reuniões em Lisboa, com a participação de representantes dos sete países lusófonos de então, acordo esse que apenas entrou em vigor este ano. É ainda Investigador do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, integrando-se no grupo “Multiculturalismo e Lusofonia de Política de Língua Portuguesa”.

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angop_logo17 Maio de 2015 | 06h29 – Actualizado em 17 Maio de 2015 | 06h29

Benguela: Investigador diz que implementação do acordo ortográfico merece moratória

Benguela – A implementação do acordo ortográficos de 1990 deve merecer alguma moratória, na medida em que o país necessita aumentar as suas infra-estruturas e colocar todas as crianças no sistema normal de ensino, disse Sábado, em Benguela, o investigador em ciências de educação e assessor do ministro da Educação, Filipe N’Zau.

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Filipe N’Zau teceu essas considerações durante a conferência sobre a posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e seu impacto no contexto socio-económico, realizada em Benguela, no âmbito da V Feira Internacional que decorre nesta cidade de 13 a 17 deste mês.

O também coordenador adjunto da Comissão da posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 disse que, uma das implicações da inserção desta nova forma de escrever e falar, implicaria a formação de professores e de alunos, isto é, do ponto de vista educativo.

Segundo o prelector do workshop, do ponto de vista económico o governo gastaria com isto mais de 600 milhões de dólares (60 triliões de kwanzas) para a reprodução de manuais escolares em todos os níveis de ensino, sendo do ensino primário ao superior.

“Pede-se ponderação, porque o país precisa aumentar o número de infra-estruturas para albergar as mais de 300 mil crianças que se encontram fora do sistema normal de ensino”, referiu.

Fez saber que, até mesmo em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1990 também encontra prós e contras, por isso, outros aspectos a considerar são culturais, pois Angola possui várias línguas étnicas.

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publicoAnda por aí grande agitação por causa de uma notícia que dá o dia de hoje, 13 de Maio (por sinal aquele em que se celebram as primeiras aparições em Fátima), como o do fim do prazo de transição de seis anos do chamado Acordo Ortográfico de 1990. Ou seja: hoje, o país inteiro, se fosse bem comportado, deveria já estar todo a escrever com a ortografia daquilo a que alguns chamam “o português do século XXI”. Passando ao lado da discussão sobre a data exacta do fim do prazo de transição (…), a verdade é que em Portugal ele já é aplicado em grande parte da máquina do Estado e no ensino, optando a sociedade civil por escrever com ele ou contra ele. Vantagens visíveis? Nenhuma, além do caos gerado com facultatividades, duplas grafias e palavras que antes eram iguais em Portugal e no Brasil e agora, por “milagre” da “unificação”, passaram a escrever-se de forma diferente em cada um dos países. Não há edições comuns à lusofonia, como se propagandeou, continua a haver traduções distintas, filmes continuam e continuarão a ser legendados separadamente (assim manda o vocabulário), livros são “retocados” para ser editados em Portugal ou no Brasil e nada indica que isso se altere. O Brasil, cujo prazo para aplicação integral termina em Janeiro de 2016, já fala em rever o acordo. Angola e Moçambique adiam e esperam para ver, Cabo Verde aplica-o em parte mas sem convicção, Guiné e São Tomé queixam-se de falta de meios para o aplicar e Timor-Leste discute ainda a conveniência de ensinar e aprender o português. Língua que está, infelizmente, longe de ser encarada como “de trabalho” nas instâncias internacionais. Conclusão: todo o esforço acabou nisto. Uma deriva ortográfica inqualificável e regras que a política quis e quer impor, à força, à ciência. Neste cenário, ignorá-las-emos.

[Transcrição parcial do Editorial do jornal “Público” de 13.05.15. “Links” nossos.]

Neste “debate”, emitido pela RDP – Antena 1 no dia 3 de Maio 2015 (com repetição no Domingo seguinte), a escritora Teolinda Gersão confronta o chamado “pai” do “acordo ortográfico”, Malaca Casteleiro. Visto que se trata de um “debate”, com inúmeras interrupções de parte a parte, transcrevemos em formato de entrevista apenas as intervenções de Teolinda Gersão. Os “links” e destaques são, obviamente, de nossa responsabilidade.

 

RDP: Teolinda Gersão, olhando a Língua nesta perspectiva história e evolutiva: crê que há necessidade, que havia necessidade, de a legislar? De a modificar através de Lei?

Teolinda Gersão: Obviamente que não e eu devo dizer que estou totalmente em desacordo com esta tentativa de uniformização porque ela é completamente impossível, nunca vai acontecer — e são os próprios brasileiros que o dizem. Eu estava a ouvir o Malaca Casteleiro e parecia-me que estava a ouvir um tratado de um académico, portanto, algo que pertence às academias mas que não está ligado à vida real. E eu vou falar em nome da vida real e do meu conhecimento, obviamente da Língua Portuguesa, mas também da variante brasileira porque a conheço muito bem, vivi dois anos em São Paulo, tenho imensos amigos brasileiros, aprendi a escrever Português lendo também autores brasileiros como Machado de Assis, por exemplo, ou Guimarães Rosa ou Drummond de Andrade ou quaisquer outros…

RDP: E leu nas versões brasileiras.

TG: Nas versões brasileiras. E em casa, desde criança que me explicavam “ah, no Brasil diz-se assim”. “Esta palavra” (por exemplo, “Ipê“) “não existe cá, é uma árvore que eles têm lá”. Explicavam-me e eu andava para a frente. E tropeçava na sintaxe, via que a gramática era diferente, a construção da frase era diferente, mas diziam-me “lá eles dizem assim, nós dizemos de outra maneira” e isso não me fazia confusão nenhuma…

RDP: Léxico e sintaxe. E a ortografia…

TG: A ortografia é um pormenor. O importante é o léxico e a sintaxe. E nunca vamos chegar a acordo nenhum. E mesmo na ortografia também não. Eu estava a ouvir tudo isto e estava a pensar: um acordo que se tenta fazer, no fundo, há cem anos, praticamente, e que não se consegue fazer, tem alguma coisa de errado na base. Porque se em ’45 os brasileiros não o aceitaram e “mandaram para o espaço” o que nós tínhamos pensado e não o puseram em prática — estavam no seu direito e fizeram eles muito bem — não queriam reintroduzir consoantes que já não pronunciavam. Nós temos o mesmo direito de agora não cortar consoantes que pronunciamos ou outras que são etimológicas. Não podemos rasurar a etimologia. Obviamente que o Brasil é um país muito jovem, a independência é em 1822, portanto é no séc. XIX, estamos quase, ainda, vizinhos dessa data e é um país onde nunca houve, nem haverá, uma única ruína romana, obviamente. Roma não lhes diz nada e o latim não lhes diz nada. E o Brasil é produto de uma fusão enorme de Línguas de emigrantes que para lá foram. A maioria foi portuguesa, obviamente, mas havia os indígenas e depois nós…

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armasRPNesta gravação, Henrique Neto diz aquilo que pensa sobre o AO90. Se bem que refira também a tese da “revisão” do acordo como sendo algo de plausível, estamos sem qualquer dúvida perante um depoimento de inegável relevância política, visto tratar-se de um candidato à mais alta magistratura da Nação, a Presidência da República Portuguesa.

Esperemos que outros candidatos às próximas eleições presidenciais lhe sigam o exemplo e digam igualmente de sua justiça sobre um assunto que deverá, com toda a certeza, ser “de relevante interesse nacional” também para eles.


«O Acordo Ortográfico é um tema controverso e Henrique Neto tem também as suas dúvidas sobre a eficácia do mesmo!»
 

[transcrição]
A minha opinião relativamente ao acordo ortográfico nunca foi muito favorável. Porque a Língua, que deve unir as pessoas e os povos, no caso do acordo ortográfico contribuiu para alguma desunião que tem prevalecido e que tem sobrevivido na sociedade portuguesa e presumo também que noutros países de língua oficial portuguesa. Pela importância do tema, eu resolvi aproveitar este Dia Mundial do Livro para ler uma declaração que é a forma mais rigorosa de expressar a minha opinião sobre o acordo ortográfico. E portanto passaria a ler.

‘Neste Dia Mundial do Livro, quero chamar a atenção do país para a importância política, social, cultural e geo-estratégica da Língua Portuguesa. Trata-se de um património insubstituível, que não pode correr riscos experimentalistas ou facultativos como os que estão previstos no chamado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990”. Acordo que continua a merecer críticas generalizadas da comunidade científica e dos mais qualificados utentes do nosso idioma, incluindo poetas, escritores, professores, jornalistas e tradutores. E não apenas em Portugal; as reservas ao acordo multiplicam-se também nos diversos países e territórios onde o Português funciona como língua oficial e veicular.

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publicoEditorial

Os pressupostos falhados do acordo ortográfico

O acordo ortográfico não unificou a escrita nem abriu um mercado único de edições. Serviu para quê?

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Reacendeu-se na passada semana, por via de um encontro na Faculdade de Letras e de uma moção aí aprovada, a querela ortográfica nacional. Querela que, a bem da verdade, nunca realmente se extinguiu.

O PÚBLICO, nascido no mesmo ano que é atribuído ao chamado Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vulgo AO90, partilhou-a ao longo destes 25 anos assumindo uma posição clara, rejeitando a sua aplicação. Fê-lo logo em 1991, quando o seu primeiro director (e fundador) Vicente Jorge Silva assinou um texto conjunto com directores de outras publicações (como Miguel Esteves Cardoso e Miguel Sousa Tavares, numa iniciativa incentivada por Vasco Graça Moura) onde se referia que nas publicações que dirigiam o AO90 não seria aplicado. Passado um quarto de século, é legítimo perguntar se tal posição faz, ainda hoje, sentido.

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