ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em exames nacionais

Há resistências de algumas pessoas, e não são muitas, que têm uma relação emocional, clássica, física e sensorial com a Língua. Mas ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas. O Acordo é uma simplificação da Língua.
José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, in semanário “Expresso“, 19.08.08.

 

publicoAcordo Ortográfico dá “probabilidade” de perda de um valor nos exames

Nova nota do Iave reitera que houve um período de transição, mas também não nega que regras admitem uma penalização que pode chegar aos quatro valores em 20.

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O Instituto de Avaliação Educativa (Iave) reitera que o acordo ortográfico é mesmo para ser respeitado nas provas e exames nacionais deste ano lectivo. No entanto, o organismo que sucedeu ao Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) assegura que quem não respeite as novas regras apenas incorre numa “probabilidade de desvalorização por erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia” de um valor em 20 – mas não nega que está prevista uma desvalorização que pode chegar aos quatro valores.

Numa nota intitulada “Acordo Ortográfico e Avaliação Externa”, o Iave sublinha que o acordo ortográfico “se constitui como norma para o Governo e para todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo” e lembra que uma resolução do Conselho de Ministros de 21 de Janeiro de 2011 “determinou a sua aplicação ao sistema educativo no ano lectivo de 2011/2012”.

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requerimentoCDS0415

Ex. ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

Considerando que:

– O Segundo Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
(AO90) foi ratificado por Portugal em 2008, encontrando-se em vigor desde 2009 (com um período de transição até 2015) e implementado nos documentos oficiais e no sistema educativo, assim como em inúmeras publicações;

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requerimentoPSD0315

Assunto: Aplicação do Acordo Ortográfico nos exames nacionais
Destinatário: Min. da Educação e Ciência

 

Ex. ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

Excelência:

Correm notícias alarmantes sobre a imposição de fortes penalizações aos alunos em cujas provas de exames nacionais não seja rigorosamente aplicada a grafia imposta pelo sinistro Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90).

Entre professores, alunos e famílias vai uma grande indignação pois muitos jovens a examinar começaram a sua aprendizagem com a língua materna sujeita a umas certas regras de grafia e depois foram perturbados com alterações aberrantes, impostas à força por um grupo fundamentalista, que instrumentalizou o poder do Estado não se sabe como…

Certo é que entre os escritores e largas franjas do professorado, para não falar já da população em geral, continua a verificar-se forte rejeição daquilo que é visto como destruição da língua portuguesa, sem qualquer razão nem benefício prático, como já comprovámos nas respostas obtidas — ou negadas… — às nossas insistentes perguntas parlamentares sobre tão candente matéria.

Na Região Autónoma dos Açores mais se justifica a indignação, porque o repúdio do AO é muito intenso.

Nestes termos, os Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma dos Açores, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição e do Regimento formulam ao Governo, através do Ministro da Educação e Ciência, as seguintes perguntas:
a) Confirma o Governo que na correcção das provas de exames nacionais do secundário vão ser marcados erros de ortografia e aplicadas penalizações a grafias diferentes daquela que impõe o AO 90?
b) Tal medida vai ser aplicada também nos outros graus de ensino, incluindo o universitário?
c) Como vai recrutar o Governo os docentes encarregados de corrigir as provas, sendo certo que muitos são verdadeiros objectores de consciência contra o AO 90?
d) Como pode o Governo garantir uniformidade de critérios face às delirantes “facultividades” incluídas no dito AO 90?
e) Vai o Governo impor, centralística e autoritariamente, a aplicação do dito AO 90 nos exames a realizar na Região Autónoma dos Açores, sendo certo que o respectivo sistema de ensino está há décadas regionalizado?

Palácio de São Bento, sexta-feira, 13 de Março de 2015

Deputado(a)s
MOTA AMARAL(PSD)
JOAQUIM PONTE(PSD)
LÍDIA BULCÃO(PSD

[Transcrição de documento publicado no “site” da Assembleia da República em 18.03.15. Os “links” e destaques são nossos.]

«No presente ano letivosic, na classificação das provas, apenas será considerada corretasic a grafia que seguir o que se encontra previsto no Acordo Ortográfico de 1990 (atualmentesic em vigor).»

«Valorização dos domínios: III – Expressão Escrita – 50»

[Extractos de documento do IAVE – Instituto de Avaliação Educativa: “Informação – Exame Final Nacional – Português – Prova 639 – 2015 – 12.º Ano de Escolaridade”.]

 

publicoAcordo Ortográfico e exames: Iave preocupado com “alarme social”

O Iave admite que um aluno pode perder até quatro valores (em 20) por “factores de incorrecção linguística”, como erros ortográficos, mas afirma que, “em termos médios, a probabilidade de desvalorização” devido ao uso da antiga grafia é de 0,6 pontos em 200.

O conselho directivo do Instituto de Avaliação Educativa (Iave) criticou nesta quinta-feira notícias e artigos de opinião sobre eventuais consequências da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 nas notas finais dos exames do 9.º e do 12.º anos, “pelo alarme social e instabilidade que poderão provocar nos alunos e nas suas famílias”. O Iave admite que um aluno pode perder até quatro valores (em 20) por “factores de incorrecção linguística”, como erros ortográficos, mas afirma que, “em termos médios, a probabilidade de desvalorização (…) devido ao uso da antiga grafia é de 0,6 pontos em 200”.

O conselho directivo do Iave pronunciou-se sobre a questão num comunicado, em que considera que os artigos publicados nesta quinta-feira e nos últimos dias sobre o AO, que apontam para a possibilidade de desvalorização de vários pontos, nos exames, devido a erros ortográficos, “evidenciam um profundo, mas muito grave, desconhecimento dos critérios de classificação da prova, os quais irão replicar, no essencial, os vigentes em anos anteriores”.

Segundo escreve, “nos critérios específicos de avaliação da prova de exame estão previstos descontos” “por aplicação de factores de desvalorização no domínio da correcção linguística até um máximo de 40 pontos,” ou seja, quatro valores em 20. “Dependendo da natureza de cada erro (ortografia, sintaxe, morfologia, impropriedade lexical), os descontos a aplicar podem corresponder a uma desvalorização de um ou de dois pontos por erro (em 200 pontos)”. Isto significa que um aluno que dê 20 ou 40 erros ortográficos diferentes no exame poderá ser penalizado até 40 pontos (em 200), ou seja, em quatro valores (num total de 20).

A argumentação do Iave prossegue com a nota de que “o erro de ortografia diz respeito a apenas um dos diversos factores de desvalorização previstos, dando origem ao desconto de um ponto”. Faz notar, assim, que os erros de sintaxe, de morfologia, ou relacionados com a impropriedade lexical também entram no conjunto de incorrecções que podem dar origem à penalização em 40 pontos ou quatro valores.

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torredebabel«By destroying the words themselves, the state would be able to destroy the concepts they represented.»
George Orwell, “1984”

«Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.»
Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), 2 de Setembro de 2009, “Diário Digital”.

Há resistências de algumas pessoas, e não são muitas, que têm uma relação emocional, clássica, física e sensorial com a Língua. Mas ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas. O Acordo é uma simplificação da Língua.
José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, in semanário “Expresso“, 19.08.08.

publico

Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 nos exames preocupa professores e alunos

Há um grupo activo de docentes, no Facebook, a pedir que este ano ainda sejam admitidas ambas as grafias, o que também é reclamado pelos alunos numa petição pública. Mas a presidente da Associação de Professores de Português não concorda.

Os professores que estão contra a aplicação do Acordo Ortográfico (AO) de 1990 nos exames do 9.º e do 12.º ano pretendem “bombardear” o Ministério da Educação e Ciência (MEC) com cartas e mensagens, pedindo que aqueles ainda possam, este ano, usar a grafia de 1945. Mas a questão não é pacífica. A presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Ferreira, não só discorda como afirma que “muitos” docentes “prejudicaram seriamente os seus alunos por não terem cumprido em devido tempo as determinações do MEC”.

Um aluno que não domine a nova ortografia e escreva “efectiva” em vez de “efetiva, “pára” em vez de “para” ou “acção” em vez de “ação” por exemplo, pode perder “entre quatro a cinco valores em 20, segundo a presidente da APP. O que, admite Edviges Ferreira, tem consequências potencialmente graves, nomeadamente no que respeita à nota final e ao acesso ao ensino superior.

Os pontos de concordância entre a presidente da APP e parte dos professores que representa e alguns dos estudantes, contudo, são apenas aqueles. Edviges Ferreira mantém que “quer professores quer alunos estão fartos de saber que este ano já só seria admitida a nova grafia”. Considera ainda que, “se todos os docentes tivessem feito o que deviam, preparando os alunos activamente, durante os últimos três anos, para este momento, não haveria qualquer problema”. Afirma, ainda, não ter dúvidas de que os docentes não tinham duas hipóteses: “Se são funcionários do MEC e o MEC determina que o AO é para cumprir só têm de obedecer”, disse, em declarações ao PÚBLICO.

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Há resistências de algumas pessoas, e não são muitas, que têm uma relação emocional, clássica, física e sensorial com a Língua. Mas ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas. O Acordo é uma simplificação da Língua.
[José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, in semanário “Expresso“, 19.08.08.]

IAVE_exames2015

logotipoSOLNão usar acordo ortográfico nos exames pode baixar nota em 5 valores

Rita Carvalho |11/03/2015 13:10:04

O novo acordo recebeu muitas críticas por parte dos professores e a polémica mantém-se

A partir deste ano, os alunos terão de usar o novo acordo ortográfico nos exames nacionais. Se não o fizerem, serão penalizados nas provas de Português.

A novidade desta época de exames está a indignar alguns professores de Português que continuam a defender a ortografia anterior e que já puseram a circular nas redes sociais uma carta dirigida ao Ministro da Educação a pedir a suspensão desta decisão.

Até agora, os alunos podiam usar as duas grafias ou, pelo menos, não tinham qualquer penalização se escrevessem palavras com a grafia anterior. Contudo, este ano poderão perder até cinco valores (numa prova com nota máxima de 20) se escreverem palavras sem acordo ortográfico, que passam a ser consideradas erros ortográficos.

O novo acordo ortográfico foi assinado em 1990. A sua aplicação nas provas nacionais foi gradual: no ano passado já foi obrigatório escrever com acordo nos exames do 6º ano de escolaridade. Este ano, a obrigação alarga-se ao 9º e ao 12º ano.

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Enquanto o Governo português torna “obrigatório” o AO90 nos exames nacionais, no Brasil não há obrigatoriedade alguma…

Em Portugal

«No presente ano letivosic, na classificação das provas, apenas será considerada corretasic a grafia que seguir o que se encontra previsto no Acordo Ortográfico de 1990 (atualmentesic em vigor).»
«Valorização dos domínios: III – Expressão Escrita – 50»
[documento do IAVE]

No Brasil

Enem 2015 ainda não exigirá as regras do novo acordo ortográfico

ExtraBr_exames

«De acordo com o manual do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a correção das redações é feita conforme a lei, ainda aceitando as normas anteriores ao acordo.»

O Globo – Extra (Brasil)

Acordo:

(Des)entendimento ortográfico

 

Explica o dicionário que “acordo” significa “entendimento recíproco” e também “parecer favorável”. O mesmo é dizer “aprovação”, “consentimento”. No dia 13 de Maio, impôs-se oficialmente a adopção do Acordo Ortográfico de 1990. Em teoria, estamos a falar (e sobretudo a escrever) de “concordância”, “assentimento”, “convenção”, “pacto”. Na prática, nem tanto. E não é teimosia, é apreço pela legibilidade e compreensão. “O comboio para o Porto para em Coimbra.” Percebeu o que se queria dizer? O segundo “para” significa “pára”. Agora imagine o que fazer a este slogan de um clube desportivo que até aqui gritava: “Ninguém pára o Vitória!” A versão oficial será: “Ninguém para o Vitória!” Se o desempenho atlético não os salvar, o contexto linguístico ainda menos. Outro exemplo: “Passar a mão pelo pelo.” Esta é mais óbvia, mas ainda assim… que mal fazia deixar o acento circunflexo no “pêlo”? O “acordo” de que aqui se fala valoriza a fonética e subestima a etimologia. É um critério discutível, mas que já de pouco adianta discutir. Os organismos oficiais vão continuar a redigir de acordo com o acordo (e tantas vezes tão mal que nem se percebe de acordo com quê), as editoras prosseguirão na produção de dicionários (facturando de acordo) e os alunos serão avaliados segundo as novas regras ortográficas (mesmo com professores em desacordo). “Tino”, “juízo”, “reflexão” também são traduções de “acordo”. Mas o sentido que mais nos agrada nada tem que ver com isto: “Instrumento italiano, espécie de rabecão, de doze a quinze cordas, que tangidas simultaneamente produziam sons acordes.” Outra música, portanto. “Alto e para… o baile.”

[Transcrição integral de artigo da autoria de Rita Pimenta. Jornal “Público” de 17.05.15. “Links” nossos.]

[audio: http://cdn-ondemand.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/1505/3568441_181541-1505181113.mp3]

[transcrição]
Aquilo que realmente aqui importa ter em atenção é que o “acordo ortográfico” já vem dos anos 90, agora foi imposto definitivamente nas escolas  (os alunos que não escreverem segunda a nova regra, no fundo, passarão a estar a errar e portanto serão penalizados nos seus exames e nos seus testes por essa circunstância),  mas este “acordo ortográfico”, que pretendia unir todos os países de falantes de Português, na verdade só está em vigor em Portugal; quer dizer, não está no Brasil, onde não foi levado avante, não está em Angola e não está em Moçambique, para falar, no fundo, daqueles três países que aqui poderiam “contar”, do ponto de vista da população e da sua importância futura. E portanto, no fundo, isto não é um “acordo ortográfico, isto é uma “norma ortográfica” puramente para o continente europeu. Qual é o problema, aqui?  É que isto, basicamente, é uma língua política e é muito mau misturar política e Língua. Portanto, não compreendo como é que o Governo continua a insistir neste erro, que aliás já vem de vários governos anteriores, não sei o que é que se passa na “5 de Outubro“, de cada vez que chega lá um Ministro acaba por se deixar deslumbrar pelo “acordo ortográfico”,  mas o que eu acho que isto revela é que em vez de nós termos uma política da Língua temos uma Língua politizada e uma língua política. Repare: não tem sentido nenhum, o “acordo ortográfico”; ele retira-nos das nossas raízes, que são as raízes do Latim, em particular; afasta a Língua, hoje, de um conjunto de… para estrangeiros que estudam Português torna-se muito mais difícil porque nós estamos cada vez mais um pouco com a norma italiana, que é uma norma puramente ortográfica e que não tem a ver com as raízes das palavras, que nos permitiam identificá-las, no Inglês, no Francês, no Espanhol, ainda Rui Ramos recentemente chamou a atenção para isso,  e portanto temos esse problema. Há um outro aspecto que me parece que é lamentável também, aqui, que é o aspecto de, no fundo, nós sairmos cada vez mais da busca dos Clássicos, do Grego, do Latim, que seriam fundamentais para a aprendizagem das nossas crianças e que eu lamento imenso que estão completamente abandonados, nomeadamente o Latim – em Portugal – está numa situação que não tem paralelo nos outros países da Europa,  como Língua estrangeira (embora uma Língua morta mas fundamental para a compreensão do Português), e na verdade isto representa muitas outras coisas; eu lembro que, no início, este Governo, enfim, de que eu sou apoiante, como é sabido, chegou a pensar eliminar a segunda Língua, nomeadamente o Francês; quer dizer, o que é uma coisa que não tinha sentido absolutamente nenhum, portanto, a segunda Língua estrangeira, digo eu; portanto, eu acho que, sinceramente, nós temos neste momento, depois do exemplo que foi dado na semana passada, língua política a mais e política da Língua a menos.  E portanto eu pedia que, agora, que vamos entrar em período eleitoral, os Partidos pensassem bem numa política da Língua, que acabassem com este disparate que foi o “acordo ortográfico” e que pensassem [inaudível]  na política para segundas Línguas estrangeiras, para além do Inglês.  Acho que era fundamental que num país como Portugal, que é um país europeu, periférico, os nossos alunos têm capacidade multi-linguística; isso fará uma diferença enorme no futuro a favor deles. E portanto seria oportuno pensar no Português, pensar no Inglês e pensar nas restantes Línguas que nós temos de falar. Eu prefiro política da Língua a Línguas politizadas, a línguas políticas.
[/transcrição]

[Declarações de Paulo Rangel, deputado do Parlamento Europeu, no programa Conselho Superior (RDP – Antena 1) emitido em 18.05.15. ]

publicoIncongruências e obediências

O início dos exames traz consigo problemas novos e velhos, mais do que desafios e estímulos.

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Começaram os exames. De hoje até quinta-feira, 217 mil alunos farão provas nacionais de Português e Matemática (4.º e 6º. anos). E embora estas provas só pesem 30% na classificação final, há quem se queixe (professores e pais, sobretudo) do clima gerado pela pressão das provas.

É como se os alunos se focassem nos exames, preterindo a normal rota de aprendizagem que se lhes exigiria ao longo de todo o ano. Se passarem, respiram de alívio; se chumbarem, podem desistir ou entrar em depressão.

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