ILC contra o Acordo Ortográfico

Ler, assinar, divulgar

Resultados da Pesquisa em graça maciel costa

folhetoscomexpositorJá tinha explicado ao “chefe cá da banda”, meu marido, o que é o AO90 e no que consiste, não que tivesse acabado de aterrar vindo de Marte, mas porque é naturalmente despistado em relação a estas coisas – talvez porque a língua de trabalho dele seja o Inglês – e estava a explicar o que é a ILC AO, Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a infeliz reforma ortográfica denominada de “acordo”.

Não foi preciso gastar muito Latim para que ele decidisse subscrevê-la, especialmente porque tive a ajuda inestimável do “herdeiro da banda”, meu filho, é claro, que assumiu o direito de a subscrever por já ser maior de idade e por se ver obrigado a escrever, na escola, nesse arrazoado de disparates que bestuntas cabeças criaram. Assim,  de uma assentada imprimimos, preenchemos, assinámos, digitalizámos e enviámos as três subscrições.

A partir daí a coisa tornou-se obrigatoriamente viral. Seguiram-se as explicações e devidas recolhas de subscrições da mãe, do padrasto, dos irmãos, das cunhadas, dos sobrinhos, das irmãs das cunhadas, dos maridos das irmãs das cunhadas, ou seja, da “banda” inteira, toda a família e… amigos.

Da minha experiência concluo que se os mais velhos vêm com a ladainha do “eu não escrevo e pronto”, como se viesse algum bem à língua por tão cómoda e apática posição, já os mais novos subscrevem mais rapidamente a ILC AO, porque a compreendem, porque se vêem obrigados a transfigurar a língua e, por isso mesmo, são visceralmente contra esta aberração linguística.

E é, também, na mão dos mais novos que está o futuro da nossa identidade como nação; a ILC AO é a arma, vocês serão o seu braço. Sigamos, pois, na nossa determinação, o tempo urge.

Graça Maciel Costa

[Nota: várias remessas nos têm chegado, em envelopes por vezes bastante volumosos, com subscrições da ILC de famílias inteiras, a julgar pelo facto de os apelidos serem os mesmos.]

canetavistaprint1

Resposta a Gabriela Canavilhas

Exma. senhora deputada, Gabriela Canavilhas,

Sem o respeito que me não merece no exercício das suas funções, mas com o respeito que me merece como ser humano que é, permita que clarifique alguma confusão que V. Exa faz sobre a língua que ambas usamos.

Ponto nº um: a identidade da nação não se resume ao hino e à bandeira, ela faz-se principalmente pela língua. Ninguém emigra ou viaja com uma bandeira nacional a tiracolo, ou a trautear o hino a cada hora, mas todos somos identificados assim que abrimos a boca. Penso que não é difícil para si concordar comigo. Era isto que o grande Fernando Pessoa – concordamos no adjectivo – difundia quando disse, “a minha pátria é a língua portuguesa.”

Ponto nº 2: a unicidade da língua só é possível nos países que partilham o mesmo idioma e um idioma faz-se pela palavra escrita e falada. Ora, o Brasil não fala nem escreve o nosso português, ao contrário dos restantes países da CPLP. E, por incrível que lhe pareça, acrescento que por opção própria, do Brasil, dado nunca terem implementado as várias reformas ortográficas, criando a desvinculação, que V. Exa tanto parece temer, à nossa norma. Ora, diz o bom-senso e a inteligência que a unicidade só se consegue em algo que nos é próximo, nunca no que é dissemelhante, e se a maioria dos países da CPLP – com a única excepção do Brasil – escrevem o Português de Portugal, estamos a unificar o quê ou com quem?

continue a ler…

Graça Maria Maciel da Costa

Casada, com um filho, nascida açoriana, mais exactamente de Ponta Delgada, em 1961, corri algumas partes do mundo a reboque de um pai da marinha. Aportei em Almada e vivo aqui desde sempre.

Dentre o muito que fiz em termos de trabalho – comecei cedo por vicissitudes da vida – construí uma carreira como secretária de Direcção Técnica e Relações Públicas, em simultâneo, até à falência da firma. Dei por mim a fazer traduções para revistas a recibos verdes. Por 10 anos o fiz mas a crise eliminou-me da lista de colaboradores. Estou há dois anos desempregada e sem direito a subsídio de desemprego – depois do muito que paguei à Segurança Social.

Sou visceralmente contra este Acordo Ortográfico; por não concordar com as aberrações linguísticas que se criaram, pelos falsos pretextos e pressupostos sob o qual assenta e porque não existe acordo quando o mesmo é imposto à revelia da opinião quer de especialistas, quer da nação, que é a quem considero pertencer a língua.

Graça Maciel Costa é uma activista desta ILC, que evidentemente subscreveu, participando em recolhas de assinaturas e na divulgação da iniciativa.

Veja a nossa “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes.

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora, que nos remeteu, expressamente para o efeito, as respectivas nota biográfica e fotografia.

composição por Graça Maciel Costa

TshirtFVistaPrintQuando abracei a causa anti acordo, subscrevendo a ILC, divulgando-a e recolhendo outras subscrições – não estava à espera do que me estava reservado. Sendo uma causa nacional e tendo eu a noção exacta de que a vastíssima maioria da população era (é) contra, pensei que não seria difícil recolher os milhares de assinaturas exigidos por lei para que a mesma seja aceite, discutida e votada.

Apesar de igualmente saber que este povo é avesso a mexer-se e que espera sempre que outros tomem a dianteira e resolvam os assuntos que são de todos, tinha a ingénua esperança de que esta causa, que atinge inescrupulosamente a nossa cultura e identidade como nação adulterando de forma irremediável a nossa Língua, sem que haja um ganho palpável e inquestionável, tinha peso mais do que suficiente para rapidamente se chegar a bom porto.

Enganei-me. Entre a crise, a ausência de perspectivas e baixos níveis de auto-estima deste povo, esta questão pareceu perder interesse por parte de quem  a deveria defender acima de qualquer outra coisa.

Entretanto, os “acordistas” não dormiram na forma, ah não, muito pelo contrário, e não foi difícil percebê-lo. Sob a capa de “gente da cultura”, fizeram os possíveis e impossíveis para apresentar a situação como irrevogável, irremediavelmente aplicada e apta, enquanto e de caminho se apressavam para desacreditar a ILC, tentando desbaratar e dividir uma causa que é nacional – aliás, por isso mesmo – com um singular propósito: desgastar no tempo, preferencialmente até destruir pela raiz, a ILC, a única arma capaz de parar a atrocidade denominada de “acordo ortográfico”. Única porque constitucionalmente consagrada pelo que jurídica e obrigatoriamente exequível. E “eles” também o sabem!

Pois bem, falharam! Porque continuamos a não aceitar o abastardamento do português de Portugal, porque se comprovou no dia 28 de Fevereiro que a Assembleia da República não representa a vontade dos seus cidadãos, porque não é reconhecido qualquer valor linguístico ao acordo, porque não existe qualquer possibilidade de uniformização entre o que é diferente e  porque, à excepção dos que conseguem proventos à conta deste absurdo ortográfico, consideramos que Portugal nada ganha com ele, a ILC, o seu mentor, o seu núcleo duro e os vários voluntários como eu, continuamos na luta com a mesma convicção e força. Mas muito mais resolutos.

Juntem-se a nós, ainda estamos a tempo.

Graça Maciel Costa

feito por Graça Maciel Costa

AO90

AO90-2

AO90 5

Para copiar e colar no seu “blog”, por exemplo, seleccione o código na caixa respectiva. Para aumentar ou diminuir a imagem, altere o número em “width”.

Se quiser usar uma destas imagens na sua página do Facebook, como imagem de topo (“cover photo”), deverá primeiro fazer “download” da mesma para o seu computador e depois “upload” para a sua conta de utilizador.

Autoria das imagens: Graça Maciel Costa.

Eppur si muove!

1 comentário

TshirtFVistaPrint«No princípio era o verbo» e o verbo apontava para uma petição. Uma petição. Pedir.

Ora, eu não sou pessoa de pedir, quando muito peço um copo de água e é preciso que esteja a morrer de sede, mas pela minha Língua peço, claro, até imploro se preciso for.  Assinei. Aliás, na época assinei tudo o que me passou pelas mãos ou vista. Lia ou, melhor, devorava tudo o que versava o mafarrico do absurdo ortográfico e foi lendo que cheguei à ILC, Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Eureca, é isto! – disse ao computador, mais do que habituado aos meus solilóquios.

Assinei, obviamente, e dei a assinar a todos quantos pululam este meu limitado universo. Arregacei mangas e tornei-me activista desta causa, justa e meritória, solenemente consciente de que era esta a única saída. Agora já não pedia, exigia. Exigia, no mínimo, que me e nos escutassem.

Mas este povo de curvada cerviz mostrou-me quanto era difícil reunir as trinta e cinco mil assinaturas.  “Porque dá trabalho, porque tenho de assinar, porque tenho de dar dados, porque me esqueci, porque perdi o papel”… e eu perdi a conta às desculpas que escutei.

Apesar de frustrante, este cenário nem é o que mais me irrita, sequer é a argumentação trôpega e infantil dos “acordistas”, o que verdadeiramente me irrita é perceber que há furões, saídos de uma qualquer toca abstrusa, cujo esforço parece ser liquidar a ILC. Sim, “eles andem aí”, como diria o outro, perguntando altivamente «quantas assinaturas há?» Porque, asseguram, «como signatário tenho o direito de o saber». E porque, garantem, «saber quantas há poderá ter um efeito mobilizador para a causa». Sim, claro, e eu moro num castelo e tenho os sete anões como caseiros.

Como signatária e activista, não sei nem quero saber quantas há, eu só sei que não há as suficientes e não é por causa de quem dá a cara, o couro e o cabelo pela ILC.  É por conta de um povo anestesiado, confuso e receoso da sua própria sombra, dos discursos embriagados de quem se vendeu a um acordo que o não é, das trampolinices de quem ontem afirmou categoricamente  uma coisa e hoje titubeia sem saber bem onde cair, das mil e uma petições e cartas abertas – meritórias pelo simbolismo mas prejudiciais pela manobra de diversão que encerram – com a prestimosa ajuda de quem se apresenta pela causa e acaba a prejudicá-la com a  altivez de capataz recém promovido mas sem obra.

Mais grave é quando alguns desses furões afirmam “por aí”, com todo o descaramento do mundo, que têm assinaturas da ILC em casa que simplesmente não entregam nem têm intenção de o fazer. Então, o que é que pretendem fazer com as assinaturas que irreflectidamente detêm e o que dirão àqueles que neles confiaram? E arvora-se esta gente em meirinho, juiz e carrasco de quem trabalha, vive e sente a causa da revogação deste absurdo ortográfico?!

«Eppur si muove»! Sim, apesar de tudo e contra tudo, pacientemente, uma a uma. Porque esta é, ou deveria ser, uma causa nacional, sem estigmas ou acabrunhamentos e sem medalhas no fim, porque a vitória será da Língua Portuguesa, não de qualquer um de nós. Então, porquê este correr atrás do vento? Fala-se em união de esforços. Façamo-lo, então, e comecemos por saber trabalhar juntos, pela causa e não contra ela.

Graça Maciel Costa

cartazFCSH200313

4.ª Feira, 20 Março, 18H00 | FCSH, Auditório 1, piso 1 | Av. Berna, 26-C

Forum
Pára ou Para

Onde pára e para onde vai a Língua Portuguesa?

(oradores)
Abel Barros Baptista | Ana Silva | António Guerreiro
Hermínia Castro | João Bosco Mota Amaral | Jorge Buescu
José Luís Porfírio | José Pedro Serra
Miguel Sousa Tavares | Nuno Pacheco | Pedro Afonso

(organização)
Ana Isabel Buescu (FCSH, UNL) | Maria Filomena Molder (FCSH, UNL) | Teresa Cadete (FL, UL)

No painel de oradores deste evento a ILC AO90 estará representada por Hermínia Castro.

Graça Maciel Costa criou no Facebook uma página sobre este evento.

[Cartaz recebido por email.]