ILC contra o Acordo Ortográfico

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Nesta brevíssima intervenção, num dos serviços noticiosos da SICN do passado dia 13, Miguel Sousa Tavares chama os bois (acordistas) pelos nomes. Sem nunca os referir expressamente, é claro, mas todos nós sabemos quem são os ungulados. E o que estão a tentar fazer.

«É um dia muito deprimente, como são todos os dias em que vemos a estupidez impor pela força o que não consegue impor pela razão. Mas é também um dia de traição à pátria. Porque a nossa Língua é a nossa pátria, como explicou o Pessoa, e ao que hoje assistimos (se é que o “acordo” entra hoje em vigor ou não, completamente), ao que hoje assistimos é o abastardamento de uma Língua que trabalhámos durante oito séculos, que é instrumento de trabalho para muitos portugueses, que é meio de comunicação entre muitas comunidades portuguesas e que, pela vontade de uns quantos loucos, pela arrogância de uns quantos se impôs a todos eles.»
Miguel Sousa Tavares

Nota: a publicidade é inserida no vídeo automaticamente a partir da origem, ou seja, pelo canal de TV “SIC Notícias“.

MST010320145 A AR recusou, mais uma vez, rever a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, escudando-se, em contrapartida, atrás de uma vaga resolução de efeito útil nulo. Já passou pela mão de todos os deputados e governantes uma lista impressionante de nomes de escritores, professores, académicos ou jornalistas – os que usam a língua profissionalmente – que não deixa qualquer dúvida de que apenas uma minoria, e já sem quaisquer argumentos válidos, continua a sustentar este crime. É como se, à revelia de médicos, Governo e deputados entendessem regulamentar as condições técnicas do exercício da medicina.

Mas a língua é ainda mais do que o instrumento de trabalho de quem escreve profissionalmente, pois é também um factor de unidade e identidade nacionais determinante. Há, pois, qualquer coisa de misterioso e estranho por trás da teimosia de governantes e deputados, de todos os partidos, em não ceder aos constantes apelos que de todos os lados recebem. Mais estranho ainda é nem sequer se darem ao trabalho de explicar quais as ponderosas razões de Estado que os levam a vender a língua que é a nossa. Como se isso não fosse importante. Ou como se não devessem qualquer explicação aos portugueses, mesmo depois de verem países como Angola, Brasil e Moçambique resistirem ao AO. É nestas alturas, e como último recurso, que eu gostava de ter um Presidente da República que, no uso da sua função de garante da independência nacional (de que a preservação da língua é parte indissociável), puxasse do artigo 120º da Constituição e matasse de vez esta vergonha. Mas, infelizmente, também não é o caso.

[Transcrição parcial de crónica, da autoria de Miguel Sousa Tavares, publicada no semanário “Expresso” (em papel, digitalização na imagem) de 01.02.14. Destaques e “links” inseridos por nós.]

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[Extracto vídeo: “Tradutores Contra o Acordo Ortográfico” (Facebook)]
[Código para partilha: Frequency]
[Emissão: SIC, “Jornal da Noite”, 11.11.13, 21:46 h.]

[transcrição]
(…) eu não sei, não vou entrar nas partes processuais, disciplinares, para saber se há ou não um crime de denegação de justiça, não sei se ele terá retardado, ao mandar redigir em Português (em bom Português) o relatório social ou se ele terá atrasado de alguma forma uma hipótese de liberdade condicional de um preso. Isso é matéria que eu desconheço. Em relação ao texto dele, eu devo dizer que me ri imenso, divulguei por vários amigos, inclusive no estrangeiro, no Brasil, para mostrar que em Portugal de facto há uma grande oposição ao acordo ortográfico e, independentemente dos erros que o juiz faz, é verdade que o “acto” [“ato”, n.d. ILC] vai passar a ser uma forma do verbo atar, independentemente disso eu chamo a atenção é para a importância política disto. Há uns meses atrás houve um relatório no Parlamento, na Comissão Parlamentar [de Educação, Ciência e Cultura, n.d. ILC], redigido pelo deputado centrista Michael Seufert, que arrasou o acordo ortográfico, não só as implicações dele mas a maneira como foi feito, à socapa, imposto por académicos a todas as pessoas que trabalham com a Língua, e a forma como os próprios signatários que aprovaram a entrada em vigor do Tratado violaram as normas, tornando-o obrigatório sem que haja o número de assinaturas exigido pelo próprio Tratado. Portanto, a entrada em vigor do Tratado, além do mais, é ilegal face ao próprio Tratado. O que eu acho extraordinário é que as pessoas podem ser contra ou a favor do Tratado e eu acho perfeitamente plausível que sejam contra, mas é indiscutível que há uma grande maioria de pessoas, informadas, que trabalham com a Língua, que são contra. Essa grande maioria já fez petições, já fez exposições, já fez conferências, já escreveu artigos, já provou por A mais B todas as implicações disto… e o poder político reage como se não fosse nada. O Presidente da República não tem uma palavra, o Governo assobia para o ar e no próprio Parlamento não há um Grupo Parlamentar que tome a iniciativa de levar o acordo a votação. Dir-se-ia que, por inércia, por preguiça ou por cobardia, vamos assistir a uma revolução para pior na Língua Portuguesa, que foi aquela que herdámos e que era suposto passarmos aos nossos filhos. Dentro de duas gerações, um texto escrito pelo teu neto não vai ser entendido por ti.
[/transcrição]

Gravação disponibilizada no Youtube por “bottelho2” do comentário de Miguel Sousa Tavares sobre o AO90 no noticiário emitido em 22.05.12.

A partir de 1 de Janeiro, ao que parece, é de vez: todas as entidades públicas são obrigadas a adoptar o Acordo Ortográfico, mediante o qual o Estado português vendeu, grátis, parte do seu património inalienável. O Expresso, como sabem os leitores, já é escrito em obediência a esse malfadado acordo. Mas sobra a liberdade para os colunistas que assim o desejem, e entre os quais me incluo, continuarem a utilizar nos seus textos a ortografia da língua que herdámos dos nossos pais e que gostaríamos de transmitir aos nossos filhos. Assim continuarei, pois, a fazer, com o grande conforto de saber que estou a fazer a coisa certa.

Que os chineses fiquem com a electricidade que chega às nossas casas, preocupa-me porque sei que não há almoços grátis e, mais tarde ou mais cedo, teremos de pagar o preço com juros. Mas, no essencial, nada muda: a EDP continuará a ser a empresa pessoal do dr. Mexia e nós continuaremos a pagar a electricidade a preços de monopólio, o que é um dos factores impeditivos do nosso desenvolvimento. Que os espanhóis fiquem com o controlo aéreo do espaço português ou os angolanos com a Galp ou a REN, preocupa-me mais um pouco. Que os alemães fiquem com a água preocupa-me bastante mais — não por serem os alemães, mas por ser a água, o mais público de todos os bens. Que a nossa mais importante embaixada no mundo,a TAP, seja oferecida aos brasileiros, considero um acto de lesa-pátria, mas, desde que não me obriguem a ir a Madrid apanhar o avião para o Rio, do mal o menos, somos uma massa falida em liquidação total. Mas obrigarem-me a escrever o português em brasileiro — eu, cujos antepassados levaram a língua ao Brasil há 500 anos —, isso não. E digo-o com a convicção de quem ama profundamente o Brasil e tem, perdoem-me a imodéstia, o orgulho de ter quatro livros editados no Brasil e, por expressa vontade minha, com o português que aqui se fala e que é nosso.

Num artigo publicado esta terça-feira no “Público”, a professora Maria José Abranches explicou, mais uma vez,, até que ponto a capitulação feita com o Acordo Ortográfico representa uma absurdo face às regras da gramática em que aprendemos e crescemos e que continuam a fazer todo o sentido. Trata-se de uma língua comum, com regras ou desenvolvimentos diferentes na sua grafia e oralidade, que só são unificáveis à força e unilateralmente, tal como se fez no AO: quando os brasileiros escrevem de uma maneira, mesmo que nós não o façamos, vale a regra brasileira; quando nós escrevemos de uma maneira e eles não, vale também a regra deles. Já nem discuto que se possa fazer entrar em vigor uma convenção linguística que envolve oito países dessa língua e em que apenas três a ratificaram (há cinco países que continuarão a escrever o português que nós traímos). Já nem discuto que se tenha decidido modificar a língua sem consultar os que mais a usam: escritores, editores, jornalistas, professores de português. A única coisa que me intriga é saber como é que esta ideia nasceu (e não foi a pedido dos brasileiros), e como é que cresceu e ganhou pernas até se tornar um facto consumado, que os governantes aceitaram passivamente, com medo de ofender os senhores ‘académicos’. A história do Acordo Ortográfico é um exemplo brilhante de como, por passividade e deixar andar, se consuma um crime contra o património, disfarçado sob a capa de uma pseudovantagem estratégica que é um disparate que não resiste a qualquer análise. Sobre isso, sobre a razão do nascimento deste atentado à língua portuguesa, tenho uma teoria, que não me dispenso de enunciar, sempre que a oportunidade surge, aqui ou do lado de lá do mar: devemos o Acordo Ortográfico à ociosidade de alguns ‘sábios’ da Academia das Ciências que, sem nada de mais útil para fazer e antecipando algumas ‘viagens de trabalho’ ao Brasil, se lembraram de propor aos brasileiros, e para grande espanto deles, se não achavam chegada a altura de pôr os portugueses a escrever à brasileira. E assim nos entregámos, fazendo de nós um povo que, depois de tudo ter entregue, já nem sequer é dono da língua que criou e que fala. Repito: é uma teoria, não uma afirmação baseada em factos. Mas, se não é verdade, até parece!

É nestas alturas que eu acho que faz falta um grande estadista e um grande português na Presidência da República. Para dizer aos tontos que venderam a nossa língua: “Os senhores assinem o que quiserem, até podem dar de volta o Algarve aos mouros. Mas eu jurei defender Portugal e entendo que a língua que falamos e escrevemos é património de Portugal.”

Enquanto puder, eu continuarei a escrever no português que a dona Constança me ensinou, na escolinha pública da Serra do Marão, onde aprendi a escrever em português.

Miguel Sousa Tavares

[Transcrição parcial (ponto 2) de artigo da autoria de Miguel Sousa Tavares publicado no Semanário Expresso de 30.12.11. Esta transcrição foi dactilografada a partir de uma digitalização de recorte disponibilizada na Internet.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

publicoEditorial

Os pressupostos falhados do acordo ortográfico

O acordo ortográfico não unificou a escrita nem abriu um mercado único de edições. Serviu para quê?

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Reacendeu-se na passada semana, por via de um encontro na Faculdade de Letras e de uma moção aí aprovada, a querela ortográfica nacional. Querela que, a bem da verdade, nunca realmente se extinguiu.

O PÚBLICO, nascido no mesmo ano que é atribuído ao chamado Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vulgo AO90, partilhou-a ao longo destes 25 anos assumindo uma posição clara, rejeitando a sua aplicação. Fê-lo logo em 1991, quando o seu primeiro director (e fundador) Vicente Jorge Silva assinou um texto conjunto com directores de outras publicações (como Miguel Esteves Cardoso e Miguel Sousa Tavares, numa iniciativa incentivada por Vasco Graça Moura) onde se referia que nas publicações que dirigiam o AO90 não seria aplicado. Passado um quarto de século, é legítimo perguntar se tal posição faz, ainda hoje, sentido.

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publicoMais de uma centena de personalidades de diversas áreas – incluindo académicos, escritores, músicos, actores e políticos de vários quadrantes – intentou, no Supremo Tribunal Administrativo, uma acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) ao sistema de ensino público, do ensino primário ao secundário.

Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix e Isabel Pires de Lima são alguns dos ex-governantes que subscrevem a acção, a par de José Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, dos músicos António Victorino d’Almeida, João Braga, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso ou Rão Kyao, dos escritores Joaquim Pessoa e Teolinda Gersão, da actriz Lídia Franco ou de professores e ensaístas, como Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado Fernandes ou o prestigiado camonista e teórico da literatura Vítor Aguiar e Silva.

[via Acção judicial popular contra Acordo Ortográfico – PÚBLICO.]

Nota: a ILC – AO não tem absolutamente nada a ver com esta “acção popular”; alguns dos nossos subscritores têm também o seu nome citado nesta “acção popular”, nada mais. Desejamos boa sorte a mais esta “acção”, como sempre desejamos sorte a seja que “acção” for contra o AO90 .

PERFEITO

Perfeito é não quebrar
A imaginária linha

Exacta é a recusa
E puro é o nojo.

Sophia


«Miguel Sousa Tavares, que fazia anos nesse dia – circunstância a que aludiu lembrando os “demasiados anos” que se cumpriam desde a primeira vez que a mãe lhe dissera “Miguel, olha o mundo!” –, foi responsável pela mais prolongada ovação da noite quando garantiu que Sophia, se fosse viva, se oporia ao novo acordo ortográfico.»
Notícia do “Público” de 02.07.14 sobre a trasladação

PTBRadobeEm Portugal insiste-se na imposição – inútil, ilegítima, ilegal – do «aborto pornortográfico». No Brasil… não é uma prioridade assim tão grande, a pressa não é muita. Aliás, lá a vontade preponderante pode até já nem ser a de implementar este «acordo» mas sim outro, provavelmente ainda mais radical: em Outubro de 2013 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto) do Senado em Brasília aprovou a criação de um «grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa». É de duvidar que por «aperfeiçoar» se entenda devolver as consoantes ditas «mudas», os hífens e as maiúsculas que levianamente foram roubadas à ortografia dos dois lados do Atlântico.

Entretanto, sucedem-se os sinais de que a tão apregoada «uniformização» mais não é do que uma miragem propiciada, talvez, pelo calor dos trópicos. Em Setembro de 2013 foi noticiado que a Embaixada do Brasil em Maputo lançara um concurso para director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, que tinha como um dos requisitos “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Não estava previsto que o AO90 acabasse com a «vertente brasileira», e todas as outras vertentes, da escrita portuguesa? Ou terá isso a ver com o adiamento da entrada em vigor do dito cujo do outro lado do Atlântico? Se sim, talvez isso explique o facto de na edição e distribuição de livros portugueses no «país irmão» ainda ser necessário, em vários casos, proceder-se a alterações. Como o da Porto Editora, que, soube-se em Janeiro deste ano, adaptou os seus dicionários de língua portuguesa para o mercado brasileiro, como o «Grande Dicionário», que foi redigido «em português do Brasil à luz do acordo ortográfico». O que será essa «luz» do AO? Mais alguma inovação introduzida pelas cabeças «brilhantes» que conceberam o (des)acordo? E há ainda o caso – que me é mais próximo, pois trata-se de um amigo – do livro de Paulo Monteiro «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias», que em terras de Vera Cruz recebeu o título «O Amor Infinito que Tenho por Você e Outras Histórias».

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Na passada quarta-feira, 20 de Março de 2013, teve lugar em Lisboa, no auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, um evento público sobre o Acordo Ortográfico, já antes aqui noticiado, com a presença de diversos oradores e com lotação esgotada.

Este evento foi organizado pelas professoras Maria Filomena Molder (FCSH), Ana Isabel Buescu (FCSH) e Teresa Cadete (FLUL).

Nesta sequência de gravações temos as intervenções de João Bosco Mota Amaral (deputado), Miguel Sousa Tavares (escritor), Nuno Pacheco (director-adjunto do Público), José Pedro Serra (professor), Maria Alzira Seixo (ensaísta), Jorge Buescu (matemático) e Ana Mendes Silva (professora).

As gravações sucedem-se automaticamente, nesta “playlist”, pela ordem de oradores indicada.