ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em pacheco pereira

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À memória do Vasco Graça Moura

Não sei se são válidos ou não os argumentos jurídicos que discutem a data da aplicação efectiva do Acordo Ortográfico [AO], se nestes dias, ou em 2016. Isso não me interessa em particular, a não ser para registar a pressa suspeita em o aplicar contra tudo e contra todos. Mas uma coisa eu sei ao certo: é que o desprezo concreto do bem que ele pretende regular, a língua portuguesa, é evidente nessa mistura sinistra de inércia, indiferença e imposição burocrática com que se pretende obrigar os portugueses a escrever de uma forma cada vez mais abastardada.

Na sua intenção original, o Acordo pretendia ser um acto de política externa, uma forma de manter algum controlo sobre o português escrito pelo mundo todo, como forma de garantir uma réstia de influência portuguesa num conjunto de países que, cada vez mais, se afastam da centralidade portuguesa, em particular o Brasil. Se é um “acordo” é suposto que seja com alguém. No entanto, desse ponto de vista, o AO é um grande falhanço diplomático, visto que está neste momento em vigor apenas em Portugal, com promessas do Brasil e Cabo Verde, esquecimento em Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé e Timor-Leste, e recusa activa em Angola. Nalguns casos há protelamentos sucessivos, implementações adiadas e uma geral indiferença e má vontade. Para além disso, nenhuma implementação do AO, vagamente parecida com a pressão burocrática que tem sido feita em Portugal, existe em nenhum país, a começar por aquele que parecia ser o seu principal beneficiado, o Brasil. Ratificado ele foi, aplicado, não.

Mas com o mal ou a sorte (mais a sorte que o mal) dos outros podemos nós bem, mas ele revela o absurdo do zelo português num AO falhado e que nos isolará ainda mais. Onde os estragos serão mais significativos é em Portugal, para os portugueses, e para a sua língua. É que o Acordo Ortográfico não é matéria científica de linguistas nem, do meu ponto de vista, deve ser discutido nessa base, porque se trata de um acto cultural que não é técnico, e como acto cultural em que o Estado participa, é um acto político e as suas consequências são identitárias. Não me parece aliás que colha o historicismo habitual, como o daqueles que lembram que farmácia já se escreveu “pharmácia”, porque as circunstâncias políticas e nacionais da actualidade estão muito longe de ser comparáveis com as dos Acordos anteriores.

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Assembleia da República: fugir a tomar decisões

O modo como a Assembleia da República está a fugir de tomar posições é bem revelado no modo como se empurrou para o eterno e adiado futuro a decisão sobre o Acordo Ortográfico. Percebe-se que a opinião dos deputados não conta para nada, mesmo havendo uma possível maioria contra o Acordo, e que apenas a força do impasse político internacional, transformada em inércia, mantém as coisas como estão. Ou seja, a língua portuguesa continua a estragar-se todos os dias, apenas porque ninguém quer saber disso nas elites políticas, nem tem coragem de dizer sim ou não. Ou não quer defrontar os interesses que explicam a manutenção de um acordo moribundo, mas deixado apodrecer no meio das palavras de uma velha língua que infecta e gangrena. Estamos assim.

José Pacheco Pereira

[Transcrição de parte da crónica da autoria de José Pacheco Pereira na revista “Sábado” de 06.03.14. “Recorte” da digitalização disponibilizada “online” por autor desconhecido. Cópia localizada no “blog” Chove.]

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«O problema é que não se trata de reformar o Estado. Trata-se de aplicar uma visão empresarial ao funcionamento do Estado. Porque a única lógica que existe em muitas medidas governamentais é uma lógica daquilo que a elite que está no poder, uma, com interesse próprio considera que são as políticas boas para algumas empresas e, outra, também por interesse próprio, porque é lá que eles têm futuro, não é? — porque é evidente que a maioria dos governantes tem futuro assegurado, a começar pelo primeiro-ministro; nunca vão ficar desempregados, nunca vão ter dificuldades económicas, eles têm a circulação garantida a nível nacional e internacional pelos círculos de poder que apoiam hoje — e é evidente que essa ideia empresarial faz com que se corte investimentos na ciência, faz com que se desprezem as humanidades, a História, as Letras, faz com que se aplique um Acordo Ortográfico que ninguém deseja e ninguém quer e por inércia — porque para eles é indiferente o destino da língua e a qualidade do Português e a qualidade do ensino.»

[Transcrição manual, a partir de gravação, de algumas afirmações produzidas por José Pacheco Pereira no programa “Quadratura do Círculo“, do canal de TV “Sic Notícias“, emitido em 07.03.14.]

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Acordo ortográfico: acabar já com este erro antes que fique muito caro

JOSÉ PACHECO PEREIRA 18/01/2014 – 00:48
Passado um período de transição, pode voltar-se rapidamente à norma ortográfica vigente e colocar o acordo na gaveta das asneiras de Estado, junto com as PPP e os contratos swaps e muita da “má despesa”.

O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação.

É um acto político falhado na área da política externa, cujas consequências serão gravosas principalmente para Portugal e para a sua identidade como casa-mãe da língua portuguesa. Porque, o que mostra a história das vicissitudes de um acordo que ninguém deseja, fora os governantes portugueses, é que vamos ficar sozinhos a arcar com as consequências dele.

O acordo vai a par do crescimento facilitista da ignorância, da destruição da memória e da história, de que a ortografia é um elemento fundamental, a que assistimos todos os dias. E como os nossos governantes, salvo raras excepções, pensam em inglês “economês”, detestam as humanidades, e gostam de modas simples e modernices, estão bem como estão e deixam as coisas andar, sem saber nem convicção.

O mais espantoso é que muitos do que atacaram o “eduquês” imponham este português pidgin, infantil e rudimentar, mais próximo da linguagem dos sms, e que nem sequer serve para aquilo que as línguas de contacto servem, comunicar. Ninguém que saiba escrever em português o quer usar, e é por isso que quase todos os escritores de relevo da língua portuguesa, sejam nacionais, brasileiros, angolanos ou moçambicanos, e muitas das principais personalidades que têm intervenção pública por via da escrita, se recusam a usá-lo. As notas de pé de página de jornais explicando que, “por vontade do autor”, não se aplicam ao seu texto as regras da nova ortografia são um bom atestado de como a escrita “viva” se recusa a usar o acordo. E escritores, pensadores, cronistas, jornalistas e outros recusam-no com uma veemência na negação que devia obrigar a pensar e reconsiderar.

Se voltarmos ao lugar-comum em que se transformou a frase pessoana de que a “minha pátria é a língua portuguesa”, o acordo é um acto antipatriótico, de consequências nulas no melhor dos casos para as boas intenções dos seus proponentes, e de consequências negativas para a nossa cultura antiga, um dos poucos esteios a que nos podemos agarrar no meio desta rasoira do saber, do pensar, do falar e do escrever, que é o nosso quotidiano.

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«Estamos para com o Acordo Ortográfico, uma aberração sem sentido que não merece sequer que se lhe discuta qualquer mérito, como se esteve para com o disparo do défice e da despesa pública: deixa-se andar e depois vê-se no que dá. Já sabemos o que deram o défice e a dívida. A única força que sustenta o Acordo é a mesma que condenou o país a esta crise profunda: inércia. Está na altura de lhe bater o pé com força, e a causa contra o Acordo até na rua terá sucesso. Bem que o Acordo podia ir junto com a TSU fazer companhia à meia hora de trabalho suplementar.»

José Pacheco Pereira

In “blog” Abrupto, 29 de Setembro de 2012

fotoNP1Maravilhas da fonética

Há uns dias, por velhos impulsos e novas necessidades, encheu-se o anfiteatro 1 da Faculdade de Letras de Lisboa para discutir a malfadada questão do chamado acordo ortográfico. Mas esta crónica vai, como se verá, para além dele. É que, a dada altura, embora toda a gente falasse de ortografia, na verdade falávamos (porque lá estive, como convidado) essencialmente de fonética. Os episódios mais bizarros ali relatados acabavam, sempre, relacionados com os “sons” da escrita. Por isso, façamos uma pequena viagem ao maravilhoso mundo da fonética e, já agora, dos sons em geral.

Comecemos pela música. No Ocidente, sete notas (que conhecemos por dó, ré, mi, fá, só, lá, si) são suficientes para criar desde a mais básica balada à mais elaborada sinfonia. Mas, se valessem só por si, nunca o seu poder criativo iria tão longe. Sem as mínimas e semínimas, breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, sem uma sinalética própria das pautas musicais e que permite gerar os mais variados compassos, ritmos, melodias e harmonias, as sete notas definhariam.

Com as línguas passa-se o mesmo. Da primordial fala à sua expressão gráfica, há uma “pauta” que se desenvolve e expande para lá dos traços básicos do alfabeto. Numa das suas Charlas Linguísticas na RTP, em 1958 (editadas em livro nos anos 60), o filólogo Raul Machado criticava professores ou pais que, em tom autoritário, diziam a crianças com dificuldade de ler uma frase num livro: “Menino, leia o que lá está!” Como se dissessem: “O menino é parvo! O menino não sabe ler!” E dava como exemplo esta frase: “Os homens sentem e pensam.” Uma frase simples, que toda a gente lerá sem dificuldade. Toda a gente? Sim, toda a gente que já domina, mesmo que de forma inconsciente, as regras do código vocálico do português europeu. Se uma criança lesse mesmo “o que lá está”, com base no que aprendera no alfabeto, leria (dizia então o filólogo): Óss hóménnss sénntémm é pénnsamm. Ou, “em grafia sónica, a seguinte algaraviada: Óç hóménç çéntéme é pénçame”. Em vez disso, qualquer pessoa lerá “Uz ómãix sêntãi i pênsão”. No entanto, escrevemos “Os homens sentem e pensam”.

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Na semana passada, falou-se aqui dos Colóquios da Lusofonia na sua vertente lúdica e ostensivamente passeante. Mas, para que não se julgue que os seus promotores não têm objectivos mais profundos, convém ler o documento Manifesto contra a crise: a língua como motor económico (no Brasil escrever-se-ia “econômico”, é bom notar), no tal portal aqui já indicado (http://lusofonia.com.sapo.pt/, “Colóquios da Lusofonia”, “AICL historial”). Ali se diz o seguinte: “Uma vez que a unificação da ortografia permite a divulgação do mesmo texto em vários países, a disponibilização das obras literárias mais representativas de cada país aos outros países não só facilita o acesso recíproco a todas as literaturas lusófonas, mas permite a publicação de edições únicas que poderão entrar em vários mercados livreiros.” Ora há dias, no Fórum Pára ou para – onde pára e para onde vai a língua portuguesa?, uma tradutora resumiu o problema numa frase singela: antes, eram precisas duas traduções, uma para Portugal e outra para o Brasil; hoje, com o acordo ortográfico (AO), são precisas duas traduções, uma para Portugal e outra para o Brasil. Espanto? Nenhum. Se palavras como activo ou directo serão agora escritas de igual modo (“ativo” e “direto”), outras como recepção ou ruptura mantêm-se tal qual no Brasil mas mudam em Portugal para “receção” ou “rutura”. Isto já para não falar das mudanças vocabulares naturais, derivadas do uso corrente nos dois países: aluguer ou aluguel; cancro ou câncer; libertar ou liberar; planear ou planejar; maquilhagem ou maquiagem; dobrar ou dublar; esclavagista ou escravista; desenhador ou desenhista; registar ou registrar; camião ou caminhão; comboio ou trem; nave espacial ou espaçonave; aterrar ou aterrisar; casino ou cassino; e um milhão de eteceteras. Sendo assim, a quimera das edições comuns só pode existir como delírio.

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Acordo:

(Des)entendimento ortográfico

 

Explica o dicionário que “acordo” significa “entendimento recíproco” e também “parecer favorável”. O mesmo é dizer “aprovação”, “consentimento”. No dia 13 de Maio, impôs-se oficialmente a adopção do Acordo Ortográfico de 1990. Em teoria, estamos a falar (e sobretudo a escrever) de “concordância”, “assentimento”, “convenção”, “pacto”. Na prática, nem tanto. E não é teimosia, é apreço pela legibilidade e compreensão. “O comboio para o Porto para em Coimbra.” Percebeu o que se queria dizer? O segundo “para” significa “pára”. Agora imagine o que fazer a este slogan de um clube desportivo que até aqui gritava: “Ninguém pára o Vitória!” A versão oficial será: “Ninguém para o Vitória!” Se o desempenho atlético não os salvar, o contexto linguístico ainda menos. Outro exemplo: “Passar a mão pelo pelo.” Esta é mais óbvia, mas ainda assim… que mal fazia deixar o acento circunflexo no “pêlo”? O “acordo” de que aqui se fala valoriza a fonética e subestima a etimologia. É um critério discutível, mas que já de pouco adianta discutir. Os organismos oficiais vão continuar a redigir de acordo com o acordo (e tantas vezes tão mal que nem se percebe de acordo com quê), as editoras prosseguirão na produção de dicionários (facturando de acordo) e os alunos serão avaliados segundo as novas regras ortográficas (mesmo com professores em desacordo). “Tino”, “juízo”, “reflexão” também são traduções de “acordo”. Mas o sentido que mais nos agrada nada tem que ver com isto: “Instrumento italiano, espécie de rabecão, de doze a quinze cordas, que tangidas simultaneamente produziam sons acordes.” Outra música, portanto. “Alto e para… o baile.”

[Transcrição integral de artigo da autoria de Rita Pimenta. Jornal “Público” de 17.05.15. “Links” nossos.]

publicoMais de uma centena de personalidades de diversas áreas – incluindo académicos, escritores, músicos, actores e políticos de vários quadrantes – intentou, no Supremo Tribunal Administrativo, uma acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) ao sistema de ensino público, do ensino primário ao secundário.

Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix e Isabel Pires de Lima são alguns dos ex-governantes que subscrevem a acção, a par de José Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, dos músicos António Victorino d’Almeida, João Braga, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso ou Rão Kyao, dos escritores Joaquim Pessoa e Teolinda Gersão, da actriz Lídia Franco ou de professores e ensaístas, como Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado Fernandes ou o prestigiado camonista e teórico da literatura Vítor Aguiar e Silva.

[via Acção judicial popular contra Acordo Ortográfico – PÚBLICO.]

Nota: a ILC – AO não tem absolutamente nada a ver com esta “acção popular”; alguns dos nossos subscritores têm também o seu nome citado nesta “acção popular”, nada mais. Desejamos boa sorte a mais esta “acção”, como sempre desejamos sorte a seja que “acção” for contra o AO90 .

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Censura e critérios editoriais

Considero salutar continuarmos em linha aberta a debater, no PÚBLICO e outras frentes, as problemáticas da língua portuguesa.

É facilmente admissível. Nem sempre é o jornal ou os seus jornalistas que são questionados pelos leitores. O provedor também o é. Por discordância com as suas posições. Pela interpretação dos leitores que, algumas vezes, sentem-no a puxar para o lado que consideram menos certo.

O meu último texto a propósito do Acordo Ortográfico ou mais precisamente sobre a posição assumida pelo PÚBLICO de não adoptar na escrita da língua portuguesa as normas ortográficas estipuladas pelo Acordo de 1990, suscitou da parte de alguns leitores reacções de discordância e algum contraditório. Por mim, estou bem ciente de que as posições de um provedor são tão discutíveis e objecto de negação ou contraditório como as de qualquer um dos interlocutores que se manifestam no espaço de liberdade de opinião, valor que, felizmente, ainda é marca de uma democracia, hoje em dia, já bastante “agredida” e defraudada nas suas condições basilares. E se não aceitasse que o PÚBLICO é um desses espaços de liberdade não estaria comprometido com as funções de provedor dos seus leitores.

Neste contexto, um leitor atento à crónica publicada, no passado dia 2.03.2014, escreve: O provedor “não respondeu à questão deontológica que lhe foi colocada: por que razão, sendo o PÚBLICO uma tribuna aberta a várias correntes de opinião não franqueia as suas colunas ao considerável número de personalidades que, com fundados argumentos, sustentam as vantagens do Acordo Ortográfico em vigor. Como leitor do PÚBLICO gostava de saber de si e do PÚBLICO essa resposta.”

Ora, em primeiro lugar, o que interessava era a resposta concreta do PÚBLICO. Consultei a Directora do PÚBLICO sobre estas queixas da eventual não publicação de artigos recebidos na defesa do Acordo Ortográfico que, em resumo, me respondeu: Até hoje, todos os artigos que recebemos a favor do Acordo foram publicados. Porque recebemos muito mais artigos contra o AO, nem todos são publicados. A publicar todos monopolizávamos as páginas do jornal sobre este tema. Contudo, “não faz sentido falar em censura”. De um leitor recebemos uma única queixa pelo facto de lhe termos cortado uma frase numa carta publicada na secção “Cartas à Directora” sobre o Acordo, carta essa publicada na íntegra no PÚBLICO online.

Quanto à minha não resposta “à questão deontológica”, só agora interroguei directamente a Directora sobre essa queixa de o PÚBLICO “tribuna aberta a várias correntes de opinião não franquear as suas colunas” a artigos a favor do Acordo. O acento tónico da minha crónica anterior situava-se na aceitação do PÚBLICO legitimamente ter adoptado não seguir o AO90. Direito esse que o próprio Leitor reconhece legítimo. Por outro lado, conforme correspondência trocada com alguns leitores sobre este mesmo assunto, entendi não ser minha atribuição, do lugar de provedor, ter de me declarar a favor ou contra o AO. Obtida a confirmação de que, efectivamente, o PÚBLICO não publica todos os artigos que recebe a favor do Acordo Ortográfico, e porque me recuso a aceitar esta atitude ter a ver com “práticas censórias”, tenho de aceitar que estamos perante critérios editoriais. Estes, entendo eu, não competem ao provedor definir.

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