ILC contra o Acordo Ortográfico

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Neste debate entre o professor Ernani Pimentel e a professora Renata Pallottini (membro da Academia Paulista de Letras), são apresentados diferentes pontos de vista relativamente a “mais um passo” do AO90.

Segundo Ernani Pimentel, o AO90 é praticamente igual às alterações introduzidas em 1975 (no Brasil, é capaz… quanto a Portugal, não se pode afirmar o mesmo). Ainda segundo Pimentel, não se deve decorar as coisas, mas sim compreendê-las. No entanto, faz tábua rasa de toda a história das palavras, defendendo que bastaria saber como se dizem para saber escrevê-las. Faz ainda curiosas afirmações relativamente ao senador Cyro Miranda e à comissão que este lidera. Ao minuto 7:30, é apresentado um quadro ilustrativo das propostas de alteração, onde se suprimem não só as consoantes como também as vogais “mudas”. (Porque não? Se é para suprimir, vamos a isto…)

Já a professora Renata Pallottini diz que desprezar a história das palavras é incrementar a ignorância e não melhorar a educação.

Ou seja, em suma, sirvamos a coisa em forma de sinopse, à laia de aperitivo para tornar um pouco mais tragáveis os 23 minutos deste televisivo “debate” sobre a “reforma da reforma“.

O “Coordenador do Grupo de Trabalho Técnico” (ou “Grupo Técnico de Trabalho”, pelos vistos os brasileiros não se entendem nem sobre isto) do Senado Federal brasileiro, Ernani Pimentel, participa num “debate” – em dueto com uma senhora – a um Canal de TV brasileiro. No dito debate o dito Ernani jura, mui cientificamente, que “no início, quando começou a língua portuguesa, a palavra ‘HOMEM’ não tinha H“, por um lado, e por outro lado, não menos científica e surpreendentemente, garante que “o senador Cyro Miranda não tem nada a ver com isso”, ou seja, com a “reforma da reforma” que Pimentel (diz que) está a promover no Senado do… senador.

Há na gravação, além disto, que já não seria pouco, algo de ainda mais hilariante — em forma de diálogo:

-A senhora não tem experiência de sala de aula.
-Eu sou professora há 50 anos!!!

Nada como ver (ouvir) para crer.

«Os outros países assinaram o acordo em uma semana em que estiveram em Portugal bebendo vinho, sem entender direito.»
Ernâni Pimentel, 18 de Agosto de 2014

Ah, pronto, assim compreende-se…

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“Caza com ‘z’ continua sendo um substantivo”, diz professor que propõe alterações no Português

Ernani Pimentel coordena a Comissão de Educação do Senado, cujo projeto pretende facilitar a escrita da língua
por Bruna Scirea
18/08/2014 | 13h05

Um projeto para alterar (mais uma vez) as normas ortográficas da língua portuguesa está em elaboração pela Comissão de Educação do Senado. Se o novo acordo for aprovado, a partir de 2016 não vai mais existir “Homem” com “H” maiúsculo. Nem com minúsculo.

Entre as regras que devem ser apresentadas para avaliação no próximo mês, está o desaparecimento do “h” no início de palavras, e a abolição total do “ç”, do “ch” e do “ss”.

Confira abaixo a entrevista com o professor de português Ernani Pimentel, um dos coordenadores do grupo técnico da Comissão de Educação do Senado.

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Zero Hora — Que mudanças devem ser propostas?

Ernani Pimentel — O hífen pode ser abolido. Ele não existia no latim. Antes do acordo, ninguém sabia as regras antigas. Agora, ninguém sabe as regras atuais também. Ponto. Significa que não funciona. Outro problema é o do “j” e do “g”. Esses dias vi duas placas em Genipabu, uma tinha a inicial “G” e a outra “J”. É uma confusão. Como se resolve isso? Transformando a letra “G” em “gue”. Todo som que tenha o “u” no meio, vai ser com “g”. O resto, como Genipabu, vai ser escrito com “J”.

ZH — E o “ch” e o “x”?

Pimentel — A regra do “x” e do “ch” é muito simples (ironia): as palavras indígenas, árabes e de origem africana são escritas com “x”. Agora, quem é que sabe das origens das palavras?

ZH — E o que esse projeto elaborado pelo grupo técnico pretende?

Pimentel — Fazer com que a escrita e a leitura sejam mais simples. As novas regras não vão mexer na língua. Tem muita gente mal informada em relação a isso. Se eu escrever “casa” com “z”, ela vai continuar sendo um substantivo, funcionando como objeto direto, como predicativo do sujeito, etc. A língua continua do jeito que é, só vai mudar a forma de escrever.

ZH — Por que a obrigatoriedade do acordo teve de ser adiada do fim de 2012 para 2016?

Pimentel — O acordo teve muitos problemas para ser implantanto. Vou te dar um exemplo. Não existe um professor que consiga dizer: “eu sei as regras ortográficas”. E se o professor não souber, ninguém vai saber. Esse projeto foi feito a portas fechadas, não houve discussão. A Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia das Ciências de Lisboa decidiram sozinhas, sendo que elas não têm conhecimento suficiente para isso. Cada uma tem apenas um filólogo, que é o que entende de língua. Então foram duas pessoas que definiram um acordo todo.

ZH — E os outros países de língua portuguesa?

Pimentel — Os outros países assinaram o acordo em uma semana em que estiveram em Portugal bebendo vinho, sem entender direito. Esse acordo foi assinado em 1990 e ficou parado um tempo. Dezoito anos depois, ele foi transformado em lei. Só que o pior ainda é que essas regras ortográficas haviam sido discutidas em 1975, o que significa dizer que você vai colocar em vigor uma maneira de pensar da época da ditadura, com base no “decoreba”.

ZH — E como o Senado entrou no processo?

Pimentel — O Senado ouviu reclamações de muitas pessoas da sociedade e acabou fazendo duas audiências públicas. A ABL foi chamada, assim como o Ministério da Educação (MEC). Nenhum dos dois foi. O governo se ausentou porque não tinha o contra argumento. A ortografia é um patrimônio de todo mundo e o debate aberto deve ser provocado.

ZH — Mas essas mudanças deverão encontrar uma enorme resistência…

Pimentel — Pergunto para você, o que você acha dessas ideias?

ZH — Bom, acho que teria medo de desaprender o pouco de gramática que já sei…

Pimentel — Você não vai desaprender o que sabe. Você vai é aprender o que nunca soube. Tudo vai ficar mais fácil, as pessoas vão optar pelo comodismo. Não temos dúvida de que a ortografia tem que ser simplificada para melhorar o ensino no Brasil e nos outros países também. As regras de hoje deixam os alunos com trauma de escrever e de ler. E se eles não sabem isso, não aprendem nada.

[Transcrição integral de notícia do jornal “Zero Hora” (de Porto Alegre, Brasil) publicada em 18.08.14. “Links” e destaques inseridos por nós.]

Agradecimentos a Marcelo Soriano, do Brasil, pela indicação da notícia.

«O Acordo Ortográfico visa dois objectivos: reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional e garantir uma maior harmonização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).»
Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

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O texto que se segue foi publicado na edição de hoje, 10 de Junho de 2015, no jornal “Público”. O mesmo texto foi publicado também hoje num “site” de petições electrónicas.

A sua reprodução aqui justifica-se, apesar de (estranhamente, pensarão alguns) nele não haver uma única referência expressa ao “acordo ortográfico”, porque está redigido em Português europeu (o que não é de estranhar, já que se refere à União Europeia), porque denuncia com estrondo o falhanço do dito AO90 quanto à “projecção internacional da Língua Portuguesa” e, finalmente, porque muitos dos seus signatários e co-autores são anti-acordistas de sempre, é gente com provas dadas na luta contra o Aleijão Ortocoiso, são pessoas com “curriculum” (também) nesta Causa que é de todos.

Mas, essencialmente, a relevância deste escrito em forma de apelo reside no seguinte: se, como o AO90 pretendia, “garantir uma maior harmonização ortográfica” é uma gigantesca falácia, o que todos os dias – aqui mesmo e alhures – se comprova, já “reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional” é, como demonstra este extraordinário documento, uma patranha de todo o tamanho.

 

publicoApelo ao PR em defesa da língua portuguesa na União Europeia

10/06/2015 – 04:15

Não podemos transigir com a diminuição e desvalorização da nossa Língua.

 

Senhor Presidente da República, Excelência,

O regime da União Europeia, como já acontecia na CEE a que aderimos em 1985, é o de que todos os cidadãos europeus têm o direito de se dirigir às instituições da União numa das línguas dos Tratados, devendo obter uma resposta na mesma língua.

Este é o regime consagrado de rigorosa paridade linguística, em que se funda a própria construção europeia, traduzindo o seu espírito democrático, base cidadã e união na diversidade.

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publicoOpinião

O direito de ser atropelado

Maria Filomena Molder

04/05/2015 – 00:32

Ao contrário do que diz, a escrita é um repositório de enxames de significações ancoradas em redes etimológicas e um tesouro da memória. Na medida do possível, a ortografia deveria evitar o seu apagamento.

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No passado dia 14 de Abril realizou-se na Faculdade de Letras da UL um Fórum Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao “Acordo Ortográfico” de 1990, cujo cartaz suscitou reacções sensíveis por parte do “Ciberdúvidas”.

Além de apontar para um erro ortográfico, a saber, a falta de um hífen e de um ponto em 3ªfeira – o que, no meio do caos generalizado e serenamente ignorado, soa a lágrimas de crocodilo –, remeteu o leitor para a reacção do historiador Paulo Pinto publicada no blogue “Jugular”, e ainda para um artigo do mesmo autor publicado em 2013 no nº 177 da Revista Brotéria.

Fui ler. Quanto ao primeiro texto, o historiador converteu-se em director de consciência dos autores do cartaz e promotores do Fórum, acusando-os de enxovalhar a inocência do AO90. Ora, nós sabemos bem que só depois da aplicação experimental do AO90 estes erros monstruosos – “pato de regime”, “abruto”, “apocalise”, “pseudo-inteletual”, “fatos ocorridos”, “deixe o seu contato”, etc. – começaram a surgir nos documentos oficiosos e institucionais, bem como nos meios de comunicação. A lista é devastadora. Há quem a tenha actualizado: Fernando Venâncio, “O ACORDISMO EM NEGAÇÃO”, por exemplo. Só não vê quem não quer. É o caso do “Ciberdúvidas” e do historiador Paulo Pinto, que passam por tais provas incontestáveis como cães por vinha vindimada.

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bogea_acinoembaichoDefendendo o estupro da Língua Portuguesa

segunda-feira , 2015, 0:37

 

O omem disse que oje vai xover.

É assim que passaremos a escrever se forem aprovadas as mudanças sugeridas para uma nova reforma ortográfica da língua portuguesa, em debate no Senado da República desde o ano passado.

A proposta de mudança feita pelo professor Ernani Pimentel, dono de uma rede de cursos preparatórios, inclui também outras mudanças.

Por exemplo, palavras grafadas com “Ç”, “SS” e XC passariam a ser escritas com um “S”. A simplificação do idioma inclui a extinção do H no início das palavras, bem como do CH, que seria substituído por X.

Na noite de sábado, 14, eu assisti a um debate de Ernani Pimentel com outros protagonistas, na TV por assinatura, ratificando sua proposta, hoje apoiada por alguns congressistas.

Como está dito acima, Pimentel é dono de uma rede de cursinhos pré-vestibular.

Claro, o interesse dele é “reensinar” a língua portuguesa, dentro das novas regras, ampliando suas bancas de faturamento.

Muitos professores de português de todo o país têm se manifestado contra.

Alguns acham uma besteira sem tamanho o argumento de Pimentel de que a simplificação facilitaria o aprendizado.

A dificuldade de alfabetizar não diz respeito à grafia das palavras, mas sim ao método de ensino do professor.

O assessor do Museu da Língua Portuguesa e professor da USP, Ataliba de Castilho, no debate da televisão de sábado, disse  que “é preciso o professor ajudar o estudante a compreender as diferenças entre língua falada e escrita. Mudar as letras não muda esse processo.”

O professor Ernani Pimentel faz parte do grupo de trabalho técnico do Senado criado no ano passado para revisar o acordo ortográfico de 2009.

São ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil, essas tentativas de estupro de nossa Língua. .

O argumento de que as novas mudanças facilitariam o aprendizado não é válido.

Aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados.

A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma.

Essas mudanças lembram  a história do cara que pede a secretária para redigir uma convocação de todos os empregados para uma reunião na sexta feira. A moça para de escrever e levanta sua dúvida :

                        – Chefe, sexta é com s ou com x?

E o chefe: – Transfere pra quinta.

E tudo disso diante do novo Acordo Ortográfico, assinado em 2008, e que entrará em vigor em 2016.

Até lá, vão tentar fazer mais mudanças na “última flor do Lácio, inculta e bela”, como diria Olavo Bilac.

[Transcrição integral (mantendo, obviamente, a ortografia brasileira do original) de “post”, da autoria de Hiroshi Bogéa, publicado no “site” Hiroshi Bogéa On line em 16.03.15. Alguns “links” foram adicionados por nós. A imagem foi descarregada do mesmo “site”.]

Diz Pimentel: “comparar o Português com o Inglês e o Francês e o Alemão é como comparar formiga com elefante. São culturas muito diferentes. Essas línguas têm muito mais História.”

E mais adiante acrescenta: “eu considero a nossa língua em começo de expansão”.

 

[Excerto vídeo da 2.ª sessão de audiência sobre o AO90 realizada no Senado Federal do Brasil em 22.10.14. 1.ª parte desta série de vídeos AQUI e a 2.ª parte AQUI.]

bresilienV«Então é preciso refletir se o “purismo sintático e lexical embute discriminação” ou se perpetua subserviência. Lê-se a propósito em um post intitulado “Liberdade para a língua brasileira”, de “outros lusófonos”: “Defendemos a ideia que no Brasil já se fala outra língua [acrescentaria: e já se escreve outra língua também].

Defendemos que seja preciso dar aos brasileiros a liberdade de falarem na sua própria língua: o brasileiro [e de escreverem na língua brasileira]. A editora francesa Assimil, que vende cursos para aprender línguas estrangeiras, vende um curso com livro e 4 CDs para aprender a falar Português, e outro curso, sempre com livro mais 4 CDs, diferente para aprender a falar brasileiro.

E essa editora tem razão, pois já são duas línguas diferentes. É altura de aceitarmos isso, como já aceitamos que na África do Sul se fala Afrikaans, que já não é holandês, e em Barcelona se fala catalão, que não é castelhano. É altura de deixarmos aos brasileiros a liberdade e o orgulho de terem a sua própria língua. Chega de acordos! O casamento acabou, é altura de divorciarmos e muito boa sorte para todos.”»

Excerto de Por uma língua brasileira: acordo ortográfico pode abolir ‘Ç’, ‘CH’, ‘H’ e ‘SS’ | São Paulo Review.

Por uma língua brasileira: acordo ortográfico pode abolir ‘Ç’, ‘CH’, ‘H’ e ‘SS’

| São Paulo Review

A obrigatoriedade da nova ortografia, que resulta do acordo entre os países de Língua Portuguesa, mas vigorando em caráter facultativo desde 2009, foi adiada até 31 de janeiro de 2015. Isso porque, agora, senadores como Cyro Miranda (PSDB,GO), Cristovam Buarque (PDT,DF), Ana Amélia Lemos (PP,RS) e Lídice da Mata (PSB,BA), entre outros, entendem a necessidade de extinguir do vocabulário linguístico as letras “ç”, “ch”, “h” e construções com dois “s”, com o objetivo de substituir a “memorização, vulgarmente conhecida como decoreba, pelo raciocínio e entendimento”, a “eliminação de contradições e duplas grafias e a redução máxima do uso de hífen ou também a sua eliminação.”

Segundo o professor Ernani Pimentel, da equipe de debate do projeto “Simplificando o Português”, “quase ninguém sabe a ortografia em nosso País e encontrar alguém que saiba usar hífen, j, g, x, ch, s, z é algo raro. Até professores precisam recorrer a dicionários para confirmar como se escreve uma palavra, de tão complexo que é o nosso sistema.”

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CongressoBrasilpinterest«Outros debates serão feitos, principalmente com os professores que, de acordo com o senador, estariam “chiando”. Isso porque os profissionais não foram chamados para a discussão. “Na verdade, ninguém foi ouvido. Esse acordo foi feito pela ABL, somente. Essa que é a grande revolta. Por isso, a comissão tem por obrigação trazer o problema e, democraticamente, discutir a questão. Não temos e nem é competência nossa dizer se haverá reforma”, avaliou. Segundo o senador, a instituição foi convidada diferentes vezes para o debate, mas nunca mandou representante.»

«Para Cyro Miranda, houve um despreparo no passado e o acordo foi feito a toque de caixa, sem o envolvimento da sociedade. Questionado sobre como promover o diálogo em um Brasil tão extenso, o tucano adiantou que pretende fazer comissões permanentes com coordenação para que as discussões abranjam todo o território nacional.»

Via www.jornalopcao.com.br

Língua Portuguesa

Senador Cyro Miranda avalia que acordo ortográfico não terá sucesso internacionalmente

23/10/2014 13h12 Por Marcello Dantas Edição 2050

Presidente de comissão do Senado responsável por analisar alterações, o goiano relata dificuldade do Brasil em compactuar mudanças com países lusófonos

O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o senador goiano Cyro Miranda (PSDB), defendeu que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa seja aprovado como está. Em entrevista ao Jornal Opção Online nesta quinta-feira (23/10), o tucano disse que a questão foi mal discutida, e que, inclusive, alguns países lusófonos que assinaram o acordo não se incorporaram às mudanças.

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TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão?

DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.

via Academia de Letras de Brasília: Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva.

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Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”

POR THAÍS NICOLETI

Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.

O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009, cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.

De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.

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«Tudo parece tão inocente, não é verdade? Coisinhas banais, como tirar um hífen aqui, um acentinho lá. Mas pense no que vem embutido com a reforma: novas edições de dicionários, reedições de toda a literatura, incluindo nisto os livros escolares e os paradidáticos, a galinha dos ovos de ouro dos editores. Um acentinho aqui, um hifenzinho ali… e o movimento de milhões de reais na indústria do livro.
Esse é o verdadeiro significado da reforma.
»
De texto do mesmo autor, Abril de 2012

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Mais uma tomada de três pinos

Janer Cristaldo

Nem foi ainda consolidado o último acordo ortográfico e o Senado nos propõe outra tomada de três pinos. Pois reformas ortográficas e tomadas de três pinos em muito se parecem. Inocentes e inócuas inovações, à primeira vista, servem para locupletar as burras dos manipuladores da indústria do inútil.

Leio nos jornais que o projeto “Simplificando a Ortografia”, idealizado por um tal professor Ernani Pimentel, ganhou destaque na Comissão de Educação da casa. O objetivo do projeto, segundo o professor, é criar uma língua portuguesa com um menor número de regras, para tornar seu aprendizado mais rápido e eficaz.

Ou seja, ainda não é consenso o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990 por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e mais tarde Timor-Leste, e já temos mais uma reforma. Fruto dos sumos bestuntos da Academia Brasileira de Letras (leia-se Antonio Houaiss, que já tinha pronto seu dicionário na nova ortografia proposta) e da Academia das Ciências de Lisboa, o acordo entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e em 13 de maio de 2009 em Portugal, embora os lusos, os pais da língua, até hoje hesitem em adotá-lo. Foi estabelecido nos dois países um período de transição em que tanto as normas anteriormente em vigor como a introduzida por esta nova reforma são válidas: esse período era de três anos no Brasil (foi estendido agora para 2018) e de seis anos em Portugal.

Os brasileiros, como que obedecendo uma ordem divina, adotaram o acordo no dia seguinte, sem que nenhuma sanção recaísse sobre quem não o adotasse. Que os editores se apressassem em ratificá-lo, entende-se: muda-se uma letrinha cá, outra acolá, retira-se o trema, o hífen e alguns acentos cá e lá, e bilhões de reais vão para a indústria editorial. Mais ou menos como a tomada de três pinos.

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