ILC contra o Acordo Ortográfico

Ler, assinar, divulgar

Resultados da Pesquisa em vasco teixeira

PublicoVT220413Eu, Vasco Teixeira, sou e sempre fui contra o Acordo Ortográfico assinado em 1990.

As razões que sustentam a minha posição foram por de mais conhecidas e divulgadas ao longo das quase duas décadas de luta contra o que apelidei, recorrentemente, de “malfadado acordo” e de “desacordo”.

Dito isto, quero sublinhar que a minha visão de responsabilidade social e empresarial num Estado de direito obriga a um respeito escrupuloso das regras legalmente definidas. Por isso, a partir do momento em que (í) a Assembleia da República aprovou o Acordo Ortográfico (AO) assinado em 2004 em sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e por todos os países constituintes (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste); e (ii) o Ministério da Educação definiu o calendário de implementação do AO no ensino, incluindo o período de transição, entendi que o processo tinha atingido o ponto de não-retorno. Apesar da minha discordância, repito.

Vem isto a propósito de um artigo de opinião de Madalena Homem Cardoso, publicado a 11 de Abril último, com o título “Audiência vs. audições e a ‘PPP’ dos livros escolares”. Nesse artigo, é feito um exercício que, tendo como base o meu depoimento perante os deputados do Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o Acordo Ortográfico (14 de Março de 2013), procura apresentar o Grupo Porto Editora como eventual beneficiário da implementação do AO. É um artigo infeliz, pela leitura deturpada que faz do que eu transmiti ao referido grupo e pelas lamentáveis considerações pessoais que tece a meu respeito – que, por educação, as devolvo sem sobre elas perder tempo. Mas, mais do que infeliz, é um artigo intelectualmente desonesto ao fazer acusações graves sobre a nossa conduta editorial e empresarial numa área que encaramos com singular responsabilidade: a edição escolar.

Dá-me alguma tranquilidade o facto de o meu depoimento, bem como os esclarecimentos que prestei na sequência das dúvidas e questões colocadas pelos deputados, estar facilmente disponível à leitura de todos os interessados através de uma pesquisa na Internet. Contudo, faço questão de aproveitar esta oportunidade para esclarecer, mais uma vez, a nossa posição sobre este assunto.

continue a ler…

Dada a sua extraordinária relevância, transcrevemos de seguida – a partir de gravação – as questões e observações colocadas pelos deputados durante a audição do Director da Porto Editora perante o Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o AO90.

O depoimento de Vasco Teixeira já aqui foi anteriormente transcrito, bem como foi reproduzido o documento entregue pelo próprio na ocasião.

logoCECC

Perguntas dos deputados

[Gravação das intervenções dos/as deputados/as Miguel Tiago, Rosa Arezes, Gabriela Canavilhas e Carlos Enes.]
[audio: https://ilcao.cedilha.net/imagens/GTAO90VTdebate1.mp3]
[Atenção: entre os minutos 34:35 e 38:54 há um espaço “em branco” de 4 minutos e 20’ na gravação.]

GTAO90VTdep1

continue a ler…

Dada a extraordinária relevância do depoimento (já aqui transcrito) de Vasco Teixeira, Director da Porto Editora, perante o Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o AO90, transcrevemos de seguida o documento entregue naquela audição pelo próprio.

GTAO90participe1

AUDIÇÃO PARLAMENTAR N.º 2-GT-AAAO-XII (2013-03-14)
Assunto: Aplicação do Acordo Ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO), assinado em 1990, possibilita diferentes interpretações das novas regras dado que não estabelece uma ortografia única e inequívoca: a interpretação do vocabulário oficializado em Portugal, a interpretação da Academia das Ciências de Lisboa e a interpretação do vocabulário oficializado no Brasil que, logo após a publicação da sua 5.ª edição, disponibilizou ‘online’ um Encarte de Correções e Aditamentos à 5.ª Edição, além de outras possíveis interpretações do texto propriamente dito.

Em 25 de Janeiro de 2011, o Governo português oficializou dois instrumentos para a aplicação do AO, o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) e o conversor Lince, desenvolvidos pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC). À data, já existiam no mercado vários vocabulários com respectivos conversores ortográficos e as diferenças entre esses vocabulários e o VOP eram significativas, pelo que foi necessário efectuar alguns ajustes e aplicar novos critérios.

Recentemente, em Dezembro de 2012, a publicação do Vocabulário Ortográfico Actualizado da Língua Portuguesa (VOALP), da responsabilidade da Academia das Ciências de Lisboa (órgão que, como se refere no portal da Academia, deve “assegurar ao Governo português consultoria em matéria linguística”), levanta a dúvida de qual o vocabulário a seguir no futuro, dado que há disparidades entre os dois.

continue a ler…

logoCECC

Vasco Teixeira (1956 (57 anos)) é um engenheiro civil português, administrador e director editorial da Porto Editora. É filho de um dos fundadores da Porto Editora, Vasco Teixeira, e irmão de José António Teixeira, com quem divide a liderança do grupo.
É licenciado em engenharia civil pela Universidade do Porto.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_Teixeira

Seguem-se transcrições e gravações das partes mais significativas do importantíssimo depoimento de Vasco Teixeira, director da Porto Editora, em audiência concedida (a 14.03.13) pelo Grupo de Trabalho parlamentar sobre o Acordo Ortográfico.

Intervenção inicial de Vasco Teixeira

[audio: https://ilcao.cedilha.net/imagens/GTAO90VascoT.mp3]

GTAO90VTp1N

continue a ler…

ILCAOflagA decisão de fazer evoluir a luta contra o Acordo Ortográfico transformando-a em Partido contra o Acordo Ortográfico não tem apenas como qualidade, e vantagem, demonstrar a cobardia e a hipocrisia dos actuais «partidos» do sistema político nacional – não só os de governo, mas todos os que estão representados no parlamento – cujos militantes e dirigentes tão mal se comportaram (com algumas e honrosas excepções, é certo) no infame – e ilegal – processo de implementação do AO90 em Portugal, ao não saberem, ou ao não quererem, representar e reflectir a opinião da maioria dos seus eleitores. Tem também, esta transformação, a particularidade de demonstrar a cobardia e a hipocrisia do próprio sistema político nacional, que, precisamente, exige mais assinaturas para a apresentação de uma proposta de lei por cidadãos do que para a legalização de um novo partido ou para a formalização da candidatura de um cidadão (com mais de 35 anos) à presidência da república…

continue a ler…

Nova Águia 014 - CAPAA minha pátria já não é a língua portuguesa

Octávio dos Santos

No meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», colectânea de artigos escritos e publicados durante 25 anos e publicado em 2012 pela Fronteira do Caos, um tema recorrente tão importante como a política é a cultura. Dentro desta, a língua – falada e escrita – ocupa, obviamente, um lugar central. Nos últimos cinco anos ela tem sido cada vez mais um motivo de acesa discussão, de controvérsia, de polémica… devido ao denominado «Acordo Ortográfico de 1990». Algo de que eu discordo e combato incondicionalmente, naquela minha obra e não só…

… E é inevitável invocar, mais tarde ou mais cedo, um dos nossos maiores poetas e aquela que é talvez a sua frase mais famosa. Em «Setembro de 2011, mais concretamente a 1 e a 12, devido a documentos legislativos com essas datas, assinala(ra)m-se os 100 anos de mais uma catástrofe decorrente da insurreição republicana de 5 de Outubro de 1910: a reforma ortográfica de 1911, que constituiu uma autêntica “Caixa de Pandora”, o “pecado original” para todos os problemas e discussões neste âmbito que desde então se sucederam e que ainda hoje, e cada vez mais – por causa do abominável “aborto (acordo) ortográfico” de 1990 – nos atormentam. Não serão muitos os que sabem que foi em contestação a este (agora centenário) crime contra a cultura que Fernando Pessoa escreveu que “a minha pátria é a língua portuguesa”. (…) Neste último século muito se tem discutido e escrito sobre a educação em Portugal, os seus sucessos e fracassos, os seus progressos e regressões. Frequentemente ainda, fala-se do “condicionamento escolar” do Estado Novo e do elevado analfabetismo que permitiu ou até que incentivou. Porém, é raro apontar-se a culpa aos primeiros republicanos, que, preconizando uma revolução (mais uma…) no ensino no sentido da sua massificação, acabaram por fracassar, também, neste domínio. Disso uma causa é hoje indiscutível: a hostilização, através de perseguições individuais e de expropriações patrimoniais, da Igreja Católica, que dispunha de uma presença e de uma influência determinantes em toda a infra-estrutura lectiva. Mas há outra causa primordial para o nosso atraso educativo e cultural: precisamente, a reforma ortográfica de 1911, que, pelo seu radicalismo, pelas súbitas e generalizadas alterações que introduziu, pela confusão que inevitavelmente espalhou, pela inutilização (tornando-os “antiquados”, “obsoletos”, “ultrapassados”) de tantos livros, jornais, revistas e outros materiais impressos então existentes, condicionou decisivamente… e negativamente esta área – fulcral, fundamental – nas décadas seguintes. Quem é que é capaz de provar que as sucessivas acções de “simplificação” da ortografia realizadas durante o último século, e o cada vez menor grau de exigência resultante daquelas, não foram factores de constrangimento do nosso desenvolvimento intelectual, tanto individual como colectivo? (…)» («Da pátria, a língua», 2011)

continue a ler…

“A resposta parece ser negativa”? Não, não parece. A resposta é mesmo negativa.
“A realidade não parece comprovar”? Não, não parece comprovar. Comprova mesmo.
“Parecendo-lhe «evidente»”? Não, não apenas lhe parece como é mesmo evidente; sem aspas.
JPG


publicoLUÍS MIGUEL QUEIRÓS – 

Agora que boa parte das editoras adoptaram o acordo, o livro português ganhou mercado no Brasil? A resposta parece ser negativa.

Ao estabelecer uma ortografia unificada, o acordo ortográfico (AO) iria facilitar a circulação do livro português no Brasil. Este foi, entre muito outros, um dos argumentos brandidos em favor da sua aplicação. Agora que, tanto em Portugal como no Brasil, boa parte das editoras adoptaram o acordo, essa promessa começa já a concretizar-se? A resposta parece ser negativa.

Entre os três principais grupos editoriais portugueses, dois adoptaram o AO, abrindo apenas excepção para autores que rejeitem expressamente a nova ortografia. É essa a política da Porto Editora e da LeYa. No grupo Babel, cujo presidente, Paulo Teixeira Pinto, se opõe publicamente ao AO, segue-se a lógica inversa, explica Sara Menezes, do departamento de comunicação: “Utilizamos sempre a ortografia anterior ao acordo, a menos que o autor diga algo em contrário.” E, garante, “não é nada frequente” que isso aconteça. A excepção à regra geral é o sector da literatura infanto-juvenil, em cujas edições a Babel já vem utilizando o AO.

continue a ler…

Boa tarde,

Chamo-me Rocío Ramos, sou espanhola, estudante de Português e cliente da Wook desde Setembro de 2009.

Há uns dias coloquei-vos uma questão através do vosso site mas ainda não recebi resposta, é por isso que repito a minha dúvida: como posso saber se os livros que tenciono comprar estão impressos ou não conforme às regras do Acordo Ortográfico-90?

Nos “detalhes do produto” que aparecem no site, fala-se de número de páginas, ano de edição, classificação temática e até tamanho dos livros mas nada que indique se vou receber os livros escritos em correcto Português ou não.

Tenciono continuar a comprar livros à Wook porque nem sempre me posso deslocar a Portugal para os comprar ali mas preciso da informação solicitada porque recuso total e absolutamente comprar um único exemplar que seja escrito ou impresso ao abrigo das normas do AO90 uma vez que preciso continuar a ler em Português correcto para continuar a minha aprendizagem da vossa bela Língua.

Fico à espera da vossa resposta, que agradeço antecipadamente.

Rocío Ramos
Zamora (Espanha)

[Carta já anteriormente publicada aqui.]

From:
Date: 2011/9/13
Subject: Re: 11 – Assistente automático!
To:

—-ATENÇÃO———-
Não faça reply a esta mensagem. Em caso de dúvida ou para qualquer contacto adicional, dirija-se à nossa Área de Ajuda: http://www.wook.pt/help
———————-

Cara cliente,

Acusamos a recepção da sua mensagem que desde já mereceu a nossa melhor atenção.

Agradecemos o seu contacto e solicitamos-lhe que nos indique os livros em questão, de modo a fornecermos-lhe uma resposta adequada.

Aguardamos o seu contacto e agiremos em conformidade.

Salientamos, contudo, que existe um período de transição, período esse em que as duas ortografias (a anterior a este Acordo e a nova ortografia) coexistem. Uma resolução do parlamento português, de 29 de julho de 2008, prevê um prazo de seis anos para a transição definitiva para a nova ortografia. Este período, iniciado a 13 de maio de 2009, com a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, terminará em 2015.

Sugerimos-lhe a consulta da página da Porto Editora sobre o Acordo Ortográfico: www.portoeditora.pt/acordo-ortografico/conversor-texto.

Agradecemos desde já a sua preferência, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.
Atentamente,
A Equipa WOOK

—-AJUDA—-
Área de Ajuda: http://www.wook.pt/help
————————-
http://www.wook.pt
WOOK
Centro Logístico Porto Editora
Via Dr. Vasco Teixeira, 370
4470-498 MAIA

Bom dia,
Após a vossa resposta ao respeito da maneira em que posso saber se os livros que tencionara comprar estão ou não impressos conforme às regras do AO90, venho a manifestar o seguinte:

1/ Não me parece aceitável ter de perguntar se os livros a encomendar estão escritos em bom Português ou não cada vez que tencione comprar algum até porque, como podem conferir, costumava comprar bastantes. E digo bem, costumava.

2/ Vim há pouco tempo a saber que o Grupo Porto Editora é um grande defensor do citado AO90. As empresas têm todo o direito a defender os seus interesses económico-comerciais como bem entender mas o cliente tem, temos, o direito a comprar ou, no seu caso, boicotar, as firmas que considerarmos lesivas ao património cultural de um país.

É por isso que deixo no dia de hoje de ser vossa cliente e passarei a comprar livros bem nas minhas periódicas deslocações a Portugal ou em outra firma que não me faça sentir que estou a trair os meus princípios.

Atentamente,
Rocío Ramos
Zamora (Espanha)

Caro(a) Cliente,

Acusamos a receção da sua mensagem que mereceu a nossa melhor atenção.

No seguimento do seu contacto e face à situação que expõe, antes de mais permita-nos demonstrar o nosso irrefutável respeito pela opinião demostrada, sendo que esperamos sinceramente poder continuar a contar com a sua preferência na aquisição de artigos, sejam em português ou noutro idioma.

Relativamente ao que reporta, de facto neste momento temos indicação que a adoção do Acordo Ortográfico é já uma evidência a partir do ano de 2015, não obstante por agora coexistirem as duas grafias.

Todavia, assumindo o seu papel de entidade distribuidora de conteúdos que frequentemente não são por nós produzidos, a WOOK está abrangida, bem como outras entidades semelhantes, pela contingência da aceitação desta nova forma de expressão.

Reiteramos a nossa compreensão pela opinião exposta, contudo a adoção do Acordo Ortográfico não é passível de ser desconsiderada ou alvo de interferência da nossa parte, na medida em que somos também distribuidores de produtos de outras empresas, organismos esses dotados de inteira legitimidade para as suas escolhas neste âmbito.

Salientamos, igualmente, que a breve trecho esta será uma realidade para a generalidade, senão a totalidade, das livrarias em Portugal.

Apresentando os nossos melhores cumprimentos, agradecemos a preferência e renovamos a nossa disponibilidade absoluta para qualquer esclarecimento ou questão adicional.

Atentamente,
A Equipa WOOK