Lançada obra integral do Padre António Vieira

Numa edição inédita, a totalidade da obra do jesuíta perseguido pela Inquisição ficará à disposição do público num projeto que prevê 30 volumes.
[Título e sinopse de notícia do semanário Expresso.]

Maria do Carmo VieiraDe: Maria do Carmo Vieira
Enviada: sexta-feira, 29 de Março de 2013 14:11
Para: ‘Vieira em que lamenta serem os portugueses tão pouco amantes da sua Pátria e da sua Cultura, mais interessados no lucro e no luxo, aceitando também perseguições inquisitoriais a todos os que ousam pensar (disso foi o autor uma vítima, como bem sabe). Desnecessário será também citar-lhe Pessoa sobre o espírito provinciano e a falta de auto-estima dos portugueses (que como é visível se mantêm), ou ainda sobre «a língua portuguesa» e o acordo de 1911 ou sobre Vieira, «o imperador da língua portuguesa» e «o maior prosador da língua portuguesa». Saberá também que foram estes dois autores usados em discursos políticos, respectivamente pelo Presidente Lula da Silva e Cavaco Silva, numa triste ostentação da sua ignorância literária que lamentavemente parece que contagiou muitos. Aconselho-o também a ler as actas da AR a propósito do AO e, sendo inteligente, não saberá se rir ou se chorar perante tais discursos.

Pelo que tenho constatado sobre as chorudas acções de formação que se têm feito para «ensinar a escrever o português correcto», ou a «ensinar a escrever o português moderno» ou «ensinar a escrever o bom português» (há para todos os gostos), não é só a ignorância que grassa mas também o gosto pelo «vil metal». Desnecessáriamente se tem gasto o dinheiro de todos nós, exigindo-se também que o gastemos (caso dos professores) para que meia dúzia de aventureiros (em que se incluem alguns TLEBIANOS) se ufane dos seus feitos. Estes senhores não são donos da Língua Portuguesa!

Tendo lutado ao longo dos anos pela qualidade do ensino da Língua Portuguesa e pela manutenção dos autores clássicos nos programas de Português, lamento ver a obra completa de Vieira, que não comprarei, devastada e profanada com a aplicação do AO. Relembro que Vieira foi considerado «chato» pelas muitas citações clássicas que fazia e porque «não se integrava nos «interesses dos alunos», por quantos estiveram ligados à Reforma de 2003 e ao esvaziamento dos programas da sua matéria literária. Esses são, na sua maioria, os mesmos que defendem a simplificação da língua por meio deste decretado AO.

Que se fez do trabalho de Margarida Vieira Mendes e de Arnaldo Espírito Santo?

Lamento, caro Professor, que aceite acriticamente a «Nota Explicativa» do AO, bem como as justificações dadas para muitas das «inovações» que inquisitorialmente nos impingem; lamento igualmente que pactue com uma decisão que fez tábua rasa do próprio parecer do Ministério da Educação sobre a aplicação do AO. Engoliu certamente tudo isto. Não merecia Vieira este tratamento.

Melhores cumprimentos

Maria do Carmo Vieira

[Mensagem recebida por email. Publicação a pedido da autora. “Links” inseridos por nós.]