tshirt1Quantas assinaturas temos?
Esta é uma pergunta natural que, na maioria dos casos, expressa apenas a preocupação de quem pergunta pela ameaça que paira sobre a Língua Portuguesa. Quando se trata de assinaturas presenciais a questão surge, por vezes, espontânea, durante o próprio acto de assinar.

Quando assim é, e porque nem toda a gente consulta a secção “perguntas frequentes” deste site, explicamos que a ILC pela revogação da RAR 35/2008 optou, desde a primeira hora, por não divulgar o número de assinaturas que são recolhidas. As razões são óbvias e toda a gente as compreende: qualquer número que se anuncie será desmobilizador. Se forem poucas será por desânimo, se forem muitas será por excesso de confiança.

Claro que há mais razões para que se pergunte quantas assinaturas “temos”. Ninguém está mais preocupado com a ILC dos que os acordistas. Seria óptimo, para quem defende o AO, poder anunciar que “em X anos não conseguiram recolher assinaturas suficientes”. De preferência, mentindo sobre o número de anos, para a declaração ser ainda mais bombástica.

Ora, como se compreenderá, qualquer número que se revele, desde que inferior a 35.000, permite esta leitura. Assim, às razões aduzidas na FAQ 24, acresce uma outra, que nos parece evidente: a informação sobre o número de assinaturas é o nosso maior trunfo — não podemos permitir que a ILC, que é seguramente o maior esteio na luta contra o AO, abdique desse papel para se transformar, precisamente, no principal argumento dos acordistas.

Quantas assinaturas faltam?
Parece a mesma pergunta, mas não é. Sabemos quantas assinaturas temos, até porque, sim, já as contámos, mas não sabemos quantas faltam. Há um nível de validação das assinaturas que nos transcende, e que só pode ser feito pelos serviços da AR. Podemos eliminar liminarmente um boletim que nos chega sem o número do BI, mas não um que nos chega com um número de BI inventado ou com uma assinatura falsa, o que é indetectável porque não temos nem meios nem autoridade para detectar essas irregularidades. Essa filtragem feita na AR ditará a necessidade de um acréscimo de 5, 10, 15% de assinaturas… ou mais ainda. Quantas, não sabemos. Mas este é um dado indesmentível, que temos tentado explicar (aparentemente sem muito sucesso): irão ser necessárias mais de 35.000 assinaturas; é bom que nos preparemos para enfrentar este facto.

Em resumo:
• A ILC revelará o número de assinaturas existentes apenas e só aquando da sua entrega na AR, ou seja, a partir do momento em que ultrapassar as 35.000 assinaturas. Mantemos este critério desde o início, não o alteraremos.
• Este pressuposto decorre da anterior mas, aparentemente, é necessário repeti-lo: a ILC ainda não chegou às 35.000 assinaturas. De contrário, já teria sido entregue.

Entretanto, e para que conste, à data deste “post” a campanha de recolha de assinaturas para a ILC completou apenas hoje mesmo três anos. É estranho que quem pergunta com boas intenções erre sistematicamente estas contas.

Aqueles que, ainda assim, acham que é muito tempo, não estarão certamente a falar de uma ILC feita verdadeiramente por cidadãos, sem o apoio de qualquer estrutura, entidade ou partido político, financiada apenas pelo bolso e pelo tempo de quem milita nesta luta de forma totalmente voluntária e sem qualquer interesse ou agenda pessoal.

Este post é dedicado, em especial, a M.L.D., uma senhora de Tomar que recolheu 348 assinaturas e que simboliza, pelo seu exemplo de extraordinária abnegação, todas as pessoas que participam nesta luta que é de todos.

Rui Valente