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[audio: https://ilcao.cedilha.net/wp-content/uploads/2013/04/GTAO90JMC.mp3]

Em cima, extractos da gravação do depoimento de José Mário Costa, jornalista do Ciberdúvidas, e, em baixo, extractos do documento entregue pelo próprio na ocasião (com o título de “Desinformação e inverdades à volta do Acordo Ortográfico”), em audição no dia 4 de Abril de 2013, a convite do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

Fica uma adivinha: qual será o jornal que, segundo o jornalista do Ciberdúvidas, se constituiu como “órgão oficial” e “tribuna permanente” do “anti”?

E fica também uma pergunta: o jornalismo, para o dito jornalista do Ciberdúvidas, só é jornalismo se não for “anti”, certo?


inverdades sucessivas e uma desinformação que nem é exclusiva dos mais acirrados oponentes da actual reforma do português escrito.

Lastimável, no mínimo. Especialmente se umas e outra – as inverdades e a desinformação – colhem também os que, por dever de ofício e dos valores profissionais nele inerentes, sacrificam o rigor e a seriedade informativa ao vale-tudo deste tipo de campanhas.

Extrapolar daqui que a língua portuguesa passou a ter, agora, não duas, mas três ortografias não é só demagogia. Evidencia também muito do tipo de (alguma) rejeição de quantos recusam, pura e simplesmente, este ou qualquer outro acordo ortográfico: «Fundamentalismo purista de quem não quer mudar, ponto final e parágrafo!»

O mau jornalismo, diga-se em abono da verdade, não é exclusivo nosso

foi pretexto para alguma da imprensa escrita e dos media portugueses e brasileiros vaticinarem a morte anunciada do AO 90 ou a sua implementação exclusiva ou em primeira mão em Portugal. Nada mais do que um EQUÍVOCO potenciador de ilações e inferências dúbias, confusas, erróneas e erradas. E assim vai (parte d)o mundo jornalístico português (e brasileiro): sem objectividade, sem rigor e sem propriedade!…

No que nos diz respeito, o que se divulgou foi sempre, e só, quem, do outro lado do Atlântico, favorece a campanha do “anti”, do lado de cá. Por isso, e nomeadamente no jornal que se constituiu como órgão oficial e tribuna permanente dos que rejeitam liminarmente este ou qualquer acordo ortográfico, nunca houve notícias em sentido contrário:

o que continua a prevalecer no ruído de fundo à volta da campanha contra o Acordo Ortográfico não é que, de facto, com ele, diminuiu o número de palavras com grafia diferente, mas o seu contrário.

A verdade é que, em Portugal, até à presente data – ou seja, a pouco mais de meio do período de adaptação às novas regras –, dos 10 periódicos com maior circulação no país, apenas dois (e das últimas posições da lista) seguem ainda a norma de 1945.

A quinta verdade assenta na confusão – propositada – que se faz, sempre que se tecem argumentos sobre a rejeição ao Acordo Ortográfico, entre opinião publicada e opinião pública.

Se a primeira é facilmente quantificada – até pelo livre-trânsito do jornal que fez do Acordo Ortográfico a mãe de todos malefícios da língua portuguesa, bem mais preocupado com ele do que com a forma cada vez mais desleixada como é escrito, a ponto de ser essa a área mais vezes criticada pelos seus sucessivos provedores dos leitores –, fica bem mais nebulosa qualquer invocação à volta da dita “contestação” no «grande público» e pela «esmagadora maioria dos cidadãos».

Por isso, as notícias que correm só correm se e quando correm a favor da barricada do “anti”.

Já no campo da pura e simples desinformação, há que salientar – e lamentar – a desvalorização deste facto tão importante

Matéria, só por si, de inegável interesse informativo? Puro engano: raras e esparsas notícias nos media portugueses – uma das quais, de tão tendenciosa, justificou, até, a intervenção critica do respectivo provedor do leitor. Revelador do ponto a que chega a instrumentalização de um jornal que, em editorial, chegou a comparar a extinção do lince da Malcata ao conversor desenvolvido pelo ILTEC.