Exmos. Srs.

Professores de Português,

Segundo noticiaram os jornais em Dezembro do ano passado, o Governo determinou que no próximo ano lectivo (2011/2012) irá já leccionar-se segundo o Acordo Ortográfico de 1990. Esta deliberação afecta todas as disciplinas mas, naturalmente, são os professores de Português que estarão no centro das atenções.

Considerando que:
O AO90 recolheu pareceres negativos das mais variadas instituições (Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário, Comissão Nacional da Língua Portuguesa, Associação Portuguesa de Linguística, Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, Departamento de Linguística da Fac. de Letras de Lisboa, etc.) e de muitos linguistas credenciados.

Considerando ainda que:
O AO90 é, globalmente considerado, com as suas incoerências, e com o aumento das homofonias e homografias, uma norma que serve PIOR a Língua Portuguesa do que a que vigora actualmente.

Pergunto-me se não poderão os professores de Português lutar para que se mantenha no programa de ensino, no mínimo, uma referência às duas normas que, no fundo, o Acordo Ortográfico não apaga completamente e continuarão a existir. Esta referência seria integradora e estabeleceria pontes entre culturas, ao contrário do actual acordo, que mutila.

Além disso, e porque o saber não ocupa lugar, daria expressão a uma coisa que já todos fazemos de forma espontânea: aprender que eles dizem esporte e nós dizemos desporto, nós dizemos registo e eles dizem registro.

[…]

Atenciosamente,
Rui Valente
Coimbra

[Esta carta foi enviada pelo autor a diversas entidades relacionadas com os professores.]