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[Extracto vídeo: “Tradutores Contra o Acordo Ortográfico” (Facebook)]
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[Emissão: SIC, “Jornal da Noite”, 11.11.13, 21:46 h.]

[transcrição]
(…) eu não sei, não vou entrar nas partes processuais, disciplinares, para saber se há ou não um crime de denegação de justiça, não sei se ele terá retardado, ao mandar redigir em Português (em bom Português) o relatório social ou se ele terá atrasado de alguma forma uma hipótese de liberdade condicional de um preso. Isso é matéria que eu desconheço. Em relação ao texto dele, eu devo dizer que me ri imenso, divulguei por vários amigos, inclusive no estrangeiro, no Brasil, para mostrar que em Portugal de facto há uma grande oposição ao acordo ortográfico e, independentemente dos erros que o juiz faz, é verdade que o “acto” [“ato”, n.d. ILC] vai passar a ser uma forma do verbo atar, independentemente disso eu chamo a atenção é para a importância política disto. Há uns meses atrás houve um relatório no Parlamento, na Comissão Parlamentar [de Educação, Ciência e Cultura, n.d. ILC], redigido pelo deputado centrista Michael Seufert, que arrasou o acordo ortográfico, não só as implicações dele mas a maneira como foi feito, à socapa, imposto por académicos a todas as pessoas que trabalham com a Língua, e a forma como os próprios signatários que aprovaram a entrada em vigor do Tratado violaram as normas, tornando-o obrigatório sem que haja o número de assinaturas exigido pelo próprio Tratado. Portanto, a entrada em vigor do Tratado, além do mais, é ilegal face ao próprio Tratado. O que eu acho extraordinário é que as pessoas podem ser contra ou a favor do Tratado e eu acho perfeitamente plausível que sejam contra, mas é indiscutível que há uma grande maioria de pessoas, informadas, que trabalham com a Língua, que são contra. Essa grande maioria já fez petições, já fez exposições, já fez conferências, já escreveu artigos, já provou por A mais B todas as implicações disto… e o poder político reage como se não fosse nada. O Presidente da República não tem uma palavra, o Governo assobia para o ar e no próprio Parlamento não há um Grupo Parlamentar que tome a iniciativa de levar o acordo a votação. Dir-se-ia que, por inércia, por preguiça ou por cobardia, vamos assistir a uma revolução para pior na Língua Portuguesa, que foi aquela que herdámos e que era suposto passarmos aos nossos filhos. Dentro de duas gerações, um texto escrito pelo teu neto não vai ser entendido por ti.
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