publicoLi notícias que nos dão conta do mal-estar relacionado com a proibição de crianças portuguesas nas escolas do Luxemburgo se poderem exprimir na sua língua materna, mesmo fora do estrito contexto das salas de aula. Atitude, ao que parece, apoiada pelo governo luxemburguês! A comunidade portuguesa neste país representa cerca de 20% da sua população e os nossos emigrantes têm dado provas insofismáveis de boa integração e excelente profissionalismo. Não faz qualquer sentido esta atitude discriminatória entre países da mesma União Europeia.

Por outro lado, e no mesmo dia, li que as novas funções de supervisão bancária do BCE que vai abranger, por agora, cerca de 120 bancos da União serão exercidas com a óbvia possibilidade de os bancos poderem escolher a sua língua oficial na relação e correspondência com o agora regulador europeu. Muitos bancos optaram pela língua do seu país, mas os nossos principais bancos optaram pelo … inglês.

O idioma português é o 5º mais falado no mundo e merecia ser mais respeitado. Sobretudo por quem o interdita ou desmerece, em versão censória ou em modelo elitista.

Se a isto, acrescermos a polémica que continua com o chamado Acordo Ortográfico, consequência em grande parte do poderio brasileiro e da indiferença de outros países lusófonos, como vai distante a célebre frase de Pessoa “a minha pátria é a língua portuguesa”.

[Transcrição integral de artigo da autoria de António Bagão Félix. “Site” do jornal “Público”, 04.11.14.]