Facebook_iconCognatos” são palavras que têm a mesma origem etimológica. É um fenómeno frequente quando se observa um par de palavras com a mesma etimologia e grafia semelhante em duas línguas diferentes, mas tendo evoluído cada uma para um significado diverso nas línguas em questão.

Posto isto, tomemos como exemplo as palavras “parente” em Português e “parent” em Inglês. Ambas derivam do étimo latino “parentem”, mas seguiram rumos semânticos diferentes: se em Português significa “pessoa da mesma família”, já em Inglês se refere a “um dos progenitores de alguém” ou a ambos, quando no plural.

“Sim, claro, já toda a gente sabe disso!” – Comentará o leitor. E tem toda a razão. Mas há mais.

O Código Civil português estipula as disposições relativas à regulação do “poder paternal” de menores, por exemplo, em caso de divórcio dos pais. Já em Inglês, fala-se de “parental authority”, e muito bem.

“Então, se está tudo correcto, para que serve esta ladainha?” – Perguntará o leitor, já enfastiado.

Esta ladainha, caro leitor, serve para – por minha vez – perguntar de onde vem, em Português, a expressão “poder parental”, que anda a abrir caminho por tudo o que é jornal, revista e toda a espécie de comunicações Portugal fora.

Como se não bastasse o aviltamento que o acordo ortográfico de 1990 trouxe à Língua Portuguesa, teremos de assistir impávidos a esta “evolução” da língua pelo facilitismo da tradução visual e fonética? Pela via da incultura de jornalistas, advogados, psicólogos e outros néscios que tinham a obrigação e o dever de saber e informar?

Falámos aqui de palavras vulgarmente conhecidas por “falsos-amigos” e, se ninguém de direito tomar medidas sérias a tempo, a Língua Portuguesa corre sérios riscos de se tornar uma falsa amiga de todos nós, portugueses.

Isabel Coutinho Monteiro

8 de Fevereiro de 2015

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