Nuno Artur Silva fala sobre o “acordo ortográfico” numa entrevista televisiva.

Sem comentários.

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Por exemplo, falávamos da Língua. É o maior valor patrimonial que Portugal tem. É falar por duzentos e tal milhões de pessoas. É uma coisa que tem um potencial extraordinário. Isto ninguém ’tá a pensar nisto. Trocou-se o governo anterior, trocou o possível museu da língua por um museu de artesanato. Quando estava tudo montado para se fazer o museu da língua de repente temos um museu do artesanato. Isto é que são medidas de facto que contam.

{Jornalista: e o acordo ortográfico, como é que olha para ele? Já se adaptou ou nem por isso (como professor de português)?}

Não, eu escrevo ainda consoante aquilo que aprendi mas eu acho que o acordo ortográfico é uma coisa que não tem importância, é uma convenção. É assim. Eu vou dizer de outra maneira que pode ser provocatória. Eu acho que nós devíamos escrever todos brasileiro. Porque é a nossa melhor probabilidade de em vez de falar para dez milhões de pessoas falar p’ra duzentos ou trezentos milhões. Isto é. Eu, se for escritor ou se for realizador de cinema ou se for… eu prefiro pensar que vou ter um público potencial de duzentas e tal milhões de pessoas do que ter a escala de dez milhões. Portanto, eu acho que o acordo ortográfico… se calhar foi mal feito… há ali coisas que se calhar não fazem sentido… mas eu diria eu preferia já estar a escrever à brasileira. Eu se escrever um livro adoraria que o meu livro fosse desde logo capaz de chegar a duzentas ou trezentas milhões de pessoas e não apenas a dez. Portanto eu acho que o acordo ortográfico é um acidente de percurso, inevitável, que é a nossa melhor hipótese de futuro, é o Brasil.
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