O mal-estar com o Acordo Ortográfico de 1990
(na sequência da sessão de 9.1.2012 no Goethe-Institut)

A sessão teve uma dinâmica que só o entusiasmo e a raiva e a vontade de defender a pele da língua que é nossa, uma forma de energia viva e não de ergon que se funcionaliza, comercializa, retalha e manipula, podem dar. A biblioteca do GI estava cheia, nem havia cadeiras para todos aqueles que se preocupam com os livros que lêem, com o que os filhos aprendem nas escolas, com os letreiros (mal) escritos nas ruas, com revistas e jornais que soam de forma estranha. Trata-se, nem mais nem menos da modulação de uma língua em vias de quebrar amarras com as suas congéneres europeias para embarcar em falácias e quimeras de uma pretensa unificação lusófona, quando todos sabemos que o sabor e o encanto da diversidade é aquilo que nos mantém curiosos e vivos face à comunidade falante de um português. Esse sim que incorpora palavras e neologismos mas não corta letras para que ingleses, franceses, alemães, suecos e noruegueses cultos (entre outros europeus) continuem a poder ler traços gerais nas nossas publicações graças à corrente etimológica indoeuropeia comum. De raiz ST – estável, estaca.

O PEN não pode deixar de defender a liberdade de expressão nem de abrigar sócios que pensem e escrevam de forma diferente. Mas o desafio da conflitualidade democrática obriga-nos a apresentar os melhores argumentos que tivermos e sobretudo a buscar plataformas onde possamos entender-nos, mesmo na dissonância. E obriga-nos, também por isso, a prosseguir com os debates.

Um obrigada daqui à Maria Alzira Seixo, ao Rui Zink e ao Vasco Graça Moura por se terem disponibilizado para esta primeira ronda!

1 comentários:
António Viriato disse…
Já salientei e elogiei a iniciativa. Partilhei também a notícia e enviei mensagem, mas receio que não tenha seguido, por qualquer anomalia informática momentânea.
Sugiro continuação de acções complementares à de ontem, que reuniu público interessado e bem informado. Nada está definitivamente perdido. Podemos e devemos agir em consonância com Angola e Moçambique que resistem à aplicação deste inconveniente Acordo Ortográfico, para o futuro do português africano e, sobretudo, do português europeu, na sua forma falada. É preciso agir. Saudações Cordiais.António Viriato_Lisboa_10-01-2012
11 de Janeiro de 2012 01:06


[Texto de “post” e primeiro comentário ao mesmo integralmente transcritos do blog “Proximidade“.]