Com a devida vénia, o texto que se segue é uma transcrição integral de “post” publicado por Zé de Portugal, com data de hoje, no seu “blog” Um Jardim no Deserto


Atendendo ao que escrevia aqui o João Pedro.Graça (supondo que seja ele a escrever) no passado mês de Junho, o número de assinaturas recolhido até aquela data rondaria somente as 3 mil e tal, das 35 mil necessárias para poder levar à votação no Parlamento da ILC que pretende suspender o aberrante Acordo Ortográfico imposto aos portugueses sem discussão pública.

Ora, isto causa-me uma enorme perplexidade. E levanta algumas perguntas que me incomodam:

Porque não enviaram ainda a sua assinatura na ILC as mais de 110 mil pessoas signatárias deste manifesto/petição anterior, que pretendia exactamente a mesma coisa?

Porque não assinaram já a ILC os mais de 76 mil membros Causa “Não queremos o Acordo Ortográfico” posta a correr no Facebook pelo João Pedro?

Por favor, alguém mais perspicaz do que eu pode explicar-me esta ocorrência que não me faz qualquer sentido?

Nota: Demora no máximo 10 minutos a descarregar, imprimir e preencher a folha de recolha de assinaturas. Custa no máximo o preço de 1 selo de correio enviar a folha preenchida para a morada de recolha – isto se não quiser digitalizá-la, após o preenchimento, e enviá-la em anexo a um e-mail para o endereço de recolha.


Com igual vénia, pelo seu extraordinário interesse, na mesma linha e em consequência deste texto de Zé de Portugal, transcreve-se seguidamente um comentário ao “mesmo “post” do autor do blog Pleitos, Apostilas e Comentários.


Zé, meu caro amigo
este seu post merece comentário considerando apenas, e só, a amizade. Leia portanto como se fosse uma conversa e nesse sentido, conhecendo-me, desconsidere o jeito já que não tenho a mais pequena pretensão nem o topete de lhe ensinar nada. Vamos lá ver se consigo.
Dividamos o seu post na sua perplexidade
1 – a fraca resposta/adesão e 2 – o Acordo – sim ou não?
As razões para a fraca adesão à Petição
Infelizmente meu amigo a esmagadora maioria das razões entroncam nas razões pelas quais ainda hoje funcionamos (portugueses) assim: as que me levam a ser muito céptico e ter em princípio muitas suspeitas sobre o que quer que seja. São inércias e atavismos de que duvido consigamos livrar-nos em duas gerações (neste caso a crise e a ausência de crescimento económico por uma década vão fazer-nos estiolar em termos de colectivos).
Zé, encontra as razões se considerar que a Petição surge da iniciativa de pessoas que, estou em crer, não têm “sustentação” em termos de reconhecimento público. É gente que, como você ou eu, não passam de “ilustres anónimos”. E que além disso têm o topete de bem ou mal exporem as suas razões independentemente de outrém. E que ainda por cima, se atrevem a fazê-lo ao arrepio ou sem o aval/consentimento dos reconhecidos crânios (que os há de um e de outro lado) o que leva a que estas iniciativas surjam como concorrentes às tomadas por essas capelas que entre outros objectivos têm o de servirem para independentemente do objectivo apreciar, pesar, ponderar a representatividade – essa representatividade é apenas um dos barómetros que lhes permite ir aferindo a fiabilidade do diapasão deles, mantê-los no grid sempre em lugares que garantam ser dos primeiros a chegar à primeira esquina da oportunidade … como vê tudo, mas tudo, nos transporta para os meandros labirínticos que montaram paciente e paulatinamente ao longo de décadas e que passou de pais para filhos e dos filhos para os netos.
Se pensar e aceitar por válidas pelo menos algumas das razões constatará ,que não há razões para “perplexidades”. Tudo normal e dentro das bandas de segurança ou seja, daqui não surgiu nenhum cisne negro.
Nunca se esqueça do balde de água suja que lhe despejaram em cima porque você teve o atrevimento de surgir a fazer propostas desalinhadas ou, no mínimo, não concertadas com o Maquiavel de Mafra. Foi uma lição que não deve esquecer como para mim foi uma confirmação.
Não sei se consegui explicar (pela rama, em termos gerais) mas, como disse antes, fico na expectativa de que o resto fará o mediano conhecimento que você tem sobre a minha pessoa e as linhas com que me coso.
Sobre o Acordo Ortográfico
Nada, nunca comentei nenhum escrito seu sobre ao assunto. Em primeiro lugar, porque teoricamente digamos, concordo mas simultaneamente, em termos práticos, acho que é uma guerra, naturalmente, perdida. Porque creio ser uma “guerra perdida” – escrevi em tempos (posso ir procurar ao arquivo … já que nem sei se o fiz aqui no “Pleitos” se foi no “Causas e Coisas” mas se foi, tenho os prints). O que faz desta uma “guerra perdida” (embora legítima e natural) — por isso a vejo como uma bravata — tem tudo a ver com os outros e muito pouco connosco – ausência de massa crítica (significa que somos para aí 9 milhões em 200 milhões de falantes) and so on …
Receba, meu amigo, um abraço
David Oliveira
P.S.: já agora — terá(?!)pouco a ver com as tais razões “para” — recomendo que leia/estude, por exemplo
“Oligarquia e Caciquismo em Oliveira Martins, Joaquin Costa e Gaetano Mosca;
“Elites Locais e poder municipal. Do Antoigo Regime ao liberalismo” de Silva Fernandes;
“Política popular e notáveis locais em Portugal” de José Tengarinha;
“As dinastias liberais. Relações de parentesco entre os membros do Parlamento no período da Monarquia Cosntitucional” de F. Moreira;
“O Partido Republicano Nacionalista – … organização interna e elites” de M. Baiôa