Deco- Proteste
Avª Eng. Arantes e Oliveira, 13 1º B
Olaias
1900-221 Lisboa

Lisboa, 6 de Janeiro de 2012

Ass. 005****-**

Assunto: cancelamento de assinatura

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Exmos. Senhores,

Recebi há dias uma comunicação da v/ parte, para proceder à liquidação da quantia de 90 euros, relativos à assinatura da Revista Proteste, por vós editada. Decidi há algum tempo deixar de ser sócia da v/ Associação, precisamente no momento em que recebi o primeiro número da Revista em que esta passou a apresentar-se escrita de acordo com as regras do “Acordo” Ortográfico.

Uma vez que não me revejo nesse “novo Português”, em que, unilateralmente e obedecendo apenas a desígnios e ambições obscuras e a interesses multinacionais, informáticos (v. Wikipédia, por exemplo) e outros, poderosíssimos, que os Portugueses aceitaram passivamente, “porque é mesmo assim”, apesar dos alertas de muitos, decidi deixar de assinar a v/ Revista. Pensei que fosse suficiente cancelar a ordem de pagamento, mas uma vez que assim não é, declaro agora que deixo de ser assinante da Revista e sócia da DECO.

Um comentário final: estranho que uma Associação, à qual pertenci durante muitos anos (pelo menos desde 1988) e cujo trabalho na defesa do consumidor sempre admirei e louvei, sempre tão atenta e zelosa de direitos e até de patrimónios, não tenha tido qualquer gesto perante este assassinato cometido sobre a Língua portuguesa e a sua norma linguística, fixada depois de séculos de evolução, e não tenha percebido, também ela, que está, ao assumir o pseudo Acordo– que é afinal a instauração do caos ortográfico, e não qualquer unificação, como já se vê na prática – a violar os direitos dos consumidores, em particular dos 10 milhões de Portugueses, que assim vêem (também) a sua Língua maltratada sem remédio, e sem a indignação que vemos por aí relativamente a temas muito menores e sem a importância deste. Sinal dos tempos.

Como V. sabem muito bem, até pelo trabalho que desenvolvem, as coisas “não são assim porque sim”. É preciso compreender, desmontar, denunciar, resistir e saber dizer não. É isso que eu faço agora, no meu caso individual e na minha condição de cidadã.

Com os meus cumprimentos,

Ana Isabel Buescu

[Esta transcrição de carta enviada foi recebida por email, com autorização de publicação pela remetente.]