O título deste texto são as coordenadas do quartel-general da resistência ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO/90). Muitas pessoas já por lá passaram e assinaram a petição em curso, contribuindo para engrossar as fileiras da resistência activa contra a prepotência e o disparate que é a implementação do AO/90. O objectivo é conseguir as assinaturas necessárias para que a petição, a entregar na Assembleia da República, seja considerada como uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos com o objectivo de revogar a Resolução da Assembleia da República n.º35/2008 que determina a aplicação do AO/90.

Mas faltam ainda muitas assinaturas, por isso este apelo que hoje faço a toda a gente que acha que tirar o acento ao cágado é humilhante para a criatura, que ver Clara a boiar não teria sido certamente a intenção do prémio Nobel autor de Clarabóia, ou que não esteja minimamente de acordo com a transmutação absurda de espectadores em bandarilheiros. Um apelo sério a que passem por lá, leiam e assinem a petição, juntando assim a sua força à dos muitos que já assinaram entre os quais me encontro eu, a Dulce, minha mulher, os meus filhos Rita e Pedro; pessoas que trabalharam ou trabalham ao pé de mim, como o Nunes, o Zé P., a Ana, a Patrícia, o Tomás, a Alexandra, a Margarida; pessoas conhecidas, como o Pedro Tamen, o Jorge Molder, a Maria José Abranches, o Vasco Graça Moura, o Ricardo Araújo Pereira, o Zé Diogo Quintela, a Rita Ferro, e muitas mais, assinaram a petição no site https://ilcao.cedilha.net.

Com o bruá provocado pela decisão de Vasco Graça Moura de suspender a aplicação do AO/90 no Centro Cultural de Belém, uma demonstração de coerência que abalou os alicerces da inteligentzia indígena pouco habituada a lidar com vertebrados, este é o timing perfeito para divulgar, assinar e participar na Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o AO/90. Por isso apelo aqui e agora, no jornal PÚBLICO, ele próprio um bastião de resistência, a todas as pessoas que ainda lá não foram, a si que está a ler-me neste preciso momento, ao Miguel Esteves Cardoso, aos discriminados do Expresso, ao José Cutileiro, ao Pedro Mexia, ao Miguel Sousa Tavares, à Inês Pedrosa, ao Manuel Fonseca; passem lá pelo QG da resistência ao AO/90 em https://ilcao.cedilha.net. Dêem a vossa contribuição para que o bom senso prevaleça sobre a parvoíce; façam um bocadinho mais do que “eu cá vou continuar a escrever à minha maneira”. Peço-lhes que vão lá, leiam, assinem e divulguem. Seja por caturrice, por lucidez, por patriotismo ou por ser português. Seja
pelo que for, mas que seja.

Manuel Luís de Bragança

[Transcrição integral de artigo da autoria de Manuel Luís de Bragança publicado no jornal “Público” de hoje, 19.02.12. Link disponível apenas para assinantes do jornal.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

[Publicado às 17:32 h, a partir de PDF recebido por email]