Este livro respeita o acordo ortográfico?

Não escrevo com acordo. Mas já deitei a toalha, o acordo é estúpido e gastou-se imenso dinheiro com isso e não uniformiza de facto. A pronúncia é que vai fazer a diferença. O que não quero é que me mudem palavras como comboio para trem. É bom haver diversidade nas línguas. Também não quereria ver o Jorge Amado a dizer comboio. Mas há um ano ligaram-me do Brasil a querer comprar o meu livro “Nas Tuas Mãos”. O governo anda a comprar livros para as escolas e quando o faz são encomendas de milhares de exemplares para os liceus. Mas só o compravam se fosse com o acordo. Eram 7 mil ou 10 mil a mais, e eu disse “com certeza”.

[Transcrição parcial de entrevista a Inês Pedrosa, jornal i de 12.05.2012. Os destaques e sublinhado são nossos.]