A ver vamos

O Acordo Ortográfico é um aborto político: suspensão, já!

Antes de ser secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas opunha-se ao Acordo Ortográfico, que não é nem acordo — não o há entre os países de língua portuguesa – nem ortográfico — muitas das mudanças ortográficas são incompetentes e indecentes. A nova “ortografia” é um aborto político. No governo, Viegas passou a “nim”: nem sim, nem não. Ao fim de um ano, a prática mostra que passou ao sim. Entretanto, a situação ortográfica está caótica. A resistência é, felizmente, grande e determinada. Nos documentos públicos, escolas, exames, media, a confusão é generalizada. É lamentável que Viegas mude como o vento, deixe andar o caos, e se demita da defesa da cultura no mais basilar dos seus instrumentos.

Eduardo Cintra Torres, jornal “Correio da Manhã“, 1 de Julho de 2012, crónica com o título “Panóptico“.