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A decisão da Presidente do Brasil Dilma Roussef de adiar a entrada em vigor do Acordo Ortográfico para 1 de Janeiro de 2016 deu mais uma razão a todos os que se opõem a este Acordo.

Na verdade, trata-se de uma decisão que nada tem de original. É o mesmo procedimento seguido pelo Brasil em 1945, na sequência de um Acordo Ortográfico negociado, aprovado e assinado pelos dois países. Na altura, o Brasil adiou sucessivamente a sua aplicação, até o renegar 10 anos depois, considerando-o inaceitável. Segundo as notícias do outro lado do Atlântico, tudo indica que a história se vai repetir.

Encontramo-nos assim numa situação bizarra e absolutamente paradoxal. Um Acordo que supostamente serviria para unificar a grafia em todo o espaço lusófono conduzirá, ao que tudo indica, a um cenário com três ortografias distintas: o Brasil manterá a norma brasileira; Angola seguirá a grafia anterior ao Acordo; e, se nada for feito, Portugal persistirá no pobre “Acordês”, cheio de facultatividades e inconsistências, em que se suprimem algumas consoantes (aspecto/aspeto, recepção/receção) e outras não (facto, contacto), ao arrepio de qualquer critério lógico.

Está visto que este Acordo Ortográfico foi uma aventura desastrosa, para a qual só há uma solução à vista: a sua suspensão imediata.

João Fabião
Porta-voz do Desacordo Técnico

[Transcrição integral de texto da autoria de João Fabião no “Ponto Crítico” (publicação da AEIST) n.º 13, de Fevereiro de 2013.]

MDT0213[“Recorte“, da publicação referida, sobre o Movimento Desacordo Técnico.]