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[audio: https://ilcao.cedilha.net/imagens/GTAO90210213RA.mp3]

Transcrição de intervenção da deputada Rosa Arezes na audiência de 14.02.13 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Muito obrigada senhor presidente, senhores deputados. Em primeiro lugar para cumprimentar o senhor engenheiro João Dias, o senhor professor Virgílio Machado e, por videoconferência, o senhor professor Rui Miguel Duarte. Em nome do grupo parlamentar do PSD, também agradecer a vossa presença aqui nesta audição, que já é a terceira deste grupo recentemente criado e, curiosamente, nas três audições estiveram presentes personalidades, todas que se manifestaram contra a implementação do acordo ortográfico.

Trata-se de um tema, obviamente, que a todos nos diz muito, por razões pessoais, emocionais, de grande relevância política, social, cultural, pedagógica e que está muito longe de vir a ser encerrado. O grande objectivo que presidiu, na altura, à implementação do acordo, seria a da unificação e também, de certa maneira, facilitar a aprendizagem da língua portuguesa.

Sobre este assunto, as posições são divergentes, hoje mesmo aqui já foi pública, é pública, a posição que aqui manifestaram, na sociedade civil também não é unânime nem consensual, mais de metade da população manifesta-se contra a implementação deste acordo, mesmo dentro dos grupos parlamentares e dos partidos, como aqui já foi referido, não é uma posição consensual nem unânime, longe de o ser, eu própria sou contra ou não sou favorável à implementação do acordo, mas obviamente que isto é uma posição que me vincula apenas a mim e não ao partido que represento.

No estudo que eu tive ocasião de ler, do senhor professor Rui Duarte, a certa altura diz que, e eu vou citar, “falar em vantagens é um oximoro porque elas não se vêem“. E diz também que se não se percebem as vantagens, então, que só se, que o que sobeja, que são os inconvenientes. Também retive duas afirmações da intervenção do senhor professor Virgílio Machado, que diz, “não se vislumbra o fim desta maldição, neste momento há quem não respeite coisa nenhuma, há custos que ninguém conhece, benefícios duvidosos, Portugal devia suspender este por tempo indeterminado“. Penso que seria isto.

Senhor engenheiro João Dias, apercebi-me que registou com alguma mágoa, ou alguma tristeza, o facto de ter havido já muitas iniciativas, muitos movimentos inconsequentes, digamos assim. Penso que começou a sua intervenção desta maneira.

Fizeram aqui, certamente, o ponto da situação, expressaram claramente as vossas posições e a pergunta que eu tinha era mais direccionada para o senhor engenheiro João Dias. Falou na existência dum “vocabulário privado“, penso que foi assim, que “viola qualquer acordo ortográfico“. A ser assim, é… estamos perante uma situação que é grave, como é óbvio, e tratando-se de um assunto de extrema importância cultural, social, política, pedagógica, eu pedia que desenvolvesse um pouco…

[Eng. João Dias: «um pequenino ponto de ordem, eu falo em vocabulário privado em oposição ao vocabulário considerado oficial, apenas nesse sentido. Privado porque não foi considerado oficial pelo Estado Português e o acordo ortográfico está apenas em vigor, por via legal, na esfera do Estado. E portanto eu chamo privado por não se enquadrar nestes princípios, apenas isso, apenas isso.»]

Dentro desses parâmetros, exacto. Mas esta ideia parece-me importante, até porque reveste-se de uma importância muito significativa, sobretudo em termos de opinião pública, em termos de opinião publicada, em termos pedagógicos e esse era um assunto que eu pedia que explicasse um bocadinho mais e pormenorizasse mais um pouco esta ideia.

E é tudo, muito obrigada.»

[Esta transcrição (com realces e sublinhados) foi executada pela ILC AO90 (GMC). Copie e cole à vontade mas não se “esqueça” de citar a origem do trabalho.]