ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em língua unificada

Nova Águia 014 - CAPAA minha pátria já não é a língua portuguesa

Octávio dos Santos

No meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», colectânea de artigos escritos e publicados durante 25 anos e publicado em 2012 pela Fronteira do Caos, um tema recorrente tão importante como a política é a cultura. Dentro desta, a língua – falada e escrita – ocupa, obviamente, um lugar central. Nos últimos cinco anos ela tem sido cada vez mais um motivo de acesa discussão, de controvérsia, de polémica… devido ao denominado «Acordo Ortográfico de 1990». Algo de que eu discordo e combato incondicionalmente, naquela minha obra e não só…

… E é inevitável invocar, mais tarde ou mais cedo, um dos nossos maiores poetas e aquela que é talvez a sua frase mais famosa. Em «Setembro de 2011, mais concretamente a 1 e a 12, devido a documentos legislativos com essas datas, assinala(ra)m-se os 100 anos de mais uma catástrofe decorrente da insurreição republicana de 5 de Outubro de 1910: a reforma ortográfica de 1911, que constituiu uma autêntica “Caixa de Pandora”, o “pecado original” para todos os problemas e discussões neste âmbito que desde então se sucederam e que ainda hoje, e cada vez mais – por causa do abominável “aborto (acordo) ortográfico” de 1990 – nos atormentam. Não serão muitos os que sabem que foi em contestação a este (agora centenário) crime contra a cultura que Fernando Pessoa escreveu que “a minha pátria é a língua portuguesa”. (…) Neste último século muito se tem discutido e escrito sobre a educação em Portugal, os seus sucessos e fracassos, os seus progressos e regressões. Frequentemente ainda, fala-se do “condicionamento escolar” do Estado Novo e do elevado analfabetismo que permitiu ou até que incentivou. Porém, é raro apontar-se a culpa aos primeiros republicanos, que, preconizando uma revolução (mais uma…) no ensino no sentido da sua massificação, acabaram por fracassar, também, neste domínio. Disso uma causa é hoje indiscutível: a hostilização, através de perseguições individuais e de expropriações patrimoniais, da Igreja Católica, que dispunha de uma presença e de uma influência determinantes em toda a infra-estrutura lectiva. Mas há outra causa primordial para o nosso atraso educativo e cultural: precisamente, a reforma ortográfica de 1911, que, pelo seu radicalismo, pelas súbitas e generalizadas alterações que introduziu, pela confusão que inevitavelmente espalhou, pela inutilização (tornando-os “antiquados”, “obsoletos”, “ultrapassados”) de tantos livros, jornais, revistas e outros materiais impressos então existentes, condicionou decisivamente… e negativamente esta área – fulcral, fundamental – nas décadas seguintes. Quem é que é capaz de provar que as sucessivas acções de “simplificação” da ortografia realizadas durante o último século, e o cada vez menor grau de exigência resultante daquelas, não foram factores de constrangimento do nosso desenvolvimento intelectual, tanto individual como colectivo? (…)» («Da pátria, a língua», 2011)

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Língua rica, língua pobre e uma linha a menos

Por mais estéril que seja a discussão em torno da real idade da Língua Portuguesa (os 800 anos invocados por aí correspondem a um documento oficial de D. Afonso II, sendo meramente simbólicos), as comemorações lá se fizeram no Padrão dos Descobrimentos, com poesia e alguns discursos, crianças e balõezinhos, música e danças a condizer. A língua multifalou-se nos seus diversos tons e a coisa seguiu adiante, como sempre segue mesmo quando nada acontece. Ora aderindo aos redondos 800, a Academia Portuguesa de Cinema, com apoio da Assembleia Municipal de Lisboa, da Costa do Castelo Filmes e da Cinemate, exibiu na passada quarta-feira no Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma, que em boa hora reanimou a sua programação, agora com filmes relacionados com os 40 anos do 25 de Abril) o documentário Língua, Vidas em Português.

Realizado por Victor Lopes, cineasta moçambicano radicado no Brasil há um quarto de século, o documentário (filmado em 2001) é uma curiosíssima viagem pelas voltas que o Português vem dando consoante as geografias, mas é também uma viagem por várias vidas, na maioria pobres ou muito pobres, que usam cada qual o Português a seu modo. Uma língua rica num mundo pobre, falada por pobres, mas também uma língua tão rica (por acção das culturas que dela se foram apropriando) que até se dá ao luxo de empobrecer.

“Cada vez temos menos palavras, cada vez usamos menos palavras”, diz a dada altura José Saramago, para lembrar que a riqueza conquistada pelo tempo nas expressões da fala ou literárias tem vindo a fazer um caminho inverso, empobrecendo. Como se nos esperasse um futuro onde um grunhir primitivo, monossilábico, viesse substituir a comunicação oral humana — a conclusão é do próprio Saramago, com uma irónica tristeza. Já João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro que se apresenta como “usuário da língua”, dá outro exemplo. “Estamos [no Brasil] importando não só vocabulário mas também a sintaxe americana, a maneira de pensar americana, a maneira de colocar o raciocínio. Isso é que é gravíssimo. (…) Você ouve ‘porque nós vamos ir na festa depois, primeiro nós vamos ir no cinema’. ‘We will go’. Até isso tá indo embora, tá virando tempo composto em Português brasileiro.”

De um lado, Saramago diz: “Quase me apetece dizer que não há uma Língua Portuguesa. Há línguas em Português. (…) Mas não tira nada à evidência de que se trata do corpo da Língua Portuguesa, é um corpo espalhado pelo mundo.” Do outro lado, Ubaldo observa que “a que, futuramente, tenderá a ser a língua brasileira, ‘tá evoluindo muito”. Percebe-se, por esta declaração desassombrada de 2002, os medos que levaram ao estapafúrdio fingimento da ortografia unificada. Porque se o Brasil decretar uma “Língua Brasileira” (como ousaram os chilenos em relação ao espanhol) lá se vai o sonho dos 200 milhões. O filme, no entanto, não destrói a esperança, porque sublinha que, apesar da distância, da ausência, do desinteresse, a Língua Portuguesa povoa ainda, nas suas variantes, milhões de almas. “Toda noite”, anuncia o filme logo de início, “200 milhões de pessoas sonham em português. Estas são algumas delas”. Vale a pena vê-lo para nos revermos, nas nossas utopias e fragilidades. No Youtube há um excerto com boa resolução (http://goo.gl/kaF2G) e uma versão integral de má qualidade.

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Bagno0413«…o Acordo é importante para afirmar o óbvio: os destinos da língua portuguesa, daqui para a frente, serão ditados pelo Brasil, como potência econômica emergente e como ator destacado na geopolítica mundial.»

Entrevista exclusiva com o linguista MARCOS BAGNO concedida a Ricardo Paes via email

Marcos Bagno é professor do Departamento de Línguas Estran­geiras e Tradução da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados, entre literatura e obras técnico-didáticas. Atua mais especi­ficamente na área de sociolingüística e literatura infanto-juvenil, bem como questões pedagógicas sobre o ensino de português no Brasil.

ÊXITO NA EDUCAÇÃO: Marcos, sei que já esclareceu em outras entrevistas a sua posi­ção em re­la­ção ao Acordo Orto­gráfico que passa a vigorar ofi­cial­mente este ano, mas Portugal ainda resiste e até a ABL expressou o desejo de aperfeiçoá-lo. Você já rea­firmou que trata-se de um Acordo e não de uma Reforma, que seria decerto algo mais profundo. Você poderia explicar a diferença e a abrangência política deste Acor­do (ou Desacordo) Ortográfico?

Marcos Bagno – Pessoalmente, seria preferível que as duas orto­grafias oficiais, a portuguesa e a brasileira, tivessem sido reconhe­cidas como igualmente válidas para qualquer usuário, nativo ou estrangeiro, da língua. Que cada pessoa escrevesse como bem lhe parecesse, respeitan­do as opções já tradicionais em to­dos os países. Mas, uma vez decidi­da a adoção de uma ortografia unificada, aparando as diferenças entre as duas e man­tendo uma ampla possibilidade de variantes, teria sido mais racio­nal que todos os países implemen­tassem a nova ortografia ao mesmo tempo. No entanto, por chauvinismo de setores culturais portugueses, a im­plan­tação do Acordo em Por­tugal tem sofrido constantes adia­men­tos. A razão é muito simples: para nós, brasilei­ros, o Acordo afeta­rá ape­nas 0,5% do voca­bu­lário, enquan­to para os portu­gueses será 1%. Isso, para eles, signi­fica um “abrasilei­ra­mento” da língua. Grande boba­gem.

Do ponto de vista de políticas lin­guís­ticas, o Acordo é importante para afirmar o óbvio: os destinos da língua portu­gue­sa, daqui para a frente, serão ditados pelo Brasil, como potên­cia eco­nô­mica emer­gen­te e como ator destacado na geopolí­tica mun­dial. Ao mesmo tem­po, infelizmente, Por­tu­gal se acha no fun­do do poço, tragado pela desumana crise que assola a Europa. continue a ler…

«Do latim orthographĭa, a ortografia é o conjunto de normas que regulam a escrita. Faz parte da gramática normativa pelo facto de ditar as regras para o uso correcto das letras e dos sinais de pontuação.»
[“conceito.de“]

«O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 1990, aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 26/91 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, ambos de 23 de Agosto, simplifica e sistematiza vários aspectos da ortografia e elimina algumas excepções ortográficas, garantindo uma maior harmonização ortográfica. O Acordo Ortográfico incide apenas sobre a ortografia, mantendo-se a pronúncia e o uso das palavras inalteráveis.»
[Do texto da Resolução do Conselho de Ministros (RCM 8/2011) que determinou a “adoção” do AO90 no ensino oficial e nos organismos do Estado português.]

«Este acordo pretende pôr fim à existência de duas normas ortográficas divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa, contribuindo assim para o aumento do prestígio internacional do português e para a sua expansão e afirmação.»
Porto Editora

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[“click” na imagem para a ampliar (em nova página)]

Neste caso, verifica-se uma oscilação entre a norma culta luso-africana e a norma culta brasileira. Ou seja, existem palavras em que se pronuncia a consoante conforme a norma.

Coexistência de duas grafias, devido à variação de pronúncia nas duas normas cultas
Exemplos: característica/caraterística; dáctilo/dátilo; dactilografia/datilografia;
intersecção/interseção; sector/setor… e infecção*/infeção;

Coexistência de duas grafias, entre a norma luso-africana e a norma brasileira

Norma luso-africana – conceção, contraceção, contracetivo, corrupção, deceção, receção…
Norma brasileira – concepção, contracepção, contraceptivo, corrução, decepção, recepção

*Infecção não é aconselhável em Portugal
*Olfacto não é aconselhável em Portugal
* concepção, contracepção, contraceptivo, corrução, decepção, recepção não são aconselháveis em Portugal

Encontramos estas divergências de timbre nas palavras esdrúxulas que têm vogais tónicas e e o, seguidas das consoantes nasais m e n, uma vez que em Portugal essas vogais são abertas e em grande parte do Brasil são de timbre fechado. São legítimas as duas variantes.

O A.O. prevê que se assinale, facultativamente, na norma culta luso-africana, com acento agudo nos verbos regulares da primeira conjugação, a terminação da 1ª pessoa do plural do pret. perfeito do indicativo, de modo a distingui-la das correspondentes formas do presente do indicativo, ainda que na norma culta brasileira não haja distinção. (no ano passado trabalhámos pior) O mesmo acontece com o verbo dar na 1ª pessoa do presente do conjuntivo, usando, facultativamente, acento circunflexo. (que nós dêmos…)

[Extractos (apenas alguns, para amostra) de documento de trabalho distribuído aos professores de Português do Ensino Secundário. Fonte: Página de recursos para a disciplina de Português – Escola Secundária de Penafiel.]

publicoQuando Cristo foi crucificado por volta do ano 30/32 da nossa era, o Império Romano ocupava uma vasta área que abrangia desde a Ásia Menor até à Península Ibérica, incluindo a maior parte da Europa e todo o Norte de África. Com o correr dos tempos, e devido à inevitável vitalidade que as línguas têm como coisas vivas que são, o latim popular falado na Dácia acabou por se transformar no actual romeno, tal como o falado na Itália no actual italiano, na Gália no actual francês, na Hispânia no catalão, castelhano, galaico-português, etc., etc.

Durante algum tempo o latim da Roma originária manteve uma aparência de identidade sustentada, sobretudo desde que a Igreja o adoptou como língua eclesiástica e litúrgica antes do início da Alta Idade Média; mas mesmo esse foi sofrendo alterações ao ponto de um estudioso de latim clássico ter dificuldade em entender um texto em latim eclesiástico do século XII ou XIII, por exemplo.

Imaginemos que um folgazão dessas eras, insuflado de ideias “ortografistas”, se lembrava de tentar impor ao latim de Roma uma “grafia unificada” misturando, com as inerentes “facultatividades”, as formas do latim popular gaulês, dácio, lusitano, itálico… Só esta ideia tonta dá vontade de rir, e obviamente nenhum estudioso no seu juízo perfeito a consideraria, a menos que se tratasse de um escritor de ficção científica que inventasse uma novela de “história alternativa” passada num universo paralelo, onde esse caricato fenómeno tivesse ocorrido com todas as suas delirantes (e quiçá interessantíssimas) consequências.

Bom, tudo é possível no fantástico universo das ficções, e tal fantasia até poderia dar origem a um trepidante filme em 3-D com imaginosos efeitos especiais e outros truques que encantassem as plateias.

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Há motivos de sobra para suspender a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 em Portugal. Aqui ficam alguns, para quem os quiser ler. O importante é esclarecer e não tomar o AO90 como um dado adquirido, pois não tem de o ser. Temos uma palavra a dizer, basta querermos. Neste caso, basta assinar e enviar o impresso de subscrição da ILC. Pode fazê-lo agora mesmo e ajudar a impedir a instituição de um absurdo. Colabore!

a) O AO90 não é ortográfico, é matemático e político. Senão vejamos: Portugal tem 10 milhões de habitantes; o Brasil tem quase 200; os restantes países de expressão oficial portuguesa terão cerca de 50 no total. Neste “acordo”, quem deu cartas foi o Brasil. Nós só cedemos, em tudo. Do lado de lá praticamente não houve alterações. Não é um acordo, é uma declaração de subserviência. É a imposição de uma ditadura ortográfica. Enquanto país, julgo que está na altura de recuperarmos a nossa independência e, já agora, alguma dignidade e auto-respeito. Nesta equação, importa ainda não esquecer que Angola e Moçambique, dois outros países com mais falantes do português do que Portugal, não adoptaram ainda o AO90 (com o que só merecem a minha admiração e vénia) e muito menos o irão aplicar na prática tão cedo.

b) Dizerem-me que trocar “óptimo” por “ótimo” não faz diferença, pois diz-se da mesma forma, é como dizerem-me que trocar azinheiras por eucaliptos não faz diferença, pois ambos são árvores, e que a floresta fica basicamente na mesma. Ou dizerem-me que trocar os castelos por arranha-céus não faz diferença nenhuma, pois é preciso evoluir e, afinal de contas, são apenas zero vírgula não sei quantos por cento dos elementos que constituem as localidades. Só podem estar a brincar. (Mas não duvido que aparecessem argumentos a favor!!)
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SAPOnoticiasDiscussão sobre o novo Acordo Ortográfico ignorou países africanos, diz linguista

O linguista moçambicano Feliciano Chimbutane defendeu que a discussão sobre o novo Acordo Ortográfico nos países lusófonos foi bipolarizada, considerando que o debate foi dominado por Portugal e Brasil, ignorando os outros países falantes de língua portuguesa.

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“O grande problema sobre o Acordo Ortográfico reside no facto de que, inicialmente, disse respeito a Portugal e Brasil apenas e as outras nações foram simplesmente levadas na trela. Não houve atenção de integrar as preocupações das outras nações”, disse à agência de notícias Lusa o professor de linguística da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, a maior de Moçambique.

Para o investigador moçambicano, as intenções do novo Acordo Ortográfico “são boas”, na medida em que é importante que se aglutinem as várias formas existentes, procurando uma uniformização da escrita na língua portuguesa.

“A escrita é resultado de uma convenção, as pessoas sentam-se e decidem como deve ser a escrita”, afirmou Feliciano Chimbutane.

Por seu turno, a especialista em línguas Fátima Ribeiro considera que a questão do novo Acordo Ortográfico não possui nenhuma relevância para Moçambique, na medida em que o país ainda tem muitos problemas que deviam constituir prioridades.

“Nós não temos capacidade financeira para aplicar tudo aquilo que a adesão ao Acordo Ortográfico implica, por exemplo, a questão da revisão dos livros escolares, a formação dos professores e dos próprios jornalistas”, afirmou Fátima Ribeiro.

Para a especialista, o Acordo Ortográfico não atingiu o seu principal objectivo, que era o de uniformizar a escrita entre Portugal, Brasil e os outros países falantes de língua portuguesa.

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MEC_Publico_20_5_2015Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o “mundo lusófono” através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo “exacto” e “correcto” como digo “pacto” e “concreto”. Digo “facto” como fact, tal como “pacto” como pact.

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

Às armas!

[Transcrição integral de artigo no jornal “Público” de 20.05.15. “Links” nossos. ]

angop_logo17 Maio de 2015 | 06h29 – Actualizado em 17 Maio de 2015 | 06h29

Benguela: Investigador diz que implementação do acordo ortográfico merece moratória

Benguela – A implementação do acordo ortográficos de 1990 deve merecer alguma moratória, na medida em que o país necessita aumentar as suas infra-estruturas e colocar todas as crianças no sistema normal de ensino, disse Sábado, em Benguela, o investigador em ciências de educação e assessor do ministro da Educação, Filipe N’Zau.

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Filipe N’Zau teceu essas considerações durante a conferência sobre a posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e seu impacto no contexto socio-económico, realizada em Benguela, no âmbito da V Feira Internacional que decorre nesta cidade de 13 a 17 deste mês.

O também coordenador adjunto da Comissão da posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 disse que, uma das implicações da inserção desta nova forma de escrever e falar, implicaria a formação de professores e de alunos, isto é, do ponto de vista educativo.

Segundo o prelector do workshop, do ponto de vista económico o governo gastaria com isto mais de 600 milhões de dólares (60 triliões de kwanzas) para a reprodução de manuais escolares em todos os níveis de ensino, sendo do ensino primário ao superior.

“Pede-se ponderação, porque o país precisa aumentar o número de infra-estruturas para albergar as mais de 300 mil crianças que se encontram fora do sistema normal de ensino”, referiu.

Fez saber que, até mesmo em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1990 também encontra prós e contras, por isso, outros aspectos a considerar são culturais, pois Angola possui várias línguas étnicas.

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105fm_logoMiguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia não aceitam novo Acordo Ortográfico

 

Escrito por LUSA – 105 FM – 09 Maio 2015

Os escritores e cronistas Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia vão continuar a usar o Acordo Ortográfico de 1945, questionando a utilidade do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, cujo período de transição da sua aplicação termina quarta-feira*.

Questionado pela Lusa, se a partir de 13 de Maio irá utilizar a nova grafia Miguel Esteves Cardoso foi peremptório: “Claro que não! Nunca. É uma posição de liberdade e patriótica”.

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