ILC contra o Acordo Ortográfico

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Resultados da Pesquisa em língua unificada

Neste “debate”, emitido pela RDP – Antena 1 no dia 3 de Maio 2015 (com repetição no Domingo seguinte), a escritora Teolinda Gersão confronta o chamado “pai” do “acordo ortográfico”, Malaca Casteleiro. Visto que se trata de um “debate”, com inúmeras interrupções de parte a parte, transcrevemos em formato de entrevista apenas as intervenções de Teolinda Gersão. Os “links” e destaques são, obviamente, de nossa responsabilidade.

 

RDP: Teolinda Gersão, olhando a Língua nesta perspectiva história e evolutiva: crê que há necessidade, que havia necessidade, de a legislar? De a modificar através de Lei?

Teolinda Gersão: Obviamente que não e eu devo dizer que estou totalmente em desacordo com esta tentativa de uniformização porque ela é completamente impossível, nunca vai acontecer — e são os próprios brasileiros que o dizem. Eu estava a ouvir o Malaca Casteleiro e parecia-me que estava a ouvir um tratado de um académico, portanto, algo que pertence às academias mas que não está ligado à vida real. E eu vou falar em nome da vida real e do meu conhecimento, obviamente da Língua Portuguesa, mas também da variante brasileira porque a conheço muito bem, vivi dois anos em São Paulo, tenho imensos amigos brasileiros, aprendi a escrever Português lendo também autores brasileiros como Machado de Assis, por exemplo, ou Guimarães Rosa ou Drummond de Andrade ou quaisquer outros…

RDP: E leu nas versões brasileiras.

TG: Nas versões brasileiras. E em casa, desde criança que me explicavam “ah, no Brasil diz-se assim”. “Esta palavra” (por exemplo, “Ipê“) “não existe cá, é uma árvore que eles têm lá”. Explicavam-me e eu andava para a frente. E tropeçava na sintaxe, via que a gramática era diferente, a construção da frase era diferente, mas diziam-me “lá eles dizem assim, nós dizemos de outra maneira” e isso não me fazia confusão nenhuma…

RDP: Léxico e sintaxe. E a ortografia…

TG: A ortografia é um pormenor. O importante é o léxico e a sintaxe. E nunca vamos chegar a acordo nenhum. E mesmo na ortografia também não. Eu estava a ouvir tudo isto e estava a pensar: um acordo que se tenta fazer, no fundo, há cem anos, praticamente, e que não se consegue fazer, tem alguma coisa de errado na base. Porque se em ’45 os brasileiros não o aceitaram e “mandaram para o espaço” o que nós tínhamos pensado e não o puseram em prática — estavam no seu direito e fizeram eles muito bem — não queriam reintroduzir consoantes que já não pronunciavam. Nós temos o mesmo direito de agora não cortar consoantes que pronunciamos ou outras que são etimológicas. Não podemos rasurar a etimologia. Obviamente que o Brasil é um país muito jovem, a independência é em 1822, portanto é no séc. XIX, estamos quase, ainda, vizinhos dessa data e é um país onde nunca houve, nem haverá, uma única ruína romana, obviamente. Roma não lhes diz nada e o latim não lhes diz nada. E o Brasil é produto de uma fusão enorme de Línguas de emigrantes que para lá foram. A maioria foi portuguesa, obviamente, mas havia os indígenas e depois nós…

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armasRPNesta gravação, Henrique Neto diz aquilo que pensa sobre o AO90. Se bem que refira também a tese da “revisão” do acordo como sendo algo de plausível, estamos sem qualquer dúvida perante um depoimento de inegável relevância política, visto tratar-se de um candidato à mais alta magistratura da Nação, a Presidência da República Portuguesa.

Esperemos que outros candidatos às próximas eleições presidenciais lhe sigam o exemplo e digam igualmente de sua justiça sobre um assunto que deverá, com toda a certeza, ser “de relevante interesse nacional” também para eles.


«O Acordo Ortográfico é um tema controverso e Henrique Neto tem também as suas dúvidas sobre a eficácia do mesmo!»
 

[transcrição]
A minha opinião relativamente ao acordo ortográfico nunca foi muito favorável. Porque a Língua, que deve unir as pessoas e os povos, no caso do acordo ortográfico contribuiu para alguma desunião que tem prevalecido e que tem sobrevivido na sociedade portuguesa e presumo também que noutros países de língua oficial portuguesa. Pela importância do tema, eu resolvi aproveitar este Dia Mundial do Livro para ler uma declaração que é a forma mais rigorosa de expressar a minha opinião sobre o acordo ortográfico. E portanto passaria a ler.

‘Neste Dia Mundial do Livro, quero chamar a atenção do país para a importância política, social, cultural e geo-estratégica da Língua Portuguesa. Trata-se de um património insubstituível, que não pode correr riscos experimentalistas ou facultativos como os que estão previstos no chamado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990”. Acordo que continua a merecer críticas generalizadas da comunidade científica e dos mais qualificados utentes do nosso idioma, incluindo poetas, escritores, professores, jornalistas e tradutores. E não apenas em Portugal; as reservas ao acordo multiplicam-se também nos diversos países e territórios onde o Português funciona como língua oficial e veicular.

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Mais uma amostra de como prossegue sem “constrangimentos” nem “estrangulamentos” a “implementação” do “acordo ortográfico”. Na Wikimedia existem duas versões completamente diferentes da “maravilhosa língua unificada”: uma em acordês, ali designada como “português“, e outra em “português do Brasil“. Descubra as semelhanças.
wikimediaptpt wikimediaptBR

 

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Dicionário Larousse de "Brasileiro", 15 de Setembro

Dicionário Larousse de “Brasileiro”

Vamos evitar a batota

Arnaldo Niskier Especial para Diário da Manhã

No mundo lusófono, à exceção do Brasil, continua acesa a discussão em torno da aplicação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Enquanto aqui as coisas amainaram, em Portugal há um grupo de escritores insistindo na tese de que queremos o Acordo para exercer sobre os demais países uma forma inaceitável de neocolonialismo cultural. Foram longe em demasia.

No “Jornal de Angola”, houve um bem escrito editorial sobre a matéria. Afirmava que a língua portuguesa é patrimônio de todos os povos que a falam e toca num ponto interessante: “Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a língua portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil de Portugal ou de Angola.” O importante é que todos respeitem as diferenças e que não se transacione com os afetos que a língua veicula. Que sejam respeitadas as especificidades de cada povo, partindo do princípio de que somos falantes de uma língua que tem o latim como matriz.

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logo_cmDesacordo

Sempre discordei do acordo ortográfico de 1990.
15.03.2015 01:00

Rui Moreira
Presidente da Câmara Municipal do Porto

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Aliás, frequentemente escrevo textos, como estas minhas crónicas, de acordo com a grafia de 1945, ainda que eles sejam depois “corrigidos”. Quando os leio, publicados, fico irritado por ver, por exemplo, que os “actos” foram transformados em “atos” mal atados ao texto.

O acordo é mau, porque distorce a língua portuguesa e introduz confusões desnecessárias. Uma das características mais interessantes do português são as suas tonalidades no vocabulário e na fonética que resultaram em ortografias variadas, ainda assim entendíveis por todos, o que, infelizmente, não sucede com a língua falada, nomeadamente com o português de Portugal no Brasil.

Esta riqueza, que resulta da diáspora e das múltiplas influências, não foi entendida por políticos e fundamentalistas bem pagos que nos impuseram uma ortografia única. Coisa que os ingleses e americanos, por exemplo, nunca quiseram. O “neigbour” (vizinho) inglês não tem, por esse motivo, qualquer dificuldade em ler ou compreender o seu “neighbor” americano.

E não é por essas diferenças que deixa de haver um muito maior intercâmbio no domínio da escrita, do que entre Portugal e Brasil. Em qualquer caso, nenhum brasileiro deixa de comprar um livro editado em Portugal só pelo facto de ser escrito na grafia de 1945.

E como era inevitável, depois de se impor uma impossibilidade por decreto, o objectivo de criar uma ortografia única para todos os países de língua oficial portuguesa resultou num fiasco. Desde logo, porque os angolanos não se deixaram seduzir pelo projecto e os brasileiros continuaram a escrever à sua maneira. Ao contrário, e como é hábito em Portugal, onde abundam as imposições e falta o bom senso, depois de milhões a introduzir um pseudo-acordo que chegaram a apelidar de conquista de Abril, ninguém diz que o rei vai nu. Querem, ao invés, vesti-lo de ridículo, ao penalizarem os alunos do secundário que a ele não se atem. Registe-se, então, e em ata bem atada, que isso é, apenas, mais um degrau neste grande disparate…

Rui Moreira

[Transcrição parcial de artigo, da autoria de Rui Moreira, publicado no “Correio da Manhã” de 15.03.15. O texto original, que foi estropiado automaticamente, como diz o autor, foi por nós revertido, também automaticamente, para a ortografia correcta. Os “links” e destaques são nossos.]

Já sabíamos que a PT (Portugal Telecom) tinha “adotado” uma lista de 200 “variantes” da “maravilhosa língua unificada”, ficamos agora a saber que também a UE (União Europeia) “adota” a sua própria lista de “duplas grafias” geradas pela mesma “unificação” que o AO90 diz “garantir”.

Isto significa, literalmente, que temos agora não uma norma (o “acordês”), não duas normas (a brasileira e a portuguesa), não três “normas ortográficas” da Língua Portuguesa (acordês, Pt-Pt e Pt-Br), mas tantas as “normas” quantas as diferentes entidades, instituições, serviços ou empresas que decidam “escolher” a sua própria lista, o seu glossário particular com as suas próprias e exclusivas “regras”.

Ou seja, estamos já perante um processo de fragmentação da língua portuguesa numa quantidade de “normas” virtualmente infinita, como infinitas são as combinações possíveis de todas as possibilidades segundo o mui “científico” método da escolha “à vontade do freguês”.

logo_UE

Ortografia adotada pelas instituições da UE nos casos de duplas grafias

Acordo Ortográfico — novas duplas ortografias

De forma a uniformizar os textos produzidos pelo Departamento de Língua Portuguesa da DGT no que se refere às novas duplas grafias introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, foi decidido adotar as variantes indicadas na lista que se segue.

UEadotavariantes

adatilógrafa

 

Compare a tradução portuguesa com a tradução brasileira do mesmo “trailer” deste filme.

As legendas não deveriam ser iguais ou pelo menos parecidas?

Exceptuando o facto de o “C” de “daCtilógrafa” ter sido amputado, no título do filme, há – como sempre houve e como sempre continuará a haver – muito mais diferenças do que semelhanças entre as duas variantes de português.

Afinal, onde está a tal “maravilhosa língua unificada” de que falam acordistas?

Publico-20141115Anda por aí à solta uma epidemia da obediência antecipada, um zelo narcísico em obedecer e uma pressa institucional em se fazer obedecer, a bem dos brandos costumes. Por toda a parte onde se escreva e não se questione: nas editoras, nas universidades, na escola, nos serviços públicos, nas entidades privadas “esclarecidas”. No gesto tão modernaço quanto burocraticamente hirto com que abusivamente se procura dar por “oficializado” esse disparate técnico e essa inépcia política designados “Acordo Ortográfico de 1990”, uns, mais papistas que o Papa, emitem despachos: e os subpapistas despacham-se a cumpri-los, pelo facto de serem despachos. Nessa concha fechada do institucionalismo, emitiriam e cumpririam também os despachos opostos, uns com a alegria maldosa do álibi hierárquico, os outros com o prazer perverso ligado ao acto simbólico do puro exercício formalista do poder. Ainda outros, entregues à tara provinciana de serem os primeiros; quando não é o caso de terem na mira uma oportunidade de negócio em letra impressa: “já” estarem do lado bom das vendas.

Essa admirável cultura da legalidade ignora viciosamente o vasto historial argumentativo da resistência científica e, por isso, cívica que desde 1986 torna tudo menos “evidente” (e “de vosselências mui atento e obrigado”) o cumprimento de despachados despachos.

Ah, admirável superstição de amanuenses dóceis, que nos vêm recordar, caso estivéssemos esquecidos, que a Lei é a Lei, e que a tal ponto esta tautologia é majestosa e em si mesma, que, dizem, submete por igual soberanos e súbditos, enchendo-nos a todos de candura e paz! Talvez seja vício filosófico perguntá-lo, mas, na fórmula mágica “igualdade perante a Lei”, perante que instância é que essa famosa “Lei” por sua vez responde?

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«By destroying the words themselves, the state would be able to destroy the concepts they represented.»
George Orwell, “1984”

«Discussão:facto
Boa. Cheguei aqui à procura dum significado digno da palavra facto, mas em vez disso fui remetido para fato. Aí, encontrei quase um rascunho do sentido que procurava, o sentido 5. Mas, quando segui o link para o sinónimo, a ver se havia um significado um pouco mais desenvolvido, descobri que vinha dar a esta página outra vez. É obra. Quem procura facto sai deste dicionário com a ideia que significa fato. Quando é fato que pode ser também fa(c)to.

Fato e facto
São palavras da Língua Portuguesa, com o mesmo significado para todos os falantes.–antoniolac 00:38, 19 Janeiro 2007 (UTC)
Wikcionário “lusófono”

Verifique-se a data desta “reclamação” e depois a da última alteração da entrada respectiva: «Esta página foi modificada pela última vez às 05h17min de 24 de março de 2012.»

Por aqui se vê que pelo menos esta “reclamação” (de João Ricardo Rosa, activista da ILC) produziu efeitos, ou seja, os editores acordistas do Wikcionário re-introduziram à pressa a entrada sobre o termo “Facto”; isto porque, é claro, o AO90 prevê a dupla grafia “facto/fato” e eles, atarefadíssimos na sua obsessiva caça à “consoante muda”, tinham abatido ali um C a mais, de faCto, como terão de repente constatado.

Mas isto é apenas uma excepção para confirmar a regra, evidentemente, apenas e só porque o “acordo” que regula a “língua unificada” prevê mesmo não apenas aquela como outras 69 000 duplas grafias, das quais 4 000 integralmente novas, geradas, criadas, inventadas pelo mesmíssimo “acordo” que as iria abolir.

E é uma excepção também porque, como já vimos antes, não é permitido (pela Wikipedia e serviços quejandos) reverter a ortografia acordizada para a da norma Pt-Pt. E já vimos igualmente que não apenas é proibido reverter como toda a ortografia da norma em vigor em Portugal, em Angola e em Moçambique está a ser convertida, à força e com efeitos retroactivos, para a versão acordista.

De facto, designámos anteriormente este processo como genocídio linguístico mas o PAEC (processo de aniquilamento em curso) é ainda mais abrangente (e terrível) do que isso, visto que além de estropiar a ortografia de cada entrada lexical ou enciclopédica, por arrastamento “uniformiza” também os conteúdos. Ou seja, expliquemo-nos detalhadamente quanto a isto, mais uma vez, porque se trata de algo dificílimo de compreender e mais ainda de aceitar: os conteúdos explicativos, as ilustrações e os exemplos de cada uma das entradas lexicais estão a ser sistematicamente substituídos por… explicações brasileiras, ilustrações brasileiras e exemplos brasileiros.

Vejamos, assim um pouco “à sorte”, o caso da entrada wiki sobre “Metonímia”.

«Por exemplo, “Palácio do Planalto” é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser localizado lá o gabinete presidencial.»

Perdão? Como? “Palácio do Planalto”? Para mim, que não sou brasileiro, já agora, se me é permitido, pergunto: o que diabo vem a ser isso de “Palácio do Planalto”? Ah, é a morada oficial do Presidente do Brasil, obrigado, compreendo; sim, mas porquê a do Presidente do Brasil? Porque não a do Presidente de Angola? Ou a do Presidente de Moçambique? Ou ainda, e sempre apenas por exemplo, que mal fez à Wikipedia “lusófona” o portuguesíssimo, se bem que certamente modesto, “Palácio de Belém”?

Será que antes, quando havia naquele serviço duas versões, “Português” e “Português do Brasil”, naquela que não era “do Brasil” já se referia o “Palácio do Planalto”? Não estaria lá, nessa versão diferenciada, o nosso velhinho palácio presidencial?

Pois, isso pelos vistos nunca mais viremos a saber: como já aqui demonstrámos, toda a História está a ser sistematicamente apagada ou, pior, muito, muito pior, toda a História está ser substituída pela versão “atual” do Português, como se nunca tivesse havido outra coisa além desse aleijão.

Pois é claro que os exemplos ilustrativos deste fenómeno de extermínio cultural em massa encontram-se por todo o lado e com muita facilidade. Basta procurar seja o que for para verificar a sistematização implacável do processo.

Apenas mais uma amostra, tão ao acaso como a anterior: vejamos o que diz a Wikipedia “lusófona” sobre “Metáfora“. Sem palavras, porque uma imagem vale ainda seguramente, hoje como ontem, por mil daquelas “coisas”.

Antes ficámos a saber que as entradas lexicais em Português-padrão estão a ser exterminadas selectivamente, com efeitos retroactivos, agora ficamos também cientes de que os conteúdos o estão a ser na mesma medida: a ortografia portuguesa “nunca existiu”, pretendem os acordistas, como jamais houve fosse o que fosse em Português… fora do Brasil.


Esta imagem é uma das últimas provas que restam de que havia duas grafias do Português na Wikipedia. Ainda lá está hoje, esquecida, numa recôndita página de acesso. Mas até esta será rapidamente apagada, é certo e seguro, porque aos acordistas não interessa deixar qualquer vestígio de que alguma vez existiu algo mais do que uma única “língua unificada” e uma só “cultura lusófona”; num único país pelos vistos, porque os “restantes” não contam para nada.

Já aqui foi citado a propósito, porém nunca será de mais relembrar as sábias, premonitórias, certeiras palavras de George Orwell.

«O objectivo da Novilíngua não é apenas oferecer um meio de expressão para a cosmovisão e para os hábitos mentais dos devotos do IngSoc, mas também impossibilitar outras formas de pensamento. Tão logo for adoptada definitivamente e a Anticlíngua esquecida, qualquer pensamento herético será literalmente impossível, até ao limite em que o pensamento depende das palavras. Quando esta for substituída de uma vez por todas, o último vínculo com o passado será eliminado

“1984” é agora.

Nota: as imagens neste “post” são “screenshots” (uma espécie de fotografias do que se vê no ecrã do computador em determinado momento) obtidas na data de publicação deste mesmo “post”; é possível que haja nos respectivos endereços (URL) alterações posteriores efectuadas pela própria Wikipedia.

imagem guardada em 05.02.11

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Visto que têm surgido dúvidas sobre o montante total de duplas grafias previstas no “acordo ortográfico” e porque alguns desses resultados parecem estar a “desaparecer”, diminuindo progressivamente aquele total nas buscas Google, esta é a imagem da pesquisa tal como aparecia no passado dia 5 de Fevereiro do ano corrente.

69 000 de 210 000 são 33%, ou seja, 1/3 do total de entradas (lemas) da MorDebe. São estes os números redondos da “maravilhosa língua unificada”.

E está ainda por apurar, ao certo, quantas destas duplas grafias não existiam antes da “maravilhosa unificação” e que foram, por conseguinte, integralmente inventadas pelo mesmíssimo “acordo” que serviria para as eliminar.